A Fonte Secreta - 10º Ato

Apesar do mau cheiro do local, a noite foi tranquila. O descanso, contudo, não fora suficiente para curar suas feridas, especialmente a perda de sangue das picadas dos stirges, e Unmada e Dante conjuraram diversos feitiços de restauração em todo o grupo.

Refeitos, prosseguiram com a exploração. A primeira tarefa era pegar a espada mágica. De forma a evitar qualquer forma de contato com o fungo venenoso, decidiram queimá-lo. Com o auxílio de tocha e óleo, o fogo rapidamente alastrou-se. Todavia, a fumaça tóxica afastou todos dali. Preferiram ir até o cemitério anão e voltar depois, quando a fumaça já tivesse se dispersado.

Enquanto o grupo debatia se deveria ou não saquear as três tumbas que haviam permanecido ilesas, Beren percebeu a existência de uma porta bloqueada por um grande desabamento. Era possível ouvir o barulho de um curso d'água e o que lhe pareceram passos. Pediu a Vigilante para passar por uma pequena abertura e a coruja viu alguns humanóides armados. A baixa luminosidade não permitia uma melhor identificação, entretanto, e obstáculos impediam saber quantos exatamente haviam.

Logo que foi avisado por Beren, Dante colocou-se em frente a uma escadaria localizada um pouco mais à frente e ficou em alerta, de forma a impedir que um eventual ataque de inimigos os pegassem desprevenidos. A escadaria parecia levar exatamente para o local descrito por Vigilante e seria impossível aos humanóides chegarem à caverna sem passarem por ali.

Enquanto isso, os demais andavam pela imensa caverna, procurando por outras passagens. Ainda temeroso com o dragão, Beren caminhava com a Piscadinha em mãos, alerta, com Togus à sua frente. Eles ouviram o que parecia uma grande serpente, mas eram incapazes de vê-la. Perceberam a existência de uma caverna uns seis metros acima deles e Brÿjoff resolveu escalar até lá. No meio da subida, uma grande serpente, com quatro grandes tentáculos saindo de sua cabeça, o atacou. Dois tentáculos enterraram-se em sua armadura, cravando-lhe a pele com firmeza. Enquanto Togus pegava seu arco, Beren lançou uma orbe elétrica e a criatura tombou, derrubando o anão. Apesar da terrível aparência, a criatura não se mostrara muito resistente.

Brÿjoff novamente subiu, encontrando a toca para onde a serpente levava as suas presas. Não havia nada de muito valor ali, apenas algumas poucas moedas, e o grupo continuou seguindo pela caverna, mas não sem antes fazer um breve retorno para pegar a espada mágica que haviam deixado para trás.

Seguiram por um longo tempo até encontrarem uma pesada porta de metal. Com o auxílio de sua chave-mestra, Beren conseguiu abri-la e o grupo desceu por uma grande escada, com centenas de degraus e diversas esculturas anãs nas paredes. Brÿjoff  demonstrava um certo orgulho com a admiração de seus companheiros. Além disso, tendo em vista o perfeito estado em que ainda se encontrava aquele local e o martelar incessante que escutavam, começou a cogitar o encontro com sobreviventes de sua raça. O local parecia intocado e bastante seguro. Certamente poderia ter servido como um último refúgio...

Profeticamente, Unmada alertou que, se realmente eles estivessem entocados tão profundamente na montanha por tanto tempo, a escuridão poderia tê-los tomado. Brÿjoff fez uma careta, mencionando com raiva o nome "duergar". Ao ser questionado por seus companheiros, ele mencionou que realmente existiam anões que viveram tanto tempo no subterrâneo que se tornaram malignos e escuros, seres cruéis e degenerados odiados pelos demais anões.

Pouco tempo após essa conversa, acionaram um alarme mágico e uma voz extremamente grave e em alto volume avisava quanto à existência de intrusos. Independentemente de quem encontrariam, estariam esperando por eles...

Logo que chegaram ao fim da escada, foram atacados por criaturas invisíveis. Desesperadamente moviam suas armas, na esperança de acertar algo. Beren foi criticamente atingido por um virote quando sacava a Piscadinha, mas, com ela na mãos, pôde ver os duergar e avisar aonde eles estavam para seus companheiros. No fim, apesar de alguns percalços, os personagens saíram vencedores.

O local em que se encontravam era a sala do trono. Diversas colunas estendiam-se até um belo trono de pedra. Esculturas de guerreiros anões protegiam as diversas portas e Brÿjoff logo foi na direção do martelar. Ao tentar abrir a porta, ouviu um clique e foi pesadamente acertado por uma das estátuas. Contudo, para o alívio de todos, aquela era apenas uma armadilha e a estátua não se revelou um golem...

Dante, cada vez mais cansado e desiludido pela decisão do grupo em continuar a exploração da montanha quando tinham coisas mais importantes a fazer na superfície (além de estar irritado por não ter sido capaz de acertar um único golpe nos duergar), perdeu a paciência e começou a avançar sem nenhuma cerimônia. Nas primeiras salas, nada de interessante encontrou (fora o combate com uma mesa animada magicamente, que foi rapidamente destruída), mas, na porta atrás do trono, viu um duergar fortemente armadurado e partiu logo para o combate. Seus golpes continuavam falhando e a sua raiva aumentava cada vez mais quando via seu oponente sendo alvejado com sucesso por seus companheiros. Acabou acertando o golpe final e permitiu-se um pouco de autocontrole...

A seguir, chegaram ao quarto do rei. Como todo esse andar, estava em boas condições. Embora luxuosamente decorado, não havia nada de grande interesse para os personagens. Brÿjoff acabou encontrando uma porta secreta que levava a um corredor sem saída. Desconfiado, Beren vasculhou com bastante atenção o fundo do túnel, encontrando outra porta secreta, que dava para um longo e escuro túnel. Acreditando que aquela seria uma espécie de saída de emergência, voltaram para explorar as outras portas da sala do trono.

Em uma delas, viram um poço rodeado pelo fantasma de um anão. Ele repetia incessantemente um mantra triste e desesperador. Os personagens ficaram sem reação vendo a cena quando, repentinamente, Phrowenia assumiu a dianteira e, com seu símbolo sagrado em mãos, entoou um cântico a Myhriss, a deusa do amor e da beleza. Uma poderosa força emanou da sacerdotisa e o fantasma desapareceu por uma das paredes. Emocionada ao ser tocada pela deusa pela primeira vez, Phrowenia caiu no choro, no que foi consolada por Beren, surpreso pela inesperada demonstração de poder da jovem. Togus começou a rir de deboche e o meio-elfo começava a perceber os motivos que levaram sua amada a fugir das Charnecas Solitárias.

Curioso quanto à profundidade do poço, Dante conjurou luz em uma pedra e deixou-a cair. Quando ela chegou ao fundo, um som oco foi ouvido, logo seguido por um rugir que fez tremer suas entranhas: o dragão acordara...

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