Os Herdeiros de Ânn - Epílogo, pt 2

A taverna do Rancho Quebrado é a favorita dos aventureiros (Faveral / Disponível em <http://www.daz3d.com/medieval-tavern>) 


Na tarde seguinte, sem grande alarde, os Wyverns se dispersam pela vila, o que pode ser sentido pelos aventureiros, que passeando pelas ruas e vielas da cidade podem reconhecer facilmente aqueles soldados, os quais estão cuidando de afazeres típicos: reparando suas armas e amaduras com o ferreiro local, adquirindo equipamentos novos, negociando espólios de batalhas vencidas, experimentando as iguarias locais e, sobretudo, se divertindo contando estórias e cortejando donzelas. Em comum, sempre há em seus olhares o anseio pela recompensa prometida pelo barão Eirig a qual, segundo se pode ouvir no acampamento de Stonebridge, consistia em terras que Ânn havia negociado com os lordes locais.

Depois do almoço na taverna do Rancho Quebrado, Wurren propõe aos colegas aventureiros tentar encontrar outras pessoas que tiveram contato com Dhubra e que podem estar potencialmente adoecidas também.

Bruenor e Adan se recusam a acompanha-los. O anão diz estar cansado e, francamente, desinteressado no assunto da suposta peste. Seu maior desejo é receber sua recompensa. Já Adan parece absorto pelo conteúdo do pergaminho. De algum modo, o ladino quer tentar contornar o segredo da tinta lunar, então, não demonstra estar disposto a seguir com os companheiros nesta empreitada “inútil”- como a classificou.

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Duncan, Bartolomeu e Wurren, então, saíram da estalagem em direção à feira para encontrar mais pessoas que possam estar manifestando sintomas da bexiga. Enquanto o espadachim e o druida buscavam ativamente por pessoas com marcas vermelhas pela pele, Bartolomeu se distraiu com um grupo de menestréis que tocava alegramente no centro da feira, atraindo uma pequena multidão.

Eventualmente, Duncan e Wurren encontraram um homem que parecia adoecido e que, coincidentemente, era vizinho de barraca da velha Dhubra.

- Os sinais da pele dele indicam que haverá pústulas em breve. E esse resfriado que diz estar sentido, na verdade é seu corpo fraquejando. Esses tremores são resultado de uma febre – disse Wurren, examinando o homem ali na feira mesmo, enquanto estava sentado em um caixote imundo.

- Deixe que eu o ajudo então – falou Duncan, se prontificando a impor as mãos sobre ele.

- Espere um pouco. Acho que o jovem Janos vai querer ver estes sintomas antes, para se certificar de que se trata mesmo de bexiga, então, guarde essas bênçãos para mais tarde – falou o meio-orc.

- Está certo. Neste caso – o espadachim já se virava para o homem -, o senhor pode nos mostrar aonde mora? Temos razões para crer que essa doença que o senhor tem pode ter passado para as pessoas que moram contigo, ou talvez até para vizinhos.

Aquele senhor era um sujeito solícito, e ficou muito preocupado com a possibilidade de ter de algum modo prejudicado sua mulher e sua filha, além, é claro, de seu sogro – um homem bastante idoso, segundo contou aos aventureiros.

Destarte, se prontificou a conduzir os aventureiros até os campos ao redor da vila de Orlane, onde eles puderam conhecer sua família e também conversar com alguns vizinhos.

- Pessoal, eu notei uma coisa. Pode ser uma coincidência talvez. Mas, conversando com essas pessoas, notei que todos relatam buscar água num córrego vizinho, ao norte daqui. Eu não sou um hospitalário, mas creio que essa doença possa estar vindo da água. O que, aliás, é muito comum segundo sei – falou Wurren.

- O que você quer fazer, então? – perguntou Duncan.

- Bom, eu quero investigar isso. Descobri que o córrego nasce num local chamado de Árvore Pálida, e me isso me pareceu muito interessante. Pelo que constatei, não deve ficar mais do que um dia ou dois de caminhada – respondeu o meio-orc.

- Neste caso, concordo em dar uma olhada na tal Árvore Pálida. Pode ser que encontremos respostas, e isso faria um bem danado para todo esse povo – disse Duncan.

- De acordo – Bartolomeu falou – Mas antes eu quero voltar para Orlane a fim de avisar os outros, se não for pedir demais.

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Bartolomeu retorna e reencontra Bruneor, apenas, já que Adan saiu da estalagem sem falar com ninguém.

- E então? O que acha? Virá conosco? – perguntou o astrólogo.

- Nem pensar!!! Não saio de Orlane sem minha recompensa, sem meu tesouro. E digo mais: se saírem agora, não me responsabilizo pela parte de vocês!!! – falou o anão, bufando.

- Ah, como queira! – Bartolomeu estava sem paciência para a rudeza de Bruenor e o deixou falando. Quanta ganância! E como não havia meios de se comunicar com Adan, resolveu reencontrar os colegas que ficaram nos campos aguardando seu retorno.

A caminhada rumo ao lado exterior dos muros da cidade, contudo, foi brevemente interrompida quando Bartolomeu notou uma agitação no castelo do barão Eirig que estava a tumultuar a cidade à beira do crepúsculo vespertino. Ele se aproximou da fortaleza e viu um grupo de oito wyverns saindo com cara de poucos amigos.

- Como estão as coisas? – perguntou Bartolomeu, em tom amistoso, esperando ser reconhecido.

Os wyverns observaram com estranhesa e desconfiança a princípio, mas logo parecem ter percebido que se tratava de um dos “favoritos” de Ânn. O aventureiro, de seu turno, não fazia ideia do que se passava no interior dos muros, mas podia ouvir o “zum, zum, zum” e alguns berros de protesto que vem de lá, indicando uma agitação que só podia vir mesmo das fileiras dos Wyverns Dourados que estão acampados.

- As coisas não estão nada bem! Nossa recompensa, pelo visto não será entregue do modo como queríamos. Traban está nos prejudicando! – reclamou um dos mercenários.

- Mas ele não é o seu líder agora? – o astrólogo se fez de desentendido.

- Sim. Ele é. Mas deveria honrar os compromissos assumidos pela Ânn, o que não está fazendo. Agora só nos resta lamentar – choramingou o soldado.

- É. Tem alguma taverna onde possamos pelo menos nos divertir um pouco com essas moedas que ganhamos? – outro wyvern perguntou.

- Neste caso, indico o Rancho Quebrado. Eles têm ótima cerveja e comida muito boa – falou Bartolomeu, se despedindo com pressa, preocupado intimamente com o que pode significar essa “rebelião” de Traba contra os ditames de Ânn.



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Comentários

  1. Pois é, o esbelto astrólogo foi bastante destratado em sua breve ida à cidade: primeiro Fildurn, o taberneiro, cismou que Bartolomeu estava tentando seduzir sua linda e maravilhosa filha, sendo que eles apenas trocaram algumas palavras e olhares, num flerte despretensioso que deve agradar à jovem, acostumada a homens rudes cujo máximo de flerte que conseguem é mirar seus seios fartos e tentar beliscar sua bunda. Bartolomeu se diverte com a leve tensão, mas nada mais que isso. De qualquer forma, não deixou barata a ingratidão do taverneiro, tendo que lembrá-lo quem salvou seu precioso barril de cerveja, curou as pessoas feridas e o cavalo -o que poupou infinitas dores de cabeça e multas ao taverneiro.

    Depois, os wyverns que encontrou próximo ao castelo foram bem rudes com ele, como se fosse de alguma forma responsável por seus problemas. Um deles esclareceu a indisposição, tomando Bartolomeu e seus companheiros responsáveis pelo sumiço de sua amada líder, Ânn. Isso é o que foi dito, mas ficou pesado no ar o silêncio do que eles deixaram de dizer.

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