A Fonte Secreta - 38º Ato

O recuo de Dante foi breve. Alguma coisa no olhar daquela mulher indicava que ela os queria mortos e não simplesmente vencidos. Se a morte era inevitável, que fosse em combate, e o sacerdote de Natirel conjurou nova arma espiritual e voltou ao ataque, mas não conseguia vencer suas defesas. Mesmo a formidável habilidade de combate de Dante mostrava-se completamente inócua frente àquela oponente.

Dragnar recostou-se à parede, pasmo com aquela situação. Suspeitava de que aquela mulher não era simplesmente uma bruxa, acreditando tratar-se de um demônio, criatura que ele era treinado para enfrentar. Porém, nada do que tentara havia funcionado, além de novamente não ter sido capaz de resistir ao seu comando. A única coisa que pôde fazer foi curar-se, assim como a Beren, que parecia imensamente ferido.

O meio-elfo encontrava-se ajoelhado. Em sua mente desesperada, via-se punido pelos deuses por ter ido contra o conselho do guardião e seguido seus companheiros, mesmo acreditando que aquela não era a opção correta. Apenas uma punição divina para explicar a falha de todas as suas magias... Olhando para o chão, ouviu o tilintar dos pequenos frascos de poção que Vexya lhe fornecera. Dois deles possuíam um líquido azulado, tonalidade normalmente presente em poções de cura, e ele resolveu bebê-las, curando parte de seus ferimentos.

Rindo maldosamente, a mulher via que sua vitória estava muito próxima. Fora ela que convocara os hezrous no dia anterior, quando teve oportunidade de observar as habilidades do grupo e preparar-se para enfrentá-los. Apenas o humano ainda resistia e ela decidiu que era hora de puni-lo pela impertinência. Num rápido movimento, tornou-se invisível e posicionou-se atrás de Dante, atacando-o com suas correntes e cortando o aço de sua armadura como se fosse manteiga...

As forças de Dante decaíam e ele continuava sendo incapaz de atingir a mulher. Sabia que seus companheiros estavam sob efeito de um encanto e conjurou uma magia em Beren para que ele resistisse aos seus efeitos, mas a força de vontade do mago já não existia mais.

A derrota estava cada vez mais próxima quando um milagre ocorreu: a aparentemente morta, Vexya, levantou-se. Referindo-se à mulher como Nivasti, ela transformou-se em uma pequena bola de luz e gritou para que Beren utilizasse o óleo negro de um dos frascos na Piscadinha. Ao mesmo tempo, investiu com seu pequeno sabre.

O "renascimento" da fada trouxe um pouco de esperança ao grupo. Dragnar e Beren, enfim, conseguiram vencer a magia de Nivasti, nome este que, por sinal, o anão conhecia bem. Ele era um caçador de demônios e sabia que ela era uma poderosa líder das forças infernais. Não um dos lordes, felizmente, mas um membro bastante influente e poderoso das hordas demoníacas. A sua presença indicava que deveriam estar realmente muito próximos de Iggwilv, sendo Nivasti, provavelmente, a última barreira entre eles e a poderosa bruxa.

Beren passou o óleo na Piscadinha, percebendo que todas as ranhuras da lâmina foram sendo corrigidas. A espada tornou-se mais afiada do que jamais fora, aumentando a chance de um golpe fatal. Mas ele não era um guerreiro, possuindo parcas habilidades de combate, razão pela qual passou a arma à Dante. De posse da Piscadinha, o sacerdote de Natirel conseguiu novamente enxergar a mulher e investiu em sua direção.

Surpresa com o ressurgimento da fada, Nivasti resolveu que deveria terminar logo com o embate. Uma nova Coluna de Chamas feriu fortemente o grupo, que continuava incapaz de afetá-la: Dragnar e Beren falhavam em suas tentativas de dissipar as magias de proteção, enquanto Dante errava seus ataques. A fada até conseguia acertar, mas não possuía a força necessária para vencer a redução de dano da criatura demoníaca, no máximo conseguindo arranhá-la.

Em algum momento a sorte do grupo precisava virar... E virou... Beren conseguiu dissipar a magia de Invisibilidade Aprimorada, permitindo que todos a vissem novamente, o que trazia novas oportunidades de ataque. Ao mesmo tempo, Dante conseguiu acertar um poderoso golpe, ferindo-a pela primeira vez, o que trouxe um olhar de perplexidade em Nivasti. Tal olhar se tornou ainda maior quando ouviu um som agudo. Dragnar lembrou-se do apito que haviam conseguido alguns dias atrás (o qual, segundo informação de Beren, era capaz de encantar outras criaturas, tornando-as aliadas). Mas o apito não funcionava exatamente assim. Ele convocava os guardiões e imediatamente surgiram na sala uma quimera e uma medusa para auxiliá-los no combate.

Em seguida, o mago conjurou um urso celestial com um de seus pergaminhos e Nivasti voou para uma área melhor protegida, de modo a não se ver atacada por todos os lados. Conjurou nova Coluna de Chamas e viu o meio-elfo tombar. Rindo de satisfação, prometeu que todos teriam o mesmo fim em breve.

Vexya foi até o corpo de Beren para pegar uma das poções que ele possuía, enquanto Dragnar e Dante conjuraram magias de cura no amigo, permitindo que ele voltasse à consciência. Irritada, a mulher demoníaca utilizou a última mana que lhe restava para conjurar mais uma Coluna e o grupo viu-se extremamente ferido. Dante apenas estava de pé em razão de sua incrível habilidade de lutar mesmo no limiar da morte.

Dragnar gritou para que o grupo fugisse e eles correram em direção ao corredor. Nivasti não poderia permitir tal fuga. Saiu de sua posição e foi em direção ao grupo, atacando Beren, que por muito pouco não tombou novamente. Mas, para atacá-lo, ela teve que aproximar-se do chão e o urso utilizou seus poderosos braços para agarrá-la. Tentou resistir, mas a força da criatura celestial, aliada ao seu imponente tamanho, era muito maior. A quimera juntou-se à manobra e ela se viu perigosamente presa. O dano sofrido das criaturas não era muito grande, logo, ela não tinha chance de morrer, mas o tempo perdido ali permitiu ao grupo fugir.

Entraram no que parecia um laboratório arcano. Diversos pergaminhos, livros, equipamentos alquímicos e variados itens encontravam-se na sala, porém o grupo não tinha tempo para vasculhar. Precisavam encontrar uma saída e foram abrindo aleatoriamente as nove portas. Elas levavam apenas a armários lotados de itens, mas Dragnar viu uma passagem secreta atrás de uma dessas portas e o grupo rapidamente passou por ela. Beren pegou um pergaminho de Muralha de Pedra e viu Nivasti aparecer no último segundo, amaldiçoando-os em linguagem demoníaca, antes de ver seu caminho fechado pela muralha.

O grupo, incrivelmente, sobrevivera...

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