A Podridão de Ugrasha - 12° ato

       Início do Livro 16 da Ilíada no "Townley Homer" 
(London, British Library, MS Burney 86, f. 170v. Manuscrito do século XI).

O tom mais adequado a aventuras épicas é a poesia: 
perguntem a Homero, Dante e Virgílio.
Se agora os aedos estão no exílio (da eternidade),
e o que nos resta é prostrar ante seu esplendor, com saudade,
permitam a esse bravo e ruim escrevinhador, sem maestria,
cantar desafinado, com voz que de emoção racha,
as desventuras do bravo grupo na Podridão de Ugrasha!



Completa a fuga, o grupo avança pela gruta.
Intocada por artesãos, pelo piso escoa a chuva,
e os gritos do gigante se perdem na noite escura.

As pedras escorregadias e traiçoeiras são o único inimigo
e a escuridão se avoluma, mas esse é o preço do abrigo.
As paredes se estreitam, e inevitável é a escalada.
Duncan avança ligeiro, e já não se ouve mais trovoada.

Um grande salão se afigura, profundo, alto e sem saída.
Com os olhos perfurando o breu, Bartolomeu os avisa:
-Ao fundo, eis uma escada caída, com toras ainda rijas;
podemos apoiá-la à rochosa plataforma e seguir nosso caminho.

Mas da escuridão, rugosa, surge uma criatura em desalinho:
corcunda alta, peluda e com pinças, quelíceras e olhos de vidro!
-Que os deuses nos acudam contra mortal inimigo!
e Duncan avança, ligeiro e sozinho, sem atentar ao desatino:
a criatura enfeitiçara seus valorosos amigos!

Paralizados de terror estão Bartolomeu, Wurren e Bruenor.
Mas Duncan e Eldrin sobrepujam o medo, atacando o animal traiçoeiro.
O portador da Luminosa ataca o monstro, que urra de dor;
com isso seus companheiros despertam do torpor.

Mas o monstro não se dobra ao forasteiro,
pois quem invade seus domínios paga com a vida,
e ao chão, lacerado e pisoteado, vai o paladino:
ao ver-se tão ferido, pensa ter encontrado seu destino,
naquele salão fedido, profundo e esquecido.

Mas uma seta corta o ar, depois um raio,
e do chão aguado se ergue o machado pesado, ungido,
uma arma que da criatura arranca um esganiçado grito,
um golpe afiado que decepa carne, carapaça e gemido:

É a Morte Lenta, sempre sedenta:
o poderoso machado do mestre anão destemido!

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