A Fonte Secreta - 36º e 37º Atos

Após algumas magias de cura, o grupo viu-se em um grande salão. Ele possuía três diferentes níveis e um banco de pedra ao fundo. Fora isso, existiam duas portas laterais e mais nada, nem um único móvel ou qualquer outra coisa preenchia a sala.

Dragnar foi à porta norte investigar, com Beren fazendo a mesma coisa na porta sul, mas nada encontraram. Já Dante investigou o banco de pedra, mas também não viu nada de particular interesse.

O anão deu uma olhada para o meio-elfo e, não vendo qualquer objeção, empurrou a pesada porta de metal. Ao fazê-lo, as paredes do salão adquiriram uma tonalidade azulada e três grandes sapos humanoides, troncudos e brutais, com braços no lugar das patas dianteiras, surgiram. Eram hezrous, grandes sargentos demoníacos, os quais, aproveitando-se da surpresa do grupo, convocaram três dezenas de dretchs, pequenos demônios gordos e sem pelos, para ajudá-los na batalha.

Beren e Vexya rapidamente foram voando para o teto do salão, ficando longe da área de ameaça dos demônios, enquanto Dragnar se posicionava do outro lado da porta que abrira, de modo a impedir se vir cercado. Já Dante subiu no banco de pedra, aproveitando que isso lhe daria uma boa posição de ataque.

O combate foi brutal. Os hezrous possuíam diversas magias poderosas, que causaram grandes perdas ao grupo. Dragnar, completamente debilitado por tais magias, sofria para enfrentar mesmo os fracos dretches e viu-se muito perto da morte. Vexya conjurava Mísseis Mágicos e Beren lançava Bolas de Fogo, rapidamente dizimando os pequeninos demônios, mas os hezrous eram mais resistentes e não caíam tão fácil. O fogo os queimava, mas não com a força esperada.

Coube a Dante exterminá-los. Talvez o fato de ter visto o grande Lorde Robilar lutando o tenha inspirado... Com uma série de excepcionais movimentos, o sacerdote de Natirel feria criticamente os demônios e, ainda que também tenha sofrido alguns poderosos golpes, acabou derrubando duas das criaturas.

Apenas o hezrou que atacava o anão estava de pé e Beren, vendo que o chão da sala brilhava da mesma forma que a pirâmide que quase o matara na sala anterior, conjurou Voo em Dante, para que este pudesse ir até o último demônio. Sozinho, esse não tinha chance contra o grupo, e acabou por sucumbir após um tempo.

Sangrando e com as forças exauridas, resolveram que era hora de descansar. A porta que Dragnar abrira levava a um corredor. Logo em frente à porta havia a estátua de um jovem mago. Embora aquele não fosse o local ideal, eles não podiam arriscar-se a outro combate e montaram seu acampamento ali mesmo, com Beren aproveitando aquele tempo para identificar alguns dos itens mágicos que encontrara no castelo. Um deles era um Anel de Regeneração e ele o deixou com o anão, que era quem mais necessitava de cura naquele momento.

Após descansarem, Dragnar pôde utilizar mais algumas magias e curar o grupo. A cada passo que davam dentro daquelas masmorras, maiores ficavam os desafios, não havendo como enfrentá-los sem estarem plenamente recuperados, e a bênção de Moradin era muito bem-vinda...

Ignorando uma porta lateral, o grupo seguiu para o fim do corredor, chegando a uma espécie de catedral. Aparentemente, aquele era um templo dedicado a Boccob, mas algo de macabro havia acontecido ali. O altar estava impregnado de sangue e vísceras, assim como as estátuas representando o Deus da Magia. Cadáveres estavam presos às colunas e uma aura de blasfêmia era facilmente percebida pelos personagens.

Cautelosamente, Dante aproximou-se do altar e viu uma cena ainda mais perturbadora: uma belíssima loira estava amarrada com correntes a uma mesa de pedra localizada pouco abaixo do altar. Um homem, vestido com trapos, estava sentado sobre seu corpo e segurava uma adaga, parecendo prestes a enterrá-la no coração da mulher, que clamava por ajuda. O sacerdote de Natirel não pensou duas vezes e saltou em direção ao homem, derrubando-o.

Ainda sem saber o que estava acontecendo, Beren subiu ao altar, enquanto Dragnar descia correndo as escadas e Vexya voava até uma posição que lhe desse uma melhor visão. Viram que o estranho homem, em verdade, era um morto-vivo. Balbuciava apenas algumas poucas palavras, dizendo que eles não sabiam o que estavam fazendo ao interromper aquele ritual sagrado. Ele se mantinha a distância de Dante, parecendo não ser uma ameaça ao grupo, e o meio-elfo, vendo que Dragnar já estava libertando a jovem, procurou conversar com a criatura e conseguir informações.

Aquela não fora uma boa decisão... O que ele não sabia é que, assim que o anão aproximou-se da jovem, ele se viu mentalmente dominado. Toda aquela situação não passava de uma artimanha engendrada por aquela mulher, que telepaticamente ordenou ser protegida. Dragnar não conseguiu resistir e lançou algumas magias na mulher, assim como deu-lhe o Anel de Regeneração.

Os demais nada viram disso, pois o morto-vivo revelava-se poderoso e atacava Dante com poderosas mordidas. Mesmo sob as poderosas estocadas e magias do grupo, ele resistia.

A mulher apenas observava as estratégias do grupo e se afastava do centro da confusão. Voando até um local melhor protegido, ela conjurava suas próprias magias para proteger-se, enquanto ordenava que o anão matasse o guerreiro. Dragnar colocou as mãos em sua cabeça, gritando estar sendo dominado, e acertou o golpe pelas costas. Dante reagiu, dando-lhe uma rasteira com a sua alabarda e derrubando o amigo sem feri-lo.

Acreditando que fosse o morto-vivo a dominar o companheiro, Beren conjurou mais uma de suas orbes e, enfim, a criatura caiu. Porém, para seu espanto, viu o anão se levantar e atacar Dante novamente. Só nesse momento perceberam o real perigo naquela sala, mas já era tarde demais...

Uma poderosa Coluna de Chamas atingiu todo o grupo. Dante pedia auxílio a Beren, ao mesmo tempo em que conjurava Arma Espiritual, mas a arma era incapaz de vencer as barreiras mágicas que protegiam a bela loira. Vexya, transformada magicamente em luz, via em desespero a derrocada do grupo, enquanto Beren tentava, sem sucesso, dissipar a magia que controlava Dragnar.

Dante conjurou Voo e tentou se aproximar da mulher, que estava  protegida contra vida, o que impediu ao sacerdote aproximar-se. Já o mago, vendo que o tempo para agir era cada vez menor, decidiu apelar para seus pergaminhos. Primeiramente, tentou transformá-la em pedra, mas ela facilmente resistiu a essa tentativa e ordenou ao anão que o atacasse, mas Dragnar conseguiu resistir ao comando, libertando-se. Parecia que a sorte do grupo estava virando...

Ledo engano... Em uma tentativa desesperada, Vexya entregou a Beren quatro poções e partiu em um ataque suicida. A mulher reagiu com mais uma Coluna de Chamas e a fada foi ao chão. Beren, também fortemente atingido pelo fogo divino, via a morte próxima. Sua última esperança era fugir. Conjurou Labirinto de um pergaminho, magia que forneceria ao grupo um precioso tempo ao enviar a perigosa mulher a outro plano por um breve período, mas, por algum motivo desconhecido, ela não saiu do lugar. A poderosa magia, teoricamente irresistível, falhara, e Beren via-se completamente desesperado. Sua hora, tantas vezes adiada, enfim, chegara...

Dante, magicamente aumentado de forma a atingi-la a maior distância, tentou atacá-la, mas também não obteve sucesso nessa empreitada. O sacerdote não conseguia discernir uma estratégia que lhes permitisse vencê-la. Ninguém havia sido capaz de sequer arranhá-la, enquanto o grupo já se encontrava no fim de suas forças. Era só uma questão de tempo até a derrocada final.

Uma voz em suas mentes ordenou que se rendessem. Dante conseguiu resistir àquele comando, mas recuou. Vexya parecia morta, enquanto Dragnar e Beren já se ajoelhavam, em submissão. Se nem juntos eles houveram sido capazes de enfrentá-la, quanto mais sozinho. Pelo menos assim ele seria capaz de saber quem os havia derrotado.

E, talvez, apenas talvez, surgisse a oportunidade de tentar algo...

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