A Podridão de Ugrasha - 8° ato

Wurren treinou bastante antes de dominar sua forma selvagem, tendo muitas vezes obtido uma transformação bastante distante da pretendida

A corajosa trupe chega à entrada das minas e à Árvore Pálida, onde encontram um terrível gigante à espreita.


Todos se encontraram então, novamente, na mesma taverna com preços bastante acima do normal em que pernoitaram. Após falarem brevemente sobre as mal sucedidas ou agourentas novidades da manhã que ainda se arrastava para começar, Wurren e Bartolomeu compartilharam suas suspeitas sobre a doença que assola a região. Talvez não seja tão breve o desvio que fizeram no caminho, para investigar a causa da bexiga em Orlaine. Por sorte, haviam-na deixado há apenas duas noites.

Bartolomeu continuava encafifado com aquela vila, Ravina Verdejante. Mesmo Orlaine, uma cidade importante da Grande Fronteira, exibia as marcas da guerra, ainda que ela ainda estivesse nas fronteiras: o comércio decaído, os velhos e as crianças em maior número que os jovens, o constante ir e vir de tropas, vielas e becos bastante ativos durante a noite, em função do mercado negro que florescia durante as guerras, as tendas com soldados em reabilitação, os preços oscilantes dos bens. Ravina Verdejante, por sua vez, parecia uma vila no meio de um período de paz e prosperidade, com suas plantações intocadas, sem sinais de decadência, pacata como se a guerra estivesse a nações de distância, e como se não houvessem goblins e carniçais nas cercanias. Aquela vila lembrava inoportunamente a antiga cidade de Icrácia, onde eles perderam Ânn, um lugar perdido em seu próprio vácuo temporal, intocável pelos tempos presentes. Apesar de não estar povoada por homens-lagarto nem contar com um dragão e um grel, aquela vila parecia estar presa numa ilusão tão poderosa quanto aquela.



Partiram em direção às minas, sem mais demoras. Não pretendiam ficar mais do que deveriam naquela vila normal para uns, desinteressante para outros e inquietante para Bartolomeu. Afinal, os grandes druidas de que Wurren falou ainda os esperavam, para tentar dar alguma esperança sobre Ânn. Antes, porém, precisavam desvendar essa epidemia que ameaçava Orlaine. Mesmo sem guia, o caminho até as minas era fácil de ser seguido, apesar de pouco usado, uma trilha que serpenteava entre encostas íngremes, cheia de ótimos locais para emboscadas. Apesar de todo o alerta, os aventureiros não encontraram nenhuma resistência até chegarem à entrada da mina, que ficava logo ao lado da famosa Árvore Pálida. Tanto o chão quanto as paredes da mina estavam completamente recobertas por um musgo amarelo-esverdeado, que tornaria a descida escorregadia. Não denunciava nenhum traço da famosa arquitetura anã, antes parecendo o trabalho de pragmáticas e ordinárias mãos humanas. Enquanto examinavam a melhor maneira de superar o obstáculo, um naco do musgo se desprendeu do teto e se projetou e direção a Eladrin, queimando-o com ácido. O meio-elfo se afastou, deixando todos em alerta, e Wurren identificou o musgo como sendo algo perigoso, quase sentiente, completando que seria necessário expurgá-lo totalmente para adentrar na mina.

- Cuidado, gigante!

O aviso de Bartolomeu não foi feito a tempo. Uma enorme pedra foi lançada em direção à entrada da mina, onde estavam Wurren, Eldrin e Duncan. Este último teve um déja vu, mas a pedra passou raspando em sua cabeça, errando-a e encontrando repouso no peito magro de Eldrin, que tombou desfalecido aos pés do meio-orc.

O gigante agora urrava para os aventureiros, de cima de um barranco da altura da entrada da mina, que cercava toda a região. Adam e Bartolomeu logo alvejaram o gigante com flechas certeiras, dando tempo para que Duncan, apesar de sua armadura, escalasse agilmente a encosta, desferindo um golpe contra as canelas da criatura enquanto se recompunha da subida. Bruenor tomou uma rota mais longa para chegar ao gigante, por um local menos íngreme de subir. Wurren tratou de curar Eladrin, e já partir em direção ao gigante, dessa vez na forma de um urso pardo com garras afiadas. O druida parece ter cada vez mais controle sobre suas habilidades. Antes, essas transformações assombrosas ocorriam enquanto ele ficava parado, suas roupas transfigurando-se no couro espesso do animal, enquanto todo o corpo crescia em volume e força. Agora, ele já o faz enquanto se desloca, de forma que quando terminou de curar Eladrin e se levantou ele ainda era Wurren, o meio-orc, e quando chegou à encosta já era Wurren, o urso.

O gigante sacou sua enorme clava e se concentrou em expulsar Duncan do platô em que se encontravam: moveu seu enorme corpanzil para cima do aventureiro, enquanto um golpe da clava evitava que a espada do paladino o ameaçasse, terminando de empurrá-lo para baixo em um golpe violento. Antes que o gigante pudesse pensar em pegar alguma outra pedra, porém, as flechas de Bartolomeu e Adam, bem como o raio de fogo de Eldrin impediram o gigante de ver que Bruenor se aproximava, sorrateiro como apenas um anão pode ser, para acertá-lo com uma machadada cruel na virilha. Wurren em vão tentou escalar a muralha, tal como fizera Duncan, não encontrando apoio para seus pés tão facilmente quanto o paladino.

Eldrin disparou um novo raio em direção ao gigante, mas a magia repercutiu de forma selvagem na trama, disparando um raio que por pouco não acertou o gigante, mas ao mesmo tempo emanando uma onda mágica restauradora pelo seu corpo, cicatrizando por completo os ferimentos causados pelo pedregulho. Apenas Bartolomeu, próximo a ele, percebeu esse efeito colateral, porém.

Vendo seu enorme adversário ferido, Bruenor continuou castigando o monstro. Com flechas chovendo, um anão empertigado que se recusava a ser acertado pela sua clava e com um ferimento que não o daria muito tempo mais naquele combate, o gigante, apesar de não ser muito esperto, tentou uma saída desesperada: gritando “Tsalf não vai gostar” com uma vez de apreensão, ele saiu correndo, para longe dos aventureiros. Não contava, porém, com Duncan, que havia voltado ao platô, e se aproveitou da brecha para desferir um golpe final na criatura.

Enquanto descansavam da breve batalha, se perguntaram quem era Tsalf, e por que o gigante tentara correr. Já era o segundo em dois dias, nessa região tão próxima de Orlaine. Pensando sobre o assunto, com os olhos perdidos na mata à sua frente, que lhe conferia calma e foco, Wurren divisou uma torre, ao longe. Nessa região fronteiriça, é possível que se tratasse de um posto militar avançado, o que poderia ser de valia, já que não conheciam bem a região. Deixando as minas para após a visita à torre, o grupo se embrenhou nas matas à frente, contando com o senso de direção de Wurren para guiá-los.


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Comentários

  1. Interessante como os estilos são diferentes. Eu costumo entupir os meus textos de diálogos, e a narrativa avança a partir deles. Você não. É proposital ou saiu assim involuntariamente? Seja como for, gostei dos textos até agora! :)

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  2. Eu não pensei mto sobre isso não, quando comecei a escrever. Acabou saindo assim mesmo. Talvez se eu fizer um resumo ouvindo ao áudio antes eu acabe inserindo mais diálogos.

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