Logan, o Wolverine definitivo | Cinema

Logan fica feliz ao viver um "momento família" com fazendeiros na beira da estrada. Xavier, o mentor da ideia brilhante, só não contava que os bandidos os achariam e trucidariam todo mundo (Foto: Reprodução / EGO / GLOBO)


Logan já estreou e a esta altura todo mundo já teve tempo de assistir ao filme, então, creio que podemos falar dele sem receio de estragar o prazer de ninguém. E isso seria, mesmo, muito difícil, pois o filme é bom demais!



Logan conta a história do Wolverine velho, num futuro obviamente distópico, em que os mutantes estão praticamente extintos. Restam o protagonista, o professor Xavier e Caliban, basicamente. Wolvie ganha a vida como motorista de limousine e usa o dinheiro para cuidar do seu mentor (para o que conta com a ajuda do arrependido Caliban) que jaz moribundo em um esconderijo do outro lado da fronteira com o México. Nada disso, porém, é muito bem explicado ou explorado no filme. Para mim ficou a impressão de que estes dados foram incluídos e exibidos no filme apenas para distanciar o gênero dos super-heróis e dar uma dimensão mais humana à trama. Então, você pinça uma coisa aqui, uma outra coisa ali, junta tudo, não explica nada, mas manda o seu recado: apesar de poderosos, aqueles personagens estão cortando um dobrado!

A estória se desenvolve quando uma mulher procura Logan com uma missão para ajudar sua filha. Logicamente, a besta não quer saber de se meter nos problemas dos outros e rejeita a proposta. Porém, como sói acontecer, o problema vai até ele, e o Carcaju descobre que a "filha" da mulher é, na verdade, fruto de um experimento científico feito com DNA mutante. A menininha é X-23 e foi gestada a partir do sangue do próprio Logan, consequentemente, é uma espécie de clone seu - muito embora o professor Xavier a trate como "filha" do próprio Logan.

Evidentemente, o elevado "padrão moral" da personagem principal o faz carregar o fardo, transportando a menina e o professor em uma longa jornada pelos EUA rumo à fronteira com o Canadá onde, segundo a mulher misteriosa e a própria X-23 há uma colônia segura para mutantes.

O filme se torna, então, uma espécie de road movie salpicado de episódios de violência bárbara muito bem filmada, como a sequência onde uma família inteira é brutalmente assassinada porque o professor Xavier (esse sujeito inteligentíssimo e muito sábio) achou que seria "maravilhoso" se hospedar na casa deles, atraindo a bandidagem mais psicopata para a pequena propriedade rural em questão... :/

Pelo menos a vida foi justa, e o velhote morreu como merecia, proporcionando a primeira cena mais chocante e emocionante da película - ainda mais porque o responsável pela morte do cara foi o próprio...  Não vou contar mais sobre a cena, para não estragar o suspense.

Pois bem.

Sem Xavier, a viagem continua, com Logan cada vez mais "p" da vida porque "suspeita" que esse asilo de mutantes não existe coisíssima nenhuma, mas é apenas o fruto da inocência da própria X-23, que acredita naquilo porque o leu numa HQ dos X-Men.

Sem embargo, como Wolverine não possui mais nenhum outro propósito de vida naquele momento, decide que vai levar X-23 até a fronteira não importa o quê. E, assim, o filme se aproxima de seu clímax quando, já na fronteira, os capangas do mal acham os dois e se desenvolve uma épica cena de batalha, que culmina no segundo momento épico e emocionante do filme, que foi capaz de arrancar lágrimas dos olhos de todos os machões presentes no cinema.

Como se vê, o filme é uma espécie de mistura de filme de super-herói com road movie. Até aí, nada impressionante. O acerto foi jogar a classificação para 18+ e apostar na violência extremada, como nunca visto em nenhum outro filme dos X-Men. Além disso, a fotografia do filme é realmente fantástica e Hugh Jackman, mais do que nunca, carregou o filme com uma interpretação visceral e impactante do mutante carcaju.

Tudo se soma para formar um filme que é absolutamente digno de todos os elogios, mormente porque encerra de modo grandioso a sequência de 17 anos de Jackman no papel da personagem e consegue, ao mesmo tempo, passar o bastão de modo bastante convincente para que X-23 e a X-Force deem seguimento à franquia mutante nos cinemas.

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