A Lenda da Folha Caída - 37º Ato

Com nenhuma vontade de retornar a Udo Bog, ainda mais carregando Kabori, o grupo decidiu seguir a estrada para leste, passando novamente pela região desolada na destruição da Máscara. Esperavam encontrar uma cidade e descobrir mais notícias, o que poderia ajudá-los na decisão de qual o melhor caminho a tomar.

À noite, já fora do descampado e enquanto preparavam uma refeição, viram uma coruja branca aproximar-se do acampamento e parar no galho de uma árvore próxima. Animais costumam temer o fogo e não parecia natural aquela aproximação. Unmada procurou utilizar-se de sua empatia com a natureza, mas a verdade é que a coruja não parecia reagir. Apenas vigiava-os atentamente, com seus olhos percrustadores. Beren sacou a Piscadinha, temendo tratar-se de um transmutador, mas a espada nada lhe mostrou. Olhou em volta e percebeu a aproximação de uma figura conhecida, trajada com suas vestes negras: Felana...

A arquimaga inquiriu os personagens acerca do acontecido e de como eles haviam destruído a Máscara, surpreendendo-se com o aparente acaso do ocorrido. Ela mencionou que assim que viu o alcance da tempestade, sentida em toda Tellene, percebeu que ela era um reflexo da fúria dos deuses e soube que o grupo provavelmente havia tido sucesso em sua empreitada, tendo partido à sua procura.

Todavia, apesar de demonstrar um certo respeito ao grupo, ela não pôde esconder sua preocupação. A destruição de um artefato era algo extremamente perigoso e eles não sairiam impunes daquilo. Não haviam conquistado apenas o ódio da Serpente, mas também de todos os seus aliados, como os demais membros da Corte Demoníaca, e eles deveriam ficar muito atentos daquele momento em diante.

Unmada mostrou a ela o ovo negro que encontrara e Beren mencionou ter sentido uma grande aura mágica no objeto, mas ter sido incapaz de discernir a escola por trás do encantamento. Felana olhou para o ovo com interesse, mas disse também não saber do que se tratava, pedindo para o xamã guardá-lo, já que era algo curioso cujo propósito revelar-se-ia em algum momento.

Após, perquirida por Beren, ela descreveu a situação da guerra. Sem comando, as tropas de Kalamar haviam recuado e se dispersado um pouco, com patrulhas procurando por seu líder e grupos mercenários debandando. O cerco a Bet Rogala estava estacionado e Príncipe Kaffen, exilado em Ek' Kasel, preparava suas tropas para retomar Pekal muito em breve.

Ela também explicou o motivo pelo qual Kabori não retornava à consciência. Ao colocar a Máscara, ele não teve sua mente apenas controlada. Sua alma foi retirada de seu corpo pelo Enganador e remetida a um plano desconhecido. Embora possível que ele conseguisse retornar sozinho, isso poderia levar muitos anos ou mesmo jamais acontecer. Ela pretendia arrumar uma forma de descobrir qual era esse plano e trazê-lo de volta, já que, independentemente de suas ações, ele era o legítimo imperador, um representante dos deuses, e gostaria que o grupo a ajudasse, pelo menos levando-o até sua torre, situada nos Bosques Fantasmagóricos.

O grupo discutiu longamente sobre essa questão, com Ácarus sendo bastante veemente em sua oposição a dar qualquer ajuda àquele tirano. Mas o grupo, acreditando que ter sua alma perdida no limbo era algo pior do que a própria morte, preferiu ajudá-lo. Ao menos temporariamente, levando-o à torre...

Felana abandonou-os naquela mesma noite e o grupo foi até uma pequena vila de pescadores, onde conseguiram um barco para atravessar o lago. Do outro lado, souberam de muitos grupos desgarrados de soldados praticando saques e diversas atrocidades, mas havia muito pouco que pudessem fazer naquele momento.

A chegada à torre ocorreu sem nenhum percalço. Enquanto Felana continuava com seus estudos, sob o auxílio de Galahad, Beren aproveitou para identificar os itens mágicos encontrados com Kabori. Ele não pretendia ficar com eles, mas talvez houvesse algo útil que pudesse utilizar por um tempo. A espada era especialmente poderosa, todavia, um item profano, um sinal indelével da natureza do imperador.

Na manhã seguinte a arquimaga revelou ter descoberto que o espírito de Kabori estava em um plano físico parecido com Tellene, reencarcado em alguém ou alguma coisa. Embora não tivesse como saber exatamente em quem (ou no quê), isso era uma boa notícia, pois seria mais fácil de procurar do que se ele estivesse em um plano imaterial.

Também revelou ter descoberto o provável uso do ovo encontrado por Unmada. Em tempos passados, em seu primeiro encontro com o grupo, eles haviam contado a ela sobre os Bosques de Ryakk, o local em que haviam chegado através de um portal mágico e, posteriormente, encontrado a Máscara das Raças. Em um mapa que revelava a existência de um tesouro, havia o seguinte escrito, que só pôde ser lido através da luz da Cintilante: "Através da noite bela, quando a Cintilante brilhar soberana nos céus de Tellene, revela-se o segredo há muito guardado. Nos bosques de Ryakk está a passagem para a cidade das pedras e para o coração do povo faérico, onde os guardiões protegem os talismãs e os guardam dos perigos noturnos. O mal que assola durante a noite não poderá tocar-lhe a face, e, quando for chegada a hora, a verdade será revelada e o Criador libertado". Em verdade, os bosques tratam-se de um ponto de convergência dos planos, havendo um grande número de portais escondidos, cada um só podendo ser aberto por um talismã específico, sendo o ovo um deles. Já a Sociedade da Capa Cinzenta, grupo de quem muito descobriram nas masmorras em que encontraram a Máscara, tratava-se dos guardiões desses talismãs.

Com base nessas descobertas, Galahad conjecturou que o plano em que Kabori está nesse momento é provavelmente o mesmo em que o Criador está aprisionado (ou para o qual ele se retirou, já que o onisciente Criador dificilmente se deixou aprisionar, podendo isso tratar-se apenas de um engodo). O talismã foi enviado ao grupo para que, enfim, a profecia se concretize e a verdade seja revelada...

Certamente, ninguém esperava tal revelação e Felana parecia muito cética quanto à interpretação de Galahad, acreditando que o grupo deveria ir simplemente para procurar pela alma de Kabori. Muito foi falado enquanto tentavam decidir o que fazer, sendo Unmada o primeiro a decidir-se pela entrada no portal. Sua curiosidade acerca do ovo era grande desde o princípio e a possibilidade de descobrir a verdade quanto ao aprisionamento do Criador era algo a que não podia recusar, mesmo que, conforme levantado por alguns, isso pudesse se revelar apenas mais uma artimanha do Enganador, pois não sabiam quem lhes havia enviado o talismã. Já Beren até admitia a possibilidade de ir e sentia-se inclinado a tal, mas, sabendo que o imperador estava reencarnado, ele não prometia trazê-lo de volta se por acaso acreditasse que ele estava levando uma vida mais correta e bondosa no novo plano, no que o xamã imediatamente concordou.

Galahad, surpreendentemente, disse que não entraria no portal, acreditando que deveria levar o imperador até Kalamar, onde ele ficaria sob a guarda da Assembléia da Luz, aguardando pelo retorno da alma de Kabori, enquanto Ácarus mantinha sua decisão de separar-se do grupo e voltar para as terras fhokki. Já Astaror entendia que ele deveria voltar sua atenção para o que o levara a Pekal, especialmente agora que conseguira novas informações: Miranda... Beren tinha sérias dúvidas acerca da veracidade das informações recebidas, especiamente considerando-se quem as dera, mas o bárbaro do norte acreditava valer a pena o risco. Além do mais, já estava na hora dele retornar para desafiar seu pai pela liderança de sua tribo, e ele faria isso logo após resgatar a menina... Adrius não nutria interesse em ajudar Kabori e se ofereceu para auxiliar o bárbaro, enquanto Dante e Brÿjoff estavam indecisos.

Beren estava em dúvida. A ida ao portal era uma incógnita... Eles poderiam estar sendo enviados para um plano do qual não pudessem retornar, ele não sabia se conseguiria identificar o espírito reencarnado, além de não ter certeza acerca de sua vontade de ajudar o imperador a retornar a Tellene. A questão do Criador era importante e, ainda que falsa, merecia uma investigação (embora ele não tivesse nem idéia de por onde começar), mas Miranda sempre foi uma mácula em sua alma... O momento em que ele abandonou a mansão de Durzgol nos pântanos, acreditando que todos os seus amigos estavam mortos e ciente de que o espírito de Miranda já estava no bebê de Aryvel, foi, certamente, o mais difícil de sua vida. Agora, a chance de reencontrar o bebê (já uma menina de uns 8 anos) era novamente posta à sua frente e ele não sabia se poderia dar às costas a ela...

O meio-elfo pediu um tempo para pensar melhor. O grupo não questionou, pois também tinha muitas dúvidas.

Qual será o próximo passo dos personagens?

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