A nova reabertura

Meme: a re-reabertura da Cidadela


Ontem foi publicado no Diário Oficial o Decreto Municipal n.º 645/2020 que modifica muito as regras de flexibilização e reabertura das atividades econômicas no município de Nova Friburgo/RJ. Adicionou-se mais uma cor à escala de bandeiras, que agora são verde, amarelo, vermelho e roxo; modificou-se o critério para definir qual a cor da bandeira vigente na semana, que agora não considera apenas a ocupação dos leitos de UTI-COVID-19; e modificou-se também os tipos de restrições que cada bandeira impõe. 

Diante das alterações que foram feitas e que passaram a valer ontem mesmo, a Cidadela voltou às suas atividades hoje (sábado, 25/07/2020) às 14h00

Como sempre, nós continuamos cuidando da higiene do nosso espaço que é limpo e desinfetado todos os dias (e já era assim antes da pandemia). Além disso, para enfrentar esse momento, investimos em recursos para nos ajudar a manter o ambiente seguro para todos os frequentadores:

* Instalamos um tapete higienizador na porta da loja, que é umedecido com uma solução desinfetante para o solado dos calçados dos clientes;

* Disponibilizamos dispensadores de álcool em gel nos dois ambientes da loja;

* Disponibilizamos luvas de látex nos dois ambientes da loja para que os clientes possam utilizar no manuseio dos jogos;

* Instalamos painéis de acetato para formar barreiras físicas entre as mesas; 

* Adquirimos máscaras descartáveis para serem vendidas a preço de custo pra os clientes que porventura tenham esquecido ou perdido a sua;

* Adquirimos um vaporizador de alta potência para higienizar as toalhas de mesa da loja;

* Instalamos persianas para diminuir a incidência solar e viabilizar a utilização do espaço com conforto mesmo sem o ar-condicionado ligado, o que nos permite trabalhar com o janelão da luderia aberto, favorecendo a circulação e renovação do ar;

* Abolimos o cardápio de papel e criamos um virtual, que pode ser acessado pelo celular através do nosso site ou de um QR CODE disponibilizado nos dois ambientes da loja. 

Lembramos que além dessas medidas de segurança, fizemos também melhorias nas mesas de jogo, que agora estão dotadas de bordas extras com "card holders" e disponibilizamos toalhas de neoprene emborrachado para todas as mesas a fim de aumentar o conforto dos jogadores e preservar os componentes dos jogos.  

Como se pode ver, a nossa parte temos feito. A Cidadela fechou suas portas dias antes da vigência da determinação do governo municipal e somente reabrimos uma semana depois da autorização para tanto. Durante esses quase 04 (quatro) meses não escamoteamos a determinação de suspensão das atividades. Ou seja, além de todo o carinho no preparo destas medidas de segurança, demos com sobra nossa cota de contribuição para um isolamento social eficaz e seguro. Aliás, sentimos que assim agiu a maior parte das pessoas e empresas que, como nós, possuem consciência e valorizam a vida  - exceto por alguns maus exemplos que não constituem a maioria e não representam o comportamento do cidadão comum.

Sabemos que alguns clientes e amigos perderam seus empregos, fecharam suas empresas ou simplesmente adoeceram, alguns pela COVID-19, mas a maioria pelo medo e insegurança destes tempos. Sabemos também que, apesar dos esforços feitos pela maior parte povo, perdemos muitos irmãos. Muitos deles se foram pela COVID-19, mas não podemos ignorar o fato de que alguns tiraram a própria vida no mais extremo ato de desespero. 

São crises de pânico, transtornos de ansiedade, depressão e suicídios causados pela pressão psicológica do verdadeiro obituário que se tornaram os jornais sem que o povo consiga enxergar em governo nenhum alguma capacidade ou vontade de verdadeira reação. Todo o tempo que nós, o Povo, demos aos governos às custas dos nossos empregos, das nossas empresas e do nosso sangue parecem ter escorrido pelos mesmos ralos de sempre e muito pouco foi feito durante este período para aumentar e melhorar a capacidade da rede pública de saúde. Como se não bastasse tudo isso, nós, o Povo, ainda somos cobrados novamente pela imprensa e por alguns setores da própria sociedade, para quem nós, o Povo, fizemos muito pouco isolamento ou o fizemos do modo errado - um discurso que acaba injustamente pondo a responsabilidade pela crise sobre os nossos ombros e o ônus da pretensa "solução" (mais isolamento) na conta dos empresários.
Caixa do jogo Monopoly Deal
Foto: aCidadela.


Ocorre que a realidade é que a maior parte dos "empresários" é composta de microempreendedores individuais que se viram obrigados a abrir um CNPJ para sair da informalidade, ou de pais e mães, irmãos e irmãs, tocando pequenos negócios, gerando alguns poucos empregos (se muito), suportando uma pesada carga tributária, um aparato estatal super burocrático e um ambiente de negócios dos mais hostis no mundo¹, para no final do mês tentar tirar um pró-labore capaz de pagar pelas compras do supermercado, pelo aluguel de sua casa, pela escola dos filhos e o plano de saúde da família. 

Em suma, o "empresário" comum não é um sujeito de vetusto bigode branco, fraque, gravata borboleta e cartola que consegue suportar as perdas de tanto tempo sem trabalhar. Suspeito que aqueles poucos que são  ricos o bastante para se aproximar do estereótipo de "magnata" em questão provavelmente não estão sofrendo tanto com a pandemia, que não chega a ameaçar a grandeza de seus negócios - lê-se nos jornais que algumas empresas gigantes até conseguiram aumentar sua participação no mercado e estão lucrando mais.²

Então, como se pode ignorar a situação, em especial do pequeno empresário, pessoa comum, exigindo-se dele ainda mais isolamento e tempo de portas fechadas, ainda por cima sem nenhuma contrapartida estatal no aumento de cuidados com os aparelhos da saúde pública - hospitais, leitos de UTI, respiradores, insumos e etc.?

A questão é meramente retórica. Entendemos que isso não é possível e uma flexibilização mais branda e racional é mesmo o que se impõe e que cada um carregue consigo os ônus e os eventuais bônus de suas condutas à frente da crise em suas respectivas áreas de atuação - seja no setor público ou privado.

Meme: abre e fecha da economia


Voltando ao caso em concreto, sabemos que as novas regras não resolvem o problema econômico e muito menos o de saúde, mas esperamos que pelo menos agora não tenhamos mais o "abre e fecha" da economia da cidade e que possamos ter restituída para sempre a liberdade de desenvolver nossa atividade de trabalho e ganhar o nosso sustento e de nossa família. Para isso, é claro que nós, o Povo, devemos continuar agindo com responsabilidade e cuidado, evitando assim que tenhamos que entrar na bandeira roxa (de restrição máxima). Afinal, a COVID-19 continua por aí. 

Então, exortamos todos os nossos clientes a nos visitarem em breve com suas máscaras , faceshields, frasquinhos de álcool em gel e tudo o mais quanto reputem necessário. Mas que nos visitem e que tragam consigo alegria e descontração para que estes tempos sombrios fiquem menos pesados. 

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¹ Fonte: G1, disponível em https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/10/24/brasil-cai-em-ranking-do-banco-mundial-que-mede-a-facilidade-para-fazer-negocios.ghtml , acessado em 25/07/2020.