Os Herdeiros de Ânn - 5º Ato - 2ª Parte

A manhã está agradável. Com os primeiros raios de sol batendo em seu rosto, Bartolomeu se levanta.


Wurren está percorrendo as imediações do acampamento para encontrar frutas e animais que possam servir de desjejum. Enquanto isso, Duncan concentra-se em orações e Adan se afasta para pegar água no riacho. Bruenor usa uma pedra para amolar a lâmina de seu machado.


Bartolomeu se lembra da mulher de branco, e pondera consigo mesmo se ela seria algum tipo de deusa, ou de mensageira dos deuses. Ele faz tais perguntas e entoa canções élficas que, segundo a cultura de seu povo, é uma das formas para se comunicar com os deuses. O lirismo, a escultura de belas e harmoniosas formas, a delicadeza de uma pétala de flor gentilmente plantada em um jardim. Todas são formas de expressão elevadas que enaltecem o elfo e o erguem acima da condição de reles mortais para uma posição mais próxima dos deuses.




A despeito das canções antigas e belas que Bartolomeu cantava de forma lírica, nenhuma resposta veio até si, exceto a vontade de contar aos colegas o que sonhou na noite passada.


Terá sido um presságio?


Bartolomeu não sabe dizer, mas crê que sim. E ele descreve seu pesadelo com detalhes, causando perplexidade e pavor em Duncan e Wurren, que ficam sobremaneira preocupados com o desate o sonho e com o que pode significar esta que, inarredavelmente, é uma mensagem divina a ser interpretada.


– Eu não acho que seja uma mensagem literal. Nada disso. Para mim são metáforas que você terá que decifrar – disse Wurren quando Bartolomeu exibiu certa confiança na literalidade dos seus sonhos.


– Eu não dou a mínima. Pode até ser um presságio, mas se for é passageiro. Quero dizer, como qualquer presságio ele pode não significar nada ou apenas indicar de forma pouco clara e precisa a existência de perigos à frente, mas disso nós já sabemos. Não é nenhuma novidade – ponderou Adan.


Bruenor continuava calado, dando pouca ou nenhuma importância à discussão.


– Estou dizendo a vocês. Há uma ponte de pedra, um arco. Um cavalo morto logo na entrada da cidade e uma casa cuja janela bate ao sabor de um vento que não existe – disse Bartolomeu diante da incredulidade de alguns de seus colegas aventureiros.


– Veremos então. Temos que ir para Stonebridge de qualquer forma. Melhor que partamos logo – falou Duncan.


Os aventureiros levantam acampamento, e partem rumo à aldeia de Stonebridge, onde encontram uma cidade idêntica aquela descrita por Bartolomeu a parte, porém, das maldições dos mortos-vivos e de todos os detalhes sórdidos e pérfidos vistos e vividos nos sonhos dele.


****


Os aventureiros caminham por cerca de duas horas até que veem diante de si aquela que parece ser Stonebridge.


A aldeia é bem pequena, e deve abrigar no máximo 300 habitantes. O seu centro é cercado por uma mureta de pedras cuidadosamente empilhadas sobre a qual uma trepadeira cresceu se espalhando por toda sua extensão.


Um córrego separa a estrada de terra da aldeia em si, e ele pode ser transposto por um arco de pedra secular que parece ser o motivo do nome do local.


– Eu disse a vocês! Eis aí o arco, como vi em meus sonhos! – disse Bartolomeu.


– De fato, a descrição que você fez, é idêntica. Exceto pelas Brumas e pelo estado de abandono da cidade. Não vejo cadáveres ou sinais daquele mal violento que relatou – respondeu Duncan.


De fato, a aldeia se encontra num estado de razoável de conservação, se é que se pode dizer isso. Cruzando os campos, os aventureiros viram plantações de arroz destruídas e silos violados. Poucas pessoas transitam pelas ruas de Stonebridge, mas sem dúvidas a vila não ostenta o ar fúnebre e nem exala o odor dos mortos: embora bucólica, Stonebridge transmitia um ar de normalidade.


Bruenor resiste por uns instantes em cruzar os baixos muros da aldeia. Como no sonho de Bartolomeu, ele para ali hesitante em avançar. Porém, ao ver seus companheiros seguindo pela rua principal da vila o anão pôs-se a andar novamente.


– Que cidade mais pequena! – disse Adan – Lugar miserável e sem vida. O que vamos fazer agora?


– Acho que devemos procurar pelo prefeito e nos inteirar sobre os ataques – respondeu Duncan, se dirigindo para um velho senhor que estava usando um grande garfo para colocar o feno sobre sua carroça.


– Senhor, pode me dizer onde fica a prefeitura? – perguntou Duncan.


O velho dá uma olhada de canto de olho para o espadachim, demonstrando aborrecimento.


– Eu não gosto de estrangeiros.


– Eu vim até aqui por ordem do barão de Orlane – disse Duncan – Na verdade, viemos por causa dos ataques que a sua aldeia tem sofrido, mas preciso falar com o seu prefeito.


O velho enfia o garfo na montanha de feno que ainda está no chão e, se apoiando sobre o cabo, diz:


– Está vendo aquela casa ali? – ele aponta para uma casa de pedra cuja janela balança suavemente ao sabor de uma brisa que parece não existir – É ali que mora o prefeito Orren.


Bartolomeu percebe a circunstância, bem como Duncan, que agradece ao velho senhor e, tendo notado que os colegas estavam próximos o bastante para ouvir o diálogo, imediatamente começa a caminhar na direção da casa do prefeito.


Noc, noc. Duncan acerta a porta duas vezes e aguarda pela resposta, que demora um pouco. Logo, um homem simples abre a porta, vestindo um avental de couro todo sujo. É um sujeito que já conta com muitas primaveras, seu rosto está todo sujo de fuligem e suas mãos cheias de calos denunciam que não se trata, definitivamente, de nenhum tipo de aristocrata:


– Bom dia senhores, em que posso ajudar?


– Eu me chamo Duncan, e estes são meus colegas. Viemos de Orlane a pedido do barão para ajudar a resolver o problema do povo-lagarto. Queremos falar com o prefeito – respondeu o espadachim.


O velho foi surpreendido com aquela abordagem direta. Ele recua um pouco deixando a passagem pela porta completamente aberta, e com um gesto sinaliza para que os aventureiros entrem.


– Você está falando com ele. Meu chamo Orren, e sou o prefeito de Stonebridge. Imagino que estavam esperando algum nobre, mas eu sou um homem simples como podem ver. Não tenho muito a oferecer, senão um chá e uma mesa para se sentarem – disse o velho.


– Aceitamos o chá e as cadeiras – respondeu Duncan, ainda tomando a frente da conversação.


O espadachim entrar na humilde residência do pedreiro, notando que é mesmo a casa de um homem comum. O imóvel tem apenas dois cômodos, um deles é a sala onde há uma abrutalhada mesa de jantar com seis cadeiras, um fogão de ferro e utensílios de cozinha. O outro cômodo não pode ser visto no momento, mas pode-se supor que seja um dormitório – provavelmente uma cama e um baú ou armário precário.


Os aventureiros se sentam à mesa enquanto Orren desaparece por breves instantes por uma porta nos fundos da casa e retorna logo em seguida com uma chaleira, a qual leva ao fogo para, passo seguinte, sentar-se ele também à mesa.


– E então? Em que posso ajuda-los? Confesso que estou um pouco surpreso – disse o prefeito.


– É, nós percebemos isso – emendou Bartolomeu – o que está acontecendo aqui na sua aldeia?


– Vimos no caminho que havia algumas plantações destruídas – completou Wurren.


– De fato. Stonebridge tem sido alvo de ataques cada vez mais constantes de homens-lagartos vindos dos brejos de rushmoors. Eles atacam à noite, quando não há ninguém olhando, destroem nossas plantações e matam o nosso gado. Mas a situação ficou crítica mesmo a filha de Dillan e Dorane foi encontrada morta nas proximidades da vila. O povo ficou louco! E fui obrigado a pedir socorro à Sua Graça, o Barão Eirig – explicou com calma o prefeito Orren.


– Esses ataques são alguma novidade por aqui? – perguntou Duncan.


– Onde exatamente a menina foi encontrada? – Bartolomeu perguntou logo em cima da pergunta de Duncan.


– É… – Orren parecia precisa processar as perguntas e as respostas respectivas – Bom, primeiro as primeiras coisas. O povo-lagarto vive nestes brejos desde sempre e isso nunca foi um grande problema para nós, exceto por ataques ocasionais à caravanas de mercadores nas estradas vicinais. Mas nunca houve uma série de ataques como esses.


– Quando começaram os ataques? – perguntou Wurren, interrompendo o prefeito com seus hábitos de meio-orc.


– Cerca de quatro semanas atrás apenas, porém os ataques têm ocorrido com muita intensidade. Como vinha dizendo, este tipo de violência não é comum no povo-lagarto, então, respondendo à sua pergunta – disse Orren olhando para Duncan – esses ataques são uma tremenda novidade. Nunca Stonebridge enfrentou este tipo de ameaça, razão pela qual sequer temos uma milícia ou algo parecido. Tivemos que nos organizar às pressas e mesmo assim não foi suficiente, daí o pedido urgente de socorro à Sua Graça.


– Bom, e onde a menina foi encontrada? – Bartolomeu repetiu sua pergunta.


– Ah sim. Ela foi encontrada em um vale ao norte daqui. Dois lenhadores a encontraram, Crait e Kean são os seus nomes.


Os aventureiros conversaram por mais algum tempo com o prefeito, e ele lhes contou um pouco mais sobre a vida em Stonebridge após lhes servir o prometido chá. Ao término do encontro, Wurren sugeriu que o grupo de dividisse: ele e Bruenor fariam uma caminhada nos arredores da vila em busca de rastros, Bartolomeu conversaria com os lenhadores, Duncan procuraria os pais da menina assassinada e Adan se encarregaria de encontrar uma taverna e coletar rumores úteis.


– Eu sou um meio-orc, não cairia bem ficar interrogando pessoas por aí – ponderou Wurren – além do que, o comportamento dos homens-lagartos é mesmo muito estranho. Se estivessem buscando comida ou algo assim, seria compreensível. Mas não. Eles parecem atacar com o solo propósito de amedrontar os aldeões.


****


Após uma breve caminhada pelo centro da aldeia e Adan encontrou o que parecia ser uma taverna. Stonebridge é pequena demais.


Ele abre a porta de madeira sobre a qual pende uma placa de madeira com o nome do estabelecimento. O local é pequeno e não passa de um cômodo com mais ou menos cinco metros quadrados. Na parede norte, ao fundo, um balcão precário é ladeado por diversos barris. Não há mesas, cadeiras ou bancos para se sentar.


Adan achou aquele lugar uma porcaria. Não era nada do que estava esperando. Desapontado, ele abre a porta novamente e sai da taverna. Porém, assim que deixava o local, vê um homem chegando:


– Ei, do que você precisa meu caro? – perguntou o homem.


– Eu estava procurando pelo taverneiro, mas não tem ninguém aqui – respondeu Adan.


– Não tem ninguém porque eu sou o taverneiro e tive que sair para descarregar aquela carroça – o homem diz apontando para uma carroça que transporta dois barris grandes de carvalho.


– Entendo. Eu gostaria de umas informações. Eu vim para esta cidade com alguns colegas. Fomos enviados pelo barão de Orlane para ajudar na questão dos ataques do povo-lagarto.


O homem reagiu de forma desconfiada, mas explicou que os ataques tem de fato acontecido e que ele não sabe muito mais do que o restante do povo – até mesmo porque não se importa muito, conquanto que seus negócios sigam bem.


– Agora, se não se importa, pode me dar uma mãozinha aqui? – o homem pedia a ajuda de Adan para descer um dos barris, que estava muito pesado.


Adan faz um esforço grande e, sem muita habilidade para carregar barris, quase deixa cair nos seus pés.


– Uma última pergunta. Você pode me dizer o nome de algum conhecido seu que tenha sofrido diretamente o ataque de um homem-lagarto? Talvez assim eu possa conversar com ele e descobrir mais coisas interessantes. Isso vai me ajudar muito – disse Adan, de forma muito educada.


– Claro. Procure por Figean, um fazendeiro que vive a leste de Stonebridge.


– Tem outras vilas aqui por perto? – perguntou Adan.


– Então. A fazenda do velho Figean fica perto de um entreposto a leste daqui. O lugar é conhecido como Folly. Esse entreposto foi ficando famoso e muitos dos mercadores que passavam por aqui estacionavam lá. Com o passar do tempo alguns deles resolveram morar por ali, e logo o entreposto virou uma verdadeira aldeia.


– Será que Folly também sofreu com ataques do povo-lagarto? – perguntou Adan.


– Não que tenha ouvido falar – respondeu o homem.


– Muito bem então. Agradeço sua atenção, não vou mais tomar seu tempo.


– Eu é que agradeço pela ajuda com o barril. Até mais ver – o taverneiro se despediu.


****


Duncan caminha até a casa de Dillan e Dorene. Eles são os pais da menina Brenna, encontrada morta há alguns dias num vale ao norte da aldeia de Stonebridge. A casa simples lembra muito a do prefeito. Aliás, todas as casas da cidade são muito parecidas.


Há uma horta nos fundos, mas Duncan prefere ir à porta, onde bate duas vezes.


Prontamente, uma mulher que aparenta meia-idade abre a porta cheia de cautela, barrando-a os pés.


– Pois não? Em que posso ajudar? – disse a senhora, que tem profundos sulcos na pele devido à exposição às intempéries e, claro, à idade.


– Eu me chamo Duncan e sou um emissário do barão Eirig, de Orlane. Quero falar com o senhor Dillan ou com Dorene.


– Eu sou a Dorene, mas do que se trata?


– É sobre Brenna… – disse Duncan, baixando um pouco o tom de voz.


A mulher estremeceu, dando alguns passos atrás e liberando a passagem pela porta. Ela leva as mãos sobrepostas ao peito, como se estivesse contendo uma forte dor no coração e diz:


– Aguarde por favor meu bom homem, que preciso chamar meu marido! Diiiillaaaaan!!! – a mulher soltou um grito para chamar seu esposo, que respondeu lá de fora:


– Que foi mulher?! Que que tu quer?! – o jeito bronco já denunciava o tipo de pessoa que era Dillan, ao menos aos olhos do educado e polido espadachim Duncan.


– Venha aqui! Tem um homem querendo falar com você! – complementou Dorene.


O homem não demorou muito e chegou na casa com uma enxada nas costas, as mãos e os pés sujos de terra. Ele repousou o cabo da ferramenta na mesa de madeira rústica e cruzando os braços indagou Duncan sobre o motivo de sua presença. Quando o espadachim explicou do que se tratava, ele respondeu:


– Ah vá! Nossa filha morreu nas mãos dos homens-lagartos! Esses malditos! Tem que passar todos eles no fio da espada!


– Quanto tempo tem que ela morreu? – perguntou Duncan.


– O corpo dela foi encontrado dois dias atrás por lenhadores – respondeu Dillan, enquanto Dorene começava a chorar.


– E como ela desapareceu? Ela foi sequestrada? – Duncan continuava o interrogatório.


– Eu não ora bolas! Eu não estava aqui! – Dilla fica nervoso.


– Calma querido – pondera Dorene – Ela deve ter se afastado dos muros da cidade para brincar e desapareceu sem ninguém perceber. Só demos falta à noite quando ela não voltou para jantar.


– Mulher! Cale a boca! Se não sabe o que diz, cale a boca! – grita Dillan – Nós não sabemos o que houve, e nem interessa mais. Nossa menina está morta, e se você quer mesmo ajudar acabe com o povo-lagarto, esses bichos nojentos que vivem nos brejos sujos e fedorentos!


Duncan percebe que mais nada de útil pode advir daquela conversa. Ele ainda arriscou saber um pouco mais sobre os hábitos de Brenna, como, por exemplo, se ela tinha amiguinhos na vila com a mesma idade dela, mas Dillan não estava disposto a conversar. Seu comportamento era muito hostil, e tudo o que Duncan conseguiu foi descobrir que a menina não era uma criancinha como chegou a imaginar, mas sim uma menina de aproximadamente 13 anos de idade.


O espadachim decidiu deixar a casa da família e se dirigir para o centro da cidade. Quando já havia se despedido, ouviu a porta se abrir novamente atrás de si e, olhando sobre os ombros, ouviu Dorene dizer:


– Minha menina foi sacrificada! Dillan não aceita, mas aquilo foi um sacrifício! – a mulher estava ao prantos, mas Duncan evitou se condoer, compreendendo que qualquer demonstração de afeto poderia agravar a situação da mulher perante seu marido.


Refletindo sobre os acontecimentos, o espadachim chegou ao centro da vila, onde encontrou Adan a vagar, quando ambos ouviram os gritos do meio-orc que vinha em desabalada carreira pela rua principal da cidade:


– Homens-lagarto!!! Homens-lagarto!!! – gritava o meio-orc, enquanto Bruenor vinha mais atrás cansado de tanto correr.


****


Ao norte de Stonebridge há uma região de relevo acidentado, bem mais elevado do que as terras baixas onde a aldeia foi construída. Existe uma trilha aberta entre a vegetação que leva o viajante até estas partes mais altas, onde é de comum sabença que os lenhadores da aldeia trabalham. Este é o caminho que Bartolomeu tomou.


Após muitos minutos de caminhada estafante pela sinuosa trilha, cortando os exuberantes bosques que recobrem esta parte das colinas, Bartolomeu chega a um assentamento onde trabalham muitos lenhadores. Os homens cortam as árvores e transportam a madeira para o local, onde estabeleceram uma pequena comunidade como forma de evitar constantes viagens até a aldeia, preferindo passar dias ali trabalhando para somente depois retornarem às suas casas.


O astrólogo não se demora muito em encontrar o paradeiro de Crait e Kean. Os dois homens estavam se preparando para derrubar um carvalho e Bartolomeu chegou bem a tempo de interrompê-los antes que iniciassem o serviço.


– Eu não quero atrapalhar, mas eu estou procurando por dois lenhadores chamados Crait e Kean – disse o astrólogo.


– Crait sou eu – disse um dos homens, cruzando os braços como forma de exibir os braços e o peitoral forte, de modo a intimidar o franzino sujeito que lhes abordara sem dizer desde logo o que queria.


– Vim a mando do barão de Orlane e do prefeito Orren. Gostaria que vocês me dessem detalhes sobre como encontraram Brenna – disse Bartolomeu, sem se intimidar, achando até mesmo graça da atitude do lenhador.


– A gente encontrou ela num vale um pouco mais ao norte, onde a gente costuma ir buscar água para abastecer nosso entreposto – respondeu Crait, demonstrando respeito pela incumbência anunciada pelo jovem à sua frente.


– Como estava a menina? – perguntou Bartolomeu.


– Ela estava amarrada numa árvore, com o ventre rasgado e as vísceras pra fora! Foi horrível! – respondeu Crait, sob o olhar atento de Kean, que estava trepado num galho alto do carvalho.


– Nossa! – exclamou Bartolomeu – Isso foi bem na beirado riacho onde pegam água?


– Não, numa clareira bem próxima. A gente não costuma ir muito pra lá, mas naquele dia fomos porque a gente sabia que o Dillan estava procurando pela menina. Só não esperávamos encontrar ela daquele jeito. A gente trouxe o corpo dela pra cá, mas nem tivemos coragem de levar de volta para Stonebridge… – respondeu Crait.


– E quanto tempo tem isso?


– Kean! Kean, quanto tempo tem que encontramos a menina? – exclamou Crait, chamando pelo colega, que ao ouvir o chamado resolveu descer da árvore.


– Uma semana mais ou menos. Talvez um pouco mais – disse Kean ao chegar perto do colega e de Bartolomeu.


– Vocês acham, pelo julgamento de vocês, que homens-lagarto poderiam ter feito isso? – indagou Bartolomeu.


– Não – ambos responderam juntos.


– De forma alguma – completou Kean – o que fizeram com ela não era obra de um animal ou besta selvagem, era coisa de homem.


– Você quer dizer, eu suponho, que foi tão vil e maldoso o que fizeram com ela que somente homens poderiam tê-lo feito – disse Bartolomeu.


– Isso mesmo – emendou Crait, adiantando-se ao colega.


Bartolomeu estava ficando realmente preocupado, e após prolongar a conversa um pouco mais, decidiu pedir aos lenhadores que o levassem até o local onde encontraram o corpo da menina.


Eles, então, desceram por uma outra trilha até uma espécie de deque de madeira que se projeta sobre o córrego que desce das colinas e rasga o fundo do vale. Seguindo os passos dos lenhadores, Bartolomeu percorre outra trilha pequena e rapidamente alcança uma clareira – um círculo vasto, com cerca de 30 metros de diâmetro onde a vegetação rareava e os tocos das árvores cortadas estavam ressequidos, onde nem mesmo os fungos e as plantas oportunistas cresciam: exceto pelo grande visgo que se situa bem no centro da clareira.


Bartolomeu não precisava ser um astrólogo para saber interpretar aquele claro sinal. O lugar era, evidentemente, especial, provavelmente um círculo druídico.


– Encontramos ela amarrada naquela árvore – falou Crait.


Era como suspeitava Bartolomeu.


– E este local, o que é? Foram vocês que abriram essa clareira? – perguntou o astrólogo.


– Não, este local sempre foi assim. Poucos vêm até aqui. Os antigos dizem que é um lugar sagrado dos antigos druidas que viviam nesta região.


Na mosca.


– Vamos embora então – disse Bartolomeu – eu tenho um amigo que vai se interessar pelo local.


Bartolomeu decidiu retornar para o centro de Stonebridge e fez o caminho de volta pensando no que Wurren poderia acrescentar às suas investigações. Quando chegou na cidade, porém, ouviu o meio-orc ao berros, anunciando um ataque de homens-lagartos!


****


Bruenor e Wurren já estavam cansados de andar pelos arredores de Stonebridge. Eles já tinham visto as plantações de arroz destruídas, os silos assaltados e os grãos queimados. Era difícil encontrar, contudo, rastros dos malfeitores, posto que a região é úmida e alagadiça.


– Vamos procurar no interior. Nas áreas secas é mais fácil encontrar algum rastro – sugeriu o anão, apontando para uma colina rochosa de onde emergia uma linha tênue de fumaça, indicando a presença de alguém.


Wurren concordou enquanto observava na distância os remanescentes de uma fazenda destruída. Como é possível que ninguém tenha visto diretamente os ataques dos homens-lagartos?!


No momento que Bruenor se virou para começar a subir um outeiro uma flecha zuniu próxima de sua orelha direita! O anão tomou um baita susto, o coração de Wurren disparou e imediatamente o meio-orc começou a varrer o local com os olhos em busca dos inimigos.


Foi então que dois homens-lagartos emergiram da relva num ponto mais alto do outeiro, disparando outra flecha que atingiu Bruenor em cheio no peito! O anão perdeu a respiração e caiu no chão.


– Pegue os desgraçados! Me deixe aqui e vá atrás deles! – gritou Bruenor.


Wurren, porém, hesitou.


O anão se pôs de pé, quebrou a flecha que estava cravada no peito, deixando um pedaço dela ainda dentro do seu corpo e, soltando um urro feroz de combate, correu na direção dos inimigos.


Mais uma flecha, todavia, foi disparada, atingindo o anão novamente. Wurren correu finalmente, mas foi para acudir o amigo, deixando os vilões escaparem!


– Eu te falei para ir atrás deles! Eu sei me virar – resmungava o anão diante da caridade e preocupação do amigo meio-orc.


– Vamos sair logo daqui e chamar os outros! Se todos juntos tivemos dificuldade de matar dois homens-lagartos na estrada, sozinhos não poderemos nada!


Bruenor se pôs de pé depois que Wurren lhe impôs as mãos esperando um milagre de Obad-Hai. O meio-orc saiu em desabalada carreira até o centro da vila, gritando por socorro e anunciando o ataque os homens-lagartos!


– Cale a boca! – gritou Bartolomeu, preocupado – Não faça escândalo – ele olhava em todas as direções – Não vamos causar alardes na população!


Duncan compreendeu que o desejo de Bartolomeu era legítimo. Causar pânico entre os aldeões era inútil e ainda lhes roubaria o prestígio.


– Vamos logo atrás deles – disse Adan com justificada pressa.


Os aventureiros partiram rumo aos outeiros para encontrar os lagartos, entretanto eles já tinham se evadido do local, deixando, porém, um rastro:


– Eu os pude observar, eles têm patas grandes demais para serem confundidas com pegadas humanas, e além disso, eles têm caudas grandes e grossas. Vejam isso aqui – Wurren apontava para o mato quebrado e a relva amassada – Não percebem? É fácil segui-los.


O meio-orc guiou os colegas através da relva outeiro acima e, uma vez no seu cume, puderam ver que os rastros se dirigiam para uma região erma ao nordeste de Stonebridge.


– Jamais vamos alcança-los – disse Adan.


– Também acho – disse Duncan.


– E o que propõem?- perguntou Bartolomeu, aborrecido pela atitude dos colegas.


– Eu sugiro irmos até o foco daquela fumaça! Pode ser um covil dos homens-lagartos! – disse Wurren, apontando para o local que antes Bruenor identificara.


– Faz sentido que eles tenham um covil perto daqui. É difícil imaginar que o povo-lagarto venha do interior dos vastos brejos toda vez que planejam um ataque. Mas duvido que seu covil seja ali. Por mais burros que sejam, e já ficou claro que não são tão burros assim, os lagartos não fariam uma fogueira para atrair a nossa atenção e de quem mais pudesse passar pelas estradas.


Mesmo com as ponderações de Bartolomeu, os aventureiros acharam que era melhor investigar o local de onde vinha a fumaça do que seguir os rastros dos lagartos. Afinal, chegar até o ponto em questão parecia ser apenas a questão de transpor mais um outeiro, algo que fariam em poucos minutos, enquanto que perseguir os lagartos poderia ser uma medida capaz de lhes tomar a tarde toda para que somente ao final se mostrasse infrutífera.


****


Do alto da colina, depois de contornar uma pedra enorme que se erguia apontando para os céus, os aventureiros puderam ver que morro abaixo uma pequena cabana de madeira estava pegando fogo.


Duncan, Bruenor e Wurren se apressaram, no afã de encontrar quem possa ter ateado fogo naquela casa ou de ajudar pessoas feridas. Wurren viu com o canto de olho que Dagara os seguia à distância, com discrição e ficou satisfeito que sua amiga ainda estava por perto. Bartolomeu retardou o passo e descia lentamente, prestando atenção nos arredores para salteadores, buscando abrigo e esconderijo entre saliências rochosas e arbustos frondosos. Adan notou que Bartolomeu estava retardando o passo, e ele próprio desacelerou para ficar em algum ponto entre o grupo liderado por Duncan e o astrólogo.


Quando chegaram ao fundo vale, onde a cabana crepitava, Duncan viu que havia um homem caído dentro da casa, preso sob uma tora de madeira que ruiu sobre si. O paladino ergueu a tora com a força de seus próprios braços, e Wurren puxou o corpo do homem para fora da cabana, observando os arredores.


– Sess’inek! Sess’inek está voltando! – o homem sussurrou quando desfaleceu subitamente!


Wurren praticamente se jogou sobre o corpo do homem para impor-lhe as mãos e transferir um pouco da energia positiva da natureza para seu corpo combalido, mas o homem fechou os olhos mesmo assim.


– Não consigo achar a pulsação dele – disse Duncan, desesperado – Acho que ele está morto!


– Mas que merda! – gritou o anão Bruenor.


Wurren começou a vasculhar os arredores em busca de rastros, Bruenor segurava o machado com força e olhava com atenção. O meio-orc parecia confuso com a situação. Duncan retornou para o interior da cabana e viu que o local tinha sido revirado e por sorte não pegou fogo completamente. O incêndio era claramente criminoso!


Adan e Bartolomeu apertaram o passo e chegaram rapidamente ao local. Bartolomeu entrou na cabana prontamente após ver que seu morador estava morto. Ele viu restos de fracos quebrados, velas usadas derretidas, unguentos arruinados e toda sorte de esquisitice as quais denunciavam que aquela não era a casa de um lenhador solitário, mas sim de alguém no mínimo misterioso. O astrólogo pegou uma máscara parcialmente queimada que encontrou na parede e um colar feito com folhas de visgos que estava pendurado no alto da ladeira.


– Olhem isso aqui! – exclamou Wurren – apontando para runas estranhas gravadas no caule de uma árvore próxima da cabana.


Os aventureiros tentavam compreender o que havia se passado ali, e que sujeito misterioso era aquele. Contudo, não havia tempo sobrando, pois Bartolomeu queria ainda retornar ao círculo druídico que encontrou mais cedo junto com os lenhadores. E ele expõe essa sua vontade aos colegas, pedindo mais pressa na tomada das decisões naquele momento, pois pressentia que algo de realmente estranho está acontecendo em Stonebridge – e não é o ataque do povo-lagarto.


Duncan decidiu que o melhor a fazer era levar o corpo do falecido senhor até a vila, para dar o funeral apropriado e, sobretudo, para noticiar ao prefeito do ocorrido. Após breves debates pouco profícuos, os aventureiros aderiram à ideia.


Wurren entrou na cabana em busca de um lençol ou algo que servisse para enrolar o cadáver, mas acabou tendo de se contentar com um tapete de pele de urso que estava chamuscado no chão da sala. A pressa era tanta que o meio-orc não percebeu nada de anormal no chão de tábuas corridas que estava escondido por debaixo do tapete.


****


Os aventureiros já estão quase chegando em Stonebridge e decidem parar o último declive antes de chegar nos muros da pequena aldeia.


– Acho melhor não entrar com um cadáver na cidade. Isso pode pegar mau – diz Adan.


– Você está certo – aponta Duncan – Eu vou avisar o prefeito e vocês fiquem aqui até que eu retorne. Está bem? – o espadachim terminou de dizer esta frase e nem mesmo aguardou uma resposta e já se pôs a caminhar.


– Não! Não vá! Espere! – os aventureiros se perguntaram quem gritou essas palavras, e todos se entreolharam assustados!


De repente, Adan solta o rolo formado pelo cadáver e pelo tapete de pele de urso. Wurren então percebe que o corpo está se mexendo e falando!


– Não precisa ir! Eu não morri! Estou bem ora essas! Não sabem mais discernir entre um cadáver e um homem saudável? – o sujeito, antes tido como morto, esbravejava com humor senil.


A situação estupefaciente fez Duncan retornar e Bartolomeu eriçar as sobrancelhas de perplexidade.


– Ajudem ele – disse o astrólogo.


Wurren e Bruenor desenrolaram o corpo.


– Aff. Pelos deuses! Ainda bem que não me enterraram vivo! – exclamou o sujeito.


Duncan ficou desconcertado quando Wurren olhou para ele reprovando suas habilidades medicinais, anteriormente testadas e agora certamente reprovadas.


– Pensamos que estivesse morto – disse Duncan.


– Mas eu não estou! – respondeu o velho.


– Quem é você e quem te atacou? – perguntou Bartolomeu, ainda desconfiado.


– Me chamo Eimhim e… – o sujeito parecia confuso, e hesitou neste mesmo instante, como se estivesse buscando na memória os eventos do passado recente – … fui atacado por homens-lagartos!


– É mesmo? – indagou Bartolomeu.


– Sim, é isso mesmo. Homens-lagartos! E vocês, quem são? – Eimhim perguntou.


Logo os aventureiros se apresentaram. Na verdade, como de costume, Duncan fez as honras e apresentou o grupo, afirmando (como também já tinha se tornado um hábito), que os colegas e ele são emissários do barão de Orlane para resolver o problema dos ataques do povo-lagarto.


– Oh! Céus! Acabo de me lembrar! – Eimhim falava de forma teatral, demasiado forçada para alguém que expressa sentimentos legítimos – Meu precioso livro! M eu segredo! Vocês não o viram?


– Não sei nem do que você está falando – respondeu Adan.


– Esse sujeito é louco, não veem? – falou Bruenor, já sem paciência.


– Se tivessem visto saberiam! E isto que os lagartos estão procurando! Todos os ataques a Stonebridge se devem a isso! – exclamava Eimhim, enquanto subia o outeiro de novo – Venham comigo, vou lhes mostrar meus jovens!


Os aventureiros não viram outra alternativa senão seguir o tal sujeito, afinal, a bizarrice da situação exigia uma explicação e a única forma de obtê-la a esta altura seria seguindo o dito cujo.


Ao retornarem para a cabana, cujo fogo já não mais crepitava, viram que Eimhim correu para dentro e, chegando-se na sala, ajoelhou e abriu um alçapão que estava antes escondido sob o tapete de pele de urso.


– Ahahahahaha! Está aqui! Meu precioso tomo! – o sujeito exclamou com uma risada maquiavélica que arrepiou Duncan e Bartolomeu – É isso que eles procuravam!


Imediatamente Duncan sentiu que Eimhim não era um sujeito são. O livro era grosso, tinha uma capa de couro negro claramente muito antiga e, para seu espanto (e de todos os demais) ostentava uma grande língua bifurcada na sua capa, presa ao couro por uma espécie de alfinete.


Discretamente, o paladino ergueu a palma de uma das mãos em direção da cabana e abriu seus sentidos: visão, audição e olfato. Um forte cheiro de enxofre penetrou em suas narinas e ele passou a sentir um enjoo forte.


– Este livro é profano! Devemos destruí-lo! – bradou Duncan em seguida.


– Calma Duncan – disse em voz baixa Bartolomeu, fitando os olhos de seu interlocutor.


– Sim, eu sei. Mas não se assuste meu caro. Esse livro contém os segredos que o povo-lagarto deseja. Os segredos sobre o retorno de Sess’inek! – disse Eimhim com olhar perturbador.


– Esse foi o nome que você disse antes de… antes de desmaiar – falou Wurren, olhando bem nas feições da estranha figura.


Eimhim, estava até então sentado no chão da cabana, abraçado ao livro, se levantou para conversar melhor com os aventureiros e dissipar qualquer pecha de dúvida sobre seu caráter responsável e ilibado.


– Este é um tomo de conhecimentos antigos. É claro que ele carrega uma aura ruim. Mas todo conhecimento é uma coisa perigosa! É preciso ter muito cuidado. E eu tenho, justamente para não deixar que ele caia nas mãos erradas! – disse Eimhim.


Todos olhavam para ele, fitando os olhos, mirando cada gesto, a fim de decifrar o enigma de suas mentiras. Nada obstante, nenhum esforço revelava qualquer mentira ou malícia em suas palavras. Por mais louco que pareça, Eimhim dizia a verdade a toda evidência.


– E o que tem Sess’inek com isso? – insistiu Bartolomeu.


– Sess’inek! Sess’inek! O povo-lagarto costuma venerar uma outra entidade, chamada Semuanya, ou Semuenya… é… eu não sei ao certo – o sujeito gaguejou um pouco, pensando sobre a forma de pronunciar o nome – Semuanya mesmo! Esse é o nome!


– Ok, ok! Vá logo ao ponto! – disse Bruenor, cheio de grosseria.


– Então, como ia dizendo, o povo-lagarto venera Semuanya. Eles não são um povo violento, embora se possa dizer que são selvagens. De tempos em tempos o povo-lagarto produz um indivíduo poderoso que é o representante de Semuanya, contudo, às vezes Sess’inek substitui o tocado por alguém de sua laia, enganando o povo-lagarto e tornando-o violento e agressivo!


Os aventureiros ouviam com atenção.


– É isso o que está acontecendo! E eles estão atacando Stonebridge para roubar este tomo que guardo com muito cuidado, pois este tomo tem o segredo para vencer o grande mal de Sess’inek!


A explicação soava convincente, por mais estranha que fosse. Eimhim exibia uma aura de confiança e certeza em suas palavras, as quais não pareciam dissimuladas de forma alguma. Os aventureiros se entreolharam e percebiam uns nos outros não terem encontrado motivos para duvidar da bizarra figura.


– E como isso explica a morte de Brenna? – perguntou Wurren.


Eimhim ficou deslocado com a pergunta.


– Você não ficou sabendo? Parece que ela foi morta numa espécie de ritual. Isso também tem a ver com Sess’inek? – perguntou Duncan, transparecendo sua desconfiança.


– Talvez. Talvez Sess’inek ainda não tenha retornado de vez. Talvez seu escolhido não tenha chegado de fato. Talvez haja preparativos. Pode ser que alguém esteja ajudando Sess’inek a formar seu novo escolhido, e isso explicaria o sacrifício humano! Porém nada disso muda a natureza dos fatos: este livro pode evitar esta catástrofe. Se Sess’inek de fato voltar, mesmo que na figura de seu tocado, os povos que vivem às margens de rushmoors não terão mais paz!


Novamente, ninguém percebia inverdade ou malícia na fala de Eimhim. Duncan e Bartolomeu ficaram frustrados com isso, pois seus corações indicavam com clareza que aquele sujeito não era confiável.


– Me deem um, não, dois dias! Eu vou pesquisar e lhes direi com certeza! Mas preciso ler e pesquisar! Não me peçam todas as respostas agora, pois não as tenho. Mas peço dois dias. Posso lhes encontrar onde estiverem – disse Eimhim.


– No antigo círculo druídico – disse Bartolomeu.


– Ao cair da noite – completou Eimhim.


– Nada disso. Ao meio-dia. Assim você terá exatamente dois dias para fazer o que acha que deve fazer – respondeu Bartolomeu.


– Está combinado então – finalizou Eimhim.


O sujeito sabe do círculo druídico. O colar de visgo encontrado sob sua chaminé, os inúmeros unguentos e velas encontrados em sua casa denotam que ele realmente é algum tipo de místico. Nenhum dos aventureiros confia nele, porém, é até agora o único fio de esperança de descobrir o que está se passando em Stonebridge: pelo bem ou pelo mal.


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