A Fonte Secreta - 2º Ato

Após andar e superar os primeiros outeiros, através do chão rochoso e da vegetação rasteira, os personagens percebem que a Charneca é permeada por pelo menos um rio de médio porte e diversos pequenos afluentes, em torno dos quais há uma significante área pantanosa, repleta de grama muito alta.

    Os personagens primeiro avistam este braço de rio do alto de um outeiro. Visualizam que há árvores pequenas próximas das margens dos rios, especialmente salgueiros e outras igualmente sedentas de água, tornando aquele pequeno pântano um local onde criaturas e outras ameaças poderiam potencialmente se esconder – o que demandaria especial cuidado se desejassem promover sua travessia.

    Do outro lado daquela área molhada o grupo pode avistar uma fraca e estreita coluna de fumaça. Não se pode ver exatamente de onde ela saía, pois os outeiros tapam a visão, mas certamente aquele era um sinal de que havia um ponto de referência a ser perseguido. Talvez fosse um assentamento de humanos ou algo assim. Talvez fosse uma pira de corpos fumegantes. Só saberiam se fossem até lá, e, além disso, era o único diferencial naquela imensidão inóspita e árida.

    Os personagens descem a tênue encosta do outeiro por cerca de 100 metros, desviando de pedregulhos, fendas e arbustos maiores, se aproximando a pelo menos uns 60 metros da beirada do pântano, conseguindo observar que ali, ao que tudo indicava, não havia monstros ou outros perigos iminentes.

    Beren percorreu a encosta rastreando, sem jamais encontrar um único sinal de trilhas ou outras demarcações que denunciassem a existência de um caminho a ser seguido ou a ser evitado.

    Tudo estava bem quando, de súbito, ouviu-se um som muito característico. Aquela não era uma terra conhecida, não eram bosques kalamarianos, nem tampouco campinas pekalenses. Eram terras de um mundo estranho e desconhecido. Mas o som, aquele sim, era conhecido.

    Os personagens se viram instintivamente, pois os uivos guturais daquelas criaturas denunciam: ORCS!

    Uma dezena deles, erguendo-se por detrás do outeiro que acabaram de descer. Com roupas e armaduras de peles esfarrapadas, adornadas com muitos galhos e redes de cânhamo, e bem sujos com poeira e terra, aquele enorme bando passou desapercebido pelos olhos treinados dos personagens. Como isso era possível?

     Não interessa, pois o bando de orcs desce a encosta do outeiro em desabalada carreira, gritando coisas terríveis em sua língua própria:

      - Ratos e vermes! Nós vamos comer, Grummsh nosso deus há de prover! Cobras e lagartos! Vamos colocar vocês em nossos pratos!

      - Ataquem miseráveis! Vamos colocar esses porcos na nossa barriga! Hoje vamos ter fartura!!! Ahahahahaha

      Os anéis traduziram aqueles gritos provocativos e demonstraram que, não importa aonde, os orcs serão sempre orcs. Criaturas detestáveis e cruéis. O bando avança em investida contra os personagens. Dante, grita para os demais:





      - Fiquem calmos e juntos, vamos nos manter no alto deste outeiro, pois aqui ficamos em posição mais elevada e podemos levar vantagem!


      Mas Unmada não titubeou e se transformou em um leão atroz, partindo para a ofensiva colina abaixo.



      Logo em seu primeiro ataque Unamda causou um grande estrago, mas ao invés disso intimidar os Orcs, apenas os fez torná-lo um alvo prioritário. Assim, Unamada se viu rapidamente cercado.

      Beren, por sua vez, disparou uma bola de fogo que explodiu mandando pelo menos dois Orcs pelos ares. Ele contava que isso fosse ser, então, o bastante para afastar as criaturas. Porém, mais uma vez, o grupo foi surpreendido pela resistência formidável das criaturas. Definitivamente, os Orcs deste lugar são mais fortes do que aqueles encontrados hodiernamente em Tellene.

     O combate terrível se seguiu, mas finalmente os Orcs foram vencidos. Não sem que antes os personagens se ferissem muito. Por essa razão, Dante orou e trouxe a benção da cura divina para sarar as feridas daquela batalha.

   Poucos instantes depois, o grupo avista um homem se aproximando.

   O homem é Marcenn Simraith,um sujeito de média compleição física, com cabelo crespo marrom escuro, curto e olhos castanhos.

   - Olá forasteiros. Não há trilhas nem caminhos seguros que levem a lugar algum nesta terra de pântanos e charnecas. Eu não sei de onde vieram, mas certamente não são daqui. Sou Marceen Simraith, e os exilados que vivem na charneca me chamam de líder. Me digam seus nomes, se apresentem suas origens e revelem suas intenções. Assim poderemos estabelecer desde logo se podemos nos tratar como amigos ou inimigos.

     Com as apresentações dos personagens, Marceen continua:

     - Esta é uma terra de exilados da grande guerra civil que separou nosso reino. O lar de perseguidos, bandidos e santos, de todos os povos. Vítimas de toda sorte da injúria de nosso antigo Grande Rei, desaparecido, vivo ou morto, nas brumas que recobrem com dúvidas e incertezas a cidade mítica. E com o sumiço do Rei, a tênue ordem que ainda pairava sobre as províncias se rompeu. E vassalos se ergueram contra seus suseranos, e os laços de enfeudação que uniam o Reino se partiram. Casas nobres desapareceram, heróis morreram e heróis surgiram. Estas são as terras de quem as perdeu. Este é o local de refúgio dos desonrados, onde ainda persevera alguma bondade e tolerância. Sejam bem vindos às Charnecas Solitárias das terras arrasadas das Cidades Livres, sobreviventes das Ruínas de Medegia, cancro aberto daquilo que restou do Grande Reino de Aerdy.


      Marceen é, sem sombra de dúvidas, um sujeito muito afável. Uma longa conversa se desenvolve, com os personagens expondo em linhas gerais sobre o porquê de estarem ali: encontrar Kabori - alguém que foi descrito como uma pessoa "importante" no "lugar" de onde vieram.

     O errante não demonstrou desconfiar do grupo, acreditando que eles se referiam a mais uma vítima daqueles tempos ruins. E se propôs a ajudá-los.





Comentários

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  2. você só esqueceu do detalhe do Umada ter se transformado numa águia pra dar uma olhada de cima no território enquanto o povo esperava no topo de uma colina ou algo assim, e que o Umada percebeu a emboscada dos orcs e avisou o grupo pra se preparar pro combate, e só se trasformou no Leão depois de todos os orcs terem aparecido e bem depois da bola de fogo do Beren, não foi logo de cara....mas tudo bem são detalhes sem importância né?

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  3. Vc acha que eu preteri seu personagem na descrição do ato? Eu só copiei e colei o texto que escrevi antes da sessão (pra preparar o jogo) e coloquei uma descrição minimalista do combate só pra dizer que ele existiu. Não descrevi nada em detalhe no combate, se vc não leu. Da proxima vez vou me lembrar de mencionar o zoologico ambulante.
    Alias, da próxima vez vem aqui e escreve, posta, ja que quer tanto colaborar, ao inves de fazer insinuações babacas. Aliás, não estou te conhecendo. Se tiver com algum problema pode falar.

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