A Fonte Secreta - 15º Ato

Após a queda do último orc, Wooly parou atrás de uma grande árvore e utilizou-se de uma varinha de cura para fechar suas feridas mais profundas. Ainda não conhecia tão bem aqueles forasteiros e preferia não revelar suas habilidades e, especialmente, seus itens mágicos. Embora o tivessem ajudado, havia algo de estranho neles, em especial a história de virem de fora de Flanaess, e era melhor permanecer precavido.

Os demais não pareciam prestar a menor atenção no pirata. Dante e Brÿjoff preocupavam-se com seus próprios ferimentos, enquanto Phrowenia e Beren procuravam ajudar os arqueiros caídos. A ruiva fez algumas orações, estabilizando-os. Já Togus vasculhava os cadávares dos monstruosos  humanóides à procura de ouro.

Estava claro ao meio-elfo que os arqueiros não sobreviveriam muito tempo se não recebessem algum tratamento. Por mais que o sangramento tivesse sido contido por Phrowenia, o estado deles era grave e exigia cuidados. Beren propôs improvisarem macas e levarem-nos até algum vilarejo próximo (pelas conversas que ouvira durante a viagem, sabia que não estavam muito longe). Um dos arqueiros caídos era justamente o líder e houve algum debate até os arqueiros remanescentes, enfim, concordarem com a proposta.

Andaram por algumas horas, chegando a uma pequena vila, localizada ao lado de uma grande queda d'água. As construções eram todas bem pequenas, adequadas ao tamanho de seus construtores gnomos, mas o que mais impressionava o grupo era a complexidade dos mecanismos que os gnomos utilizavam no campo de mineração. A barrenta água do rio movimentava uma série de roldanas e o maquinário parecia seguir para dentro da terra por muitos metros, fazendo um barulho hipnotizante.

Conforme adentravam a vila, guardas gnomos corriam armados em sua direção. Seu líder estava revoltado com a decisão dos arqueiros de levarem aqueles estranhos até Gaborren, já que eles haviam sido contratados justamente para evitar que desconhecidos fossem até a vila. Contudo, não havia muito que fazer agora. Mandou que levassem os feridos até uma construção a nordeste e ordenou que Dragnar fizesse o que pudesse por eles.

Ao ouvir seu nome, o grisalho anão seguiu o grupo, assim como diversos soldados. Os gnomos cercavam o grupo com lanças à mão e pareciam nervosos, o que deixou Wooly bastante intrigado. Devia haver algo de muito valor naquele local para eles estarem preocupados a esse ponto...

O experiente anão revelou-se um sacerdote, conjurando diversos feitiços de cura para ajudar na recuperação dos arqueiros humanos. Curioso, foi a primeiro a trocar algumas palavras mais amistosas com o grupo, na tentativa de descobrir o que faziam em Grandwood e para onde se dirigiam. Havia um motivo por trás dessa curiosidade, mas nada pôde dizer naquele momento. O líder dos guardas ordenou que o grupo fosse escoltado até alojamentos preparados para eles, onde ficariam acomodados até o jantar.

Apesar de pequenas para o seu tamanho, as acomodações eram bastante agradáveis e os gnomos traziam tudo que pediam. Não tinham liberdade para sair, mas ao menos puderam descansar até o anoitecer em um ambiente bastante relaxante. Tentaram conseguir algumas informações, mas os gnomos não eram muito proficientes em comum, além de não estarem muito dispostos a falar acerca da vila. E Beren, Brÿjoff e Dante preferiram não revelar que eram capazes de entender e falar a língua dos gnomos, acreditando que isso poderia trazer mais problemas do que benefícios, considerando toda a preocupação deles com o que quer que faziam por ali.

O jantar revelou-se um grande banquete. Havia grande variedade de raízes e legumes, mas a carne era pouca, o que poderia levar a questionamentos acerca de onde estaria o tal "banquete", mas, no final, todos comeram e beberam até não poderem mais. Além dos gnomos, havia diversos anões residindo na vila e eles conversavam alegremente em uma das mesas, não dando muita atenção ao grupo recém-chegado.

A exceção era Dragnar. Sentado próximo ao líder da guarda, ele conversava bastante com o grupo. Beren mencionou que eles eram de Iron Gate, tinham vindo tratar de alguns negócios nas Charnecas e agora estavam retornando para suas terras, sendo corrigido por Wooly, que mencionou que, em verdade, eles pretendiam seguir para Greyhawk. Na rápida troca de olhares entre os dois, o sacerdote de Moradin percebeu que seu interlocutor mentia, mas seu deus já havia lhe revelado que aqueles não eram indivíduos maus e talvez eles só estivessem querendo esconder alguma coisa, o que, afinal, era perfeitamente natural.

Para alívio do líder gnomo, Beren também disse que pretendia partir assim que o sol raiasse na manhã seguinte e Dragnar convidou-se para seguir com eles. O velho anão disse ser das Montanhas de Glorioles, localizada muitos quilômetros a sudoeste dali, e que foi chamado a Gaborren para tentar conseguir informações acerca dos constantes ataques de demônios naquela região. Agora, ele pretendia retornar a seu clã e o grupo parecia ser uma boa companhia para se ter na perigosa viagem. O mago prontamente aceitou a proposta, embora Brÿjoff não tenha ficado muito satisfeito com isso. A cada parada, mais um "estrangeiro" se juntava ao grupo e isso acabaria não terminando bem... 

Partiram logo cedo e viajaram por longos dias. O lento andar dos anões, reforçado devido ao grande peso de suas armaduras e pela densidade da floresta, tornava difícil o avanço e o jovem mago já conjecturava obter uma magia que lhe permitisse reverter esse problema. Mas isso ainda levaria algum tempo e, por agora, só lhes restava forçar um pouco a marcha.

Na segunda semana de viagem, foram pegos por uma forte tempestade. Beren logo tratou de encontrar uma pequena caverna aonde se abrigarem. Wooly juntou alguns gravetos para fazer uma fogueira, enquanto Togus, Brÿjoff e Dante fizeram algumas barreiras para impedir que a água da chuva corresse para dentro da caverna. Já Dragnar e Beren saíram para pegar lenha (estariam molhadas, mas o meio-elfo seria capaz de resolver isso com algum de seus truques arcanos).

Pouco após saírem, viram um felino aproximando-se. Era difícil identificá-lo com aquele tempo, mas Beren percebeu tratar-se de uma pantera. Ela era muitíssimo magra, parecendo estar com muita fome, o que certamente poderia tornar-se um problema. Os dois mantinham-se atentos, mas evitavam movimentos bruscos para não atiçarem a fera.

Repentinamente, o ar foi ficando denso e uma névoa começou a brotar do chão. Ao longe, viram uma figura humana. Ela estava parada, olhando para eles. Começou a falar em uma estranha língua e Beren percebeu que se tratava de uma magia arcana de encantamento. Preocupou-se em ser ele próprio o alvo da magia, mas logo viu que estava enganado. A pantera pareceu resistir por um breve momento, mas logo começou a distanciar-se deles, andando na direção da estranha figura, que também virou as costas e partiu. O meio-elfo agradeceu em élfico, mas não obteve qualquer resposta.

A densa névoa dificultava avistarem a lenha de que precisavam, mas os dois mantinham-se procurando, tendo parcial sucesso nessa empreitada. Porém, algo mais os atrapalhava: havia uma aura estranha naquele lugar. Dragnar pegou seu símbolo divino e pôde sentir um mal latente. Não tinha uma força assustadora, mas também não era algo a desconsiderar. Uma criatura maligna passara por ali a pouco tempo e ainda deveria estar nos arredores. Avisado disso, Beren procurou pela existência de magias, vendo diversas marcas arcanas nas árvores próximas, as quais continham mensagens de alerta quanto ao perigo e à necessidade de se afastarem daquele local.

Receosos, retornaram à caverna para avisarem os demais, ainda sem saberem o que exatamente haviam encontrado...

Comentários

  1. Novo trailer, pra não perder o costume:

    http://www.youtube.com/watch?v=c0i88t0Kacs

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