Os Herdeiros de Ânn - 22º Ato

Os aventureiros ficaram ainda por uma hora abrigados na caverna, By Eddie Bennun.descansando e comendo. Na verdade, Bartolomeu ainda prosseguiu o interrogatório do homem-lagarto, realizando perguntas triviais, buscando obter a confirmação das respostas anteriores ou simplesmente tentando compreender melhor a importância do povo-lagarto para os planos de Kharlixes.

- Vamos mandar a mensagem então? – perguntou Bruenor.

- Bom... eu preciso descansar mais, aliviar minha mente, para poder conjurar a magia necessária – replicou Wurren.

- Mas é um inútil mesmo! – reclamou Adan.

- Se não podemos mandar a mensagem, temos que sair do vale. Não podemos ir atrás de Kharlixes sozinhos – comentou Bartolomeu.

- O quê?! E eu vou ficar amaldiçoado?! Nem pensar! Vou matar esse dragão!!! – Adan ficou claramente irritado.

- Boa sorte em tentar isso sozinho – respondeu Bartolomeu, olhando para Duncan e Wurren, que pareciam aprovar a decisão de fugir do confronto naquele momento. Eles tinham a clara percepção de que o desafio seria demais para eles.

- Mas eu concordo com o Adan! Vamos matar esse dragão logo! – falou Bruenor – Afinal, não estou vendo uma forma segura de sair do vale!

- Vamos pela masmorra... – comentou Bartolomeu.

- Que masmorra? Não entendeu que o Olho Tirano está por lá? Ficou louco? – o anão insistiu.

- Não. Estou falando da passagem sob a torre que o lagarto nos revelou – respondeu o astrólogo.

- Mas ela fica bem debaixo da torre negra de Kharlixes! Então não te entendo! – falou Adan em tom apreensivo.

- Bom, pessoal. Não podemos ficar discutindo o dia inteiro. Saindo do vale ou ficando, não é aqui nesta caverna (e nem nas masmorras do Olho Tirano) que vamos encontrar solução para nossos problemas. Proponho que desçamos a trilha – Duncan falou com tom severo, e pelo menos com isso o grupo concordou.

Antes de partirem, porém, foi necessário ainda decidir o que fazer com o lagarto e os três homens que haviam libertado, e a solução foi breve: o homem-lagarto foi liberado para fugir (a contragosto de Bruenor) e aos homens foi facultado seguirem com o grupo, mas só um deles se dispôs a tanto – os outros dois ficaram com medo e preferiram ficar abrigados na caverna e tentar outro destino menos sombrio do que se aproximar das torres negras.

- Idiotas! Vão acabar morrendo sozinhos! Teriam mais chance seguindo conosco – esbravejou Bartolomeu, que demonstrava impaciência a todo instante, pois algo o incomodava.

A viagem, então, seguiu tranquila.

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O senso de tranquilidade se esvai por completo, todavia, quando a trilha pavimentada leva os aventureiros até a beira de um abismo: um fosso imenso que se estende por todo o fundo do vale, como a circundar a cidade perdida.

Aqui o vale perde a cor terracota e adquire tons cinzentos e soturnos. O céu nublado, carregado com nuvens negras corrobora a sensação lúgubre quando eles percebem que o único recurso para cruzar o abismo é uma sinistra ponte na qual a trilha pavimentada vem a desaguar inevitavelmente.

- Deixem que eu siga na frente, como um batedor, pois a chance de algum inimigo me perceber é menor do que a vocês – disse Adan, com evidente razão. E ele avançou algumas centenas de metros à frente do grupo, sempre vestindo seu capuz élfico, mesclando-se entre as rochas e os arbustos. Só retornou para junto dos colegas quando avistou a ponte.

Adan havia percebido que a estrutura em questão encontra-se parcialmente arruinada. Contudo, mesmo com os sinais evidentes de sua precariedade, a construção permanece de pé graças especialmente à enorme torre que serve como grande pilar central de sustentação.

- Vou retornar à frente. Quero que vocês aguardem meu sinal para seguirem – disse Adan.

Neste instante, em que observavam a ponte à distância, os aventureiros ouvem um grande rugido os céus e veem a inconfundível sombra de um imenso dragão negro sobrevoando o vale à grande altitude, eventualmente se abrigando no pináculo na maior das grandes torres no centro de Ykrath.

Definitivamente Salahadhra tinha razão ao afirmar que a torre negra serve de covil para Kharlixes. Ela e sua irmã menor se erguem opressoras como a vigiar cada palmo do terreno ao seu redor.

Aproximando-se um pouco mais, porém ainda guardando uma distância segura, os aventureiros constataram que a passagem pela ponte não está livre. Em verdade, notam que há um pequeno acampamento de homens-lagartos bem em sua cabeceira. Eles não estão propriamente a vigiar a ponte, mas sua presença ali certamente torna impossível cruza-la por meios convencionais sem ser visto.

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