A Fonte Secreta - 24º Ato

Wooly avançava com cuidado pelo corredor, preocupado não apenas com eventuais armadilhas escondidas mas também com as criaturas que o perseguiam.

Alguns metros à frente o corredor dava uma guinada para a esquerda e seguia por dezenas de metros. Conforme avançava, via surgirem corredores à direita. Seguiu por um deles e deu de cara com um daqueles malditos palhaços esculpido em uma parede. Abaixo havia uma inscrição que mencionava a sua má escolha de caminho e ele sentiu um leve desconforto. Embora não soubesse, parte de sua força havia sido drenada nesse momento.

As paredes eram todas muito parecidas e não havia portas em lugar algum. Apesar de continuar desenhando um mapa, ele começou a rodar em círculos e muitas vezes batera de frente com outras daquelas estátuas em corredores sem saída, tendo sua saúde, destreza, força e experiência sofrido por isso. Ele se sentia cada vez mais exasperado pelo labirinto e quase gritou de alegria ao encontrar uma porta. Todavia, ela estava magicamente trancada e nada pôde fazer para abri-la. Desanimado, retornou aos corredores...

Depois de muito procurarem por uma saída, o grupo voltou à sala em que Wooly fora teletransportado. Começavam a cogitar ser necessário um certo período de tempo para a magia funcionar. Se era isso mesmo, não souberam, mas Beren, Dragnar e Dante, os primeiros a entrar, acabaram desaparecendo no ar. Os demais continuaram sem saber o que fazer para saírem daquele local.

O mago e os sacerdotes esperaram por um tempo a vinda dos companheiros, mas, como ela não acontecia, partiram à procura do ladino. Viram o sinal por ele deixado e seguiram na direção apontada.  Resolveram seguir o cabo de metal que saía da boca do palhaço, acreditando que ele revelaria algum tipo de armadilha. O cabo era bastante comprido e ele descia por uma escadaria até atravessar uma grande porta de metal. Dante resolveu abri-la, o que pareceu acionar um mecanismo que liberou um gás esverdeado. Beren imediatamente tombou desacordado e o sacerdote saiu rapidamente dali com o mago nos ombros.

Assim que subiram as escadas, escutaram passos de uma grande criatura. Não sabiam ainda o que era, mas seria um risco enfrentá-la com Beren inconsciente. Correram até uma porta e ouviram um clique logo após atravessá-la. Estava trancado, mas ao menos a criatura havia ficado do outro lado.

Os dois sacerdotes se viram, coincidentemente, no mesmo corredor que o ladino havia cruzado não muito tempo antes. Para não se perderem, resolveram seguir sempre a parede à esquerda, entrando em qualquer abertura desse lado. Poucos minutos depois, ouviram passos. Colocaram o amigo desacordado no chão e viram o cabisbaixo Wooly se aproximando.

Após uma breve conversa, os três prosseguiram. Encontraram outros daqueles palhaços, um deles fazendo com que o item mais precioso de cada um deles desaparecesse (adeus, Piscadinha!! buááá), outro fazendo com que eles trocassem de sexo e ainda um outro que os deixara com a aparência de palhaços.  A irritação dos personagens com as brincadeiras de Zagyg crescia cada vez mais...

Por fim, já com Beren novamente consciente, acabaram chegando a uma pequena sala com uma estátua de um mago trajando um robe com muitas runas místicas. As runas pareciam mover-se e cada uma delas representava uma escola de magia. Um quadro na parede representava um mago trajando um robe muito parecido com aquele se defendendo de dezenas de palhaços.

O meio-elfo percebeu uma magia muito poderosa na estátua. Uma força divina residia ali. Dante aproximou-se da estátua e, apesar de alertado por Beren para não fazê-lo, já que eles estavam maquiados como palhaços naquele momento, tocou-a. Imediatamente sentiu uma energia cruzando o seu corpo e sofreu novamente todos os efeitos que as estátuas de palhaço haviam lhe causado.

Beren conseguiu dissipar a magia que transmutara suas faces e eles saíram da sala para a difícil tarefa de encontrar uma saída daquele labirinto. Novamente, só alcançavam becos sem saída e novas estátuas. Beren e Wooly queriam o quanto antes sair dali, retornando à porta inicial. Mas o sacerdote de Natirel insistia que eles deveriam prosseguir, além de insistir em um retorno à sala da estátua.

De volta a ela, Dante resolveu fazer uma oração a todos os deuses bons de Greyhawk, em especial a Boccob, pedindo para que eles o ajudassem a curar o estranho cansaço que sentia. Ajoelhado em frente à estátua, tocou em seu pé, sentindo uma energia boa cruzar-lhe o corpo. Ao mesmo tempo, viu suas roupas adquirirem um tom colorido e bufante, mas isso não importava. Seu pedido havia sido ouvido e ele tentou fazer com que seus companheiros fizessem o mesmo.

Beren não parecia acreditar naquela sensação. Para ele, aquela nada mais era do que outra das brincadeiras de Zagyg (a mudança nas roupas de Dante eram um sinal claro) e ele se recusava a fazer parte dela. Já estava cansado das artimanhas do Mago Louco e ele queria, o quanto antes, abandonar aquele labirinto e procurar pelos que haviam ficado para trás.

Wooly já estava mais do que cansado daquilo tudo, não possuindo paciência para mais nada. Simplesmente pegou um de seus pergaminhos e teleportou-se para Greyhawk, para espanto de seus companheiros (e dos clientes da Dragão Verde, que viram uma irada mulher surgir do nada!).

Após uma nova oração de Dante, os personagens remanescentes foram à estátua que os transformara em mulher. Como imaginado, voltaram ao normal e, em seguida, retornaram à porta inicial. Não havia entrada que permitisse ao mago o uso de sua chave mágica e ele decidiu explodi-la. Conjurou uma Bola de Fogo, mas ela simplesmente desapareceu em frente à porta, não causando dano algum.

Derrotado, viu que não havia uma saída fácil dali. O sacerdote de Natirel estava certo e eles teriam que vencer o labirinto para sair...

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