A Fonte Secreta - 22º e 23º Atos

O túnel escavado pelo qual o troglodita os guiara deixou os personagens no meio de um corredor. Um odor acre permeava o ambiente e logo puderam ver diversos restos de criaturas no limiar da parca visão que as tochas lhes proporcionavam. Alguma criatura grande parecia residir por perto...

Após alguns segundos verificando o ambiente, viram um homem aproximar-se, cambaleando. Ele possuía uma grande e desleixada barba e estava vestido apenas com trapos e um corselete de couro. Seu cheiro era horrível e ele parecia ter passado por maus bocados.

Após beber um pouco de água de um cantil fornecido por Beren,  ele revelou fazer parte de um antigo grupo de aventureiros que adentrara o Castelo à procura de tesouros. Após muitos embates, eles acabaram se separando e ele ficou sozinho, vivendo a base dos restos que são encontrados por todo esse andar. Mencionou possuir um mapa de suas andanças e prometeu fornecê-lo ao grupo se eles lhe permitissem copiar o mapa que Wooly vinha confeccionando, acreditando que este poderia lhe levar para fora daquelas masmorras.

Logo na sala seguinte, encontraram um templo dedicado à Boccob. Várias estátuas gigantescas encontravam-se ao fundo, como que segurando o teto. Em um altar, ao lado de uma estátua representando o deus do conhecimento, havia um imenso livro aberto. O ladino descobriu que se tratava de um grande grimório, mas ele não tinha conhecimento suficiente para lê-lo, razão pela qual o entregou a Beren. O mago logo viu que havia magias de grande poder ali, algumas de nível muito acima ao seu, e agradeceu ao ladino enquanto colocava o livro em sua mochila.

Foram seguindo o pobre homem por muitos corredores e salas. Os restos se encontravam em quase todos os lugares e o cheiro podre era uma constante. No que parecia uma antiga sala de tortura, identificaram alguns ratos gigantes, que se afastavam logo que viam as luzes, mas não houve qualquer incidente até chegarem ao refúgio do seu guia.

Ele abriu uma passagem secreta no meio de um corredor, revelando uma pequena sala escura. Assim que metade do grupo entrou, perceberam que aquilo nada mais era do que uma emboscada. O sujeito revelou-se um homem-rato e outros seis, na forma de ratos gigantes, logo partiram pra cima dos personagens, que se viram cercados.

Apesar de pouco usar sua espada em combates, Beren não teve dificuldade em acertar as criaturas e seu Escudo Arcano era uma defesa bastante eficaz, como o passado já comprovara. Enquanto isso, Dante e Brÿjoff refestelavam-se derrubando seus inimigos um a um. O anão, em especial, fazia belos e mortais movimentos com seu machado, acertando vários de seus inimigos com golpes circulares.

Do lado de fora, enquanto Wooly mantinha-se invisível, Togus e Dragnar enfrentavam dois outros ratos que surgiram no corredor. Não pareciam enfrentar dificuldades, todavia um dos metamorfos acabou acertando uma de suas garras em Togus e seu sangue acabou infectado. Embora nenhum deles soubesse, o jovem guerreiro acabara de contrair a licantropia, o prenúncio de uma tragédia...

Fora algumas moedas de prata, não encontraram nada de útil com os homens-rato. Continuaram sua jornada pelos corredores por muito tempo sem encontrarem nada de especial, salvo um hipnotizante quadro que representava um mago falando a uma multidão (e que, curiosamente, deixou Beren e Dragnar um pouco mais jovens) e uma bacia lotada de água que derramava suas águas para o teto! Aquilo certamente era fruto de magia, mas Beren e Dragnar não foram capazes de encontrar qualquer rastro mágico ali. Curioso, Wooly resolveu tirar a bacia do lugar, mas, ao imaginar que o líquido tratava-se de um ácido, deixou-a cair, derramando quase tudo no chão. Vendo que a água parecia normal, resolveu bebê-la e se sentiu extremamente revigorado com seu sabor. Encheu seu cantil com o que restava do líquido e devolveu a bacia para seu lugar de origem.

Como aquele local parecia bastante calmo, resolveram descansar ali mesmo. Não havia como saber em que período do dia estavam, mas o cansaço de seus corpos demonstrava que um descanso era necessário e eles dormiram por algumas horas.

Ao acordarem, prosseguiram até uma fonte no alto de um patamar. Dela saíam quatro escadas e escolheram uma delas ao acaso. Acabaram por encontrar uma sala oval com estranhos símbolos aracnídeos nas paredes. Dragnar já tinha visto algo parecido antes: eram runas drow... Será que o mago louco também negociara com eles e elfos negros residiam nos subterrâneos do Castelo?  Aquele certamente não era um bom presságio e Beren se impressionava em como esse plano era parecido com o seu, até nas rixas entre as raças élficas.

Mais algum tempo seguindo e Wooly acabou chegando a um corredor em caracol. Ele levava até uma runa desenhada em um círculo no chão. Não encontrando nenhuma ameaça, entrou no círculo e simplesmente desapareceu!

O grupo estava aturdido enquanto tentava descobrir aonde fora parar o ladino. O meio-elfo via uma forte aura de magia, mas não conseguia identificar o feitiço. Após alguns minutos estudando as energias mágicas, acreditou tratar-se de um efeito de teletransporte, mas era impossível dizer para onde. Ordenou que Vigilante ficasse com o grupo, enquanto ele e Dragnar entrariam no círculo.

Já o ladino viu-se em uma sala similar a que estava pouco antes. De diferente havia a estátua de um palhaço e uma cortina vermelha. Cuidadoso, passou pela cortina, chegando a um longo corredor. Talvez o mais sensato fosse esperar por seus companheiros, mas o curioso Wooly preferiu prosseguir sozinho. Chegou a uma sala com várias portas e um altar de pedra, além de um símbolo de um labirinto circular de ouro preso à parede.

Ouviu um barulho vindo do corredor e escondeu-se. Logo viu Beren e Dragnar e saiu de seu esconderijo. Após conversarem por um tempo, o mago entrou em contato com seu familiar para que todos se reunissem novamente.

No início de um corredor, Wooly encontrou uma armadilha, mas, ao tentar desarmá-la, um alçapão abriu-se a seus pés. Rapidamente fez uso de seu Anel de Queda Livre, impedindo sua queda nas perigosas lanças presas ao fundo. A armadilha parecia proteger uma porta secreta, mas a parede falsa abriu-se para outra parede, não havendo lugar algum para ir. Eles ainda não sabiam, mas essa era apenas a primeira "brincadeira" que o mago louco preparara para eles...

Seguiram para o outro lado do corredor. Ao fim, uma escada levava a uma grande e forte porta de madeira. O ladino identificou uma armadilha na porta, mas novamente foi incapaz de desarmá-la. Os degraus da escada viraram-se formando uma rampa, enquanto um líquido verde e escorregadio descia de buracos na parede. A porta abriu-se com força, derrubando o pirata, que escorregou e caiu diretamente no corpo de um imenso cubo gelatinoso! Imediatamente foi paralisado pelo visco anestésico produzido pela criatura e começou a ser digerido.

Aquela não era toda a armadilha... Um tremor seguido de um grande barulho levou o grupo a olhar para trás e ver uma imensa rocha rolando em sua direção. Dante e Brÿjoff acabaram empurrados, escorregando na escada e indo fazer companhia a Wooly nas entranhas da criatura. Todavia, resistiram ao efeito anestésico e conseguiram reagir enquanto sofriam o dano do ácido digestivo.

Dragnar e Beren sofreram uma forte pancada, mas conseguiram prender-se à rocha e não caíram. Togus tentou o mesmo, mas não foi rápido o suficiente e a rocha passou por cima de seu corpo, levando-o muito próximo à morte.

O sacerdote anão percebeu o estado crítico do guerreiro e foi rastejando até ele, tentando ao máximo evitar escorregar pela escada. Conjurou um feitiço de cura para salvar a vida do companheiro, enquanto Beren atacava com Mísseis Mágicos e Dante e Brÿjoff feriam a criatura por dentro. 

Por fim, venceram, mas o esforço fora grande e Togus estava inconsciente. E, talvez o pior de tudo, descobriram que não havia lugar algum para ir. Apenas escadas e salas vazias...

Dormiram e, logo pela manhã, Wooly resolveu voltar à sala em que chegara, entrou no círculo e novamente desapareceu. Os demais tentaram segui-lo, mas não conseguiram. A magia simplesmente parou de funcionar e eles precisavam prosseguir na exploração.

Apenas um corredor deixara de ser inteiramente explorado. Bastante opressivo, causando um grande sentimento de solidão e depressão, além de ocasionar uma gradual perda dos sentidos (o que aumentava a sensação de solidão), o grupo havia desistido de percorrê-lo antes.

Beren e Dragnar, perseverantes, resolveram prosseguir até o final desta vez, o que levou um tempo incalculável, tamanha a sensação de isolamento a que foram submetidos. Acabaram alcançando uma sala com uma velha mulher tricotando em uma cadeira de balanço. Beren via uma idosa Phrowenia, enquanto Dragnar via a imagem de uma pessoa com quem falhara no passado. A imagem virou-se para eles dizendo ser uma mensageira de Istus e que eles deveriam escolher seus destinos. Perguntou pelo que eles mais desejavam: Dragnar disse que era honrar e orgulhar os seus antepassados e patrono, enquanto Beren afirmou que era cumprir logo a missão que o trouxera ali e retornar para sua família. Em seguida às respostas, surgiram três portas às costas da mulher e em cada uma havia opções que estabeleciam consequências para o caso de falha em seus objetivos. Os dois acabaram, ainda que separadamente, escolhendo a mesma porta, em que a falha levará às suas mortes.

Assim que entraram na porta se viram logo antes do corredor, não se lembrando de nada do que havia acontecido desde a entrada no corredor da solidão...

Wooly estava novamente sozinho e de volta ao corredor em caracol. Foi até a fonte no patamar e desenhou uma seta no chão para indicar aos companheiros o caminho em que seguira. No fim da escada, uma grande cabeça de palhaço encontrava-se esculpida na parede. Um fio de metal saía de dentro da boca do palhaço e, após um tempo, o curioso ladino resolveu puxar o fio. A cabeça moveu-se para frente, rindo da cara assustada do pirata. 

Em seguida, ouviu o barulho de uma grande criatura aproximando-se: uma quimera, uma bizarra criatura de três cabeças. Procurou um local pra se esconder, enquanto era perseguido pelo predador. De um lado ouvia barulho de corrida de diversos soldados, abaixo de uma escada via uma nuvem verde nada convidativa e entrou em uma porta, fechando-a rapidamente. Viu diversos trogloditas dormindo e bolou uma estratégia. Abriu a porta e escondeu-se atrás de uns barris. Quando a criatura passou por ele, correu até a porta e fechou-a.  Que a criatura se alimentasse e o deixasse em paz...

Ainda assustado, entrou na próxima porta que encontrou e saiu em um corredor bastante escuro. Um corredor que o levaria a um labirinto que ele se arrependeria profundamente de explorar...

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