A Fonte Secreta - 3º Ato

      Marceen lidera o grupo até um pequeno assentamento, de onde, por sinal escapava a pequena coluna de fumaça que eles haviam avistado. Este assentamento é composto por pequenos casebres claramente erguidos às pressas para abrigar aquelas pessoas – em sua gigantesca maioria mulheres e crianças. Não há plantações, indicando que aquele é mesmo um grupo nômade. Também não há grandes rebanhos, mas apenas animais de médio porte geralmente usados para produção de leite e não para corte. Além disso, percebe-se que há ferramentas mínimas no local, apenas o necessário para promover uma mudança rápida, como carroças e charretes.

        - Não estranhem. Temos pouca estrutura para receber bem as visitas aqui. É uma pena, eu sei. Mas é o que nômades refugiados como nós podem ter. Estas terras foram amaldiçoadas e as Charnecas Solitárias viraram o nosso lar. A maioria de nós nasceu no que costumava se chamar de Medegia. Mas não há muito o que contar sobre essas terras agora, pois Medegia foi varrida da face de Oerth. Por muitos anos Medegia existiu de uma perigosa forma semi-independente do Grande Reino de Aerdy, com a censura do clérigo chefe do Rei. Nós chegamos mesmo a conseguir uma independência mais firme, embora ainda pagando tributo à Rauxes.
Nesta época, estar próximo de Rauxes causava tensões nas relações. E então veio a guerra. O goverante de Medegia tomou uma decisão catastrófica ao recusar enviar seus exércitos em auxílio do Imperador.  Ademais, Osson de Chathold conquistou a maior parte de Medegia durante sua extraordinária passagem pela Aerdy Setentrional, sem que Ivid enviasse um homem sequer para ajudar.
As tropas de Osson nunca retornaram para casa, mas quando deixaram Medegia rumo a novas conquista, Ivid enviou suas próprias tropas para pilhar e saquear nossas terras. Ficamos indefesos, pois nossos soldados estavam mortos ou desarticulados graças às ações de Osson. Tudo foi destruído. Ivid deve ter visto isso como um ato de vingança. E nosso líder? Bom, Cesor Spindasa incrivelmente achou que poderia encontrar abrigo em Rauxes durante a invsaão de Osson. Bem, as tropas de Ivid trouxeram a notícia de que ele está sofrendo a Morte Eterna do palácio negro.

E se vocês acham que este lugar não sofreu o suficiente, imagine que estas tropas de Ivid aqui deixaram demônios, tanar’ri e yugoloths que aterrorizaram o povo, isso sem falar nas centenas de milhares de orcs e legiões de bandidos que foram deixados aqui para que nada mais florescesse. Desde então, Medegia é uma terra de absoluta anarquia. Sua população foi dizimada. Somente os pateticamente pobres, doentes mentais, velhos ou enfermos e aqueles que afundaram em desespero e terror remanescem naquelas terras.

Nós, portanto, somos os poucos que ainda detém sua sanidade. A maioria são mulheres e crianças que fugiram antes que Osson passasse. E não podemos voltar para Medegia, mesmo agora que a guerra acabou, pois muitos demônios e grupos inteiros de orcs ainda rondam az esmo aquela região. Aqui não temos muito. Mas temos a segurança que estas terras inférteis nos dão.

        Marceen oferece ao grupo que passe a noite no acampamento, se desejarem, garantindo que têm boa e suficiente comida para todos.

        Quando a noite chega os aldeões se reúnem em torno de uma fogueira. Faz frio. São cerca de trinta pessoas apenas. Dos quais somente seis são homens de verdade, pois os outros três não passam de meninos, que certamente contam com menos do que 15 primaveras completas. Alguns dos homens, inclusive Marceen, usam casacos de pele. Mas todos os demais precisam se proteger com cobertores, pois faz muito frio. Não é congelante, mas é um frio cortante.

        Uma menina serve vinho quente aos presentes, enquanto outras partem queijo e separam pedaços de presunto defumado, que são humildemente repartidos entre todos. Depois que todos estão servidos, uma mulher retira o cobertor que lhe cobria a cabeça e o deixa recair sobre os ombros, revelando ser ela uma mulher maravilhosa, realmente bela.

        Ela possui o rosto delgado e proporcional, com a pela branca levemente marcada por sardas. Seus cabelos são volumosos e encaracolados, descendo suavemente até pouco abaixo dos ombros, ardendo com a cor vermelha do fogo. As sombrancelhas são finas e delineiam seus olhos verdes e delicados. E mesmo sob o pesado cobertor e as duas camadas de saias, dá para se perceber que ela possui o corpo de uma deusa, com quadris largos e seios fartos, comprimidos pelo corpete.

        Aquela mulher, que atrai a atenção do grupo, ergue a voz, bela, e diz:
        - Obrigada Sotillion, Dama da Colheita. Que seja sempre agraciada com a paz e a alegria, sempre digna de nossas preces e orações, nos jardins da primavera de Ysgard, onde tudo floresce e dá frutos. Abençoe nosso alimento, e permita que ele nunca nos falte. Traga o vento do sul que nos aquece a alma e nos dê a alegria dessa noite, pois para muitos pode ser a última. Que possamos gozar com boas companhias e nos esbaldar com boa conversa, que as histórias e as lendas do passado de felicidade e glórias alimentem nossos sonhos quando formos dormir em sua homenagem. Dá-nos uma boa vida! Assim seja feito!

        Assim que a mulher termina de dizer estas palavras, todos os presentes erguem suas canecas de vinho quente se saúdam e bebem com vontade.

        A partir de então longas conversas tem início. Histórias são contadas, e aldeões manifestam interesse em ouvir as histórias dos personagens. Especialmente as mulheres (muitas das quais com bebês de colo). Alguns homens, contudo, parecem desconfiar dos personagens, e podem até mesmo evidenciar esta hostilidade com comentários pouco cordiais diante de algo que eles possam dizer.

        Phrowenia (o “i” é mudo) é o nome da bela mulher ruiva que entoou a oração a Sotillion. Ela também ouve as histórias dos personagens e desenvolve um interesse “incomum” pelo que Beren tem a dizer. Ela, no entanto, não deixa transparecer interesse demais, se contendo nos sorrisos e desviando o olhar quando Beren a olha fixamente.

        Ela se parece com uma kalamariana nobre. E, no entanto, seus modos são tão simples e inocentes que chegam mesmo a afagar o coração do meio-elfo. E ela cheia bem, com um perfume de flores do campo, que dá a impressão de ser ela própria uma ninfa saída das florestas de Renador, na Brandobia. E tudo sobre ela é muito familiar, gerando uma atração praticamente irresistível no experiente aventureiro. Poucas mulheres conseguiram mexer com ele assim ao longo dos últimos anos. Ela é boa, e tanta candura aquece o peito de Beren, que sente vontade apenas de reclinar sobre os seus seios e dormir como um bebê, sentindo-se em paz pela primeira vez desde que decidira perseguir a vida de aventuras que trouxe tanto sofrimento. Pela primeira vez, em muitos anos, Beren pensou se não podia parar um pouco. Ter uma boa mulher, e talvez filhos.

        Dante também atrai alguma atenção das moças. Mas o anão não exerce esse mesmo poder, não sendo muito atraente. Já Unmada parece estar sendo observado como um sacerdote e, portanto, com uma certa desconfiança reverencial.

        A noite vai avançando, e pouco a pouco os aldeões vão se retirando. A maior parte dos homens adormeceu no entorno da fogueira, junto com algumas mulheres. Outras se retiraram para as cabanas junto com as crianças. O Anão dormiu. Dante saiu de vista. Unmada se retirou para a natureza a fim de descansar.

         Phrowenia foi ficando, junto de Beren, ouvindo sua história de vida. E contou um pouco da sua também. Ela é uma menina. Tem 19 anos de idade, uma jovem adulta. Ela chegou no campo de refugiados aos 15, com sua mãe, fugindo dos horrores da guerra. Seu pai era um soldado de Medegia e ela não o vê desde os 13. Sua vida era simples, mas o pai tinha certa graduação perante a nobreza de Medegia.  Ele e sua mãe não eram casados, mas ele sempre as visitava, trazia dinheiro e provia proteção.  Quando a guerra começou seu pai a visitou pela última vez e deixou consigo um sinete, que ela usava pendurado no pescoço em um cordão. Ela, contudo, o perdeu quando um bando de orcs chegou até a sua vila.

        - Era muito tarde na noite. As cornetas da vila nunca tocaram. Ninguém sabe como eles conseguiram chegar sem serem vistos. Eu não pude fazer nada! Quando eu acordei eles já estavam dentro da nossa casa. Minha mãe tinha conseguido fugir. Eu abri os olhos e um deles já estava em cima de mim! – Phrowenia não consegue conter o choro e a vergonha – Eu espero que o senhor não sinta vergonha de mim, Sr. Beren. Eu nunca quis isso. Eu não quis. – Phrowenia coloca o rosto sobre o peito do meio-elfo. Deixando que Beren sinta o cheiro inebriante de seus cabelos. E a maciez de sua pele. Quando o choro cessa, ela se ergue, ficando com o rosto a poucos centímetros do de Beren.

        - Ele deve ter achado que eu morri, porque sangrava muito e eu desmaiei. Por isso fui deixada lá. Mas minha mãezinha voltou e me acudiu. Fugimos e Marceen nos ajudou. Ele me curou, pois é um curandeiro excepcional. Por isso somos gratas a ele e nunca mais deixamos seu bando. Ele é como o pai que perdi – diz ela sussurrando bem próximo a boca de Beren – Eu o respeito muito, mas há um vazio no coração de uma mulher que nenhum pai pode preencher.

        A donzela se aproxima ainda mais. Beren sente sua respiração ofegante e sua mão trêmula sobre sua perna. Ela não se encosta a seus lábios, mas fecha os olhos e aguarda que seu ardor seja correspondido.

        Beren corresponde, e eles se beijam. Beren foi tomado pelo calor daquele beijo, e tomando a donzela em seus braços insinuou que partiria logo cedo e que, a despeito dos mais ardorosos desejos da moça, talvez não se vissem mais. E ela até resiste em um primeiro momento. Mas, sabendo da partida iminente do aventureiro, se entrega por inteiro.

        E a noite se passa.

        No dia seguinte o grupo deve partir. Os personagens se reencontram e Beren, após relutar, expõe o que se passou e, para espanto geral, revela que sua donzela deseja partir com ele. O coração de Beren estava dividido, pois sabia que provavelmente nunca mais retornaria àquele lugar. Mas A bela dama ruiva lhe tomou o coração e o experiente aventureiro estava para tomar uma insensata decisão:

       - Amigos, Phrowenia irá conosco.

        A decisão do aventureiro causou choque, mas o grupo a acatou em face da firmeza da decisão. E assim, o grupo partiu.

        Não havia muitas opções no horizonte, e o bardo Gwydiesin é renomado por conhecer muitas coisas. Então o grupo deixou o acampamento torcendo para encontrar com ele.

         O grupo viajou pelas Charnecas, encontrando diretamente com um grupo de patrulheiros da região e tendo avistado outro. Os personagens chegaram a começar a adentrar nos bosques de Grandwood, mas foram interpelados por uma patrulha de elfos selvagens que os advertiram a não entrar ali, pois seria seu território.

        Liderados por Dante, o grupo abandonou a região, retornando à zona de amortecimento da floresta, que margeia uma estrada pavimenta concorrente com a trilha que haviam feito após sair das charnecas.

        E foi ali, depois de ascender uma fogueira para espantar o assombroso frio da noite, que o grupo viu e ouviu a aproximação de uma charrete, puxada por um burrico, em que um homem entoava um ritmo calmo e inspirador...

       

Comentários

  1. Wow!!! Blog atualizado pra próxima sessão! \o/

    Dieguito subirá nesse fim de semana? Bogus subiu, mas não sei se poderá jogar (até porque seu personagem nem está conosco, rsrs)...

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  2. Caraca! Vcs estao ficando muito bons nisso!

    Foda demais :D

    Nao sei se subo nao. Aviso assim que souber

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  3. Mario, acabei esquecendo de te falar na sessão de hoje, então escreverei aqui... Acho que vc trocou os nomes das florestas no post. Renador fica ao norte de Pekal, onde fica a cidade élfica de Cirolealon. Lendelwood é que fica na Brandobia.

    E acho que deixarei o próximo resumo pra vc novamente, pois não tenho como lembrar da conversa com o bardo e acredito que seja importante que ela esteja aqui.

    Por fim, Diego, se der, suba sim. Mas aconselho a dar uma ligada pro Mario antes, pois não deixamos marcada de antemão a sessão pro próximo fim de semana, então não custa dar uma confirmada.

    Mas, pra te deixar no clima e te animar a vir, eu só digo uma palavra: dragão!!!

    abs

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  4. EU VOU SUBIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
    HOSANA NAS ALTURAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAS

    Esse fim de semana tem que ter jogo.
    BELEZA?

    Vou me liberar mais. se for sábado entao, melhor.

    Abraços!

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