Tragédia em Chathold - 6º e 7º Atos

Receosos de que novas criaturas surgissem por ali, o grupo preferiu seguir viagem pela noite chuvosa, acabando por encontrar um pequeno forte poucas horas depois. Seu portão estava, naturalmente, fechado e os guardas não pareciam nada dispostos a contrariar suas ordens e permitir a entrada dos personagens. Inon, contudo, sabia muito bem como lidar com tais situações e ofereceu algumas moedas douradas a eles, o que permitiu ao grupo proteger-se da tempestade.

Logo após entrarem, foram interpelados pelo líder da guarnição. O grupo revelou estar sob as ordens de Lorde Kevant e à procura da caravana do Duque de Womtham, havendo fortes indícios de que a mesma havia sido atacada por orcs enquanto se dirigia à Chathold.

Beren e Dragnar notaram uma expressão estranha no rosto do capitão ao ouvir falar desses acontecimentos. Ele parecia preocupado, mas não surpreso, o que lhes deu a impressão de que ele sabia mais do que havia lhes revelado até então. Isso os fez cogitar, inclusive, algum envolvimento da guarnição no acontecido ou, ao menos, uma negligência (talvez intencional) no patrulhamento das estradas próximas ao forte.

O capitão logo cortou a conversa com os personagens. Deu-lhes as instruções acerca de onde poderiam se hospedar e ficou encarando-os interrogativamente enquanto eles se afastavam. Aquele grupo representava problemas...

Após negociarem os quartos na pequena hospedaria, Beren e Dragnar transmitiram aos demais as suas impressões. Deveriam ficar especialmente atentos, pois, se estivessem certos, o grupo não estaria em segurança naquela noite.

Dante parecia completamente cético, não acreditando que homens de Kevant fariam qualquer tipo de aliança com orcs ou qualquer outro tipo de bandoleiros, enquanto Inon demonstrava pouco interesse pelo que era falado, preferindo ir logo para o seu quarto para colocar uma roupa seca. Os demais não haviam percebido absolutamente nada durante a conversa, mas não viam motivos para duvidar dos dois personagens, embora Brÿjoff parecesse contrariado em receber orientações do maldito mago.

O grupo deixou suas mochilas no quarto e dirigiu-se à taverna, onde puderam, enfim, aquecer seus corpos com um belo prato de sopa. Havia outras pessoas no local, principalmente comerciantes, e um bardo tocava alegres canções em seu bandolim.

Dragnar aproximou-se de um grupo de anões e tentou obter informações. Assim como os comerciantes abordados por Dante dias antes, eles revelaram que a Estrada da Espada era bastante segura, que não tinham visto nenhuma caravana atacada em toda a longa viagem que fizeram e que seria impossível um ataque orc tão ao sul. Quando o sacerdote mencionou que havia sido atacado por um grupo de orcs nas imediações de Chathold, os comerciantes demonstraram incredulidade com a informação.

Inon ouviu Dragnar narrando o insucesso de sua tentativa de conseguir novos dados e viu que apenas ele poderia soltar as línguas daquelas pessoas. Pegou o jarro de cerveja que havia acabado de ser colocado à mesa (sob protesto de Brÿjoff, que ansiava por mais álcool) e foi até uma outra mesa, em que alguns comerciantes conversavam alegremente. Ofereceu-lhes a cerveja e pediu para sentar-se, pois estava cansado da conversa apática de seus companheiros de viagem. Habilmente, conversava com eles, enquanto lhes pagava bebidas e por músicas ao bardo. Os comerciantes ficaram muito alegres com o sujeito esbanjador, respondendo as suas perguntas de forma a que ele continuasse lhes financiando. Assim, confirmaram as informações anteriores e forneceram algumas novas: Chatul Punhos Vermelhos é um dos mais importantes e influentes comerciantes de Narsel Mendred, sendo um empregador conhecido de mercenários e aventureiros; boatos diziam que muitas pessoas poderosas não estavam satisfeitas com a independência de Chathold e o aumento de sua influência nas regiões vizinhas; semanas antes, eles haviam cruzado com a caravana do duque em Tomkin, uma vila à nordeste dali.

Satisfeitos com as informações conseguidas por Inon, o grupo foi para seus quartos passar a noite, a qual, para a sorte de todos, foi bastante tranquila e reconfortante. Repuseram suas provisões e seguiram viagem...

Dias depois, Vexya identificou alguns sinais na estrada. Eles não estavam muito óbvios, parecendo claro a seus olhos treinados que alguém tentara escondê-los, mas foi capaz de encontrar marcas de sangue na relva e indícios de que várias carroças haviam rotacionado ali. Parecia-lhe que aquele era o local do ataque, que ocorrera semanas antes, talvez mais...

Enquanto o grupo discutia possibilidades (talvez os comerciantes tivessem visto a caravana após o ataque, o que explicaria o porquê de não encontrarem qualquer corpo, arma ou armadura), Beren sentia-se estranhamente atraído pelas marcas no chão. Ele olhava para elas e parecia realmente ver a cena que havia ocorrido ali: a emboscada na estrada, as flechas voando, o sangue jorrando, soldados morrendo... As imagens eram muito vívidas em sua mente e ele começou a andar pela relva, completamente absorto do mundo a sua volta. Apenas os rastros lhe importavam... Foi quando ele "viu": alguém fugira... Um guerreiro, de mais de 80 kg, vestido com uma armadura pesada, caíra após sofrer um pesado ferimento. Ele lentamente arrastou-se pela alta relva, seguindo para o norte e para longe da batalha...

O meio-elfo chamou Vexya, mostrando-lhe as marcas que encontrara e narrando o que achara que acontecera. Ela o olhava assustada, pois aquelas informações eram detalhadas demais para alguém que não sabia rastrear. Mesmo ela teria dificuldades de ser tão específica, ainda mais com marcas tão mínimas e antigas. Será que ele estava escondendo habilidades dela? Mas por quê?

O grupo decidiu seguir o rastro encontrado por Beren. Esperavam que, caso tivesse sobrevivido, em algum momento seriam capazes de encontrá-lo, pois estava ferido, o que certamente teria retardado sua viagem, mas a verdade é que, dias depois, o rastro simplesmente desapareceu. Ficaram um bom tempo procurando, mas nada viram. Decidiram seguir para o norte, a mesma direção que o guerreiro havia seguido até então, mas Dante acabou enganado pelo dia nublado e os levou a noroeste. 

Um dia depois, encontraram pegadas do que pareciam grandes lobos. Ao longe, no alto de uma colina, viram alguma criatura de quatro patas observando-os. Poderia ser um lobo, um cachorro ou, torciam, um warg. Era comum wargs servirem de montaria a orcs e isso poderia indicar que, enfim, alcançavam o grupo que atacara o duque.

A criatura pareceu perceber ter sido vista e saiu correndo a oeste, onde o grupo viu tênues sinais de fumaça. Talvez uma ou mais fogueiras, o que poderia indicar um acampamento e um vindouro ataque, razão pela qual resolveram procurar um local para armarem uma emboscada ou, caso fossem muitos, se esconder.

Viram alguns arbustos perto de um grande e fedorento buraco, a provável toca de uma criatura carnívora, local que Dante achou apto para organizarem uma estratégia de combate. Enquanto Beren e Vexya iam à frente como batedores, os demais discutiam a melhor forma de se prepararem.

Não demorou muito para os batedores virem cinco humanoides aproximando-se em uma rápida marcha. Suas faces caninas, não deixavam dúvidas: não haviam encontrado quem procuravam, mas sim gnolls. Voltaram e avisaram os outros, que já se encontravam em posição.

Dante ordenara que o grupo se mantivesse atrás do buraco, esperando que ao menos um dos atacantes em investida caísse nele, mas o mirmidão foi o primeiro a abandonar a estratégia. Beren lançou sono, derrubando duas das criaturas e provocando o tropeço de uma terceira. O guerreiro avançou para estocá-la e o combate iniciou-se à frente do local planejado. Apenas uma das criaturas continuou correndo, mas desviou-se a tempo da armadilha improvisada, atacando Dragnar.

Ainda que a armadilha não tenha tido o efeito esperado (na verdade, o sacerdote de Moradin é que acabou caindo nela, após uma desastrada tentativa de evitar um ataque), o grupo conseguiu vencer o embate com relativa tranquilidade. Estavam feridos, claro, mas nada como nos anteriores e sentiam-se satisfeitos por estarem começando a se entender melhor no campo de batalha.

Um rosnado bestial vindo do buraco os fez acordar para a necessidade de saírem o quanto antes dali. Jogaram os gnolls dentro do buraco e foram em direção à fumaça. Ela provinha do pequeno acampamento dos gnolls e eles se viam novamente sem saber para onde ir...

Comentários

  1. Fiz a primeira parte... Agora se anima e faz o das últimas duas sessões, rs... Seria importante ter um resumo antes da próxima, especialmente pro Diego, já que a história deu uma grande virada...

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