A Lenda da Folha Caída - 36º Ato - 3ª Parte

Astaror aproximou-se da Máscara das Raças, ainda com o Espelho de Gelthangor em sua mão, enquanto os outros o seguiam, apreensivos. Beren abaixou-se para examiná-la melhor, verificando que as chamas não a estavam queimando de fato. Todavia, sua flecha deixara uma marca, o que poderia indicar ser possível a sua destruição de posse do artefato de Dirasip. 

Os personagens tiveram uma rápida conversa sobre essa possibilidade, assim como começaram a discutir quanto ao que fariam com o Imperador. Unmada e Galahad o examinaram, descobrindo que ele estava inconsciente, mas vivo. Brÿjoff pensava em matá-lo, enquanto Astaror queria apenas deixá-lo ali. Beren pretendia entregá-lo ao Príncipe Kaffen, enquanto Galahad e Unmada desejavam levá-lo a Bet-Kalamar. Os demais pareciam indecisos, mas não houve tempo para um debate. Ouviu-se o barulho inconfundível de tropas aproximando-se. Um grande contingente de soldados kalamarianos marchava em sua direção. À sua frente, cavaleiros em disparada. Ainda levariam alguns minutos para alcançá-los, mas precisavam agir rápido se quisessem despistá-los.

Beren pegou a Máscara em suas mãos e pediu para que Astaror colocasse o Espelho no chão. Acreditava que a forma mais segura de carregá-la era amarrando-a ao Espelho, mantendo-a sob a vigilância constante de Dirasip.

Quando os dois poderosos artefatos se encostaram, a superfície gélida do Espelho derreteu-se. O terror apossou-se do meio-elfo... O que ele havia feito?! Destruído o único instrumento capaz de anular o poder da Máscara?

Enquanto sua mente viajava em possibilidades de como contornar aquele problema, percebeu que a Máscara estava reagindo ao contato com a água, o verdadeiro Espelho de Gelthangor. O artefato do Enganador começou a ressacar rapidamente, desmanchando-se em pó! E logo um vento repentino espalhou seus restos, não sobrando mais nenhum sinal dela.

O pavor rapidamente transformou-se em felicidade e o coração dos personagens alegrou-se. A Máscara não mais existia! Mas tal sentimento foi breve...

Ouviram o ribombar de um imenso trovão e um relâmpago caiu no exato local em que estavam! Apenas Unmada conseguiu proteger-se. Todos os demais foram lançados a vários metros de distância pela força imensurável lançada dos céus. A eletricidade ferira profundamente seus corpos e era difícil levantar-se. Tudo o que podiam fazer era olhar para o céu, enquanto nuvens negras reuniam-se justamente acima deles.

Segundos pareceram dias enquanto tentavam se levantar. A força dos ventos era gigantesca e a preocupação era grande. Estavam no meio do que parecia uma enorme tempestade, um furacão. Precisavam sair dali urgentemente ou seriam carregados e mortos.

Unmada prontamente ajudou seus companheiros a levantar. O barulho era ensurdecedor e os personagens comunicavam-se por sinais, tentando continuar juntos no meio de toda aquela ventania. Era possível ouvir gritos e vez ou outra viam vultos de cavalos e soldados sendo carregados pelos ventos.

A forte chuva tornava muito difícil prosseguirem. Não só o chão rapidamente transformava-se em um lamaçal, como era difícil enxergar no meio de toda aquela água e escuridão. Beren tentou usar a Piscadinha, mas seu olho estava fechado, o que era compreensível. Um poderoso artefato fora destruído ali e isso certamente afetaria a utilização de magia naquela região por todo o sempre.

Por fim, acabaram alcançando uma grande árvore. Molhados e exaustos, viram Unmada moldar o seu caule, permitindo que os mais feridos pudessem descansar em seu interior. O meio-elfo estranhou o fato da magia ter tido sucesso, mas, cansado como estava, apenas agradeceu o abrigo improvisado e jogou-se em seu interior.

A tempestade continuou por toda a noite. E não só. Viram imensos vultos no céu, vultos do que pareciam dragões. Eles pareciam voar sobre a tempestade, circulando por toda a região. Era possível escutar seus urros amedrontadores e foi quase impossível descansarem naquela noite.

Pela manhã, viram que a chuva, enfim, parara. O céu ainda continuava escuro, entretanto. E havia um cheiro estranho no ar. Unmada passou a mão pela sua roupa e pele, percebendo que o cheiro advinha daquela água viscosa. Parecia óleo...

Logo que percebeu isso, um clarão surgiu no céu. No meio de um buraco entre as nuvens, descia o que parecia uma estrela. Ele correu na direção do local em que a estrela iria cair, curioso. Beren começou a seguir atrás dele, enquanto Astaror alertava pela necessidade de partirem e se afastarem o quanto antes dali.

Sábio conselho... Quando o objeto atingiu o chão, na verdade o mesmo local em que a Máscara fora destruída, houve uma explosão e o fogo rapidamente alastrou-se. O grupo saiu correndo em desespero, com a esperança de alcançarem a segurança do Lago Eb-Sobet antes que o fogo chegasse até eles. Unmada e Galahad ficaram para trás enquanto carregavam o Imperador, ainda inconsciente.

Por mais rápido que fossem, o Lago ainda estava longe e parecia impossível que conseguissem alcançá-lo antes do fogo. O fim estava próximo quando perceberam a existência de uma reentrância em um rocha. Aquele era o melhor abrigo que eles poderiam encontrar naquele momento e todos buscaram a sua proteção. Sentiram o imenso calor, mas o fogo passou por cima deles, deixando-os incólumes.

Pouco tempo depois, voltou a chover forte. Mas agora era água e o grupo aproveitou para livrar-se de todo aquele óleo. Limpos, voltaram para o abrigo sob a pedra e aguardaram pelo fim da tempestade.

No dia seguinte, as nuvens já se dispersavam pelo céu e decidiram seguir viagem. Unmada continuava curioso com o objeto que caíra e decidiu seguir para lá, juntamente com Brÿjoff. Alcançaram uma cratera, onde encontraram um estranho ovo negro, bastante frio e pesado, o que contrastava com seu pequeno tamanho. Pegaram-no e voltaram até seus companheiros.

Reunidos, seguiram em direção à vila, mas não sem antes despirem o Imperador de sua armadura e espada, fortemente identificadas com o Império de Kalamar. Viram que toda a região se transformara em um imenso descampado. Aparentemente, nada continuara vivo ali. A vila tinha ficado fora do raio da explosão, mas sua população, assustada, mantinha-se dentro de suas residências e não quis saber de dar abrigo ao grupo. A maior parte de suas colheitas havia sido perdida e o grupo sabia que eles teriam um difícil inverno, assim como todas as outras cidades que tivessem sido afetadas pela tempestade.

A Máscara havia sido destruída, mas muitos teriam que pagar o preço...

Comentários

  1. Puta que me pariu, a melhor sessao de todos os tempos e eu nao estava presente, nem online.

    Foda. Parabens para os que participaram, construiram uma bela historia!

    Soh pra saber, o Dante ta vivo?

    Se ele nao estiver mais, eu retiro o que eu disse...

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  2. Pois é... Uma pena, cara... Quando coloquei no resumo do 35° ato que enfrentaríamos o Imperador, achei que pelo menos um de vocês apareceria, mas acabou que só eu e Cacá jogamos. Boguete até esteve em Friburgo naquele fim de semana, mas voltou pro Rio de manhã e não jogou.

    A sessão foi muito maneira sim. Épica em todos os sentidos. E foi, ao que tudo indica, o final desse arco, embora ainda tenhamos que resolver algumas coisas (como, por exemplo, o que fazer com Kabori).

    Não, o Dante não morreu. Aliás, esta foi a surpresa que mencionei: acho que é a primeira batalha importante em que nenhum personagem morreu, rsrs. Quando a batalha começou, eu tinha certeza que a hora do Beren havia chegado. Só estava tirando números ridículos no d20, seja na iniciativa, nos testes de resistência, de RM, tava foda, rsrs... E a galera toda indo ataca-lo, então resolvi apelar pras magias que não dependiam de dado (tive que fazer teste de conjurador pra ler os pergaminhos, mas eu precisava de um 4, bem mais fácil que o teste pra dissipar) e acabou dando tudo certo...

    E, ainda que meio sem querer, destruímos a Máscara. Jamais imaginei que faríamos isso tão rápido, hehe...

    abs

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