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Blog Cavernoso

Pandemia e Pandemônio

Atualizado: Mar 30



Atualizado em 29/03/2021


Perto do fim da noite de ontem (25/03/2021), por volta das 23h, de supetão, o Poder Executivo Municipal de Nova Friburgo publicou dois novos Decretos.


O primeiro deles instituiu TOQUE DE RECOLHER em todo o território municipal válido já para hoje (sexta-feira) até 29/03 a partir das 23h até as 05h e do dia 29/03 até 04/05 das 21h às 05h (DECRETO n.º 938/2021). Além de multa administrativa, os cidadãos que infringirem o toque de recolher estarão sujeitos a encaminhamento às autoridades policiais - que apurarão cometimento de crime contra a saúde pública (com pena de prisão de um mês a um ano e pagamento de outra multa).


O segundo decreto (DECRETO n.º 939/2021) suspende o sistema de "bandeiramentos" no Município de Nova Friburgo e estabelece a paralisação de todas as indústrias, comércios e serviços entre 29/03 e 04/04, exceto para algumas atividades essenciais (p. ex.: atividades de saúde e veterinários), FEIRAS, HIPERMERCADOS, SUPERMERCADOS, prestadores de serviço de tv a cabo e internet, etc. A partir do dia 05/04 voltam a valer as regra das bandeiras, que foram alterados mais uma vez no início desta semana (clique e veja em A Voz da Serra) pelo DECRETO n.º 935/2001. Esta foi terceira vez nos últimos 3 meses (considerando o DECRETO n.º 879/2021, de janeiro, e o DECRETO n.º 910/2021, de fevereiro) que as regras de "bandeiramento" são alteradas e já não se sabe mais que efeitos práticos terá.


Dia 26/03/2021 (portanto, após a publicação original deste texto, ora atualizado), o Poder Executivo municipal publicou o DECRETO n.º 945/2001 que esclareceu que mesmo os serviços essenciais autorizados só podem funcionar até 21h em razão do "toque de recolher".


Temos acompanhado com imensa apreensão a escalada de casos e mortes no país inteiro enquanto tentamos controlar nossa imensa indignação com nossos governos claudicantes, que são conduzidos por pessoas sem liderança alguma e questionável competência. O "novo normal" apregoado se tornou o abandono da população à própria sorte para tentar sobreviver no caos pestilento que nossas cidades, estados e país se tornaram.


Pensando em suas pretensas reputações políticas (especialmente quando começam a sofrer arranhões e desgastes) nossos governantes têm apenas átimos de pálida lucidez quando saem da bolha do submundo onde vivem para olhar o mundo real. Têm vislumbres do pandemônio que por ação ou inação ajudaram a erigir e com preguiça "jênial" gestam ideias malformadas que vêm ao mundo sem muito planejamento, sem clareza e principalmente sem a anterioridade mínima que possibilite que a população se prepare.


Como dissemos na publicação que fizemos em nosso perfil no Instagram (@acidadela_oficial), pandemia é uma coisa e pandemônio é outra coisa. Pandemia é vírus se espalhando aceleradamente, colapsando hospitais e matando pessoas. Pandemônio é a barafunda criada pelos governos, que geram desordem, insegurança e ainda mais sofrimento à população.


Nós acreditamos que toda medida contra a pandemia deve ser utilizada, inclusive o lockdown. Não podemos negar a situação, não podemos negar o vírus e seu efeito devastador sobre a saúde das pessoas, a vida das famílias de suas vítimas e de toda a nossa comunidade. É preciso aceitar a realidade dos fatos para combater a pandemia.


Contudo, o pandemônio é um outro mal e esse nós não podemos aceitar como um fato inexorável. Em outras palavras, a desordem, a insegurança e o sofrimento adicional criados pelos nossos governos são inaceitáveis e demonstram exatamente o que se disse acima: a cada dia que passa parece mais claro que nossos governantes estão apenas preocupados com suas próprias reputações políticas e não têm nenhuma competência para motivar, influenciar, inspirar e de fato comandar a nossa sociedade (falta de liderança) a fim de atingir o objetivo maior neste momento que deveria ser o de proteger as pessoas do vírus com o menor prejuízo econômico possível. Pelo contrário, nossos governos são hesitantes e mesmo mais de um ano depois do início da pandemia constantemente vão e voltam atrás em suas decisões (ou seja, são claudicantes), demonstrando que tiveram letargia (preguiça) para estudar o assunto com seriedade ao longo desse período para pelo menos agora (um ano depois) estarem preparados para divulgar planos e estratégias eficientes com um mínimo da antecedência que é necessária para que a sociedade enfrente com tranquilidade medidas mais restritivas que se façam necessárias. A sensação que a população tem é que sempre somos pegos de surpresa porque decisões importantes ficam para a "última hora", o que aumenta demais as chances de se criarem regras cheias de lacunas e obscuridades (ou seja, regras malformadas) que confundem todo mundo.


Apesar de toda a nossa indignação com as sucessivas trapalhadas dos nossos governos (do federal aos municipais) aqui em a Cidadela temos sempre dito que queremos ser parte da solução e não parte do problema. Portanto, no melhor dos nossos esforços e com toda a boa-fé e RAZOABILIDADE continuaremos seguindo as determinações que são impostas.


É claro que, para citar Raul Seixas, sempre há aqueles que estão sentados "No trono de um apartamento, Com a boca escancarada cheia de dentes, Esperando a morte chegar" e não demonstram empatia por nós, não se sensibilizam com a necessidade que minha esposa e eu temos de tocar o nosso pequeno negócio, que é a nossa única fonte de sustento, além de ser o nosso sonho e a nossa vida. Não importa o quanto sejamos razoáveis, estes compõem a parcela dos que nos tratarão com desapreço e outros sentimentos do mesmo jaez - tudo, é claro, sempre manifestado por trás de um verniz de preocupação com a vida e outros valores nobres. Podem até afetar apreço e preocupação, mas não enganam ninguém. Ou será que, de repente, um dos países mais violentos e corruptos do mundo se descobriu repleto de paladinos preocupados com a vida humana e a saúde do próximo? Não...


Felizmente, a esmagadora maioria de vocês têm sido clientes fiéis, respeitosos, a quem passamos a amar fraternalmente e a admirar. Vocês nos têm ajudado a moldar a Cidadela e gostamos de pensar que temos ajudado vocês também de algum modo. Esse é o sentido de comunidade que desejamos manter e preservar, para que possamos crescer juntos, de forma sustentável, respeitosa e responsável.


Não se sabe se e quando tudo isso vai passar. Nada obstante, queremos que a Cidadela esteja aqui para experimentar a bonança e contamos com cada um de vocês, nossos clientes e amigos, para isso!