Os Herdeiros de Ânn - 17º Ato - Parte 2

Duncan recua um pouco. Adan pode ver que que ele ainda está por perto por causa da luz de sua espada. Quando sua atenção se volta para aa naga, toma um susto, pois ela avançou rapidamente em sua direção e rodopiou em volta do ladino, fazendo com que as brumas se espalhassem e nublassem completamente o interior da caverna.

- Aqui quem dá ordens sou eu, INSETO!!! – Salahadhra disse com a voz cheia de rancor – Por que voltou a perturbar meu sono?

- E-eu acho que eu posso acabar com Kharlixes pra você!



- Hahahahahaha! Qual é a sua proposta?! – a naga perguntou.

- Você disse que tem uma arma... uma arma que pode matar o dragão... – Adan estava com medo.

- Hahahaha. Estamos negociando, então? Jurará fifdelidade a mim?

- Bom, acho que esse lance de fidelidade podemos acertar depois, não é? Queria antes ter uma conversa com você, saber como foi sua batalha com Kharlixes – Adan perguntou.

- Eu não estou interessada em conversar, nem em falar sobre coisas do passado. Não é minha função aqui. Minha função é guardar este local, e esta missão está sendo prejudicada pela presença de Kharlixes. Quero vê-la morta! Destruída! – a naga respondeu com ódio.

- Então, quando Kharlixes morrer você continuará apenas guardando os pântanos? Não fará mal às cidades próximas?

- Eu jamais fiz isso! – afirma a naga – Então, aceitará matar Kharlixes?

- Veja bem, matar um dragão é algo muito sério. O que ganharei em troca? – Adan pergunta.

- Ora! Sua paga será o equipamento mágico que mencionei! Ademais, quem veio até aqui para enfrentar o culto de Sess’inek foi você! Estou lhe dando toda a informação de que precisa, e ainda lhe fornecendo uma arma mágica capaz de destruir nossos inimigos em comum!

- E essa arma não é amaldiçoada é?

- Hahahaha. Está com medo, aventureiro?! – a naga rodopia novamente – Tranquilize-se. Não há maldição alguma! Terás que matar Kharlixes, todavia. Ao fazê-lo, será livre como antes.

- Como agora? – pergunta Adan, sem entender o discurso da naga.

- Siiiimmmmmm! – ela responde.

- Bom, está bem então. Aceito sim, sua oferta. Mas você não tem nenhuma outra informação pra me dar?

- Que tipo de informação quer afinal?! Não tenho tempo a perder com besteiras!!! – a naga se enfurece.

- Bah, deixa pra lá então. Está difícil conversar contigo – Adan diz em resposta.

- INSOLENTE!!! – a naga urra com raiva.

Mas o acordo já estava feito. Ela rodopia mais uma vez e deixa a caverna, adquirindo novamente um aspecto etéreo e mergulhando nas rochas sólidas. As brumas se adensam mais uma vez, uma escuridão opressora recai sobre Adan. Instantes depois, no entanto, a luz de sua tocha passa a vencer as trevas como antes, e o ladino observa um manto de veludo azul esquecido no chão, próximo a uma estalagmite.

Quando se aproxima, Adan vê que se trata de um exótico arco élfico, feito de ouro e ossos, adornado com runas élficas e tiras de couro. Ao seu lado, há um feixe de flechas tão finas e compridas que até se parecem com agulhas. O ladino detesta arco-e-flecha, e amaldiçoa Salahadhra por ter lhe oferecido justamente uma das piores armas para seu gosto pessoal. Nada obstante, o que lhe resta é recolher o equipamento e sair dali o quanto antes para junto dos demais.

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“Morte rápida aos meus inimigos!” Foi o a última coisa que Adan ouviu antes de sair da caverna. Aquelas palavras ecoam em sua cabeça: a últimas proferidas por Salahadhra antes de desaparecer nas brumas.

- Vamos logo, vamos sair daqui – diz Wurren olhando para a poça de gosma preta.

- Sim, vamos logo – Duncan concorda, iluminando o caminho à frente com a luminosa.

Quando os três retornam encontram Bruenor e Bartolomeu descansando, ainda fumando seus respectivos cachimbos. Dágora está adormecida.

- Cadê a grande arma matadora de dragões? – pergunta Bartolomeu – É isso aí? – diz olhando para o arco nas mãos de Adan.

- Sim. É élfico – responde o ladino.

- É parecer élfico mesmo. Só não sabia que elfos faziam armas matadores de dragões – Bartolomeu diz com o costumeiro sarcasmo.

- Hahahaha. Boa sorte tentando matar um grande dragão, com seus espessas escamas com essas flechinhas aí – Bruenor sorri com ironia.

- Eu preferia uma espada. Não tenho boa pontaria, mas... – Adan dizia antes de ser interrompido por Bruenor.

- Imagino que não tenha sido dado a escolher... – disse o anão.

- Não. De fato não. Era isso ou nada – respondeu Adan.

- Ainda bem que há várias flechas! – o anão falou som um sorriso no rosto. Por dentro, porém, sentia preocupação, pois sabe que Adan se meteu numa enrascada fazendo um acordo com Salahadhra.

- Pelo menos você pergunto a ela por onde é a saída? – Bartolomeu indagou, lembrando o ladino da importante questão que, a toda evidência, poderia ser respondida pela naga.

- Ahmmm... infelizmente não... Você não faz ideia de como é estar diante daquela criatura – Adan respondeu.

A conversa do grupo durou mais alguns minutos. Adan relatou com mais detalhes o encontro e isso deixou Wurren pensativo. O meio-orc lembrou-se que há histórias sobre guardiões que protegem grandes áreas importantes do mundo – uma lenda entre os druidas da antiga-fé.

Será que Salahadhra é um destes guardiões?

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