A Travessia da Floresta Escura - 13° ato




O pobre Bartolomeu sonhava acordado. Pensamentos terríveis (e outros nem tanto) atormentavam o jovem sacerdote de Wee Jas
[imagem: Study of Drapery, Alfonse Mucha, 1900]


A Grande Druida Urinyairoppasath olhou para cada um dos aventureiros e os agradeceu. O fino manto transparente que a cobria, em seu leito, estava no chão, e ela portava sua nudez com naturalidade diante dos aventureiros. Wurren ajoelhou-se em respeito a sua superior, e mantinha os olhos baixos, constrangido que ficou por olhá-la sem roupa, ainda que quase de relance. Nem todos compartilhavam da sua atitude, porém; Gato Preto demonstrava quase volúpia, e mesmo Bruenor e Eldrin não conseguiam evitar que os olhos vadiassem quase que por vontade própria; Bartolomeu, com o corpo de Ânn em seus braços, tinha o olhar embaçado e indiferente. Mas todos, de alguma forma, admiravam a beleza à sua frente.

Wurren, ainda ajoelhado, relatou o que ocorreu na exploração das câmaras abaixo, e pontuou que se aventuraram por elas sob os protestos de Charix. A estranha tumba druídica adornada de jóias, as armadilhas e, principalmente, o templo Ur-Flan oculto e protegido, com um portal para Icrácia e o local onde Bellak encontrou seu fim.

-Então vocês conheceram Bellak? -a ninfa falou com sua voz doce e melodiosa. Ele veio aqui com seus capachos, mas nós fomos pegos de surpresa e não fomos páreo para ele. Para retardá-lo em seus intentos, tudo que pude fazer foi convocar uma reunião urgente do conselho, limpar a memória de meu fiel servo -ela olhou para Charix, com algum pesar no semblante. Desculpe-me, meu querido, mas não poderia deixar que eles o aprisionassem para arrancar informações de você. Ele não sabia de nada -falou, virando seus grandes olhos violeta para os aventureiros-, não se lembrava mais de nada. Eu também não podia nem abandonar o local, nem enfrentá-los, então induzi um coma quase tão profundo quanto a morte, de maneira que eles não encontrariam respostas aqui. Mas eles então encontraram alguma outra forma de adentrar no templo. Fortuita foi a aparição de vocês. Temo que o conclave não iria se reunir a tempo de impedi-lo.

Ela então olha para os aventureiros esperando alguma reação.

-Nós nos encontramos com outra sacerdotisa Ur-Flan a pouco mais de um dia daqui. Ela matou de um de nossos companheiros -Wurren falou, com a cabeça baixa e pesar na voz. Havia elfos com ela, e até um culto primitivo na região, que envolvia o sacrifício humano, inclusive de crianças. Mas é difícil, Grande Druida, compreender por que havia um portal para Icrácia aqui. Nós estivemos lá, fica distante, a pelo menos 3 dias em passo acelerado. E é um lugar maligno, corrompido.

-Vocês estiveram em Icrácia? -Urinyairoppasath não conseguiu esconder a surpresa.

-Sim. Viemos aqui, inclusive, em busca de informações sobre o paradeiro de uma amiga. Não obtivemos resposta do Arquidruida, mas, lá embaixo, combatendo os Ur-Flan, de cuja ameaça ele nos alertou, nós conseguimos encontrá-la. Mas não antes de Bellak. Ela está morta -e Wurren então olhou em direção ao corpo nos braços do seu companheiro astrólogo.

-Os tempos estão mudando, então, se Icrácia já pode ser encontrada. A situação é mais crítica do que eu imaginava. Teremos muito o que deliberar -a Grande Druida parecia falar consigo mesma. Talvez eu não devesse contar isso a vocês, mas vocês já viram muitas coisas, e devem estar com muitas perguntas. É possível que eu tenha que responder por lhes fornecer esse tipo de informação, mas vocês demonstraram seu valor e extirparam um grande mal hoje. Vou lhes contar.

A ninfa discorreu sobre o maldito Vecna, que há muitos e muitos anos caminhava entre os mortais e impôs um governo extremamente maligno e opressor numa vasta região cuja capital era Icrácia. Vecna empregou artes necromantes e alianças espúrias com ogros, trolls e todos os tipos de orcs e goblins, expulsando e escravizando todos os povos da região. Os humanos e elfos foram os que mais sofreram. Após seu colapso, nas mãos de seu amado general Kas, a terra foi lentamente sendo retomada.

- Poucos se lembram dessa história, e cabe a nós preservá-la, e também o que restou, como os templos e os artefatos -concluiu a ninfa, olhando diretamente para Wurren. Vejo que você carrega algo muito perturbador, jovem Iniciado.

A voz melíflua da Grande Druida parecia enfeitiçar a quase todos. Ela dava à história um tom confessional e quase sussurrava, como se lhe arrancassem um segredo, como se ela pudesse se colocar em perigo ao tratar do assunto.

-De fato, senhora. Essas pedras estavam com sacerdotisa Ur-Flan, e, ainda, esse livro junto a Bellak. Ele o tomou de Ânn, que o havia encontrado em Icrácia. Não conseguimos identificar o que são.

-Deixe-me vê-los, por favor, Wurren.

O meio-orc estendeu os artefatos. A Grande Druida fez um esgar de desgosto quando viu as pedras, mas seus olhos miraram o livro estranhamente, percebeu Bartolomeu. Não era surpresa, mas também não era incômodo como a maneira com que ela olhou para as pedras.

-O tomo de Rillikandren. O tomo perdido - a ninfa tentava esconder a ansiedade.

Bartolomeu percebeu o que o incomodou ao vê-la olhando assim para o livro: ela o desejava. Isso fez com que o astrólogo saísse de uma espécie de transe em que as palavras da ninfa parecia ter enredado a todos. Ele não acreditava que a Grande Druida queria a volta de Icrácia, ou que fosse alguma adoradora do maldito, mas havia muita coisa que não estava sendo dita, apenar do suposto segredo que ela contara e que não acrescentava muito a história nenhuma, apesar de que, quando ela falava, dava essa impressão. Sentindo o corpo de Ânn mais pesado em seus braços, falou pela primeira vez, com a voz rasgada e amargurada:

-Por que vocês protegem esse legado nefasto, se ele é tão maligno? Por que preservar esse tipo de conhecimento, tornando-o acessível a proscritos como Bellak? Por que manter abertas as portas para um templo Ur-Flan com um portal para Icrácia, nos subsolos de um templo druídico? - as perguntas eram feitas em tom quase belicoso, acusatório.

Um silêncio incômodo tomou a sala onde, antes das palavras do astrólogo, reinava a harmonia. Agora, surgia uma pontada de dúvida nos rostos complacentes dos companheiros, como se só agora elas ponderassem sobre tudo o que a Grande Druida falou.

-Calma, Bartolomeu, ela tem seus motivos. Não precisa falar assim. -Gato Preto tentava amenizar a situação.

-Você conseguiria perceber esses motivos se não estivesse tão preocupado olhando para os peitos dela. - o tom do sacerdote ainda era frio e beligerante.

-Isso que me pergunta, eu não posso revelar a vocês. Eu já falei mais do que deveria. Nós, druidas, somos muitas coisas, e preservamos a vida e o conhecimento. Tudo tem sua razão, na vontade dos Antigos. A ninfa pareceu intocada pelo tom agressivo do astrólogo.

-Então eu não confio em você. Você sabe muito bem quem é o deus dos segredos, e eu não compactuo dessa crença. Não confio em você como guardiã desse livro. Devolva.

-Se é esta sua vontade, eu assim o farei -e olha diretamente para Wurren.

O druida estava quieto, ajoelhado aos pés da ninfa. Mas as palavras de Bartolomeu alteraram seu rosto, e novos pensamentos o perturbavam.

-Estou muito grato por tudo, Grande Druida. Mas acho que esse livro ficará melhor em nossa posse. -e ele então pega o tomo, e ninguém consegue esconder a surpresa, nem a ninfa, nem mesmo Bartolomeu.

- Vocês fizeram sua escolha. Devo adverti-los que não foi sábia. Isso não vai agradar minha Ordem. Não farei nada para impedi-los de sair daqui, conquanto o façam imediatamente. Quanto aos demais, só posso sugerir que deixem a Floresta Escura o mais rápido que puderem. Eles vão atrás de vocês. E eles não são os únicos que querem esse livro. - a voz da ninfa ainda era melódica, mas era como se algum encanto nela se partisse, e ela parecia como que desafinada.

-Então não temos tempo a perder. -e, com isso, Bartolomeu se retirou, olhando para trás enquanto subia os degraus, observando Urinyairoppasath e seu guardião, o fauno Charix. Talvez pela última vez.

Muitos são os seres que escondem sua malícia através de canto suave ou voz melodiosa. A maior parte do que os ouve encontra um desafortunado destino.


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Os aventureiros pareciam ter certa urgência em sair da floresta, pois mesmo após apenas alguns dias, a sensação de clausura era forte abaixo daquela árvores grossas de copas frondosas em que a luz do sol não conseguia penetrar; por outro lado, a conversa com a Grande Druida não terminou muito amistosamente, e a ninfa deixou claro que eles poderiam ser perseguidos pelos próprios druidas. 

Bartolomeu pensava com raiva. Tão cobiçosos estão em manter e preservar esse conhecimento maligno que já não distinguem mais aliados de inimigos, e não reconhecem que falharam em evitar o ressurgimento dos Ur-Flan. Perdidos em sonhos de grandeza, autointitulados guardiões de um conhecimento sobre o qual querem segredo. Será que não sabem quem é o deus dos segredos? Não à toa são tão escuros os dias sob essa floresta. 

Ordens, castas, congregações, soberanos e vassalos, todos aspirantes à grandeza mas, no fundo, todos parasitas egoístas, atendendo a interesses pessoais em nome de alguma causa maior. Mesmo aqui, no meio dessa floresta suja, esses druidas estão infectados pelo mesmo mal, a mesma gana que pretende angariar poder, ao custo de não compartilhar nada, ao custo de excluir a todos que eles não vejam como iguais. 

Foda-se se matamos um vilão Ur-Flan que quase matou a grande druida e que reabriu as portas para Icrácia, recuperando o tomo que arrancou deles. A gratidão deles se restringe a repetir o que já sabíamos, contar algumas lendas que não fazem diferença alguma agora, e falar isso como se fosse uma grande concessão! Uma concessão! Manter-nos nas trevas das ignorâncias, enquanto eles lidam com um poder escroto, que eles próprios preservaram, e que eles próprios são incapazes de controlar. Fodam-se todos.

Bartolomeu arfa com o peso do corpo em seus ombros e da raiva de seus pensamentos. A caminhada transcorre sem incidentes, até que resolvem parar, preferencialmente longe de qualquer raiz maligna que vai tentar engoli-los durante a noite.

Enquanto os outros dormem, Bartolomeu vela o corpo de Ânn. Pensa em tudo que não pode dizer para ela, pergunta todas as perguntas que esperava serem respondidas, chora de frustração pelas semanas de caminhada infrutífera, chora de dor. Talvez chore de amor, mas não tem certeza. Colocando ambas as mãos sobre o corpo frio, ordena Volte! Volte das trevas, volte dessa morte odiosa nos salões vazios de Icrácia. Mas há apenas mais silêncio, cortado pelo crepitar espaçado da lenha meio úmida na fogueira e pelos soluços do jovem sacerdote.

Sente os vultos da Floresta Escura se aproximarem: parecem sentir o cheiro da carniça, parecem querer tragá-la para a solidão sombria dessas matas. Parecem se comunicar com ele, um tom doloroso e persuasivo que agora ele já não sabe se se dirige ao corpo sem vida ou ao seu próprio, carregado de pesar. Será disso que se alimentam? Do infortúnio das almas da floresta? Isso explicaria muito.

Representação de Bartolomeu cercado pelo espíritos da Floresta Escura. Reparem o semblante do astrólogo, ouvindo as tentações sombrias.
fonte: Marionetes demoníacas, Paul Klee, 1929

Gato Preto se aproxima, fazendo barulho. Bartolomeu sabe que, se ele quisesse, só o ouviria quando estivesse já sentado ao seu lado. Agradecendo mentalmente a consideração do companheiro, enxuga os olhos antes que ele o veja. 

- Vocês se amavam? -Gato Preto também é adepto da objetividade, sem se perder em rodeios sem sentido.
- Ela, eu não sei -as palavras saíram sem que Bartolomeu pensasse.
- É o bastante. Triste que tenha terminado assim. De alguma forma, esses escrotos sempre conseguem foder nossas vidas, pois não se preocupam em poupar a vida de ninguém. O único consolo que nos resta é que Belak não matará mais. Você impediu que ele espalhasse mais sofrimento pelo mundo. 
- É um pensamento reconfortante.
- Mas, sabe, isso não precisa continuar assim. É possível trazer as pessoas de volta do mundo dos mortos. Ressuscitá-las. 
- Você tem o poder de fazer isso? -perguntou Bartolomeu.  
- Não, mas já ouvi falar de clérigos poderosos que podem.
- A ressurreição é algo miraculoso. E muito complicado. Não sei como funciona, mas duvido que seja algo que alguém em um templo faria. Não conheço ninguém a quem poderia pedir isso. Muito menos alguém que faria isso por ela. 
- Entendo. Bem, é só uma ideia. Vou voltar ao meu sono. Boa noite, Bartolomeu.
- Boa noite.

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Bartolomeu passou a noite em claro, velando o corpo. Quando não tinha mais lágrimas para verter, bem depois de a chama da fogueira se apagar, o dia começou a clarear, vagarosamente, pois não há nascer do sol na Floresta Escura. Partem sem demora após um breve desjejum.

Não conseguiu ainda conversar como Wurren. O druida parece menos propenso a conversar do que ele próprio. Imagina o quanto a decisão deve ter custado para ele, sempre tão fiel à hierarquia. Deixa para conversar com ele depois, quando tanto ele quanto o meio-orc já tiverem assentado melhor os pensamentos. Não sabia que não teria mais essa oportunidade.

O caminho de volta os leva pelo mesmo lugar em que cremaram o corpo de Adam. Ninguém questionou a escolha de Bartolomeu, ainda que a inumação seja regra entre os humanos. Os corpos, apesar de desprovidos de vida, não são meros objetos: o corpos mantêm algo da energia vital entranhada em cada músculo, osso e fio de cabelo, algo que transcende a podridão e a decrepitude. Por isso, há animais carniceiros. Por isso, há monstros que abrem covas e sugam até os ossos sujos de terra. Por isso certos componentes mágicos usam partes de monstros mortos. E, por fim, por isso existem necromantes capazes de erguer cadáveres.

Em terreno sagrado, Adam poderia repousar em paz. Mas o solo da Floresta Escura é solo disputado. É um solo de butim. Bartolomeu quis privar o corpo de Adam de qualquer destino triste, e evitar que com ele fosse feito qualquer coisa que seu companheiro não teria aprovado. Por isso, ele foi cremado, e a fumaça e as cinzas do que um dia foram o astuto ladino foram ofertadas aos deuses, e ninguém além dos presentes em sua morte sabe onde ele encontrou seu destino, e em qual encruzilhada foram feitas as preces buscando as graças dos deuses.

As árvores vão se tornando mais espaçadas e Ravina Verdejante fica mais próxima.

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Próximo ato                                                                                                                           Ato anterior


Comentários

  1. Narrativa vibrante e impecável!

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    1. Eu gostei de escrever esse ato. Foi um momento dramático da aventura (logo após outro momento dramático, a morte de Ânn). Bartolomeu está com raiva, agressivo.

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    1. fico feliz em ver que você ainda acompanha as aventuras, Robinho! O próximo capítulo trata da triste separação do grupo. Você e Mário (e Bernardo) podem propor novas cenas. Há um silêncio proposital cercando a saída de vocês.

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    2. Eu li também, só não deu pra comentar porque o horário do almoço acabou, rs... Senti um certo ressentimento contra o Duncan. Que ação não heroica o Duncan fez?! Se sacrificou pelo grupo várias vezes e chegou a morrer fazendo isso, provocando um dragão a atacá-lo quando tinha míseros 4 pvs só para dar mais tempo a seus companheiros!! Se jogou duas vezes em um precipício para impedir que dois completos trapalhões morressem numa queda gigantesca!! Isso só pra falar das duas maiores!! Manchar a memória do Duncan é vacilo, rsrs...

      Brincadeiras à parte, ele e Bartolomeu pensam de forma muito contrária realmente. Eu gostei do relato, das reflexões acerca da diferença da visão de mundo entre eles e tal. Eu vejo o paladino dos antigos (não lembro exatamente qual o nome que tem no livro) como um sujeito meio "inocente" realmente. Não acho que ele tenha uma moral tão rígida assim, mas acredita muito em inocência, esperança, clemência, segundas chances... Ele acredita que essas coisas podem levar à redenção e à paz e, mesmo sabendo que muitas das vezes (para não dizer quase sempre) não funcionará assim, ele entende que tem a obrigação de tentar, até porque foi algo que funcionou com o próprio Duncan. Tal visão não se coaduna com o passado de guerra do Bartolomeu, que tinha visto uma realidade bem diferente da visão sonhadora do palada...

      O Mario comentou comigo recentemente que eu tinha me separado de vocês junto com o Wurren (não sabia que o Bogus também tinha parado com o game, fiquei sabendo através dele, acho que na semana passada) e que tínhamos ficado com todos os itens que eram importantes, mas eu não sabia as circunstâncias. Ele comentou que teve que mudar algumas coisas devido às nossas saídas, então aproveitou esse gancho para que os nossos personagens fossem resolver os assuntos da Velha Fé eles mesmos, já que era algo que não combinava tanto com o grupo remanescente. De repente rola uma reunião no futuro. Improvável, mas não impossível...

      O Mario insistiu bastante para que eu jogasse essa sessão do reencontro com vocês, mas nem computador eu tinha naquele momento. E se nem no PC o game online me estimula muito, quanto mais pelo celular. Realmente não deu... Mas quero ver se apareço numa pré-sessão. Avisem no grupo, que, se der, eu apareço lá para trocarmos uma ideia...

      Abraços!!

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    3. Ah, os diários de campanha do Sacripanta são uma puxação de brasa danada pra sardinha do Bartolomeu! Kkkkk. Mas não se pode o culpar por isso, afinal, como diz o velho adágio português, "quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é tolo, ou não tem arte". Mudando o que tem que ser mudado, quem escreve tem o "privilégio" de puxar uma brasa pra sua sardinha, não é? Kkkk.

      Achei que o "ressentimento" a que se referiu diz mais respeito à forma como o Duncan saiu do grupo com o Wurren (na calada da noite, sem dar tchau e levando consigo diversos itens importantes para se descobrir mais sobre a Icrácia) do que com o paladino propriamente. Talvez (eu disse: TALVEZ) no íntimo o Bartolomeu tenha entendido isso como um gesto claro de "desconfiança" da parte do seu Pj e do Bogus. Estou só conjecturando.

      Quanto ao Bogus, de fato sua saída foi repentina e sem maiores detalhes. Apenas disse que estava com muitas coisas (mulheres?) acontecendo em sua vida e que não tinha mais tempo ou disposição para se dedicar ao jogo como o restante do grupo. Creio que a grande pilha que o Sacripante, o Gato Preto e o Leandro têm em jogar possa ter contribuído para que o Bogus se sentisse assim.

      Da minha parte, acho que também acabei contribuindo um pouco, porque (como você sabe muito bem) de vez em quando dou um chilique com faltas, atrasos e etc. E com o Bogus tava difícil de encontrar um dia na semana qualquer que pudesse jogar. ;) Anyway, espero que ele volte a dar notícias em breve, pois sua falta é muito sentida.

      Quanto a você, bom, nada que possa acrescentar. Sua falta também é muito sentida. Não sei o que houve contigo, que sempre foi muito animado para jogar (até no blog escrevia com frequência) e de repente, de uns meses pra cá, estava sempre calado e distraído, sem ânimo. Tomara que as "férias" do jogo não sejam para sempre! ;)

      Sei que jogar via Roll20 não é a mesma coisa que jogar presencialmente, mas tem lá suas vantagens, como, p. ex., proporcionar que jogadores distantes se juntem a nós e, sobretudo, facilitar os encontros em horários em que normalmente não seria fácil nos reunirmos (tal como num dia se semana à noite).

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  3. Eu de fato acabo puxando a sardinha pro sacerdote de Wee Jas mais amado de Greyhawk. Mas não é para beneficiar o Bartolomeu, de forma alguma. Uso esses relatos para desenvolver melhor o personagem (até mesmo para mim), colocando algumas reflexões e interpretações dele.

    Tento estimular a participação da galera. Perguntei várias vezes no grupo se alguém queria acrescentar a visão do personagem a determinadas cenas, mas ninguém nunca se prontificou. O espaço está sempre aberto, porém acaba sendo preenchido apenas por Bartolomeu. Eu às vezes faço um esforço para colocar o ponto de vista dos outros personagens, mas é complicado fazer isso sem o aval dos jogadores, então em geral acaba sendo uma visão da forma como Bartolomeu os vê.

    Mas as coisas vão caminhando. Gato Preto já escreveu suas memórias aqui no blogue, e logo logo Eldrin também vai revelar um pouco do seu passado aqui.

    Em relação ao que ele falou pro coroinha de Santo Bane, foram apenas algumas mentiras, para que o jovem não ficasse com esperanças de que você voltasse. A interpretação do Mário está perfeita. Foi isso mesmo que eu tentei passar. Tentei construir um distanciamento do Duncan com as questões do grupo, uma aproximação com o Wurren, e, depois, uma saída sorrateira que desconsiderou tudo o que eles tinham construído no último mês. Achei mau educada e até mesmo um pouco covarde eles irem embora sem dizer 'tchau', sem discutirem como fariam com os itens malignos que coletaram. Foi meio que um roubo que não levou em consideração a amizade que eles tinham construído. Ao menos Bartolomeu os via assim, como amigos, a despeito da diferenças de visão de mundo. Foi triste ver que eles não o viam dessa forma. Talvez eu devesse incluir isso no texto, ou colocar como reflexão em um próximo relato.

    Eu proponho que a gente escreva um texto sobre o experiência de jogar presencialmente versus via roll 20. Uns amigos meus andaram desanimando também do jogo virtual, mas eu acho que ele tem muitas vantagens. A única coisa que realmente me chateia é a qualidade da conexão.

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    1. *mal educada.

      E, como disse o Mário, a falta de você e do Bogus é sentida na mesa. Voltem quando quiser, depois das férias.

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  4. Que fique claro que eu não critiquei a puxada de brasa pra sardinha do Bartolomeu não, heim!

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    1. Ficou claro, sr Mestre Cavernoso. Mas se vc achar q eu errei na mão em alguma coisa, é só falar.

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  5. Eu não sabia que a saída tinha sido assim até ler no seu relato e entendo o Bartolomeu ficar sentido. Qualquer um ficaria... Mas acho que isso foi meio necessário até para se evitar que esse caminho não se fechasse devido à uma insistência sua em continuar nessa busca (o que seria natural). Acho que o Mário precisaria fazer algo do gênero mesmo...

    E puxar sardinha é natural. É difícil ficar falando pelo personagem do outro. Quando eu escrevia acabava acontecendo também, especialmente quando queria trazer certas reflexões que levaram o PC a tomar alguma decisão específica. As partes do meu PC acabavam sendo mais detalhadas do que a dos outros justamente porque quem escrevia era eu, então eu lembrava muito mais das coisas que aconteciam com ele, do que eu tinha pensado etc... Isso é normal, fique tranquilo quanto a isso e não fiz uma crítica quando falei do "ressentimento" entre os PCs... Por isso até mencionei as diferenças entre eles no meu comentário, já que eu realmente os via como personagens antagônicos e vi essa reminescencia no texto...

    Talvez as minhas férias não sejam pra sempre mesmo não. Mas, por ora, ainda não sinto vontade de voltar... Tive convites pra um jogo presencial e também neguei. Vamos ver como fica isso pro ano que vem...

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    1. Se você começar outra campanha com outro mestre sem falar comigo antes vou me sentir traído! É SÉRIO! rs Já falei pra gente jogar a campanha Hoard of the Dragon Queen e The Rise of Tiamat que eu tenho aqui e nunca joguei. É só você, Cacá e Bruno se animarem.

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    2. hahaha, Robinho entrou em um casamento monogâmico sem saber, coitado. Só conhecerá um mestre de RPG.

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    3. Conheci muitos antes e durante, rs... Teve um período que eu jogava de 14 às 22h lá no Mário e depois me juntava a outro grupo pra jogar até às 5 da manhã, rs... Hj em dia é que dei uma parada mesmo

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