A Fonte Secreta - 26º e 27º Atos

O corredor em que estavam descia em uma espiral e era totalmente recoberto por uma placa metálica e Beren resolveu seguir sozinho de forma a não alertar quem quer que estivesse mais abaixo. Com passos leves e sob efeito de invisibilidade, ele prosseguiu por muito tempo, percebendo que, estranhamente, o corredor parecia estar se alargando paulatinamente. Será que era isso mesmo ou ele estava sofrendo um efeito de encolhimento?

Ao fim, alcançou uma sala imensa, coberta de dejetos. De um grande buraco aberto na parede, baratas do tamanho de cachorros saíam à procura de algo, talvez curiosas com o som que vinha do corredor metálico (cansados de esperar, Dante e Dragnar desciam fazendo um barulho considerável).

Com a Piscadinha em mãos, o meio-elfo avançou, procurando pelos donos das vozes que ouvira pouco antes. Ao aproximar-se do buraco, viu um elfo coberto de dejetos sair cautelosamente do buraco das baratas. Sob efeito de invisibilidade, elas não pareceram notá-lo e o elfo começou a se mover em direção ao corredor, de onde Dante e Dragnar acabavam de surgir.

Beren resolveu seguir o elfo, pronto para intervir caso ele se mostrasse um risco para seus companheiros. Porém, o elfo logo desfez sua magia e foi ao encontro dos dois. Apresentando-se como Valandil, requisitou ajuda. Disse fazer parte de um grupo de aventureiros que havia se deparado com membros de um perigoso culto, os quais, de posse de apitos encantados, convocaram diversos guardiões (quimeras, medusas e outras criaturas que não fora capaz de identificar) para atacá-los. Seu grupo não fora capaz de resistir à tamanha ameaça e ele próprio caíra inconsciente, acordando junto aos dejetos e ovos daquelas imensas baratas (aparentemente, ele era o alimento destinado às crias dos abomináveis insetos). O local do combate, todavia, nada se parecia com aquele e ele não fazia ideia de como fora parar ali.

Beren, então, revelou sua presença e, como o elfo parecia estar dizendo a verdade e já conhecia parte do caminho à frente, lhes pareceu de bom augúrio contar com a sua presença e o grupo prosseguiu por horas e horas sem encontrar absolutamente nada à sua frente. Exaustos, resolveram dormir um pouco e, no dia seguinte, imaginando que aquela pudesse ser mais uma artimanha do Mago Louco, resolveram voltar. Além do mais, havia pouca chance de que Brÿjoff e Togus tivessem seguido por ali.

Fizeram todo o longo caminho de volta e seguiram por uma escada não investigada do andar acima. Ela levou-os a um patamar aonde havia uma fonte com o desenho de um palhaço. Beren pareceu reconhecê-la e logo identificou a seta desenhada por Wooly dias antes. Aquela era uma ótima notícia, pois estavam bastante próximos do local em que o grupo se dividira.

Tomando a frente, o meio-elfo partiu à frente procurando por eventuais rastros de seus dois companheiros desaparecidos. Não precisou de muito tempo para encontrar marcas de sangue no chão. As marcas seguiam por um longo corredor até alcançarem uma sala ovalada, totalmente coberta de vermelho-sangue. No centro, um imenso rubi atraía todos os olhares. Valandil resolveu investigar e descobriu a existência de uma armadilha, tendo o grupo preferido seguir pelo corredor, deixando o valioso rubi para trás.

O rastro de sangue não prosseguia após a sala do rubi, mas perceberam marcas de lama em um corredor à frente. Ele levava a uma grande caverna, com seu piso quase que totalmente recoberto de lama. Do outro lado, uma porta dupla. Valandil utilizou-se de suas artes arcanas para conjurar um disco e ir até a porta sem encostar-se à lama. Investigando-a, viu que ela estava aberta e que havia uma armadilha ali, mas não sabia como desarmá-la. Amarrou uma corda na maçaneta e recuou para junto de seus companheiros (estes, contudo, prevendo um eventual problema, resolveram observar o que aconteceria na segurança do corredor).

Ao ser aberta, um grande estrondo jogou lama para todos os lados. Ágil, o elfo conseguiu esconder-se abaixo do disco e não sofreu grandes danos. O já imundo Valandil encontrava-se ainda mais sujo agora, mas havia outra coisa com que se preocupar: o chão tremia, a lama parecia fervilhar e ele viu imensas patas rochosas surgirem, assim como um grande olho negro e estrelado... Era um Escavador, uma criatura que Dante e Beren já haviam encontrado antes nos pântanos de Tellene. O ácido que recobre sua pele destrói tudo o que toca, além de causar grande dano, e, dessa vez, não haveria como enfrentá-lo na segurança dos céus, o que poderia se revelar um grande problema...

Valandil não pensou duas vezes e fugiu. Não era um grande adepto de combates, ainda mais um com uma criatura daquele tamanho. Gritando para que todos fugissem, almejava atrair a criatura até a armadilha. Contudo, não houve tempo para saber se os demais haviam entendido o plano do elfo, pois o Escavador moldou a parede do corredor, prendendo Beren, Dante e Dragnar.

Não havia como fugir e um tenso combate se seguiu. Apesar de seu tamanho, a criatura era ágil, acertando um poderoso golpe em Beren, que viu sua surrada camisa e sua pele queimarem sob o efeito do ácido. O arqueiro arcano logo recuou, gritando para que seus companheiros mantivessem a criatura longe de si, ao mesmo tempo em que conjurava Velocidade. Dante cresceu de tamanho de forma a tentar fazer frente ao poder da criatura, enquanto o anão, acreditando que ela era um extra-planar, tentou expulsá-la de volta a seu plano natal, sem qualquer sucesso.

Em relativa segurança, o arqueiro arcano começou a conjurar suas flechas elétricas, causando imensos danos à criatura. Irada e já bastante ferida, ela acertou dois poderosos golpes em Dante (que destruíram completamente seu gibão mágico) antes de tentar um retorno para o seu túnel. O sacerdote de Natirel, com receio de ter destruída também a sua alabarda, conjurou uma Nuvem de Facas, mas seu dano não fora suficiente para derrubá-la. Coube a Beren o golpe final. Considerando que ainda teriam um longo tempo a percorrer naqueles túneis, não lhe pareceu uma boa ideia deixar o Escavador escapar, dando-lhe a oportunidade de uma futura desforra. Mas também não deixou de perceber que, cada vez mais, optava pela morte de seus inimigos em vez de poupá-los...

Terminado o combate, surgia um grande problema: estavam trancados! As paredes rochosas eram absolutamente intransponíveis e a porta dupla era apenas um ardil, não revelando passagem alguma. Dragnar disse que Moradin poderia lhe conceder poderes para abrir novamente a passagem no corredor, mas era necessário aguardar o dia seguinte e foi o que fizeram.

Valandil encontrava-se muito preocupado do outro lado da parede. Via-se novamente sozinho, o que não era nada recomendável naquelas masmorras, e não fazia a menor ideia de como seus novos companheiros se encontravam. Suas flechas ácidas tinham aberto apenas poucos centímetros na rocha e ele acabou por desistir. Era preciso encontrar outra forma, mas ele estava com muito receio de se aventurar pelos corredores inexplorados, preferindo dormir um pouco e esperar por uma iluminação sobre o que fazer. Mas, antes, conjurou um Servo Invisível para pegar o rubi, todavia a armadilha fechava completamente os corredores, prendendo seu servo lá dentro. Conseguiu uma pedra de tamanho próximo ao do rubi e fez a troca, colocando a valiosa joia em sua mochila.

Logo ao acordar, lembrou-se de que possuía um robe de estranhos poderes. De dentro de um dos bolsos, ele puxou um fosso, o qual poderia ser colocado em qualquer superfície. Colocou-a na parede que fechara o corredor e viu o grupo fazendo sua refeição matinal...

Juntos novamente, o grupo chegou até uma grande fonte dos desejos. Suas águas tinham uma estranha coloridade e pareciam completamente insalubres. Dante e Dragnar se viram tomados de um grande desejo de bebê-las e o fizeram. Beren e Valandil mostraram-se preocupados, mas os dois sacerdotes pareciam estar muito bem e simplesmente se dirigiram a umas alcovas nas paredes. Um raio de luz os atingiu, mas eles nada sentiram além de uma ardência em uma de suas mãos. Na de Dante apareceu a tatuagem de um pergaminho, enquanto na de Dragnar, a de um escudo.

Curioso, o meio-elfo procurou investigar aquelas tatuagens, sendo incapaz de descobrir qualquer coisa. Os dois afirmavam estarem sentindo-se tão bem, que ele decidiu arriscar, bebendo da estranha água. Para não ser o único a não fazê-lo, o elfo também bebeu. A água era absolutamente refrescante, mas uma voz em suas mentes avisou-os de que precisariam se dirigir a uma das alcovas antes de saírem daquela sala. Preferiram não contrariarem a tal comando e passaram pelo mesmo procedimento que seus companheiros, mas suas tatuagens eram ainda mais estranhas: na de Beren, a imagem de uma estátua; na de Valandil, o número um.

Ainda sem saberem qual o efeito das tatuagens, o grupo prosseguiu até uma pequena sala na base de uma escada. Ao abrirem a porta, um gás esverdeado espalhou-se por todo o ambiente e Valandil repreendia-se pelo fato de ter sido incapaz de encontrar aquela armadilha. Mas aquela não era uma armadilha qualquer e nem mesmo alguém tão perscrutador quanto ele seria capaz de encontrá-la.

As tatuagens começaram a arder fortemente, gerando uma grande dor. Felizmente, todos resistiram àquele efeito mágico e o gás esverdeado deu lugar a uma poderosa luz. As tatuagens também desapareceram e cada um recebeu um presente por terem ultrapassado aquela prova: Dragnar viu-se segurando um belo escudo mágico nas mãos;  Dante, um pergaminho mágico de Ajuda; Beren reparou que todas as suas moedas haviam subido uma categoria; enquanto Valandil se viu repentinamente mais poderoso.

Satisfeitos, desceram pelas iluminadas escadas à espera de novos desafios, torcendo para que eles se tornassem mais lúcidos dali em diante...

Comentários

  1. A ideia era fazer o resumo das três sessões, mas, como sempre, escrevi demais...

    Se der, posto a próxima, mas acho bastante improvável que o consiga antes de jogarmos, especialmente considerando que deve rolar game antes do fim de semana. Caso outra pessoa ficasse disposta a fazê-lo (Mario? Bogus?), seria muito bom...

    abs

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