Contraponto: Wizards anuncia dois novos mundos para D&D 5ed

Força Cinza: caçadores de gigantes. Fonte



Eu entendo a frustração do Mestre Cavernoso em seu post, mas acho compreensível a escolha dos dois novos livros para cenários de campanha para a quinta edição de Cavernas e Dragões (Dungeons and Dragons), anunciados pelos Magos da Costa.

Trata-se, em minha opinião, de dois cenários que precisam de fôlego. Pelo pouco que conheço de Eberron, parece que ele bem ou mal traz elementos que não encontramos nos cenários clássicos dos Reinos Esquecidos, Falcão Cinzento e Lança do Dragão (mais conhecidos como Forgotten Realms, Greyhawk e Dragonlance, respectivamente). Isso sem contar que ele não tem o acúmulo de material que os outros cenários têm, que devem ter seus trinta anos, pelo menos, de livros de campanha, edições, convenções e romances e contos.

Pombal do Corvo e Sol Negro (Ravenloft e Dark Sun) trazem propostas interessantes, mas acho que têm um público ainda mais restrito para justificar investimentos, ainda mais em uma edição que tem tido uma abordagem não agressiva em termos de publicações -imagino que todos se lembrem da terceira edição, com sua proliferação de lançamentos.

Já o lançamento do livro do cenário de Mágica: o Encontro (Magic: the Gathering), tem como estratégia trazer alguns dos muitos fãs do jogo de cartas para o fantástico mundo do JIP (Jogo de Interpretação de Papéis, mais conhecido como RPG), além de fazer conversar dois produtos dos Magos da Costa (Wizards of the Coast). Acho que existe muito potencial aí, até porque o cenário conta com bastante material (existem romances lá ambientados, se não me engano). Acho a estratégia promissora, até mesmo em termos de público-alvo, pois é mais fácil um jogador de Mágica: o Encontro embrenhar-se nas maravilhosas veredas do JIP do que algum jovem fã de jogos de computador como Credo do Assassino ou a saga do bruxo Geraldo de Rívia (Assassin's Creed e Witcher).

Além disso, imagino que o abandono dos fãs inveterados não seja fortuito, pois duas razões: a primeira é óbvia: eles são inveterados. Sobreviveram à terceira edição e ao cataclismo da infame quarta edição, resistindo à custa de imaginação, tenacidade e gosto pelo jogo. Criaram novas campanhas com base no material existente, rearranjaram ou ignoraram a história oficial, preencheram lacunas e não se renderam. Talvez justamente por isso, esses jogadores são rebeldes e exigentes, e mudanças têm grandes chances de desagradá-los, enquanto novos materiais que não alterem significativamente o teor das antigas tramas não têm potencial para seduzir os mais jovens e os neófitos -esses sim o público-alvo dos Magos da Costa, que permitiriam expansão do jogo para novos horizontes.

Somos velhos dinossauros, a verdade é essa. Sobrevivemos a nossa própria extinção, e os Magos da Costa sabem disso: talvez eles tenham um certo senso de dever cumprido com a gente. Agora, apostam nessa nova geração, para que ela se apaixone por Eberron e Mágica: o Encontro, para também ela sobreviver aos meteoros e cataclismas por que, inexoravelmente, passarão em suas vidas.

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