A Fonte Secreta - 4º Ato

       Os personagens foram tentados pela bela canção a se aproximarem da charrete e viram um homem belo e atraente, do alto dos seus 60 anos de idade, com um cabelo verdadeiramente prateado, liso e amarrado em rabo de cavalo, trajando uma túnica marrom simples. Não usava anéis ou adornos, mas era atraente, e mostrou-se eloqüente também, ao se apresentar:

        - Então os senhores são os nobres visitantes de Tellene? Vim aqui somente para encontrar vocês. Sou Gwydiesin, como já devem ter percebido, e acho que temos muitas coisas para conversar.

        O misterioso e carismático homem puxa um lençol que cobria a charrete, revelando que ela estava vazia o tempo todo, após o que ele gesticula em um gesto para convidar o grupo a acompanhá-lo na sua jornada – qualquer que fosse ela.

        Os personagens recolhem do acampamento os seus pertences e sobem na carroça.

        - Vocês aceitam um pouco de erva-de-fumo? Esta é de muito boa qualidade, recebi de presente de um dos Barões dos Mares, numa época em que eles ainda prestavam vassalagem aos Imperadores de Aerdy. Esta época, agora, já acabou. – Diz ele abrindo sua bolsa de couro para pegar um pouco do fumo.

        - Sintam, sintam que papel sedoso – Diz ele estendendo o braço para traz com as mãos cheias de pequenos pedaços de tecido. – É dos melhores também. Comprei os meus em Melkot, muitos anos trás em uma longa viagem.

        Ele enrola um pouco da erva no papel e prepara uma cigarrilha. Então, ele segura a cigarrilha com as pontas dos dedos indicador e polegar, e os personagens percebem que uma tênue fumaça começa a sair da ponta do cigarro. O homem, então, a assopra e o artefato se ascende num passe de mágica. Ele dá uma risadinha de surpresa, como se fosse um velho ingênuo e deslumbrado.

        - Vocês devem estar bem confusos sobre quem eu sou não é? Mas, olhem, quem eu sou realmente não importa muito. Porque eu sou muitas coisas e não sou nada. Sou a canção dos pássaros e o som do silêncio – pois às vezes o silêncio é muito eloquente . O que vocês precisam saber é que as minhas intenções são quase sempre notoriamente boas e eu estou muito curioso para conhecer a sua história e como estão as coisas em Tellene.

        Os personagens contam a história e o que os levou até ali.  Gwydiesin não está pedindo, ele está sugerindo de forma irresistível. E gostou de conhecer alguns detalhes.

        - Eu já visitei Tellene uma vez. Sim, eu fui lá. É um lugar agradável, mas é ordeiro demais, sincrético demais. Eu havia sido alertado para isso.  Oerth é um lugar menos coerente sob muitos aspectos, pois há muitas forças ainda em desequilíbrio. Há esperança, mas também há desespero. O bem triunfa em terras ao Oeste, mas o mal assola o Leste. O Norte está vazio da vontade de lutar, destruído e desenganado, e o Sul permeado de devassidão e mentiras. É um bom lugar para se viver, todavia, pois muito há que pode ser feito por pessoas interessadas.

        O homem passa uma boa parte do tempo contando estórias, a partir das quais os personagens podem, pouco a pouco, assimilar a cultura de Flannaess – o que certamente será útil, pois sua estadia em Oerth pode se delongar. Entretanto, durante estes longos minutos, ele nada falou sobre Kabori ou algo semelhante – apesar de ter dado a entender que sabia do porque dos personagens estarem ali. Eventualmente, ele acaba sendo interpelado sobre o assunto.

        - Foi mesmo Sua Majestade Imperial, Lorde Kabori que veio para em Oerth?! Humpf, isso não pode ser bom. Não é bom mesmo! Eu nunca o conheci pessoalmente, mas conheci a seu pai, pois já me apresentei em seus salões. Certamente, um verdadeiro Imperador, nas acepções mais diversas da palavra. Mas seu filho eu realmente não conheci, apenas sua fama.

Eu sei que vocês são de Tellene, pois Felana me contou que vocês viriam, um dia. Ela já havia profetizado isso, quando alguns de vocês nem deviam ser nascidos. Mas alguém, como vocês, viria para cá, só não havia certeza das circunstâncias. E agora sabemos. Kabori foi trancafiado aqui, não é? Este pode ser o triste final da sua história de glórias, e da história de Kalamar.

Ouvi certa vez de um viajante, que os dedos do inimigo são mais extensos do que se acredita. Seu corpo e sua alma não consegue deixar Oerth para viagens longas, mas seus dedos sim. Depois da queda de Belvor ele achou que reinaria absoluto sobre o Oeste e que seu império de horror não poderia ser aplacado. Mas ele não contava que forças ocultas interferissem em seus planos, pois o jovem príncipe desaparecido foi coroado com sangue, e com o poder desta coroa ele venceu o Ancião – para somente ao fim entregar-se à morte.

        Depois de dizer estas palavras, o misterioso bardo discursou brevemente sobre o local onde Kabori está. O grupo ficou perplexo, pois suas palavras não foram claras.

       - Por que não nos diz logo onde está o Kabori? - Indagou Unamada, ansioso por uma resposta direta.

      - Porque nem tudo na vida é dado se conhecer em plenitude a quem não tem preparo. O conhecimento é uma coisa perigosa, e deve ser adquirido paulatinamente. Vocês precisam viver algumas coisas antes de saber de toda a verdade. Assim é na vida e neste caso não seria diferente. Portanto, vou lhes dizer apenas o que precisam saber.

     Os personagens não gostaram muito do que ouviram, mas era essa a sua única opção.

     - Vocês devem ficar longe de Rauxes, pois Kabori não está aprisionado no palácio negro de Ivid. Naquele lugar nada mais é vivo. Ivid é um animus, vítima de seus próprios experimentos, como punição imposta pelo clero de Hextor - o senhor da guerra.

Kabori se encontra numa masmorra muito mais profunda e perigosa. Na cidade outrora atormentada pela loucura do arquimago e onde agora governa a corrupção e a ladinagem. Sua alma está sendo distorcia pelo inimigo, pelos dedos do inimigo. A guerra acabou. Mas não para sempre. Essa paz só durará enquanto os exércitos não forem reestruturados, os silos enchidos de grãos e os cofres recheados com o ouro de vassalos. Quando tudo estiver pronto, um novo estado de guerra será instaurado e o Ancião desejará estar pronto para atacar com força máxima. Seus dedos estão preparando algo terrível, que ninguém sabe bem o que é, mas eu sei que ele fará uso do poder divino que Kabori possui em sua alma.

     Ao fim, o Bardo destaca que era somente até ali que daria carona ao grupo, que dali por diante teriam de seguir por suas próprias pernas.

     Os personagens estavam diante de uma bifurcação. Unmada usou seus poderes naturais para se transformar em uma águia e sobrevoou a região, verificando que enquanto um dos caminhos adentrava na zona de amortecimento da floresta de Grandwood, a outra seguia para sudeste, indo em direção a um vilarejo fortemente armado com soldados e equipamentos militares pesados - como se estivessem prontos para uma guerra iminente, ostentando um pavilhão azul e branco. Unmada ainda viu que os soldados não estavam em formação, como se prontos para partir em campanha, mas apenas estacionados ali, cuidando de afazeres hodiernos da caserna.

    Ao retornar para o solo, o xamã alertou o grupo para o perigo de seguir pela estrada sudeste. O grupo preferiu, então, seguir pela estrada sudoeste (na verdade uma picada pela mata - aberta à foice ou facão), adentrando na floresta novamente.

   Após algum tempo, os personagens encontraram com um outro grupo, de pequeninos, que estavam voltando afobadamente pela trilha. Eles disseram que estava desanimados e tristes, e durante a troca de informações com o grupo, disseram que poderiam lhes dar alguma ajuda caso o grupo se livrasse de um "pequeno" inconveniente que estava afugentando suas presas e inviabilizando suas caçadas. É que, de acordo com os halflings, um dragão muito jovem, um filhote, estava atormentando a mata e as criaturas nela viventes. Se o grupo conseguisse matar o dragão ou expulsá-lo da região seu povo ficaria tão feliz que seria capaz de ajudá-los com quase qualquer coisa.

     O grupo aceitou o desafio, já que teriam que seguir pela picada de qualquer forma, e isso poderia ser um "bônus". O problema é que, em certo momento, o grupo encontrou com um dragão BEM maior do que pensavam. Ele sobrevoou a área e atacou Brjoff diretamente, jogando-o de uma grande altitude.

   Sorte que Beren dispunha do poder de queda suave e salvou o anão. Mas será que o grupo se salvará do poderoso Dragão Verde que, bem ali na sua frente, impunha-se poderoso e faminto?!



 

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