Dragon Age: Inquisition - Um jogo apenas mediano

Sei que é tardio falar sobre Dragon Age: Inquisition. A esta altura da vida (oh céus) a maioria das pessoas já comprou e já jogou esse game. Mas eu, bem, eu não. Sou o tipo de pessoa que demora meses (às vezes anos) para terminar um jogo, especialmente quando o jogo não se chama Metal Gear (aliás, em breve um review de Phanton Pain, o MGS mais sonolento da história), e com Dragon Age: Inquisition não foi diferente.


Comprei o dito cujo na loja virtual da Xbox Live, comecei a jogar até com certa empolgação. Contudo, fiz uma pausa de 15 dias para viajar com a esposa pelo belíssimo e acolhedor sul do Brasil e depois fiquei MESES sem jogar. Está certo que não joguei quase nada no período (minto: me especializei em Hill Climb - um jogo tosco de celular, rsrsrs), mas isso não é nada senão apenas um indicativo da qualidade geral do game:

BEM FEITO, PORÉM DESINTERESSANTE.

Indiscutivelmente o jogo é bonito. Durante bastante tempo fiquei entretido com os visuais deslumbrantes e a possibilidade de exploração dos vastos cenários que se apresentam. Observava à distância as montanhas e os mares renderizados e imaginava o mundo de estórias e aventuras ali escondido. Trilhei, então, longos e sinuosos caminhos pelas pradarias e florestas de Ferelden e Orlais só para, ao seu final, cair do cavalo: o pretenso RPG é um hack and slash sofisticado, apenas.

A história se desenvolve lentamente, com pouquíssimas cutscenes interessantes (elemento que reputo fundamental para colocar o gamer no clima do jogo) e nenhuma dramaticidade. Certamente, contribuiu para isso a necessidade de formatar uma aventura genérica que servisse potencialmente a qualquer tipo de personagem principal que o jogador pode criar quando no início de uma nova campanha. Em outras palavras: seja homem ou mulher, anão ou elfo, guerreiro ou mago, a história tem que lhe servir. E isso não permite desenvolver muito, senão pedaços soltos que você mal consegue juntar para integrar à mitologia do mundo de Dragon Age. Tão desimportante é a estória que neste momento mal consigo lembrar o nome do mundo... ah, sim, Thedas.

E não estou querendo dizer que o jogo não tem história. Pelo contrário. Ele tem. Aliás, o mundo parece ser bem desenvolvido no ponto, já que a todo momento os NPCs contam sobre diversos aspectos do mundo: política, artes, costumes e etc. O que denota que não estamos diante de uma folha em branco. Porém, a questão permanece: qual a relevância disso tudo? Nenhuma, é a resposta.

Você joga, joga e joga e pouco interage com o mundo, que está lá como um pano de fundo imutável e irrelevante. Você percorre florestas, pântanos e desertos lindíssimos de se ver, mas é tudo vazio. Não há cidades, não há vilas, não há entrepostos comerciais. Há somente regiões repletas de animais selvagens, soldados "do mal" e demônios - estes últimos extremamente repetitivos também.

Logo, em momento algum o jogador sente que suas escolhas no jogo realmente importam - tudo parece frívolo a esta altura e você inarredavelmente começa a encarar o jogo somente com o objetivo de completá-lo. Quero dizer, o jogo é tudo menos um RPG de verdade. O enredo está sob trilhos, o mundo é vasto, porém distante e indiferente, o storytelling é fraco e pouco empolgante.

Então, como você consegue sobreviver a mais de 60 horas de jogo?

Ora! Nem tudo são trevas.

Além dos cenários lindíssimos, a jogabilidade é plena! Mesmo um jogador casual como eu logo consegue se entender com os controles e dominar mesmo as técnicas mais avançadas do jogo, que não requerem nenhuma habilidade especial para aprender, nem mesmo a decoreba de combos e coisas afins. Você tem tão poucas opções de personalização dos personagens que é impossível errar (e se isso acontecer, a partir de dado momento você pode "resetar" as configurações do "boneco" e recomprar as habilidades todas do zero). Como compreender a estória do jogo é irrelevante, você pode se perder por horas a fio em side quests, perambular pelos cenários apenas para deleite visual ou simplesmente desligar o console e ficar meses sem jogar sem que isso te prejudique de forma alguma. E isso não é uma crítica. É um elogio, afinal, o jogo agrada pelo que é: somente um jogo. Seu único equívoco é se pretender épico quando não o é. É dizer-se um RPG quando não o é.

Para que se tenha uma ideia, você vai se sentir mais tragado pela história jogando Sword of the Berserk (ai que saudades do meu Dreamcast) do que Dragon Age: Inquisition, mas a jogabilidade e os visuais do título da BioWare são tão cativantes que você vai ficar meio viciado. E isso se torna duplamente verdade quando começa a encontrar os primeiros dragões do jogo, que são inimigos formidáveis, que lutam de forma sensacional e impõe verdadeira dificuldade para o jogador. Este aliás, é o ponto alto do jogo. Embora dragões não tenham (mais uma vez) qualquer relevância para a estória, enfrentá-los é magnífico e desafiador (em nada lembra Skyrim).

Em suma, é um bom e divertido jogo. Se você não faz questão de estórias bem contadas, e quer apenas andar por aí a esmo matando monstros, compre. Agora, se você é como eu, e gosta mais de story-driven games, neste caso, acho que é melhor avaliar outras opções primeiro (especialmente se você vai pagar mais do que 100 reais no título).