Metal Gear Solid V: The Phanton Pain - Uma dor no ânus

The Phanton Pain in the ass



Nossa! Quanta indelicadeza! Que "deselegância"! Blá, blá, blá.

Não existem formas melhores para se referir a MGSV: The Phanton Pain a não ser como dor no cu. Está certo que ninguém usa essa expressão no Brasil, mas nos EUA é comum se referir a algo chato, desagradável, como "pain in the ass" e eu não podia perder o trocadilho.

Sim, sim. The Phanton Pain lhe dará cãibras anais se você for fã da série Metal Gear. E você não é um fã de MGS se você joga somente pelo gráfico, pela jogabilidade ou pelo estilo de ação stealth. Esses features estão presentes na nova iteração da série e, como de costume, arrasam quarteirão. O jogo é lindo, a jogabilidade está mais afiada do que nunca, e as táticas de espionagem estão lá como sempre.


Mas se você é fã de MGS é porque você se importa com a estória, você anseia por narrativa, você quer se deixar envolver pelo enredo, quer sentir o drama do campo de batalha e sofrer os dilemas de um soldado. Você quer, sobretudo, saber mais sobre o Snake, quer entender como ele passou de herói inconteste para vilão de jogo do nintendinho. Quando menos, você quer experimentar mais uma sequência de reviravoltas e ideias malucas do Hideo Kojima. E você não se importa se, para desfrutar disso tudo, você gastar mais tempo assistindo cutscenes do que jogando. Você quer beber, fumar e comer com Jack, você quer estar na pele do protagonista.

E é nisso tudo que The Phanton Pain falha miseravelmente.

Falar de gráficos, jogabilidade e mecânicas de jogo nunca é suficiente para separar MGS de outros games. Está certo que nestes quesitos a série sempre apresentou algumas novidades, mas o mercado está repleto de excelentes jogos que se preocupam somente com isso. MGS nunca será o melhor shooter, nunca será o melhor stealth, nem sempre será o melhor gráfico e (believe me) jamais terá a melhor jogabilidade. Mas era o melhor JOGO, porque combinava tudo de forma ímpar. Não ser o melhor em nenhum quesito individualmente considerado neste caso era crucial, pois era apenas o sintoma de que havia uma equipe de desenvolvimento preocupada com aquilo que faz de um jogo algo épico: a experiência.

Repito: The Phanton Pain falha miseravelmente. E falha porque não entrega essa experiência. Entrega gráficos espetaculares. Entrega jogabilidade afiada, etc. Mas não entrega um bom Metal Gear Solid.

A estória é fraca, fraca, fraca. A língua do Snake foi cortada, pois ele quase não abre a boca para falar. Revolver Ocelot, por sua vez, fala para caralho (dividindo o título de falastrão com Miller), mas não tem personalidade alguma assim como todos os demais NPCs.

A estória é boçal. O desenvolvimento é preguiçoso, e o final é um clichê idiótico feito para deixar de queixo caído, mas que, na verdade, além de não te recompensar por "aguentar" tantas horas de jogo, ainda te deixa com raiva.

Infelizmente, não posso adentrar demais no mérito e sou obrigado a fazer comentários superficiais e sem detalhes, para não estragar a experiência de quem ainda não jogou, contudo, não há muito mais o que dizer.

Esqueçamos a estória então. Vamos a outras características típicas de MGS. A começar pelos chefões. MGS sempre teve chefes de "fase", vamos dizer assim. E as batalhas sempre foram épicas. Mas não espere encontrar isso em The Phanton Pain. Não há chefões, nem chefinhos. Há apenas uma pseudo-chefe, que é a Quiet, e um vilão razoável, que é o Skullface. Mas até mesmo ele é um ridículo que, no final das contas, assusta só porque é feio mesmo. Para que se tenha uma ideia, você nem o enfrentará ao longo do jogo, e a participação dele se encerra após um patético, longo e enfadonho discurso. Só jogando mesmo...

Quiet: é gostosa e está sempre de boca calada. Como se não bastasse, sempre que pode esfrega os peitos na sua cara. Kojima apelou demais! :/ Pior é que, como companheira de combate, no jogo, é uma porcaria.

Ah, mas MGS sempre teve algumas mecânicas próprias bem divertidas, como, p. ex., a famosa caixa de papelão. O que o Kojima separou para The Phanton Pain? Bom, ele separou algumas coisas. Primeiro, você tem o Fulton Device, que nada mais é do que um balão que você amarra em basicamente qualquer coisa (inclusive pessoas). Se você pesquisar no YouTube verá que o dispositivo existe de verdade, é perigosíssimo e muito interessante. Mas no game o dito cujo ergue pelos ares "qualquer coisa" e "qualquer coisa" é tragada por um suposto avião (digo suposto porque ele é invisível, embora seja audível). Existe uma chance de falha no uso do dispositivo, mas ela é ridícula e a menos que você pretenda içar alguém em meio ao furacão Katrina não haverá problema.

Além do fulton, The Phanton Pain introduz pela primeira vez a figura de companheiros que Snake pode levar em cada missão. Você começa com um... CAVALO, que não serve pra nada a não ser para perambular por aí. Depois você ganha acesso ao DD (Diamond Dog), que é um cãozinho adotado ao longo do jogo. DD funciona como um radar ambulante, literalmente. A simples presença dele ao seu lado revela a posição de inimigos, pois o faro do animal é infalível. Na minha opinião, o melhor companion.

Temos também a Quiet, que depois de derrotada, se junta a você e pode te acompanhar nas missões. Quanto a ela, não há muito o que dizer. O jogo tenta encher a bola, dando a entender que ela é uma sniper sinistra e etc. Mas como companheira é uma bundona. Por outro lado, é a bundona dela que Kojima se preocupa em mostrar o tempo inteiro, vez que a mulher está sempre seminua - sendo este o seu principal atrativo no jogo. Um fiasco.

Por fim, você também ganha acesso ao Walker Gear, que é um robô feio sobre o qual você pode trepar para perambular por aí municiado com metralhadoras.

Fulton device: uma boa ideia se usado com moderação. The Phanton Pain, contudo, torna-o tão simples e banal...


A coisa está feia, como você já percebeu.

O que salva o jogo, então?

Não sei. Perguntem para outro. Eu, como fã de MGS, fiquei muito decepcionado. Em momento algum me empolguei com o jogo. Claro que existem algumas missões de infiltração que são desafiadoras e trazem um pouco da velha sensação de jogar Metal Gear, mas todo o resto atrapalha. Acho que é por isso que adorei Ground Zeroes (não tinha nada disso, só a missão). Olhando em retrospectiva, vejo que o demo de luxo de Phantom Pain não era lá essas coisas mesmo, mas era interessante porque se concentrava em apenas uma missão bem desenvolvida, sem as firulas e adereços que fizeram de Phantom Pain um saco. Além do mais Ground Zeroes criava o suspense, apresentando, p. ex., o Skullface, aumentando o hype. Já The Phanton Pain mata o hype e revela um jogo triple A que parece inacabado de alguma forma.

Se você é fã de MGS compre e jogue porque, afinal, você é fã. Mas abaixe suas expectativas ANTES e talvez isso melhore sua experiência com o jogo. Se você não é fã, mas gosta de missões stealth razoáveis, não se importando muito com a repetição delas ao longo do jogo, pode comprar também que a diversão será garantida.






Comentários

  1. a foto da chamada é sensacional para o título que tem, e o título que tem é perfeito para a raiva intestinal que o jogo te fez sentir.
    pobre Cobra!

    o foda de uma história/personagem de sucesso é que com o tempo vc vira apenas uma marca, e o NOME (TM) passa a ser o único elo entre uma série de baboseiras q se escrevem por aí. Naturalmente sempre se valem do expediente de "modernizar" ou "reinventar" o tal personagem, mas na verdade estão só esfregando na sua cara que pagaram pelo uso do nome, portanto, podem fazer o q quiser com ele.

    no caso desse novo jogo fantasma do Cobra, pelo que você falou é mais ou menos isso, um jogo que se não pertencesse à franquia MGS não faria 1/5 do sucesso, e o Kojima (ou melhor, a equipe dele) torna o Cobra um gigolô que vende seu rostinho bonito e seu corpinho sexy para vender jogos.

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  2. É mais ou menos por aí! O chato é que o jogo acaba sendo uma "prequela" (existe essa palavra... quis me referir a prequel) para todos os outros jogos da série. The Phanton Pain deveria ser o jogo definitivo, que demonstraria como Snake passou de "bonzinho" para "malzinho" (ele é o grande vilão dos primeiros jogos). Só que o resultado foi uma grande cagada...

    Btw, quando você chama o Snake de Cobra, eu não consigo deixar de lembrar dos Comandos em Ação.... rsrsrsrs

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  3. * quis perguntar se existe "prequela". Faltou o ponto de interrogação.

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