Memórias de um Felino das Ruas - parte II



Afrogato mostra suas garras e seus dentes afiados, mas acaba ficando com essa cara aí

Sobre a mesquinharia de uns e outros


Mencionei em uma das minhas memórias que um de meus companheiros, Bartolomeu, o sacerdote de Wee Jas, era um acumulador egoísta de itens arcanos. Ouça minha justificativa para tal julgamento pejorativo, e julgue por você mesmo.

Na floresta das trevas… Era esse o nome? Bem, nessa tal floresta, estávamos lá, nós nos aventurando, eu; Bartolomeu; Wurren, o meio orc druida; Bruenor, o fanfarrão; e Eldrin, o piromaníaco. Estávamos lá, acompanhados também de Adan, o sei lá o quê. Acontece que Adan teve o azar de ser capturado por uma druida do mal. Uma desgraçada da tribo perdida dos Ur-Flan. E, claro, o coitado foi sacrificado em um ritual macabro.

Foi bem triste, chegamos lá e a mulher já tava com a faca no pescoço do Adan. Não deu tempo, ela cortou a garganta dele e escarneceu de nós, os atrasados. O grupo ficou desolado. Eldrin nem tanto. Eu fiquei triste, mas é o que eu sempre digo: vasos quebram, pessoas morrem. Fico triste, mas já tive a minha penca de desgraças na vida e não dá pra ficar chorando por aí. A vida segue. E ela é implacável.

Mas sempre tem a treta. Acontece que nosso falecido Adan era dono, segundo Eldrin, de um equipamento encantado formidável, incluindo uma capa que o deixava invisível. Mas claro, ele tinha que mencionar isso no meio dos ritos de despedida que o grupo fazia em respeito a Adan. Bruenor ficou possesso! Coitado, até chorou. Eu decidi me afastar com Eldrin, para discutir essa questão, totalmente relevante por sinal, sem incomodar o grupo. Pena que meu bom senso só serviu para irritar ainda mais o anão. Bem, fazer o quê?

A atitude de Eldrin me fez pensar que o grupo tinha uma boa política para lidar com os itens de poder. Afinal, somos um grupo, deveríamos pensar de forma fria sobre isso. Estes equipamentos servem para sermos mais efetivos em nossas demandas e deveriam ser distribuídos de acordo com nossas necessidades especiais. Não acham?

Bem, eu estava enganado. Parece que o grupo ficou tão ofendido com nossa atitude, que resolveu deixar todos os equipamentos com Bartolomeu. A princípio, preferi não declarar minha indignação com distribuição tão mal feita. Mas sejamos sinceros e pragmáticos: ele é um sacerdote. Não duvido que saiba utilizar um arco mágico de Adan ou sua cimitarra encantada, mas ele DEVERIA ter algo melhor pra fazer em situações de perigo! Rezar por uma benção de Wee Jas ou qualquer outra coisa!

Bem, espero que os caprichos passionais deste grupo não sejam o motivo de sua, e portanto também minha, desgraça! Sou apenas sincero…

*****

Texto de Gato Preto, com ilustrações e comentários precisos de Bartolomeu (as imagens ele as encontrou  em uma feira de ilustrações medievais)


Próxima memória                                             Memória anterior