A Fonte Secreta - 40º e 41º Atos

Beren rapidamente conjurou Vôo em Dante e os dois foram até Dragnar, impedindo a sua queda. Em seguida, impediram que os corpos dos demais aventureiros descessem ao abismo, mas não poderiam manter-se naquela situação por muito mais tempo. Todo aquele local parecia estar ruindo e Beren precisava teleportá-los dali urgentemente. Contudo, não possuía poder para transportar todas aquelas pessoas em uma única viagem. Levou Robilar, as fadas e três dos aventureiros caídos, prometendo retornar o mais brevemente possível para pegar os demais. Concentrou sua mente no Templo de Pelor em Greyhawk, mas toda aquela confusão e desespero afetaram-no e eles foram parar alguns quilômetros ao norte de Greyhawk, na famosa Colina das Tumbas. Beren, obviamente, não fazia a menor ideia de que lugar era aquele, mas Lorde Robilar logo reconheceu o local e afirmou que poderia facilmente guiar o grupo até a cidade. Um pouco tranquilizado, Beren conjurou novo Teleporte para a armadilha dos deuses.

Dragnar e Dante olhavam com assombro para as paredes da imensa câmara, que pareciam estar, literalmente, sendo consumidas por uma poderosa luz azulada. Não era preciso ser um arcano para perceber que a magia que mantinha aquele local em pé estava prestes a explodir, aniquilando tudo que ali estivesse. Talvez não houvesse tempo para o retorno de Beren e eles olharam para o corpo do único dos aventureiros a ficar. Suas vestes pareciam indicar tratar-se de um mago. Torcendo para que ele pudesse levá-los dali, conjuraram suas mais poderosas magias de cura.

O mago elfo levantou-se em desespero. Olhava para os lados, aterrorizado, à procura de Iggwilv, e mal percebeu seus dois salvadores ao seu lado. Sendo um aventureiro experiente, contudo, logo retomou uma certa calma e conversou um pouco com aquelas pessoas, apenas o suficiente para entender que elas haviam salvado a sua vida e as de seus companheiros. Não houve tempo para agradecimentos, pois logo Beren surgiu, lhes dizendo que havia conseguido levar a todos com segurança, embora um pouco longe do destino final, e que precisavam sair dali imediatamente, já que o local não suportaria por muito mais tempo.

Refeito, o elfo, que se apresentou como Solfiere, percebeu que aquele lugar realmente não suportaria por muito mais tempo e tomou a iniciativa de teleportá-los para longe segundos antes de tudo simplesmente desaparecer em uma grande explosão mágica. Era o fim da armadilha dos deuses...

Surgiram aos portões de uma pequena vila chamada Cador. Ali tiveram mais uma rápida conversa e Solfiere pôde entender melhor o que havia acontecido. Estava muito surpreso e agradecido pelo surgimento daquelas pessoas, sem as quais tudo poderia ter se perdido. Mas, ao mesmo tempo, ficou extremamente desiludido ao saber que Iggwilv havia conseguido seu intento, tendo acessado o incarnum e libertado seu filho, Iuz.

Havia muito mais a ser conversado e explicado, mas isso era algo que deveria ser feito na presença de todos. Com uma nova magia, levou-os até a cidade de Greyhawk e combinou de encontrar o grupo no Templo de Pelor logo mais naquela noite, pois precisava tratar de alguns assuntos urgentes.

Enquanto isso, os personagens saíram pelo portão norte da cidade, indo de encontro aos demais. Caminharam juntos por um bom tempo, no qual conseguiram algumas intrigantes informações de Lorde Robilar: como o grupo já imaginava, a pretensa libertação do Ancião anos antes jamais havia acontecido; alguns dos aprisionados já estavam ali antes dele, enquanto outros chegaram depois, mas o guerreiro não sabia quem eles eram; a energia divina de seus corpos foi sendo lentamente sugada pela armadilha, culminando no ritual que dera a Iggwilv o acesso ao incarnum; o Robilar que levara o grupo até a armadilha dos deuses era provavelmente um clone seu, magicamente controlado por um de seus antigos amigos; tinha uma vaga ideia acerca de quem poderia ter assumido o lugar do Ancião no norte, mas achava que isso era algo a ser conversado posteriormente.

Cansados, reuniram-se todos no Templo de Pelor. Dante, Dragnar e as sacerdotisas realizaram as orações necessárias para curar os aventureiros ainda caídos. O halfling apresentou-se como Artin, enquanto os humanos apresentaram-se como Ben e Velian. Este último olhava desconfiado para Robilar, que parecia não se importar com o escrutínio.

Beren estava desejoso de iniciar logo as conversas, mas Robilar e o grupo de aventureiros afirmou estar muito cansado. Prometendo reencontrarem-se ali na manhã seguinte, despediram-se dos personagens, que ficaram no próprio templo, eis que Lady Sarana ofereceu-lhes acomodações.

Foi só nesse momento que o grupo percebeu a ausência do Imperador. Lady Sarana conjurou uma oração e afirmou que o espírito de Kabori residia em Dante. Ela poderia tirá-lo dele, mas considerava que isso poderia ser um risco, já que o espírito poderia se perder. O ideal é que o exorcismo fosse realizado em seu próprio plano natal. Dante pareceu nervoso ao saber daquilo e logo clamou a Beren acerca de retornarem a Tellene o quanto antes. O mago confirmou com a cabeça, mas, para espanto do sacerdote, disse que não poderia ir junto com o amigo. Possuía uma família em Oerth e era seu dever manter-se ali, sem contar que o exército reunido por Iggwilv ainda se encontrava próximo à cidade. Dante também não queria deixar de lado aquela missão, mas primeiro deveriam cuidar de devolver à alma do Imperador a seu corpo. Depois, poderiam voltar, ao que Beren retrucou que não possuía meios para tal. Seu pergaminho era capaz de levá-los à Academia de Magia de Bet Rogala somente, não tinha o poder de trazê-los de volta. Além disso, o ovo negro que abrira o portal que os trouxera a Oerth não estava mais com eles, estando na posse de um dragão agora, o dragão que matara Unmada...

No dia seguinte, o grupo tomou um delicioso desjejum e aguardou pelo encontro marcado na noite anterior. Enquanto esperavam, olhavam as estátuas presentes no ensolarado jardim interno do templo. Havia inscrições abaixo delas e uma em especial atraiu a Beren, mencionando a existência de um período no inverno em que as duas luas sumiam dos céus, ocasionando a noite mais escura e fria do ano, data em que as orações a Pelor deveriam ser reforçadas para afastar as forças da escuridão.

Ao meio-elfo, tal passagem pareceu um presságio agourento. O inverno estava se iniciando e ele resolveu conversar com uma das acólitas do templo para saber quando tal evento ocorreria, pois imaginava que esse seria o momento em que Iggwilv lançaria suas forças sobre a cidade. A sacerdotisa confirmou que tal data realmente estava próxima, ocorrendo dali a quatro semanas. Era um período de festival em que os sacerdotes de Pelor mantinham-se em constante oração.  

Enquanto ouvia a explicação, Beren não pôde deixar de perceber que a sacerdotisa possuía traços claros de alguém com experiência em combate. Algumas pequenas cicatrizes de batalha eram perceptíveis em sua pele, mas elas em nada afetavam sua beleza e sensualidade. Ela parecia olhá-lo com genuíno interesse e respeito e o jovem mago viu-se momentaneamente fisgado por seu olhar hipnotizante até perceber Phrowenia olhando-o com cara de poucos amigos de trás de uma coluna. Rapidamente recompôs-se e despediu-se da sacerdotisa, agradecendo-a pelas informações.

Sentou-se ao lado de Dragnar, que estava impaciente, já cansado de esperar por Robilar e os demais, e enviou uma mensagem arcana para Galahad. Era algo que ele pretendia fazer a muito tempo, mas as dificuldades na masmorra abaixo do castelo sempre o impediam. Comunicou ao sacerdote que haviam cumprido a missão e em breve retornariam com Kabori e soube que a situação em Tellene estava crítica. O exército imperial estava cercando Bet Urala, onde o clero de Dirasip mantinha o corpo catatônico do Imperador.

Dante encontrava-se em um jardim do lado de fora do templo, queimando pedaços das criaturas enfrentadas no castelo em oferenda a Natirel. Pouco após terminar esse ritual, já reunido aos demais membros do grupo, viu Solfiere aproximar-se. Logo perguntou acerca dos demais, especialmente Robilar, a quem Dante passara a admirar. O elfo disse nada saber acerca do poderoso guerreiro, mas que havia vindo buscar o grupo para conversarem em um lugar mais neutro. Tinham muito o que conversar e não lhe parecia que o Templo de Pelor era o melhor lugar para isso. Dragnar e Beren pareceram um pouco surpresos com a colocação de Solfiere e, em respeito à hospitalidade de Lady Sarana, preferiram ao menos avisá-la de que iriam conversar em outro lugar. A Sumo-Sacerdotisa não estava disponível para recebê-los, ainda fazendo suas orações matinais, e os personagens deixaram um recado com uma de suas acólitas.

Seguiram Solfiere até a Estalagem do Dragão Negro, onde seu grupo sempre se hospedava. Mencionou que o dono da estalagem era um antigo aventureiro, que adorava contar acerca de suas glórias passadas, assim como ouvir as histórias dos aventureiros que lá iam. Era uma ótima pessoa, mas sua língua não era confiável após algumas canecas de cerveja. Sendo assim, iriam conversar no quarto em que estavam hospedados.
  
No quarto estavam Ben, Artin e Velian, além de Camaban, a quem foram apresentados. Nenhum deles parecia muito acostumado à palavra, mas foi Solfiere quem acabou por quebrar o silêncio, revelando terem descoberto, com auxílio de Mordenkainen, um mapa que ligava o subterrâneo do Castelo até muitos quilômetros ao norte, em direção ao reino do Ancião. Dispostos a investigar isso, foram explorar aquelas masmorras, acabando por descobrir a presença de Iggwilv e o engodo na libertação de Iuz anos antes. Além de obter o acesso ao incarnum e libertar o seu filho, ela pretendia reunir um exército que permitisse ao Ancião reassumir o seu trono no norte. Com isso, os personagens viram que o objetivo da grande tropa que haviam visto não era atacar a Gema de Flanaess, mas sim o norte, o reino do Ancião, e tranquilizaram-se um pouco. Ao menos por ora, a cidade não estava sob perigo.

Dante parecia estar meio disperso nesse momento e, logo depois de Beren ter contado acerca do motivo que os trouxera a Oerth e ao castelo, requisitou o auxílio daquele grupo para que os ajudasse a recuperar o talismã que ficara com o dragão ou providenciasse uma maneira de o grupo retornar a este plano após o cumprimento de sua missão em Tellene. Apresentando suas anotações, afirmou ter grande conhecimento militar, podendo ajudar bastante na defesa da cidade, sendo aquela uma forma deles pagarem pelo salvamento de suas vidas. Ben e Velian reagiram ironicamente à proposta, o que acabou descambando para uma discussão, que terminou com o abandono do quarto pelo sacerdote.

Beren parecia preocupado, acreditando que a reação intempestiva de Dante era algum indício da interferência do espírito de Kabori, mas foi o pequeno Artin que tomou a iniciativa de ir atrás do sacerdote e tentar acertar as coisas. Conversando com  mais calma, explicou novamente o que haviam descoberto no interior do castelo e disse que eles tinham obrigações a cumprir. Ele era um Cavaleiro do Cervo e todo o grupo trabalhava em defesa de Furiondy, sendo seu dever contar a seu rei acerca daquilo tudo. Estavam há anos enfrentando um inimigo que não era o verdadeiro, mas em breve teriam que bater de frente novamente com o Ancião. Logo, não tinham o tempo nem os meios necessários para ajudá-los naquele momento.

O sacerdote pareceu retomar a razão e retornou ao quarto, desculpando-se. Com isso, Solfiere propôs ao grupo que procurassem por um amigo seu em Sigil, a cidade no centro dos planos, repleta de portais para os mais variados lugares. Em verdade, ele não era exatamente um amigo, mas já prestara serviços ao grupo diversas vezes e, talvez, também pudesse ajudá-los mediante o pagamento devido.

Os personagens mostraram-se dispostos a aceitar a proposta, mas havia a questão pendente do desaparecimento de Brÿjoff e Togus. Precisavam ao menos saber o que havia acontecido a seus companheiros e ainda estavam em dúvidas acerca do que fazer.

Por qual rumo o grupo seguirá?

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