Tragédia em Chathold - 8º Ato

Prosseguiram em direção ao norte e acabaram por alcançar uma estrada. Era pouco mais do que uma trilha, na verdade, mas pelo menos poderia levá-los a algum vilarejo ou mesmo uma fazenda. Suas provisões estavam escassas e Vexya não vinha tendo muita sorte com a caça e a ausência de alimentação poderia tornar-se um grande problema.

Andaram por dias, sem encontrar praticamente ninguém, até em razão da forte chuva que lhes seguia por todos aqueles dias. Se existiam moradores próximos da estrada, todos estavam recolhidos na segurança de suas casas.

Enfim, chegaram à vila de Tirian. Era muito pequena, com pouquíssimas e paupérrimas casas. Não havia quase nenhuma construção de pedra ali e seus moradores deliberadamente se afastavam dos recém-chegados, olhando-os com clara desconfiança e antipatia.

Com dificuldade, conseguiram descobrir que a aldeia sequer possuía uma estalagem ou taverna. Mesmo oferecendo dinheiro, as pessoas não pareciam dispostas a dar-lhes muitas informações. Descobriram uma cervejaria e o grupo resolveu ir até lá tentar conseguir algo pra comer e beber. Estavam famintos e qualquer coisa que arranjassem seria melhor do que suas últimas refeições.

Dante deixou os demais para procurar um ferreiro. Pretendia vender os machados dos gnolls e consertar seu escudo, que havia amassado depois dos últimos embates. Beren resolveu segui-lo, mais para se distanciar das reclamações dos anões do que por qualquer outra coisa. Além disso, não achava prudente deixar ninguém sozinho. Não que ele fosse fazer grande diferença se houvesse algum problema...

O ferreiro mostrou-se razoavelmente simpático, bem mais do que todos os outros moradores com os quais haviam tido contato até então. Indicou a Dante um local em que poderiam conseguir comida e demonstrou interesse pelos machados, embora não tivesse dinheiro suficiente para comprá-los. Aquela era uma vila muito pobre, especialmente após a última colheita, que fora especialmente ruim. Disse que não tinha muito o que oferecer em troca dos machados, mas que eles poderiam ficar à vontade para olhar. Em verdade, uma bruxa havia deixado umas coisas com ele muitos anos antes e, se interessassem a eles (no que deu uma breve olhada para o quieto Beren, que não havia falado absolutamente nada desde que chegara ali), poderiam levá-las. Ele duvidava de que ela voltaria algum dia, provavelmente já havia morrido, e eles lhe fariam um favor se levassem tudo aquilo. Ele não gostava de feitiçaria e só aceitara ficar com elas porque a velha não lhe dera opção...

O ferreiro pegou a caixa, que continha cinco livros, uma poção vermelha bastante densa e cinco moedas de ouro. Beren olhou para aqueles objetos com interesse, pois facilmente notou que havia inscrições arcanas em alguns dos livros. Não tinha tempo para identificá-las naquele momento e dois dos livros estavam em uma linguagem que lhe era totalmente desconhecida, mas, certamente, aquela não era uma proposta a se recusar. Livros arcanos eram raros e talvez aquela fosse uma poção mágica... Dante viu o interesse do mago e aceitou a troca. Só pediu ao ferreiro para incluir no negócio o conserto de seu escudo.

Enquanto isso, os demais chegavam a cervejaria. Dragnar foi até a velha senhora que se encontrava à frente do lugar, costurando uma surrada camisa, para descobrir se poderiam comer ali, mas a velha, assim que descobriu que eles não tinham vindo para levar os diversos tonéis de cerveja armazenados na varanda, foi extremamente grosseira com o anão. Ele não conseguiu comida, mas ao menos conseguiu comprar um pequeno barril de cerveja, ainda que por um preço abusivo. Contudo, a bebida era uma imensa porcaria...

O filho da velha ouviu a chegada de estranhos e apareceu na varanda para descobrir o que estava acontecendo. Inon resolveu utilizar-se de seu método costumeiro e ofereceu um bom dinheiro em troca de pães, queijo e, quem sabe, uma sopa, e o homem acabou aceitando dar algumas poucas coisas a eles. Mas nada que fosse suficiente para aplacar-lhes a fome.

Beren e Dante chegaram naquele momento, ensopados. A chuva apertara depois de se despedirem do ferreiro. O meio-elfo cometeu o erro de tentar conversar com a velha naquele estado e foi praticamente escorraçado da varanda. Já o guerreiro de Heironeous foi até a mulher que o ferreiro indicara e conseguiu que ela lhes fizesse alguns bolos, mas somente para o jantar.

Precisavam arrumar um lugar para passarem a noite, pois o escudo de Dante só estaria pronto no dia seguinte. Como não havia hospedaria, pensaram em procurar um estábulo. Precisavam de um teto para se protegerem da forte chuva.

O dono do lugar, que se apresentara como Elibert, permitiu que eles dormissem ali, desde que o ajudassem na limpeza do lugar. O grupo aceitou, salvo Inon, que preferiu pagar ao homem e dormir por toda a tarde.

Durante a limpeza, Beren conversou bastante com Elibert, buscando descobrir sinais da passagem da caravana do duque ou do guerreiro em fuga cujo rastro ele encontrara. Para sua surpresa, ele lhe disse que um jovem guerreiro de Narsel Mendred, o qual batia perfeitamente com a descrição que o mago dera, se hospedara naquele estábulo semanas antes. O jovem chama-se Jentan (ou Erven, ele não lembrava direito), e parecia ser algum tipo de nobre ou cavaleiro. Estava machucado e ficara ali uns dias para recuperar-se, antes de retornar para sua cidade. O jovem falara pouco e ele não perguntara muito, então não sabia de mais nada.

Depois de matarem sua fome no jantar arranjado por Dante, o grupo pôde dormir. A tempestade prosseguiu a noite inteira, mas aquela foi a melhor noite de sono deles em dias...

Salvo para Dragnar... O sacerdote de Moradin teve pesadelos por toda a noite. Ele não lembrava ao certo com o que sonhara, mas tinha a estranha sensação de que algo não estava certo. Quando olhava para seus novos companheiros, parecia que havia algo errado com eles... Na verdade, pensando bem, havia algo errado com ele próprio! Era como se não fossem eles mesmos, como se tudo não passasse de uma ilusão, de uma enganação engendrada por alguém...

Mas por quem?!  

Comentários

  1. A intenção era atualizar todas as sessões antes da próxima, mas acho que não vai rolar... Acabo sempre escrevendo mais do que o inicialmente planejado, rsrs...

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  2. rsrsr... mas já bom assim. Eu vou animar de novo. Aliás, hoje tem jogo? Acho melhor jogar hoje, terça, do que amanhã.

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