Tragédia em Chathold - 4º e 5º Atos

Dragnar estava caído, mas ainda mantinha a consciência e pôde auxiliar Vexia a cuidar dos ferimentos de Bûrag e dos seus próprios. Ao mesmo tempo, Inon, aproveitando que todos pareciam estar ocupados com outros afazeres, começou a saquear os corpos dos orcs caídos. Um homem de hábitos caros, não pretendia dividir seus achados com nenhum dos demais.

Já Beren e Dante ocupavam-se com o orc sobrevivente, com Brÿjoff um pouco atrás, olhando ameaçadoramente para seu inimigo. O mago logo começou a questionar o orc e fazer ameaças, mas o orc não parecia disposto a cooperar. Após uma resposta especialmente áspera, Dante enfiou sua lança no pé da criatura, que gritou de dor e olhou com ódio para o guerreiro. Porém, estava em uma posição de grande desvantagem, e nada pôde fazer além de começar a responder o que lhe era perguntado.

Inicialmente, o orc revelou pouco, mas as constantes perguntas, promessas e ameaças do grupo, foram fazendo-o revelar mais. Primeiramente, disse ser proveniente da Colina dos Ossos, fazendo parte de um grande grupo que invadiu aquela região em busca de saques fáceis. Em Narsel Mendred, foram contatados por um homem conhecido como Chatul Punhos Vermelhos, que lhes enviou até uma localidade ao norte de Tirian. Lá encontraram com um sujeito chamado Lusgan, que lhes ofereceu uma ótima recompensa para ajudarem em um ataque a uma caravana na Estrada da Espada. Os orcs não gostaram da ideia de estar sob o comando de humanos, mas o dinheiro oferecido era alto e eles resolveram aceitar a proposta, mesmo que seu contratante fosse muito obtuso em dar qualquer informação acerca de seu alvo.

Quando alcançaram-no, contudo, viram o porquê disso: a caravana estava fortemente protegida e a sua bandeira não deixava dúvidas de que se tratava de um nobre importante. Ele não era idiota e não pretendia arriscar-se tanto assim em território inimigo, tendo fugido juntamente com alguns amigos (aqueles que o grupo acabara de matar).

Beren prometeu ao orc que poderia dar-lhe a liberdade se ele os levasse até o local para o qual pretendiam levar o duque, mas a criatura afirmou nada saber sobre isso. Em seguida, requisitou que ele os guiasse ao menos até o local do ataque, mas antes mesmo da criatura responder, Vexia, Inon e Brÿjoff mostraram-se radicalmente contra. Para eles, aquela criatura não merecia nada mais do que a morte, não fazendo o menor sentido a proposta do meio-elfo. Ele tentou o apoio de Dante, mas esse também não parecia concordar com ela. Então, propôs que ele fosse levado até Chathold, aonde poderia ser interrogado pelas autoridades da cidade com mais calma e talvez revelar outras informações que poderiam ser úteis à busca (hipótese com a qual o poderoso guerreiro mostrou simpatia), mas novamente os demais recusaram, acreditando que já haviam obtido respostas o suficiente.

Enquanto o grupo discutia acaloradamente quanto ao futuro do orc e de sua missão, Dragnar, já tendo orado a Moradin pela cura de seus ferimentos e extremamente irritado com a situação de seu irmão (que não havia se recuperado mesmo após o apelo à sua divindade), foi até o maldito orc e tentou dar-lhe um soco! A criatura revidou e os demais apenas ficaram observando a patética cena. Beren cogitou usar mais uma de suas magias e levar o orc para a cidade sozinho, mas não teve a coragem de fazê-lo. Uma falha em afetar a todos e seria ele a perder a cabeça, razão pela qual apenas fechou a cara, irritado, e afastou-se dali com a firme decisão de abandonar aquelas pessoas assim que descobrisse o destino do duque.

Após algumas trocas de golpes, a luta passou a tender para o orc e Inon resolveu pôr um fim no combate. Sacou uma de suas facas e lentamente aproximou-se da criatura, enfiando a arma em sua coluna.

O grupo seguiu pela estrada até Goldbolt, uma importante fortaleza, onde puderam repor suas provisões e dormir novamente sob um teto. De lá, o grupo seguiu para o norte, de forma a cruzar o Rio Harp e alcançar a Estrada da Espada.

No caminho, o grupo tentava decidir qual destino tomariam. Dragnar parecia inclinado a seguirem até Tirian para procurar pelo misterioso contratante dos orcs. Como não sabiam exatamente onde procurar nos arredores da vila, Dante propôs ir até Narsel Mendred e falar com Chatul, já que ele poderia dar-lhes a localidade exata, além de outras importantes informações acerca do motivo do ataque. Já Inon mencionou que o objetivo do grupo era descobrir o que havia acontecido com o duque, sendo mais sensato continuarem procurando pela caravana. Todos manifestavam-se quanto aos prós e contras de cada uma das propostas, salvo Beren. Ainda irritado com o acontecido dias antes, ele mantinha-se em silêncio, o que fez com que Brÿjoff o interpelasse, recebendo uma resposta dura do mago: eles haviam deixado a melhor opção para trás e agora pouco importava o destino que escolhessem, pois tudo seria um tiro no escuro... Um silêncio seguiu-se, com Vexia assustando-se com a rudeza incomum do meio-elfo. Já o anão olhava para o mago com fogo nos olhos...

Dias depois, após cruzarem o rio, o grupo decidiu por continuarem pela estrada, à procura da caravana. Dante sempre questionava os transeuntes, mas nenhum deles parecia ter visto nada de estranho. A estrada era segura, fortemente patrulhada, com fortes a cada dia de viagem, sendo muitíssimo raro a ocorrência de ataques.

Durante a noite chuvosa, acampados próximos ao pântano, os personagens ouviram passos se aproximando (menos Beren, que dormia profundamente). À distância, viram quatro criaturas, bastante estranhas. Pareciam peixes, mas possuíam pernas e braços, e vinham em clara posição de ataque, portando lanças. O maior deles, que parecia o líder, possuía um poderoso arpão e logo um combate se seguiu.

Após dar um leve chute no mago para fazê-lo acordar, Dante postou-se à frente. Sua visão era bastante limitada em razão da chuva e da escuridão, sendo improvável que tivesse grande sucesso em seus ataques. Todavia, confiava em sua armadura e em seu escudo para resistir às investidas das criaturas e proteger os demais tempo o suficiente para armarem uma contra investida.

Os demais ficaram postados atrás do guerreiro, com exceção de Inon. O líder portava um poderoso arpão, o qual, além de parecer bastante perigoso, devia valer um bom dinheiro, e o mercenário não pensou duas vezes antes de partir em sua direção e abandonar a estratégia armada por Dante.

Quando o meio-elfo levantou-se, viu que o combate já se iniciara, sendo arriscado usar uma de suas magias, que certamente poderiam atingir também seus aliados. Resolveu atacar com sua funda recentemente consertada, mas qual não foi sua surpresa quando ela novamente arrebentou, remetendo a pedra muito longe do alvo.

Praguejando, viu que seus companheiros sofriam dificuldades. Os sahuagin mostravam-se resistentes e seus ataques estavam fazendo muito mais estragos do que o grupo era capaz de provocar. Inon acabava de ser atingido por um arpão, enquanto Vexya tinha dificuldades em alvejar os inimigos no meio do combate, tendo inadvertidamente acertado Dragnar. Os anões provocaram algum dano, mas pareciam em pior estado que seus adversários. Apenas Dante mantinha-se ileso...

Beren resolveu arriscar e conjurou um leque cromático. Tentou se posicionar para atingir a menor quantidade possível de aliados, mas, mesmo assim, essa acabou não sendo uma grande ideia. Os sahuagin eram bem mais resistentes do que imaginara, só tendo conseguido cegar um deles com suas luzes multicoloridas. Em contrapartida, Dante, quem melhor resultado tinha no combate até aquele momento, caiu inconsciente...

O mago tentou proteger o companheiro caído e atacou o oponente cego com sua adaga, mas acabou atingido por um dos arpões com tamanha força, que ficou atordoado. Habilmente, Brÿjoff derrubou uma das criaturas com seu machado e conseguiu avançar para protegê-los. Bûrad, influenciado pela habilidade de seu primo, também acertou um belo golpe, mas, inexperiente, deixou a guarda aberta, acabando por tombar juntamente com seu oponente. Para sua sorte, Dragnar estava a seu lado para acudi-lo.

Enquanto os anões e Vexya davam cabo do último sahuagin, Inon, temerariamente, continuava em seu duelo com o líder. Para evitar os poderosos arremessos do arpão, partira para o combate corpo-a-corpo, forçando o líder a um contínuo recuo. A luta foi feroz e ambos já estavam bastante feridos e bem longe dos demais quando, enfim, o mercenário conseguiu conquistar seu prêmio.

Todos estavam feridos e cansados do inesperado combate, mas a tensão ainda não terminara. Brÿjoff partiu na direção do mago para cobrar-lhe satisfações por derrubar Dante e os dois começaram a discutir. Em uma realidade alternativa, eles haviam sido grandes amigos, mas, aqui, suas diferenças se sobressaíam... Dragnar tentou contemporizar, mas o clima ficou pesado e nem o pedido de desculpas feito a Dante foi capaz de alterá-lo...

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