Tragédia em Chathold - 11º e 12º Atos

Vários dias se passaram sem nenhuma mudança. Continuavam fora das estradas, seguindo pelo litoral, cansados e famintos. Não sabiam se ainda andavam por terem alguma esperança ou se era apenas por não terem escolha...

Beren tentava ocupar sua mente com os livros que pegara em Tirian. Utilizava-se de sua magia para tentar decifrar a estranha escrita, mas sua mente parecia não conseguir se concentrar o suficiente, ainda aturdida pelo alcance da destruição de seu mundo.

Seguindo as indicações de Dragnar, o grupo acabou avistando Onixgate. Mas não foi preciso chegarem muito perto para perceberem que ela também estava tomada e o grupo passou ao largo, continuando sua viagem para o norte, ainda sem um rumo certo.

Viram um bosque à distância e o grupo se dirigiu para lá com a esperança de encontrarem algo para lhes aplacar a fome. Enquanto organizavam um acampamento, viram o que parecia uma pantera observando-os do meio das árvores. Ela continuou encarando-os após ter sido avistada e começou a afastar-se lentamente, ainda olhando para trás de tempos em tempos.

Os personagens estavam famintos e aquele era o único grande animal que viam há semanas. Com isso, Vexya, Beren e Dragnar revolveram persegui-la, com os demais continuando a montagem do acampamento.

A elfa via estranheza no comportamento do felino, pois ele jamais se afastava, parecia sempre manter uma determinada distância, inclusive parando em diversos momentos, como se os aguardasse. Aquele certamente não era um comportamento usual e ela avisou para que se mantivessem especialmente atentos. A pantera era um animal solitário, mas não tinha certeza se aquela era uma pantera comum.

A suspeita mostrou-se verdadeira. Pouco depois, uma criatura mitológica, metade homem, metade touro, aproximou-se. A pantera foi até ela, arrastando-se nas pernas do minotauro como se fosse um gato doméstico.

O minotauro segurava uma grande corrente e olhava para os personagens com interesse. O grupo estava tenso, preocupado, pois sabia que não sobreviveriam a um ataque da lendária criatura. Começaram a recuar, mas ela os acompanhava e Beren resolveu tentar uma estratégia diferente. A criatura os seguia, mas ainda não tinha tomado uma atitude hostil. Em linguagem comum, disse que não pretendia invadir seu território. Estavam famintos, queriam comida, mas procurariam-na em outro lugar.

Para surpresa de todos, o minotauro respondeu, ainda que em um rudimentar comum. Afirmou que eles não precisavam ter medo. Seu nome era Skreelestmeld e estava esperando por eles há muito tempo. Porém, segundo Gwiediesin, eles deveriam ser sete, não apenas três.

Beren assustou-se com aquelas informações e começou a fazer diversas perguntas à criatura, descobrindo que havia se passado pelo menos uma década desde a exploração do templo sob o moinho, já que esse era o tempo que os demônios dominavam aquela região. Não conseguiu discernir como o minotauro ou o tal Gwiediesin sabiam a respeito deles, mas imaginava tratar-se de algum tipo de profecia.

Skreelestmeld não pôde oferecer todas as respostas que eles queriam, pois não sabia de muito além daqueles bosques. Mas poderia levá-los até Gwidiesin, que os esperava no rio que nasce no poente, e assim o grupo se reuniu e seguiu o minotauro por um bom tempo. Ele não lhes deu comida, mas permitiu que pegassem o que quisessem de seu território.

Pela manhã, o grupo chegou à nascente do Rio Harp. Não havia ninguém ali, mas logo viram uma carroça aproximando-se. Um velho senhor de cabelos prateados aproximava-se assobiando uma bela canção. Abriu um grande sorriso ao ver os personagens, revelando estar muito satisfeito por eles terem, enfim, aparecido. Ao perceber que o grupo não o reconhecia, mostrou-se um pouco desapontado, mas não de todo, pois imaginava que isso pudesse realmente acontecer.

O grupo ficou um longo tempo conversando com o velho andarilho, buscando entender de onde ele os conhecia e o que realmente havia acontecido. Enquanto comiam das maravilhosas frutas que ele lhes forneceu, descobriram que nada menos do que três décadas haviam se passado desde sua entrada no templo sob o moinho. Uma grande guerra ocorrera durante esse período, não apenas na região do Grande Reino, como também no distante norte...

Ivid V ordenou que hordas do Grande Reino marchassem com a intenção de punir seus inimigos por séculos de imprudência. Os nobres do Grande Reino vacilaram, um depois do outro, em conter a sanha de Ivid, uns aterrorizados que estavam com seu imperador insano, que contava com o auxílio de forças demoníacas, e outros sedentos por roubar as terras de seus vizinhos. Em meio ao caos, os opositores de Ivid foram um a um objeto da ira do imperador. Medegia foi destruída, e Rel Astra saqueada, ambas pelas forças do próprio Grande Reino. Ivid assegurara lealdade de seus aliados tendo seus generais e nobres assassinados e reanimados na forma de mortos-vivos inteligentes (os Animus), com todas as habilidades que possuíam em vida. Ele mesmo foi vítima de tal estratégia, com a Igreja de Hextor assassinando e o devolvendo à "vida" como um morto-vivo, fazendo-o ficar conhecido como Ivid, o Eterno.

Os exércitos do Grande Reino estavam revigorados pelo poder e pela loucura que emanavam de Aerdy. Archbold III, soberano de Nyrond, invocou seus vassalos, provocando-os a formar o maior exército que Nyrond jamais vira. O sábio rei ainda reuniu-se com representantes e embaixadores de Onnwal, Almor, Idee, Sunndi, Pálido, Condado de Urnst e Portões de Ferro. Todos, exceto o Pálido, assinaram o Pacto de Aliança Oriental, um tratado que visava reunir forças para conter os avanços do imperador Ivid.

Todavia, o destino traiu as pretensões de Archbold III, pois Onnwal e Idee caíram perante a ameaça da Irmandade Escarlate - algo semelhante ao que se ouvira ocorrer em reinos distantes, no vale Sheldomar. A queda destes dois reinos isolou Portões de Ferro e Sunndi, que estavam profundamente ameaçados pela Insígnia Escarlate e Aerdy, impotentes demais, portanto, para ajudar Nyrond. Não fosse o bastante, Almor queimou como madeira seca quando o Comandante Osson foi fragorosamente derrotado pelas tropas imperiais.

Atualmente, ninguém sabe exatamente dizer o que será feito do Grande Reino. Acontece que uma série de eventos mágicos, provavelmente envolvendo o Clero de Hextor, tomou lugar em Rauxes, a capital do reino, e desde então a cidade está envolvida em uma misteriosa e maligna bruma. Desde este momento, ninguém jamais deixou a capital, nem sequer tem-se notícias de
seus milhares de habitantes. Pode-se apenas ver a cidade ao longe, imersa na profunda névoa, e ouvir um silêncio horripilante interrompido por gritos de dor e agonia. Diante desta situação, nenhum príncipe sabe como comandar suas províncias, posto que não é certo o destino de Ivid. Teria ele morrido e seria mais fácil decidir. Mas com esta incerteza, muitos senhores de terra temem tomar as rédeas de suas províncias e depois serem retaliados pelo Imperador. 

Gwiediesin os convidou para partilhar de seu bom fumo e todos aceitaram. Era muita informação para absorverem em pouco tempo e aquela poderia ser uma forma de relaxarem. Mas o fumo não era um fumo comum. Começaram a ver imagens se formando na fumaça, imagens de pessoas muito parecidas com eles em diversas situações e momentos... Não sabiam se aqueles eram seus antepassados ou se eram eles mesmos, em outro tempo, outro mundo, mas a verdade é que tudo aquilo parecia-lhes muito real e familiar.

Questionaram o velho bardo sobre as imagens, mas ele apenas lhes disse que, com o tempo, eles mesmos obteriam as respostas. Já havia interferido mais do que devia e poderia ser punido pelos deuses se fizesse mais...

Por ora, havia outras questões mais importantes. De forma absolutamente inesperada, eles haviam obtido um dos prismas antes mesmo de falarem com ele, o que só poderia ser um sinal do destino. Pediu para vê-lo e disse que o objeto chamava-se Octych e era um artefato de extrema importância para o equilíbrio dos planos, mas não o único. Como já imaginavam, outros procuravam por aqueles objetos e eles deveriam impedir que o encontrassem, se possível. Não lhes poderia revelar mais do que isso nem exigir que fizessem qualquer coisa, pois eram senhores do próprio destino, mas recomendou que procurassem pela Capela dos Contempladores de Astros nas Montanhas Escarpadas, a fim de que conhecessem mais acerca daqueles artefatos e do que eles podiam fazer antes de tomarem qualquer decisão.

Dito isso, ele levantou-se e despediu-se dos personagens, desejando-lhes muita sorte em seus caminhos. Antes, pediu que Skreelestmeld lhes desse seus presentes: simples mantos cinzentos, para protegê-los do frio, e seis chaves douradas. O grupo agradeceu, mas ainda estava tão aturdido com tudo que viram e ouviram, que apenas observou os dois partirem, cada um em uma direção, absortos em seus próprios pensamentos...

O grupo discutiu por algum tempo sobre o que fazer e sobre o que tinham visto. Apesar de Brÿjoff acusar o velho de ser um completo lunático (já que seria impossível qualquer pessoa sobreviver no alto das Montanhas Escarpadas), o grupo acabou decidindo seguir na direção apontada por Gwiediesin. Mas, no caminho, passariam por Innspa, já que Dante ainda tinha esperanças de encontrar com algum de seus velhos conhecidos, em especial Aurold Mantos Brancos, a quem respeitava como a um pai...

Comentários

  1. A parte histórica sobre o Grande Reino eu peguei de uns posts antigos seus, Mario. Caso tenha algo que não deva estar aqui, só avisar...

    Também não coloquei nada sobre Iuz, pois não lembro de ele ter sido mencionado na conversa em momento algum. Mas posso estar enganado...

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