A Fonte Secreta - 6º e 7º Atos

O grupo decidiu seguir pelo sinuoso túnel, parcamente iluminado pelas tochas dos personagens, terminando por alcançar uma imensa câmara, recheada de estalactites e estalagmites e um gigantesco lago. Ele parecia se estender indefinamente pela escuridão e era possível perceber que as formações rochosas haviam sido quebradas.

Enquanto aproximavam-se do lago, que ficava uns 2 metros abaixo do caminho em que se encontravam, viram um vulto deslocando-se na água. Talvez fosse apenas um imenso peixe, mas não houve tempo para fazer uma identificação segura. Unmada viu um lagarto em uma das estalactites e conversou com o animal, que mencionou que o lago era a morada de uma "criatura comedora de gente".

O grupo decidiu que era melhor evitar um confronto com a tal criatura e preferiu não descer pelo caminho que levava até o lago, prosseguindo por um pequeno túnel, no qual havia um trilho carcomido pelo tempo. Alguns metros à frente viram diversos carros de mineração, assim como picaretas, martelos e demais utensílios, como se tivessem sido abandonados às pressas. Em um dos carros, tombado, havia claras marcas de garras e o esqueleto de um anão. 

Naquele ponto o túnel dividia-se e o grupo preferiu seguir à direita, na direção do carro tombado. Seguiram por bastante tempo até encontrarem uma grande caverna. Em sua parede estava esculpida a imagem de um imenso anão, batendo seu poderoso martelo em uma bigorna. Fácil era perceber que se tratava da representação de um deus, tamanha a grandiosidade da escultura. O trilho atravessava a parede, como se indo para dentro da forja.

Cautelosamente, Unmada avançou pelo estreito túnel, mas nada viu além de estalactites. Subitamente deu um passo em falso e por muito pouco não caiu. Os trilhos levavam diretamente para um grande buraco. Incapaz de ver qualquer coisa abaixo, lançou sua tocha e foi com surpresa que viu uma pilha gigantesca de moedas, jóias, armaduras, espadas e toda a sorte de objetos preciosos numa imensa caverna. Encontrara o tesouro do dragão!

Um vento súbito trouxe um forte e úmido odor de cloro. Temeroso, Unmada decidiu transformar-se em uma aranha monstruosa e descer por uma das estactites para verificar. Não precisou descer muito para ouvir uma bufada e ver um dragão movendo sua cabeça, como se à procura de quem pertubara seu sono. Rapidamente subiu para contar a novidade a seus companheiros: havia um dragão ainda maior do que Olhos Esmeralda guardando o tesouro...

Aos sussurros o grupo tentava decidir qual curso seguir. Fascinado pelo ouro, o xamã tentava convencê-los a atacarem a criatura, afinal já haviam tido sucesso uma vez e ela não teria como voar dentro da câmara, o que seria uma vantagem no combate. Brÿjoff de pronto concordou, desejoso de vingança pela morte de seus irmãos de raça. Beren não queria assumir um risco tão grande apenas pelo ouro e Dante foi categoricamente contra, já que o grupo tinha coisas mais importantes a tratar. Acabaram decidindo por retornar e seguir pelo outro túnel o quanto antes.

Sinuosamente prosseguiram, com o túnel estreitando-se cada vez mais. Salvo Brÿjoff, todos tinham que se curvar para não bater com suas cabeças no teto, até que viram uma câmara repleta de diversos túneis, alguns ainda menores do que aquele em que se encontravam.

Unmada, que seguia à frente, tropeçou em algo, provocando um certo barulho. Logo ouviram dezenas de passos em disparada e viram pelo menos uma dúzia de humanóides reptilianos saindo dos túneis, portando picaretas e lanças. Pela quantidade de gritos, era possível prever que dezenas de outros se aproximavam, o que os impediu de perceber que outra criatura vinha pela retaguarda...

***

Quando chegou ao acampamento, Togus teve uma ingrata surpresa: sua irmã, uma doce e bela seguidora de Sotillion, a deusa do verão, havia fugido com um andarilho qualquer que aparecera por lá dias antes. Ainda que mais velha do que ele, ela lhe devia respeito como o homem da família e lhe devia severas explicações. E seu sedutor deveria sofrer as consequências do seu crime...

Sua mãe já estava muito idosa e Togus não conseguiu nenhuma informação útil da parte dela. Sua melhor esperança era Marceen, mas ele havia deixado o acampamento no dia anterior para decidir alguma desavença em um acampamento vizinho. Segundo seus conterrâneos, Phrowenia havia se encantado pelas histórias do enigmático visitante e passara toda a noite conversando com ele. No dia seguinte, ela simplesmente partira, sem maiores explicações.

Ele não podia deixar isso assim! Procurou por um de seus amigos, um exímio rastreador, e partiu no encalço de sua irmã. Andou por muitos e muitos dias, até que os rastros levaram a uma caverna. Era de conhecimento de todos naquela região que ali era a morada de um poderoso dragão. Seu companheiro recusou-se a adentrar a caverna, partindo de volta às Charnecas Solitárias, mas Togus bravamente prosseguiu. Além do desejo de encontrar sua irmã, aquela viagem fizera crescer nele uma ânsia por aventurar-se, descobrir novos lugares e desafios. Apesar de ter apenas 15 anos, era um exímio guerreiro e se via perfeitamente capaz de defender-se do que quer que encontrasse. Embora preferisse não ter que lidar com um dragão...

Após um tempo, viu luzes à distância e cautelosamente seguiu naquela direção. Ao aproximar-se o suficiente, viu um curioso grupo parado em uma curva do túnel, aparentemente discutindo algo. Dentre eles estava Phrowenia, de braços dados com um homem. Decidido, foi de encontro a eles e, no momento em que os alcançou, ouviu alguém tropeçar em uma curva à frente e uma verdadeira algazarra se seguiu. Dezenas de criaturas gritavam e corriam. Togus, instintivamente, sacou sua espada...

***

Beren e Dante ouviram uma espada sendo sacada e rapidamente se viraram, esperando um ataque pela retaguarda. Quando preparavam-se para acertar a criatura sorrateira, ouviram a voz de Phrowenia: "Irmão?"

Após uma rapidíssima conversa, em que ficou claro que Phrowenia escondera a existência de Togus, Beren sugeriu que aquele não era o momento propício para um diálogo e virou-se na direção do xamã, que conjurava uma de suas magias para moldar a madeira que sustentava o túnel e fechar parcialmente a entrada, retardando os trogloditas e permitindo que o mago lidasse rapidamente com eles.

Beren descobriu qual era o plano de Unmada e, apesar de uma das criaturas já estar subindo pelo bloqueio, não foi difícil para o mago fazer com que a Bola de Fogo a ultrapassasse e explodisse dentro da câmara, atingindo todas as criaturas lá dentro, assim como os suportes de madeira que, já bastante envelhecidos, não suportaram a explosão, ruindo... O barulho do desabamento assustou a todos e o grupo bateu em retirada! Por sorte, a maioria saiu ilesa. Somente Unmada sofreu algumas escoriações, provenientes das pedras que caíram.

Ainda era possível prosseguir, embora com alguma dificuldade, e o grupo preferiu retornar ao lago. Com receio de que o dragão estivesse de tocaia, Beren mandou Vigilante, seu familiar coruja, observar a área. Ele viu que uma grande criatura os esperava, todavia não se tratava de um dragão, mas sim da criatura aquática de que haviam tomado ciência anteriormente.

Unmada novamente foi à frente para ver que criatura era essa e viu uma bela mulher chorando. Comovido, aproximou-se para ajudá-la. Os demais foram logo atrás e viram que o xamã se avizinhava de uma grande cobra com um rosto parcialmente humano. Antes que pudessem impedir sua aproximação, a criatura acertou o dejy com uma poderosa mordida.

Unmada transformou-se em um leão atroz, enquanto Dante aumentava seu tamanho e Brÿjoff tentava um ataque. Beren conjurou velocidade e posicionou-se diagonalmente, de forma a que seus companheiros não atrapalhassem sua visão da criatura, com Phrowenia mantendo-se próxima a ele. Togus via as habilidades do grupo com surpresa. Jamais havia visto tantas habilidades mágicas sendo utilizadas tão próximas de si. Como não havia espaço para aproximar-se da criatura, pegou a sua adaga e atacou à distância, mas sua arma passou longe da naga, afundando no lago.

O combate acabou sendo mais rápido do que imaginaram. Após a primeira leva de ataques, a criatura desfaleceu. A facilidade foi tanta que o meio-elfo pegou seu arco e acertou umas flechas no corpo da serpente, que flutuava no lago, só para ter certeza...

Com a ameaça eliminada, o grupo seguiu pela beira do lago, alcançando uma ponte e mais um longo corredor, que os levou a uma pesada porta de pedra. Não parecia haver qualquer forma de abri-la e era impossível empurrá-la. Beren acabou encontrando uma abertura para uma chave em uma parede lateral e, utilizando-se de sua chave mágica, conseguiu abrir a porta, revelando uma grande sala, recortada por um precipício. Para atravessá-lo, apenas uma velha ponte de cordas. O meio-elfo decidiu arriscar uma passagem, encontrando outra porta. Todavia, o grupo já estava cansado de suas andanças e preferiu montar um acampamento e descansar.

Que novos desafios os aguardam?    

Comentários

  1. Estou de volta!

    Se quiserem marcar jogo pra essa semana, é só me ligarem, sendo certo que não poderei no domingo (dia 05/05)...

    abs

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  2. Ontem não nos lembramos que domingo que vem será dia das mães, então só poderei no sábado...

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