A Fonte Secreta - 34º e 35º Atos

Após a vitória, prosseguiram pela imensa câmara. Aquele teria sido um combate quase impossível de ser vencido sem a presença de Robilar e estavam satisfeitos por estarem em sua companhia. Dante, em especial, estava bastante impressionado com as habilidades do guerreiro e o olhava com admiração.

No final da câmara, chegaram a um parapeito. Escadas laterais levavam à sala abaixo, que parecia uma espécie de hall de entrada. Um acampamento havia sido feito na caverna logo depois desse hall, mas estava vazio. Havia sangue e sinais de uma batalha recente, ocorrida uns cinco dias atrás, além de alguns elfos negros petrificados.

Beren também percebeu que várias estalactites estavam quebradas próximas ao teto da caverna, sinal de que uma grande criatura alada fora a responsável pelo ataque ao acampamento. A suspeita da presença de um dragão se tornou uma certeza quando encontrou escamas negras no chão. Precisavam seguir com bastante cautela...

Do túnel à esquerda bruxuleava uma estranha luz, certamente de origem mágica. Perquerido pelo mago, Robilar mencionou tratar-se de um grande jardim, repleto de fungos venenosos e estátuas mágicas. Mesmo os maiores arcanos de Oerth não haviam conseguido discernir as magias presentes nas estátuas. Mencionou, ainda, que o local continha imensos tesouros, mas era muito perigoso, além de não ser para onde deveriam se dirigir nesse momento. Beren estava curioso com as magias presentes nos estátuas, mas havia uma missão a ser cumprida e seguiu com seus companheiros para o túnel à direita.

Logo após a primeira curva, viram que o túnel abria-se em um círculo. Diversas aberturas nas paredes levavam a cavernas e um vento soturno parecia provir delas. Nada de interessante parecia vir dali e o grupo seguiu pelo corredor, chegando a uma gigantesca caverna, lotada de diversas criaturas petrificadas. Ao fundo, um imenso caldeirão acima de um grande zigurate de pedra. Uma escadaria parecia levar até o caldeirão, mas o grupo não teve muito tempo para observar a construção. Uma poderosa e gutural voz foi ouvida, demonstrando uma certa surpresa por terem chegado tão longe.

A voz provinha do teto e os personagens olhavam apreensivos para o alto à procura do seu interlocutor, acreditando tratar-se do dragão que queriam evitar. Pediram para que ele se revelasse e a criatura o fez. Ciente da magnificência de sua aparência, abriu suas longas asas negras e desceu em um voo rasante até a base do zigurate. No caminho, lançou uma chama no caldeirão, que se acendeu em uma grande fogueira, iluminando toda a caverna.

À luz, foi possível ao grupo perceber que aquele não era um dragão comum. Seu tamanho era o de um adulto jovem, mas seus grandes olhos escarlates e suas estranhas escamas revelavam que ele não era puro, sendo, provavelmente, uma raríssima cria de um dragão com um basilisco.

Robilar não pareceu se impressionar com a portentosa criatura, não demonstrando qualquer tipo de temor. Ao contrário, abertamente ameaçou a criatura que, ferida em seu orgulho, avançou em direção ao grupo em um feroz ataque. Seus grandes olhos brilharam, mas nenhum dos personagens foi afetado pela petrificação. Surpresa, ela não teve tempo para se arrepender do ataque e recuar, pois Robilar, em um grande e feliz golpe, simplesmente decepou sua cabeça.

Estupefatos, viram o poderoso guerreiro avançar em direção ao zigurate e o seguiram...

Parado ao lado do caldeirão em chamas, Robilar afirmou estarem bem próximos de alcançarem seu objetivo. O caldeirão era a entrada, mas apenas os mais fortes seriam capazes de passar por ali. Dito isso, ele simplesmente pulou nas chamas, sendo possível imediatamente sentir o cheiro de carne e pelos queimados.

Dante logo seguiu o guerreiro, enquanto Beren se arrependia profundamente de não ter memorizado uma magia de proteção. Perquiriu Dragnar, mas o anão estava com pouca mana, só tendo o suficiente para ajudar Vexia. Após passar para a fada seus pertences mais importantes, voou para as chamas, acelerando para chegar ao final o mais rapidamente possível.

Logo estavam todos reunidos, queimados e feridos, em uma sala sem saída. Beren não teve dificuldade em encontrar uma passagem secreta na parede norte, levando o grupo até uma grande escada em espiral. Desceram muitos metros por ela até alcançarem uma grande sala, decorada com um belo dragão em suas paredes. Sua aparência era muito parecida com a do Coatl, o ser que Dante e Beren haviam encontrado guardando o Espelho de Gelthangor.

Assim que todos pisaram na sala, a pintura ganhou vida, circundando toda a sala e fechando suas passagens. O dragão se revelou como o guardião daquele local e perguntou que objetivo os havia trazido até ali. Beren respondeu, além de ter revelado conhecer um de seus parentes, Coatl. A criatura pareceu demonstrar algum sinal de reconhecimento do nome e disse que lhes era permitido escolher o seu destino entre uma das oito passagens ali presentes, salvo Robilar. Descrevendo-o como uma criatura traiçoeira e maquiavélica, afirmou que o grupo deveria separar-se dele e escolher seu próprio caminho, sob pena de alcançarem a danação.

Uma longa discussão seguiu-se. O guardião apenas respondia enigmaticamente às perguntas do grupo, mas deixava claro o seu ódio a Robilar. Aparentemente ele estivera ali outras vezes e roubara um poderoso espelho, sendo esse o artefato que ele buscava recuperar de Iggwilv. A menção do espelho causou um deja vu no meio-elfo, já que a situação muito se assemelhava a vivida por ele em Cirolealon. Aquele dragão era provavelmente a versão de Oerth para o Coatl de Tellene, um guardião divino, parecendo claro a Beren que deveria ouvir os seus conselhos e separar-se do guerreiro.

Questionado pelo mago, Robilar relutantemente descreveu a habilidade do espelho: aprisionar pessoas em outros planos. E afirmou que eles deveriam seguir pelo corredor sudeste. Dali eles chegariam ao Nexus e à prisão de Zagyg. Após lidar com o dragão, ele os encontraria novamente.

O grupo parecia dividido, sem saber o que fazer. Beren tentava convencer o grupo a seguir o conselho do guardião, mas Dante não era da mesma opinião. Robilar era o melhor guerreiro que ele já vira e os havia ajudado imensamente naquele parco período em que estiveram juntos. Sua presença havia sido decisiva para o seu sucesso até então e ele não via como libertariam Kabori e impediriam Iggwilv sem sua liderança. Abandoná-lo naquele momento parecia uma péssima escolha...

Dragnar sabia da maldade de Robilar, já a havia sentido anteriormente enquanto procurava por inimigos nas masmorras, mas ele parecia estar dizendo a verdade, razão pela qual não tinha certeza se deveria apoiar Beren em sua decisão de ignorar o conselho do guerreiro e escolher um caminho aleatoriamente. Continuava tentando obter mais informações do guardião antes de tomar sua decisão.

Beren dirigiu-se a porta norte e disse que era para lá que deveriam ir. Era uma escolha baseada simplesmente em sua intuição. A única coisa que sabia é que não deveriam ouvir o conselho de Robilar. O guerreiro ficou tremendamente irritado com tal decisão, amaldiçoando-os por traí-lo. Após derrotar o maldito guardião, iria atrás de cada um deles, não importaria onde estivessem...

Dante chegou a ameaçar seguir o mago, mas ele não via sabedoria naquela decisão. Robilar era a sua melhor chance e, desculpando-se com Beren e o dragão, entrou no corredor sudeste. O guardião não escondeu sua irritação, mas permitiu sua passagem. Vendo que uma escolha já havia sido tomada, Dragnar logo foi juntar-se ao sacerdote.

O guardião olhou para Beren, aguardando sua decisão. O mago não queria seguir naquela direção, mas optar por outro caminho seria dividir o grupo justamente no momento em que se aproximavam do término de sua missão. Aquela lhe parecia uma triste escolha, mas optou por não abandonar seus companheiros, sendo imediatamente seguido por Vexia, que se mantivera silente durante toda a discussão.

Assim que a fada passou, o longilíneo dragão moveu novamente o seu corpanzil para fechar a passagem e o grupo prosseguiu sem esperar pelo resultado do embate entre ele e Robilar. Para o bem ou para o mal, sua escolha estava feita e não cabia a eles interferir.

O corredor levou-os a duas galerias. Diversas pinturas, extremamente realistas, estavam penduradas nas paredes. Pareceu a eles que aquele era o Nexus mencionado por Robilar e que cada uma daquelas pinturas poderia levá-los a outro plano. Uma das imagens era claramente o Castelo de Greyhawk, mas, mesmo após muito estudá-lo, não conseguiram entender como faziam para realizar a viagem. Um Detectar Magia de Beren demonstrou que dois quadros estavam trancados por Tranca Arcana. Após ter sucesso em dissipar as magias, muito procurou em suas adjacências até encontrar uma passagem secreta muitíssimo bem escondida e, enfim, chegaram ao Nexus.

Duas grandes mesas encontravam-se naquela sala. Esculpida nelas, uma série de runas desconhecidas ao grupo, sendo que uma delas brilhava. Após um Compreender Linguagens, Beren identificou que as runas indicavam locais do castelo. E a que brilhava era justamente a runa referente à prisão de Zagyg.

Não havia dúvidas: levou sua mão à runa e imediatamente foram teleportados até uma pequena câmara. A sala em frente possuía uma grande pirâmide tremeluzente, obviamente mágica. Assim que Dante avançou em direção à pirâmide, raios de energia  saíram dela e acertaram todo o grupo, que correu em direção à porta para fugir de seu raio de ação. Imensos foram os danos causados, especialmente a Beren, que por muito pouco não tombou. Clamando por auxílio, ele jogou-se ao chão, extremamente ferido.

A danação prometida pelo guardião estava próxima...

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