A Fonte Secreta - 14º Ato

Após debaterem por mais um tempo, o grupo acabou decidindo por ficar em Strinken. Beren mostrava-se irredutível e não parecia que uma divisão seria uma boa estratégia. Aquela era uma região perigosa e o melhor seria todos continuarem juntos.

Como haviam dois dias a esperar, Dante resolveu adentrar a cidade para visitar os templos. Segundo Wooly, dificilmente ele encontraria um templo que não fosse de Hextor, o deus da carnificina, mas o sacerdote preferiu fazê-lo mesmo assim. Era a primeira oportunidade que ele tinha de visitar um templo naquele plano e ele estava curioso. Os demais resolveram segui-lo.

Seguiram por um portão lateral, pequeno, sendo barrados por dois guardas. Foram questionados sobre de onde vinham e o que pretendiam e Wooly logo tomou a dianteira nas respostas, de modo a evitar que aqueles estranhos forasteiros se metessem em alguma enrascada.

Era terminantemente proibido portar armas nas cidade e Dante, cuja alabarda tornava impossível cumprir tal determinação, precisou gastar um tempo para encontrar alguém que lhe vendesse um saco para cobrir a lâmina. Acabou pagando os olhos da cara por um simples e imundo saco de batatas, mas foi o suficiente para que todos pudessem prosseguir. Também conseguiu informações sobre a Estalagem do Anão Fedorento. O nome não parecia indicar um local dos mais confortáveis, mas ao menos teria uma cama em que descansarem após os longos dias de estrada.

O interior da cidade parecia ser uma extensão dos muros, com o onipresente granito preto em quase todas as construções, a maioria delas compostas de quartéis. Puderam avistar diversas armas de sítio e viram que as ruas eram vigiadas por grande quantidade de soldados. Poucos aldeões andavam por ali e todos os olhavam com desconfiança.

Seguiram pela estrada principal até a estalagem do rabugento anão. Cobrando uma fortuna pela estadia, o grupo preferiu procurar por outro lugar, mas Wooly resolveu negociar e acabou conseguindo dois quartos por um preço mais aceitável, incluindo um jantar. Com um movimento de prestidigitação, ludibriou o estalajadeiro e pagou ainda menos do que o combinado, mas o anão não pareceu notar.

Brÿjoff, que fora obrigado a forçar a marcha durante toda a viagem devido ao seu pequeno tamanho, preferiu ficar no quarto para descansar as pernas. O mesmo fez Wooly, embora por um motivo bem diferente: ele queria evitar o máximo de contato com os moradores daquela cidade.

Os demais aproveitaram para conhecer um pouco mais do local. Dante e Beren pararam em um boticário, aonde pretendiam conseguir eventuais frascos vazios que ele pudesse lhes vender. Acabaram tendo que comprar alguns elixires, mas nada muito caro.

Lembrando-se que pegara uma poção mágica da duergar na montanha, Beren resolveu retornar à estalagem para estudá-la, chamando Phrowenia para seguir com ele. Na verdade, esse era só um estratagema para passar algum tempo sozinho com a bela ruiva e, assim, apenas Dante e Togus prosseguiram.

O sacerdote chegou até o que parecia ser um grande templo. Tinha um aspecto bastante militar, mas nada muito diferente dos templos de Natirel, também ele um deus da guerra. Enquanto se aproximava, ouviu o barulho da pesada porta se abrindo. Homens fortemente armados e trajando pesadas armaduras saíram de dentro do templo e Dante logo percebeu que aquelas não eram pessoas com quem ele gostaria de conversar. Uma pesada aura parecia segui-los e seus olhos revelavam a escuridão de suas almas. Manteve-se escondido atrás de uma pilastra, juntamente com o jovem guerreiro, e só saiu após eles se distanciarem.

Dois dias depois, o grupo retornou até o curtidor para pegar a encomenda e seguir viagem. Em vez de continuarem seguindo para o sul (o que os levaria para Medegia), preferiram seguir para oeste, cruzando Grandwood.

O meio-elfo assumiu a dianteira e entrou na mata por uma recém aberta trilha de caça. Um grupo de cerca de oito pessoas criara aquela passagem apenas dois dias antes e Beren resolveu seguir por ela, acabando por encontrar os caçadores poucos dias depois, carregando peles de diversos animais. Mostrando a simpatia de todos os habitantes daquela região, passaram pelo grupo sem nem ao menos cumprimentá-los. Havia apenas um olhar expressivo de desconfiança e desprezo.

Pouco depois, Beren foi obrigado a abrir caminho pela vegetação, já que a trilha dos caçadores terminara, mas a viagem prosseguiu tranquila e sem incidentes. A caça era abundante, embora não tenha sido capaz de encontrar rastro de qualquer animal de maior porte. Por algum motivo desconhecido, apenas pequenos animais residiam naquela parte da densa floresta.

Após alguns dias, o meio-elfo ouviu um piar estranho. Parecia a vocalização de algum animal, mas havia algo de diferente. Olhou na direção do som, a copa de uma distante árvore, e viu um humanóide vigiando-os. Avisou o grupo de que estavam sendo observados e parou a sua marcha. Acreditava estar lidando com um elfo e preferia evitar um confronto.

Quando preparava-se para falar, viu mais de uma dezena de arqueiros humanos surgirem ao redor do grupo, cercando-os. Seu líder exigia que eles desistissem de seguir naquela direção e ele pareceu mostrar um certo alívio quando o grupo não insistiu. Designou um grupo de arqueiros para guiá-los e despediu-se sem maiores explicações.

Após algum tempo, os arqueiros começaram a conversar entre si em uma língua derivada do gnômico. Eles não sabiam, mas o anel de Beren, Dante e Brÿjoff permitia-lhes entender tudo que falavam: apenas reclamações quanto a quantidade de incidentes recentes nas imediações das minas dos gnomos, tornando necessário o aumento de soldo e de pessoal.

No final daquela tarde, o guia do grupo parou de repente. Havia um cadáver encostado em uma árvore e ele foi investigar. Quando aproximou-se, uma flecha cruzou-lhe o coração e logo os personagens viram quinze orcs montados em wargs descendo a toda velocidade na direção do grupo.

Uma difícil luta teve início. Os orcs mostravam certa astúcia e dividiram-se após uma Bola de Fogo ter causado grande estrago entre eles. Com isso, reduziam o efeito da magia e circundavam o grupo, para atacá-los de todas as direções e aproveitarem-se de eventuais brechas abertas na linha inimiga.


Togus e Phrowenia ficaram atacando à distância, assim como Beren, atento a qualquer oportunidade de lançar uma nova Bola de Fogo e preocupado com a aproximação de qualquer inimigo aos membros menos experientes do grupo.

Já Brÿjoff, Dante e Wooly avançaram para enfrentar os inimigos, deixando uma trilha de corpos ao seu redor. Ficaram bastante feridos, mas nada muito sério. O mesmo não pôde ser dito sobre os arqueiros, cuja metade sucumbira perante os orcs...

Seria aquela apenas uma investida isolada ou o início de algo maior?

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