A Fonte Secreta - 28º, 29º e 30º Atos

O grupo desceu por um longo tempo até chegar a uma grande caverna. Não havia nada de muito interessante ali e eles logo seguiram com sua exploração, vendo um corredor lateral que levava à algumas portas e uma escada em espiral. Barulhos de passos vinham da escada e não houve tempo para uma maior preparação: três bugbears surgiram, iniciando-se um combate.

O som causado pelo choque das armas chamou a atenção de outros quatro bugbears, que surgiram das portas na retaguarda do grupo, mas os personagens agiram rapidamente e não tiveram maiores problemas para despachar os grandes e peludos humanoides.

Próximos do final da longa escada, os personagens ouviram uma conversa em uma língua estranha. Beren e Dante puderam, com a ajuda de seu anel de idiomas, reconhecer que se tratava de uma conversa de seres não muito inteligentes e que pareciam estar com muita fome. Preferiram recuar um pouco, mas Dragnar, com toda a destreza que Moradin lhe deu, fez muito barulho, alertando as criaturas quanto à presença do grupo.

Uma dezena de trolls estava naquela câmara, mas, felizmente, a escada limitava o raio de ação das criaturas, e, enquanto Dragnar ficava na frente se defendendo dos poderosos golpes, Dante usava de suas alabardas espirituais, Valandil de suas flechas ácidas e Beren de bolas de fogo, que atingiam a maior parte dos trolls. O que poderia ser um combate mortal para os personagens, acabou fluindo bastante bem e logo os três trolls remanescentes fugiram por suas vidas.

Os dois sacerdotes estavam bastante feridos, mas nada que não pudesse ser magicamente curado. Todavia, Natirel não respondeu às preces de Dante. Pasmo, ele tentava entender o que poderia estar acontecendo. Será que a distância de seu plano natal enfim afetava o contato com seu deus? Ou alguma ação sua o havia ofendido? Sem muito tempo para pensar nisso, aceitou a cura de Moradin e seguiu seus companheiros...

Prosseguiram sem se preocuparem muito com a exploração. Aquele já se mostrara um nível habitado por diversos humanoides e quanto mais tempo passassem ali maior a chance de novos embates.

Viram dois bugbears sentados em uma mesa, conversando e bebendo. Aparentemente, eram dois líderes e discutiam acerca de estratégias contra os duergars: se deveriam manter a aliança com os trolls ou procurar a ajuda da bruxa. Essa opção foi logo descartada pelo que parecia o mais velho dos dois, já que a bruxa jamais os veria como iguais e os trataria como meros peões.

Beren estava interessado nas informações que poderia obter das criaturas e resolveu entabular uma conversa com eles. Após alguma troca de ameaças e a promessa do grupo de que não adentraria os domínios dos bugbears, eventualmente podendo até ajudá-los contra os duergars (ainda que indiretamente), conseguiram algumas informações: a bruxa a que eles se referiam era nada mais nada menos que Iggwilv, a mãe de Iuz, que tem seus domínios uns dois níveis abaixo dali, só que na Torre de Zagyg; hipoteticamente, ela está explorando o maquinário utilizado pelo Mago Louco para ascender ao status divino; ela possui diversos asseclas ao seu lado, inclusive o poderoso culto de que os personagens já haviam ouvido falar; um anão e um humano (que combinavam com a descrição de Brÿjoff e Togus) haviam sido capturados pelo culto, estando, certamente, mortos.

Parecia bastante claro a Dante e Beren que era grande a chance de que Kabori estivesse com Iggwilv. E, ainda que não, havia a chance dela estar com Brÿjoff e Togus, e o grupo logo seguiu na direção apontada pelos dois humanóides. Contudo, Dragnar foi bastante enfático ao afirmar que a bruxa é a mãe de um semideus, sendo poderosa o suficiente para aniquilá-los com facilidade. Deveriam evitar ao máximo o contato com ela...

Chegaram ao corredor que os levaria à Torre de Zagyg, encontrando diversos trolls petrificados pelo caminho. O corredor estreitava-se cada vez mais e chegaram a ter que rastejar para prosseguir. Os sinais da passagem de criaturas por ali eram bastante evidentes e eles seguiam apreensivos.

Por fim, chegaram a uma escada. As paredes e degraus estavam em bom estado e eram bem melhor trabalhadas do que a parte do castelo em que estavam antes. Desceram até um beco sem saída, mas Valandil não teve nenhuma dificuldade para encontrar e abrir uma passagem secreta.

A sala continha muitos outros humanoides petrificados e diversas passagens. O grupo prosseguia com bastante cautela, atento tanto a eventuais armadilhas quanto ao surgimento de criaturas, em especial à responsável por todas aquelas petrificações. Beren encontrou diversas escamas amareladas no chão e nas paredes. Algum réptil de grande porte vivia próximo dali...

Prosseguiram até chegar a uma câmara repleta de estalactites e estalagmites. Valandil e Dragnar foram os primeiros a entrar e logo tiveram uma grande surpresa: a gravidade da sala era invertida e eles despencaram por uns sete metros antes de se chocarem contra o teto da sala! Felizmente, embora a queda tenha sido dolorosa, nenhum deles ficou empalado pelas estalactites e o elfo pôde usar mais uma vez das habilidades de seu manto para retirar uma grande escada que os ajudou a atravessar a sala em segurança.

Em uma pequena sala, encontraram apenas um grande baú. Dentro havia uma bela jade dentro da cabeça decepada de um orc. Embora não tivesse absoluta certeza, Dragnar acreditava que aquela cena era fruto de algum ritual macabro e o grupo preferiu deixar a cabeça e a joia onde estavam.

Na sala seguinte, dois humanos petrificados. Um certamente era um mago, que parecia estar correndo quando cometeu o erro de olhar para trás. O outro parecia um ladino, que retornou para pegar umas moedas no chão em um corredor e acabou preso nessa posição para a posteridade.

Parecia claro que estavam se aproximando do covil da criatura responsável por todas aquelas estátuas. Com receio abriram a porta ao fim do corredor e se viram frente a frente com um grande basilisco. Seu olhar petrificante agiu instantaneamente, mas todos conseguiram resistir à habilidade sobrenatural da criatura. Beren não queria testar a sorte novamente e lançou uma de suas orbes elétricas. Criticamente, ela entrou direto pela bocarra aberta, explodindo-a por dentro.

Em seguida, entraram na sala, vendo a estátua de um guerreiro e alguns objetos mágicos em um canto. Os dois magos do grupo utilizaram pergaminhos para identificar uma meia armadura, que Dante pegou para si, e um anel de piscar, que ficou com Valandil. Já os outros itens precisariam ser verificados em outra oportunidade. Beren também aproveitou para pegar os olhos, escamas e dentes do basilisco, que poderiam servir como um eventual componente de suas magias no futuro.

Estafados, pareceu ao grupo que era o momento de descansarem. Tiraram os restos mortais da criatura da sala e moveram algumas estátuas para travarem as portas.

Pela manhã, em suas orações matinais, Dragnar olhava para a estátua do desafortunado guerreiro, pensando que talvez ele conseguisse salvá-lo. Preparou um encanto e lançou-o naquelas três pessoas. Uma por uma elas foram retornando à vida, ainda assustadas, como se não se tivesse passado nem um segundo antes da petrificação. Levaram um tempo explicando o que havia acontecido, descobrindo que eles estavam há anos naquela situação. Eles eram da cidade de Greyhawk e pretendiam voltar pra lá o quanto antes. Como uma forma de agradecimento, Dragnar pediu para que se prontificassem a ir ao clero de Pelor para avisá-los da presença de Iggwilv no Castelo. Beren também pediu para que fossem até Phrowenia, de forma a tranquilizá-la acerca do bom andamento da missão (não era totalmente verdade, mas não havia porque alarmá-la). Muito agradecidos, os três aventureiros se despediram do grupo e partiram.

Valandil encontrou uma passagem secreta que levou o grupo a mais uma rede de salas e corredores. Viram uma imensa cobra constritora abraçada a uma bela espada mágica. O grupo não estava ali à procura de riquezas, não lhes parecendo proveitoso enfrentarem um perigoso combate sem que fosse absolutamente necessário. Havia uma porta atrás da cobra e, caso sentissem que precisassem passar por ali, retornariam, mas não o fariam para simplesmente obter uma espada.

Contudo, não ficaram muito tempo sem enfrentar problemas. Foram novamente atacados por um grupo de trolls. Dessa vez não conseguiram se proteger tão bem e foram bastante feridos, mas venceram. Coube a Dragnar curar os severos ferimentos, eis que Dante continuava tendo problemas com suas magias, com mais da metade delas falhando.

Pouco depois, Valandil abria cautelosamente uma porta quando ouviu o ressoar de palavras mágicas. Tentou se proteger, mas a bola de fogo explodiu muito perto de si, atingindo também Dragnar e Beren, embora com menor força. Assim que seus olhos se recuperaram da explosão, viu um troll já sobre si. Começava aquele que seria o mais difícil combate do grupo desde a sua entrada no Castelo de Greyhawk.  

O elfo recuou assim que pôde, eis que os ferimentos já o haviam debilitado. Dragnar tomou a frente para impedir o avanço dos trolls, enquanto Dante, que cobria o outro flanco, vinha correndo para ajudar na frente de batalha e Beren lançava uma bola de fogo dentro da sala. E ele ainda conseguiu ouvir uma voz mandando os trolls aguardarem por ordens e não atacarem juntos. Se antes tinham a vantagem da esperteza, dessa vez existia alguém do outro lado para equilibrar as coisas.

Eventualmente, Dante e Dragnar conseguiram trocar de posições e derrubar alguns trolls, avançando em direção à sala. Vigilante entrou e contou acerca da existência de muitos outros trolls e um mago, o qual acabava de lançar outra bola de fogo. Dante já estava bastante ferido, mas continuou firme em sua posição, assim como Dragnar. Valandil, contudo, já estava severamente ferido, preferindo conjurar invisibilidade e sair dali. Se a situação se invertesse, o que parecia difícil, retornaria para ajudar seus novos companheiros.

Beren via que a situação estava crítica. Seu ângulo de visão era mínimo do local onde estava e não parecia que Dante e Dragnar suportariam por muito mais tempo. Decidiu que era hora de entrar na sala. Antes, contudo, conjurou uma versão aprimorada de invisibilidade, de forma a que seus ataques não revelassem sua posição.

A primeira bola de fogo foi diretamente em cima do mago, que nada pôde fazer, além de tombar. Ao bater no chão, ativou uma armadilha, revelando um alçapão em uma larga área. Seu corpo imóvel despencou por vários metros, fazendo um som surdo ao chegar ao fundo.

Mesmo sem a liderança do mago, os trolls continuaram arrebatadores em seu ataque e o sacerdote de Natirel tombou inconsciente. Dragnar conseguiu estancar-lhe o ferimento com uma magia de cura, ao mesmo tempo em que lutava contra dois trolls à sua frente. Já Beren seguia com suas magias de área, tentando atingir o máximo possível de criaturas.

Um dos trolls, percebendo que a maré havia se invertido, esgueirou-se por trás do anão e pegou o corpo de Dante, ameaçando matá-lo se os personagens não se entregassem. Beren conjurou uma de suas orbes e a mandou direto na cabeça da criatura. Mas isso não impediu que outro troll fizesse a mesma coisa pouco depois. Esse tinha uma melhor noção de onde estava o meio-elfo e pôde se proteger melhor. Além disso, não estava tão ferido, sendo pouco provável que uma única orbe o matasse. Dragnar, embora não entendesse o que estava sendo falado, percebeu que era melhor se afastar e abaixou sua arma, permitindo que o troll com quem lutava se aproximasse do outro.  Mas gritou por Valandil, acreditando que ele pudesse ajudá-los.

Beren tentava convencer os trolls a libertarem seu companheiro em troca de saírem vivos dali. Porém, eles se mantinham irredutíveis e já se aproximavam da saída quando o arqueiro arcano decidiu que era melhor arriscar. Conjurou a orbe, mas, como imaginado, ela não fora suficiente para matar o troll, que enfiou suas poderosas garras no pescoço de Dante, que foi ao chão, sangrando. Valandil fez um ataque pelas costas da criatura, enquanto Dragnar atacou em uma poderosa investida, derrubando-a. Restou um último troll, que tentou atacar o mago, mas acertou apenas o ar. Com a última de suas energias, Beren conjurou mais uma orbe, o que, combinado aos ataques de seus companheiros, terminou por matar a criatura.

Dragnar verificou o estado de Dante, que, felizmente, ainda estava vivo. Uma nova magia de cura foi capaz de levantá-lo, mas o grupo estava em um estado lastimável. Restava vasculhar os corpos caídos e procurar um lugar para descansar...        

Comentários

  1. Foi por pouco, Diego, rsrs...

    Troll causa muito dano se acertar as duas garras... Isso e mais umas bolinhas de fogo e o Dante não suportou...

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