A Fonte Secreta - 17º Ato

Pela manhã, uma surpresa: o crânio retorcido de uma bruxa encontrava-se preso em uma árvore localizada praticamente no meio do acampamento. Ninguém se lembrava dela do dia anterior... Certamente havia sido pregada ali durante a noite, o que demonstrava que algum dos responsáveis pela guarda (Dragnar, Brÿjoff, Dante ou Togus) havia cochilado no seu turno, uma falha deveras perigosa, que gerou uma acalorada discussão.

Como ninguém se acusou, nada adiantava prosseguir discutindo, sendo melhor investigarem logo o crânio. Wooly procurava por armadilhas, enquanto Dragnar procurava por vestígios de maldade e de magia. Beren não encontrou qualquer rastro que pudesse ser discernido dos do próprio grupo. Pelo odor, foi fácil para o meio-elfo perceber que o crânio arroxeado da bruxa havia estado imerso em alguma substância para impedir a putrefação. Não havia vestígio de sangue e a língua havia sido deliberadamente cortada.

Wooly retirou o prego e a cabeça foi ao chão. Querendo evitar um contato com o item profano, Dragnar pegou um galho no chão e bateu no crânio, revelando uma grande quantidade de vermes. Não havia sinal de magia, mas não parecia normal aquela infestação em uma única noite.

Enquanto o grupo ainda estudava o crânio e as eventuais implicações que tal ameaça do necromante poderia indicar, Wooly resolveu dar uma olhada mais cuidadosa no acampamento. Viu que uma das mochilas parecia estranhamente molhada. Abriu-a e jogou todo o seu conteúdo ao chão. Uma série de partes de criaturas foi revelada, como garras, dentes, couro, patas e até mesmo tentáculos de uma pantera deslocadora. No meio disso tudo, uma gosmenta língua encharcada de sangue...

O barulho chamou a atenção do grupo e Beren viu seus pertences espalhados pelo chão. Enquanto dirigia-se ao marinheiro perguntando o que ele pensava estar fazendo, viu a língua da bruxa. O necromante não só pregara a cabeça no meio do acampamento, como fora capaz de colocar aquilo na sua mochila sem que ninguém houvesse notado! Só havia uma explicação: um deles devia ser o culpado... Uma magia de controle da mente, devia ter sido isso... Mas por que ele optara por uma simples ameaça? Se ele vinha seguindo o grupo, sabia que eles haviam abandonado a investigação. Será que não via que isso apenas aumentaria o desejo por continuarem procurando-o?

Nova discussão surgiu entre o grupo, acabando por chegarem à conclusão de que, para ao menos dificultar uma ação similar no futuro, passariam a fazer turnos com dois integrantes. E, mais importante do que isso, durante as conversas Beren, para imenso desgosto de Brÿjoff, revelou que eles vinham de outro plano de existência. Não mencionou exatamente o motivo de estarem ali e nem como haviam sido capazes de fazer tal viagem, mas afirmou que suas ações os levaram a ter Erythnul como um ferrenho inimigo, o que explicava o porquê de fazerem tanto sigilo de suas ações.

Dragnar pareceu especialmente atraído por aquelas informações e fez muitas perguntas. Parecia que suas preces enfim estavam sendo atendidas... Procurando obter o máximo possível de respostas, revelou que, em sua montanha natal, um estranho fenômeno ocorreu: todo o cemitério de seus antepassados desapareceu e os estudiosos, incluindo ele próprio, concluiram que ele foi levado a outro plano. Os anões dão grande valor a seus antepassados e há anos ele vem procurando uma forma de cruzar os planos e trazer o cemitério de volta. Logo, encontrar com viajantes planares foi um grande achado e Dragnar se ofereceu para ajudar o grupo em sua missão, seja ela qual for, em troca de um posterior auxílio em sua própria busca. Beren imediatamente concordou, eis que imaginava precisar do conhecimento de um sacerdote local para cumprirem com seu objetivo em Oerth, e o grupo não questionou tal decisão, embora Brÿjoff tenha resmungado e feito uma negativa com a cabeça... Como primeira ajuda ao grupo, o velho anão revelou que a enigmática descrição da cidade que Gwydiesin havia dado a eles não era tão enigmática assim: aquela era Greyhawk, sem a menor sombra de dúvidas, tendo o arquimago louco que dominava a cidade sido elevado à categoria de divindade recentemente...

Retornando às decisões mais imediatas, o grupo resolveu prosseguir na viagem. O necromante mostrava-se difícil de ser rastreado e Wooly e Dante foram bastante incisivos quanto à perda de tempo que seria se desviarem novamente para persegui-lo. O necromante estava brincando com eles e o melhor seria se afastarem logo dali. Beren aceitou , mas já imaginava em sua mente uma maneira de retornar e resolver aquela questão pendente posteriormente...

Prosseguiram por muitos dias sem qualquer outro incidente. As árvores começaram a diminuir de tamanho e quantidade e a vegetação já começava a demonstrar que estavam em uma mata de transição.

Poucos dias após, alcançaram uma estrada. Dragnar lembrava-se da existência de uma pequena vila a noroeste e o grupo resolveu ir para lá, até porque também era a direção da longínqua Greyhawk. Porém, mal colocaram o pé na estrada, viram um acampamento orc. Estavam todos muito bem armadurados e ostentavam uma flâmula. Preferiram contornar o acampamento sem serem notados, mas Beren deixou Vigilante para observá-los por um tempo. Logo a coruja viu uma tropa de soldados humanos vindo naquela direção. Pegos desprevenidos, os orcs foram presas fáceis. Beren, invisível, ouviu a conversa dos soldados, descobrindo que os orcs pertenciam à tropa do Imperador, enquanto os soldados eram de Forinn, pequena vila do Reino de Ahlissa.

Novamente reunidos, o grupo seguiu para Forinn, onde renovaram suas provisões e compraram dois cavalos: Mordedor e Mastigador. Com isso, esperavam avançar um pouco mais rápido em sua longa jornada à gema de Flanaess...

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