Tragédia em Chathold - 10º Ato

O grupo viu-se em um largo hall. Não havia quase nenhuma ornamentação na câmara, apenas algumas mesas e cadeiras em péssimo estado de conservação. Pareciam haver diversas portas, mas não tiveram tempo para olhar com muita atenção, pois, assim que Dragnar adentrou o hall, sentiu uma dor excruciante na coxa: um virote fincara-se profundamente ali...

Primeiramente, o grupo acreditou tratar-se de uma armadilha e olhava com cuidado para o chão à procura do mecanismo que a ativara, mas logo viram esqueletos saindo correndo de uma das portas e tiveram que se preparar para um combate.

Enquanto os demais ocupavam-se em se defender dos mortos-vivos, Dante corria para o fundo do hall para eliminar quem lhes atacava à distância. Havia uma seteira na parede, que era de onde vinham os ataques. Ele ainda não sabia como entrar lá, mas rapidamente achou uma solução: pegou uma das mesas e a colocou contra a parede, fechando a abertura. Os ataques logo cessaram e ele ouviu um barulho de uma porta sendo aberta. Dois novos esqueletos surgiram e o guerreiro os atacou com sua lança.

Apesar de apenas Dragnar possuir uma arma realmente eficaz contra os esqueletos, o grupo acabou vencendo o combate sem sofrer muitos danos. Mas todos se viam assustados sobre o local em que estavam se metendo. Já tinham ouvido falar da necromancia, mas ter um contato direto com o fruto de tal magia era algo que lhes gelava os ossos. 

Enquanto Vexya e os anões ajudavam Dragnar a retirar o virote de sua perna, os demais aproveitaram para explorar as portas, encontrando alguns quartos, uma cozinha, um armorial e um esqueleto sem as pernas, o qual foi facilmente debelado por Dante.

Fora umas parcas moedas de prata, não encontraram nada de útil e prosseguiram por um longo corredor, o qual fora revelado pela única porta que se encontrava trancada (Dante simplesmente a arrombara com sua força descomunal). Uma aura maligna provinha dele e Dragnar teve nova visão. Homens saíam de uma caverna segurando um objeto, o mesmo prisma que o sacerdote havia visto quanto tocara a estrela pouco tempo antes. Uma mulher sentada em um cavalo os aguardava com um olhar de júbilo... Novas cenas começaram a surgir em rápida sequência, todas revelando aquela mulher bela e sombria coletando outros daqueles prismas (ou o mesmo, ele não sabia dizer).

Beren percebeu que Dragnar estava em novo transe. Pediu para os demais aguardarem enquanto esperava o anão voltar a si. O sacerdote revelou-lhes o que havia visto e também explicou que era agraciado por visões desde o seu nascimento. Mas nunca havia tido tantas em tão rápida sucessão...

Brÿjoff estava aturdido com aquela declaração. Jamais soubera daquelas tais "visões" e começou a achar que seu primo estava ficando louco. Já Beren estava preocupado com outra coisa: a origem daquelas mensagens. Dragnar imaginava que elas provinham de Moradin, mas o mago imaginava algo pior: ao tocar a estrela de oito pontas, o sacerdote poderia ter entrado em contato com a entidade maligna a quem aquele templo profano era dedicado. E ela parecia querer usá-lo para algum fim, provavelmente recuperar aquele prisma triangular.

Após Dragnar aconselhar o mago a não tomar conclusões precipitadas, o grupo alcançou um grande altar de pedra. Marcas escuras de sangue encontravam-se por toda a câmara, não sendo difícil aos personagens concluir que aquele era um altar de sacrifício. Um pentagrama havia sido pintado sobre o altar e ossos do que parecia ter sido uma criança encontravam-se alojados em seu centro. Era um local repulsivo e todos queriam logo partir dali, mas não havia nenhuma passagem à vista.

Dragnar foi até o altar para coletar os ossos. Não havia nada que pudesse fazer por aquela criança, que certamente havia sido sacrificada muitíssimos anos atrás, mas ao menos enterraria o que restara dela.

Enquanto coletava a ossada, notou a existência de uma passagem oculta atrás do altar e o grupo seguiu por ela, chegando a uma grande caverna. Uma aura de imenso poder permeava todo o ambiente. Três grandes globos coloridos flutuavam acima de um patamar no centro da câmara, todos equanimemente separados um do outro. No meio desse triângulo, o prisma!

Todos haviam ouvido a narração de Dragnar e imediatamente reconheceram o artefato mesmo sem nunca tê-lo visto. Começaram a circundar o patamar e se dirigir às escadas que permitiriam vê-lo mais de perto. Seguiam com cautela, contudo, pois uma estátua demoníaca parecia guardar a escada e não sabiam se os globos não eram algum tipo de proteção mágica.

Beren e Dragnar foram até o alto do patamar para admirar o prisma que, assim como os globos, flutuava. Ele não era muito grande, tendo pouco mais de um palmo. Curiosos, resolveram adentrar o patamar para verem o artefato bem de perto, quando perceberam duas mulheres fantasmagóricas entrando na câmara. Uma delas, Dragnar podia afirmar, era a mulher que ele havia visto antes na sua visão. A outra estava nua e, apesar das belas formas femininas, tinha uma aparência claramente demoníaca.

Os dois gritaram para avisar seus companheiros, mas eles nada viam. Estavam os dois tendo uma nova visão?

 As duas foram até o alto do patamar, ficando no mesmo lugar em que Beren e Dragnar estavam nesse momento. Ambos tinham uma estranha sensação de familiaridade, como se as conhecessem, e um ar pesado, macabro, parecia acompanhá-las. Elas trocaram algumas palavras e eles descobriram que a demônio chamava-se Nivasti. Essa se aproximou do prisma e o pegou nas mãos, entregando-o à sua mestra. A cobiça era óbvia nos olhos da mulher: "Finalmente...", disse ela, e a imagem simplesmente desvaneceu...

Estava claro a eles agora: estavam tendo uma visão do futuro! Estavam sendo avisados do grande mal que estava por vir e da urgente necessidade de agirem para tentar impedi-lo. Não sabiam o que era aquele prisma e o que ele era capaz de fazer, mas sentiam em suas almas o perigo dele cair em mãos erradas.

Dragnar foi até o objeto para pegá-lo, mas Beren pediu para que ele não o tocasse com as mãos nuas. Ainda não sabiam se aquele não era um item profano e o melhor era evitar um contato direto. Retirou o seu manto e o entregou ao anão, que pegou o prisma, enrolou-o e o colocou em sua mochila.

Os demais personagens protestaram, pois não haviam tido qualquer visão e consideravam um risco desnecessário retirá-lo dali. Nenhum item mundano estaria guardado em uma estrutura como aquela e poderiam sofrer consequências severas ao roubá-lo. Os dois tiveram que explicar o que haviam visto e sentido para que eles compreendessem.

Encontraram um alçapão perto da estátua, o qual levou-os por um corredor escavado na terra. Era uma subida um pouco escorregadia, mas todos acabaram por chegar à superfície, saindo próximos do grande carvalho em que haviam deixado a mula.

Mas ela não estava lá... Nem suas coisas... Nem a mansão, queimada e em ruínas... E, o mais estranho, isso não parecia ter acontecido por agora, mas meses, provavelmente anos antes... Haviam ficado poucas horas explorando o templo, como isso era possível?

O tempo, os personagens descobririam, é algo relativo e gera mudanças drásticas...

Tirian estava completamente destruída. Nenhuma vivalma era vista em lugar algum. Assim como na mansão, a destruição parecia ter ocorrido anos antes.

Na estrada para o sul, Beren descobriu rastros de uma grande tropa que teria passado por ali tempos atrás. Novamente, ele lia os sinais vividamente: soldados fortemente armadurados, dirigindo-se para uma batalha, sabe-se lá quantos anos antes; uma flâmula vermelha, com uma fera rampante desenhada em branco, voava, desgarrada pelo vento. Seguiu-a e a encontrou ali no chão, envelhecida pelo tempo, carcomida e meio enterrada no solo.

Reuniu-se aos demais e contou-lhes o que imaginava ter acontecido: haviam feito uma viagem planar... Provavelmente o templo era um semiplano, um lugar em que o tempo não corria exatamente na mesma velocidade que em Oerth. As poucas horas que haviam passado por lá agora se revelavam meses, anos, décadas, ele simplesmente não sabia dizer...

Todos ficaram confusos com essa ideia. Embora a afirmação do mago fizesse um certo sentido, parecia loucura demais para ser verdade... Apenas haviam explorado um templo abandonado sob um moinho, nada mais... Como teriam viajado no tempo sem ao menos terem percebido? E a própria perspectiva de terem feito tal viagem já era algo absurdo...

Inon, em especial, ficou muito interessado no que o mago falava. Fez vários questionamentos e escutava com atenção. E, a cada pergunta, parecia que ele mesmo alcançava as respostas. Ele ouvia a voz do mago, mas também a sua própria. De alguma forma, aquele assunto não lhe era estranho...

Continuar seguindo a trilha do duque era algo impossível nesse momento. Decidiram rumar para Chathold, onde poderiam conseguir as respostas pelas quais suas mentes ansiavam.

No caminho, passaram por uma pequena vila. Diversos zumbis pareciam andar sem rumo por suas vielas e o grupo tratou de eliminá-los com rapidez.

Andaram sob nuvens negras durante toda sua longa viagem. Era um céu estranho, não natural. Era como se uma sombra cobrisse toda aquela região, quiçá o mundo...

Preocupavam-se cada vez mais com a inexistência de qualquer sinal de vida humana. Chegaram a encontrar alguns pequenos animais, mas mesmo isso era muito difícil. Os campos estavam estéreis e só conseguiam alimentar-se de algumas míseras raízes e seres rastejantes. Era uma dieta pobre e eles começavam a demonstrar sinais de fome.

Andando ao largo da estrada por cautela, o grupo acabou conseguindo visualizar Chathold ao longe. Ainda tinham um resquício de esperança de que a cidade pudesse ter resistido à destruição, mas ela logo se desvaneceu. Ainda existiam construções em pé, mas eram claros os sinais de sua queda. E Beren, com sua visão élfica, ainda pôde notar três demônios voadores vigiando a cidade do alto. Chathold caíra e sucumbira a demônios...

Havia pouco a fazer que não fosse continuar andando. A perspectiva ao sul não era das melhores, pois significava que se aproximariam do reinado de Ivid, que, de alguma forma, parecia-lhes ser a origem de todo aquele mal. Resolveram seguir para o norte à procura de qualquer sinal de resistência humana.

E de respostas...

Comentários

  1. Rooooobinho! To tentando postar um comentário aqui já faz tempo... mas o google não deixa!!!

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  2. Hehe...

    Se tiver alguma coisa errada aí, me avisa, hein? Nem deu pra descrever tao bem as visões do Dragnar porque minha memória tem limites, rs...

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