A Podridão de Ugrasha - 9° ato

foi duro e mortífero o embate com os monstros selvagens das profundezas da terra (vulgo orcs)

Os aventureiros não adentram a mina, preferindo fazer um curto detour em direção a uma misteriosa torre, encontrando um combate quase mortal no meio do caminho, fazendo Bartolomeu remoer suas lembranças e seus temores da guerra.


Primeiro goblins, e agora gigantes. O semblante de Bartolomeu parecia perturbado por lembranças ruins. Ele preferiu ignorar o mau pressentimento quando cruzara com o primeiro gigante, e depois com goblins e mais goblins. Mas agora, com esse segundo gigante, a sensação de que as coisas estavam erradas era forte demais para ignorar. Se encontrassem orcs, deixaria de ser impressão para se tornar certeza. Nenhuma região contém, numa mesma área, essas três raças. A não ser... a não ser que sejam as hostes dos gigantes que expulsaram os elfos das florestas e invadiram Geoff. Que derrubaram as vilas que encontraram no caminho, e derrubavam as árvores para erguer suas paliçadas nos acampamentos, e perseguiram os sobreviventes e que só não tomaram por completo a floresta porque a caça se tornou esparsa e as fontes d’água, poluídas, obrigando-os a procurar presas noutras plagas.

A mão esquerda de Bartolomeu tremia. Desde que fugira do campo de trabalhos forçados, dissera a si mesmo que não buscaria vingança, mas que entregaria nas mãos dos deuses que a vingança viesse a ele. Exatamente como fora da primeira vez, com a guerra, quando ele ainda era um jovem imberbe que mal sabia da vida. Desde então se passaram apenas três anos, mas que ele sente como sendo outros vinte. Já se sente está velho sem ter visto tantas primaveras, e a mão que treme é prova disso. A mão que quase fora decepada treme ao se recordar daqueles inimigos, e o ombro dói, aquela dor aguda, dentro da carne e do osso, no mesmo lugar em que lhe pregaram ao chão, certa vez, como exemplo aos demais. Há apenas dois meses se libertara deles para, novamente, enfrentá-los? Parece que Istus têm menos paciência que eu, que pretendia evitar uma epidemia, descobrir que parada é essa de carniçais logo ao lado, libertar Ânn e de quebra desmascarar o que quer que seja que Ravina Verdejante tem.

Será que já é hora de guerrear novamente nessa guerra? Serão esses meus companheiros para a tarefa? Esse paladino e esse druida que querem salvar filhotes de orcs, goblins, trolls e gigantes, por julgá-los indefesos? Esses dois moleques que ainda não sabem o que é perda? Pelo que hão de lutar? Por algum ideal abstrato de liberdade, por alguma vaga ideia de preservação das matas? Não são motivos fortes o bastante. A guerra só pode ser lutada por quem sabe o que é dor e perda, e não por jovens sonhadores. Os jovens sonhadores são os primeiros a cair, a oferenda nefasta a Nerull pois a guerra é feita para partir os sonhos e expor a carne crua, fria, tênue, presas por nervos frágeis, que compõe a esperança.


E que dizer de Adam e Bruenor, mais propensos a desperdiçar seus dias caçando ouro do que, efetivamente, usufruindo dele? Que parte teriam eles nessa guerra sem perspectiva de recompensa? De Eldrin eu não sei, mas ele parece inocente demais para sobreviver a tudo o que uma guerra arranca de você. Mas eu não sei da história dele, nem se devo confiar nele.



De qualquer forma, todos eles têm esse olhar sadio, as bochechas rosadas de uma vida que nunca sofreu privações. Seus passos são leves. Reza uma antiquíssima lenda élfica, apesar de agora bastante difundida pelo mundo inteiro, que quando os sentimentos povoaram o mundo, a última a sair da caixa que guardava os sentimentos foi a esperança. A explicação para isso variou ao longo do tempo e da região, é verdade, mas ocorre que a esperança só pode povoar o mundo depois de todos os outros sentimentos serem experienciados. Se você apenas sentir amor e quiser muito algo, essa coisa é um sonho. Se você se afunda em mágoas e ressentimento, você alcança o ódio, ou, pior, a indiferença, ou, em casos mais graves, o desespero. A esperança ainda não está aí. A esperança só pode brotar quando você já teve tudo, é ela o frágil elo entre o desespero e o sonho, pois só quem perde tudo pode saber o que é ter. Só a carne fria e frágil da esperança permite canalizar todo o desespero, toda a dor, todo o amor sentido ou perdido, todo o frio e todo o frescor, em prol de algo tangível, possível. A esperança é o último recurso de quem vive, o último suspiro da existência, o fosso absoluto entre os animais, demônios e anjos, que não a sentem, e os elfos e gnomos e halflings e anões (e meio-orcs, aparentemente), que podem senti-la.



Avistam uma barreira de árvores, logo quando saem das matas e dão em uma estrada. As árvores foram ali colocadas com propósito, para impedir a passagem. Emboscada, pensa alto Bartolomeu, e olha para o alto dos barrancos que ainda os acompanham. Orcs.



No início, apenas 3 orcs, que os aventureiros rapidamente executam. Mas antes que possam respirar aliviados, ouvem os gritos de guerra selvagens que anunciam o início da verdadeira batalha com as criaturas. Bartolomeu suspira fundo, sabendo que será um embate longo e arriscado.

Não há como elaborar qualquer estratégia, pois os orcs vão surgindo aos montes, vindos da curva da estrada, acima. Conseguem, a custo, evitar que Bruenor se destaque do grupo, ficando junto a Duncan e Wurren (novamente como urso), formando uma contenção ao ataque. Eldrin, Bartolomeu e Adam ficam na linha de trás, alvejando o inimigo com flechas e magias. Segue-se uma carnificina difícil de descrever. O inimigo é bastante numeroso: uma dezena e meia de orcs nojentos, com armadura de couro e armas de metal, atacando tudo e todos pela frente. Eldrin cega alguns, flechas encontram seus alvos, o machado de Bruenor, a espada de Duncan e os dentes de Wurren também, mas, ainda assim, cada inimigo que cai é substituído por um novo, tão sedento quanto o anterior. Depois da segunda leva de inimigos caídos, um orc maior e mais peludo que os demais, com uma cara sádica e um machado enorme, dá um murro na cara de Duncan, o empurra para o lado, e rompe a linha de frente dos aventureiros, dando início quase a um massacre.

O puro instinto de sobrevivência guiou os heróis, cercados e feridos. Atacavam ferozmente os inimigos, mas o instinto de sobrevivência cai melhor aos animais que aos seres providos de inteligência, conferindo sensível vantagem aos orcs. Assim, Duncan caiu primeiro, e Bruenor depois. Wurren voltou a ser um meio-orc, daqueles bastante feridos. Bartolomeu sofria ataques de dois orcs próximos, enquanto Adam era perseguido por mais um.

A batalha parecia perdida. Morreriam todos naquela estrada inóspita, sem testemunhas e por nenhum propósito. Nesse instante, guiado por sua esperança e sua fé, inabalável diante da morte, Bartolomeu vê com clareza a única ação que poderia mudar o rumo do embate, e traz Bruenor de volta das portas da morte, fazendo com que o anão pegasse o líder orc desprevenido, bastando um só golpe potente para cortar-lhe a cabeça, e soltando em seguida um grito que não se ouvia desde as ancestrais guerras entre anões e orcs, o grito do desafio do sangue heroico dos anões contra a selvageria e barbárie dos orcs. Tal como seus ancestrais antes deles, os orcs se acovardaram com o desafio, não mostrando mais o mesmo vigor no combate, e tentando mesmo fugir. Renovados, os aventureiros logo estavam completamente cobertos por um sangue asqueroso e espesso e nas gargantas o gosto distinto da sobrevivência, da vida que, pendente sobreviveu em seu último fio.


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Comentários

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