Tragédia em Chathold - 9º Ato

Pela manhã, enquanto Inon conseguia, com muito custo, negociar um saco de milho com um dos aldeões, Beren voltou a conversar com Elibert. No dia anterior, não considerara prudente mencionar o nome de Lusgan, um dos possíveis responsáveis pelo ataque à caravana do Duque de Womthan. Agora, porém, eles já estavam de saída, e parecia uma boa hora para tentar descobrir sua localização.

Elibert mostrou-se reticente em responder às perguntas. Era nítido o seu medo em falar a respeito daquela pessoa. Disse que Lusgan era um mercenário, mas que nem ele nem ninguém de sua família o conhecia. Talvez, Lonnan, prefeito de Tirian, pudesse lhes dar alguma informação, mas ele proibiu que seu nome fosse citado em qualquer tipo de conversa e ordenou que eles fossem o quanto antes para longe de sua propriedade.

Após agradecerem a estadia, o grupo seguiu pela estrada norte. O prefeito morava em uma mansão naquela direção e não demoraram muito a encontrá-la. Era uma construção bastante requintada para a região, grande e com um nível de conforto muito superior a tudo que haviam visto na vila. Mas não foi só isso que estranharam: ela estava fortemente guardada por soldados.

Assim que se aproximaram, foram interpelados pelos guardas, que não se mostraram nada dispostos a cooperar. Afirmavam que o prefeito estava em uma reunião e que haviam recebido ordens expressas para não permitirem a entrada de ninguém.

Vendo que eles estavam irredutíveis, Dragnar e Dante mencionaram estar sob as ordens de Lorde Kevant e que a recusa em recebê-los ocasionaria problemas ao prefeito. O guarda disse que o Lorde não tinha influência ali (o que preocupou Dante, já que, até onde sabia, ainda estava no território ligado à Chathold), mas, após consultar um superior no interior da mansão, conseguiram marcar um encontro para a manhã seguinte.

O grupo disse que voltaria a Tirian, mas não foi o que fizeram. Era óbvio que algo estranho estava acontecendo. Não parecia normal um prefeito de uma aldeia miserável como aquela manter tantos guardas, ainda mais tão bem armados. Arrumaram um lugar próximo a estrada para se esconderem. No caso de mandarem alguém à vila, poderiam capturá-lo e obter as respostas que almejavam. E, caso nada acontecesse, poderiam aproximar-se da mansão à noite, missão que Inon logo prontificou-se a fazer.

Enquanto esperavam, Beren e Dragnar resolveram investigar um antigo moinho abandonado. O local poderia, ao menos, servir-lhes como um bom ponto de observação dos arredores. E, com sorte, talvez pudesse revelar algo mais...

O local parecia realmente abandonado, mas sua porta estava trancada por um pesado e enferrujado cadeado. O mago notou que o local era realmente pouco utilizado, mas havia indícios da passagem de alguém dias antes. As marcas eram tênues, mas era possível perceber rastros que levavam em direção à mansão.

Ao ver o meio-elfo rastreando, Dragnar sentiu novamente o estranhamento que o incomodava desde a última noite. O mago parecia distante, como se descolado da realidade, mas o sacerdote não conseguia entender exatamente o que causava aquilo. Perguntou a Beren se ele sentira alguma coisa estranha desde Chathold, mas o mago apenas mencionou o estranhamento em lidar com outras raças e ambientes, nenhuma sensação como a que ele próprio vivenciava. O mago percebeu que havia algo errado com o anão, mas Dragnar não quis entrar em detalhes, apenas disse estar com uma estranha sensação, um mau pressentimento.

Os dois retornaram ao grupo. Contaram acerca do moinho e da possibilidade de invadi-lo por uma das estreitas janelas superiores. Apenas os mais esguios dentre eles seriam capazes de fazê-lo, contudo.

Com o auxílio do equipamento de Brÿjoff, Inon não teve qualquer dificuldade para entrar. Estava escuro lá dentro e não parecia haver nada de interesse. Havia uma escada de madeira para o andar inferior, mas ela estava quebrada e ele foi obrigado a pular. Sentiu uma leve dor no joelho, mas nada de muito grave.

Em seguida, o mercenário encontrou o que parecia um estranho altar. Uma estrela metálica de oito pontas sobressaía-se, imponente, no centro dele. Atrás do altar, havia um alçapão, que levava até um escuro corredor e ele avisou o grupo sobre o que encontrara.

Decidiram forçar a fechadura e entrar, mas Beren pediu que tentassem fazer o mínimo de barulho possível. Brÿjoff riu do pedido, debochando, mas Dante enrolou um saco na lança e, com extrema habilidade, forçou o cadeado sem fazer barulho praticamente nenhum. Foi a vez do mago abrir um sorriso para a cara de perplexidade do anão.

Dragnar logo foi atraído pela visão do altar. Ele não sabia o que aquela estrela representava, mas sentia que a conhecia. Havia algo de profano naquele lugar, ele era capaz de afirmar. Pediu para que ninguém se aproximasse ou tocasse em nada, enquanto ele próprio aproximava-se para investigar.

Não conseguia descobrir absolutamente nada e ele optou por tentar algo perigoso: indo contra seu próprio conselho, tocou na estrela. Imediatamente, entrou em um transe. Seus olhos embranqueceram e sua mente foi levada para muito longe dali. Viu um deserto, a areia sendo violentamente carregada pelos ventos, enquanto uma figura, vestindo um manto rasgado, flutuava lenta e calmamente com uma pirâmide triangular nas mãos. A figura levantou o prisma em triunfo e o anão percebeu que a criatura não tinha face, apenas uma máscara disforme...

Beren viu com assombro a ação inadvertida do sacerdote e pulou em sua direção, puxando-o para longe do objeto. Teve que utilizar-se de toda a sua força e os dois foram ao chão. Dragnar demorou um certo tempo para recobrar seus sentidos, ainda aturdido com a força da visão. Desde jovem, ele fora agraciado por visões, mensagens enviadas por Moradin, e fora justamente por isso que ele virara um sacerdote. Mas a força das últimas visões preocupava-o e ele precisava urgentemente entender o que lhe estava sendo confiado.

Após conversarem brevemente sobre o que Dragnar vira, o grupo seguiu pelo corredor. Brÿjoff conseguiu levantar uma pesada grade que fechava o caminho e eles chegaram a uma fonte de água muito escura. As paredes continham runas enigmáticas em vermelho-sangue.

Beren conjurou uma de suas magias, descobrindo que aquela era uma espécie de oração profana em uma linguagem extraplanar ou, talvez, dracônica. Era completamente impronunciável para ele, mas pôde perceber que ela conjurava algum ser. Ao terminar de lê-la, a fonte borbulhou. Uma bruxa fantasmagórica surgiu das águas, ameaçando o grupo a afastarem-se de seus domínios.

O mago tentou acalmar a bruxa, preocupado com o que acabara de fazer, enquanto pedia para que seus companheiros recuassem. Brÿjoff olhava novamente com raiva para ele, já que percebera que fora sua a magia que trouxera aquela ameaça a eles. Mas ele não era de recuar, especialmente ao ver que seu primo, Dragnar, mantinha-se imóvel e olhava enfurecido para a criatura.

Beren tentava explicar que a conjurara acidentalmente, quando, alertado por Dragnar, percebeu uma certa incongruência na imagem. Seus olhos estavam fixos e ela não parecia estar realmente olhando para eles. Além disso, não interagia com o que falavam, apenas os mandava sair dali. Era uma ilusão, ele via agora. Os outros ainda pareciam em dúvida e o mago atravessou seu braço pela imagem, fazendo-os perceber a enganação.

Não viam qualquer outra passagem naquela sala, mas certamente não poriam uma ilusão ali se não houvesse algo a esconder. Enquanto parte do grupo investigava a fonte, Dragnar aproximou-se de uma das paredes. Como todos os anões, era bastante familiarizado com estruturas feitas em pedra e facilmente percebeu a existência de ranhuras no solo, o que indicava a existência de uma parede deslizante. Com um pouco de força, conseguiu abrir a passagem secreta que os levou para dentro de um templo há muito esquecido. E em uma viagem que mudaria o destino de Oerth e dos Planos...

Comentários

  1. Nova trailer do The Witcher 3... Acho que sou o único interessado nesse jogo aqui, né? rsrs

    https://www.youtube.com/watch?v=YoEtyCdmgO0

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