A Lenda da Folha Caída - 32º e 33º Atos

O terreno em nada ajudava a fuga do grupo, ante se tratar de uma grande planície, com umas poucas árvores esparsas. Tal fato apenas tornava mais premente a necessidade de desmontarem seu acampamento o quanto antes e foi o que fizeram. Como seria impossível esconder os cavalos, o grupo decidiu por se desfazer deles. Unmada requisitou o auxílio dos espíritos e conversou com os animais, pedindo para que eles retornassem pela estrada o mais rápido que pudessem, só parando quando chegassem ao último estábulo em que ficaram. Não havia como saber se conseguiriam ou não chegar até lá, mas, ao menos, isso serviria para despistar seus perseguidores.

Enquanto Astaror guiava o grupo pelo capim alto, Beren, com a ajuda de Unmada, tentava apagar as marcas de sua passagem. Fez o melhor que pôde, torcendo para que a tropa imperial não estivesse atenta o suficiente quando passasse por aquele local e continuasse descendo a estrada, seguindo o rastro dos cavalos.

À meia-noite, após algumas horas de caminhada, parte do grupo desejava parar para descansar, ainda mais quando Unmada utilizou sua forma selvagem e verificou que os soldados já haviam passado pelo local do acampamento, continuando em seu caminho pela estrada. Ainda que essa fosse uma boa notícia, a distância percorrida pelos personagens ainda era muito pequena, sendo decidido que seguiriam até o amanhecer.

Após alguns dias, alcançaram um imenso pântano na região ocidental do Lago Eb'Sobet. Circundá-lo levaria semanas e o grupo tinha pressa. Por mais desagradável que fosse uma viagem pelos pântanos, optaram por embrenhar-se no urzal.


 A água gelada e de aspecto doentio revelou ser apenas um dos problemas. Além da imensa dificuldade de encontrar alimentos, obrigando-os a utilizarem suas parcas rações de viagem, não parecia haver qualquer lugar seco aonde poderiam montar um acampamento. Mesmo as árvores mostravam-se fracas demais para suportarem o peso de uma pessoa e Beren resolveu voar para procurar, mas todos os locais que encontrava revelavam-se más escolhas quando vistos mais de perto.

O grupo estava cansado, molhado e fedendo, mas não lhes restava outra alternativa que não esperar pelo retorno do meio-elfo, o que só aconteceu perto do entardecer. Ele havia encontrado um local razoável, em que seriam capazes de improvisar redes, mas ainda a meio-dia de caminhada. Sem outra escolha, o grupo seguiu, trôpego...

Alguns dias se passaram e tudo seguia igual. Vez ou outra encontravam um lugar um pouco melhor para passarem a noite, mas não havia nem sinal do fim do pântano, mesmo de uma visão aérea. Ele parecia ser realmente imenso e os personagens começavam a se arrepender de sua decisão.

Em uma noite, enquanto dormiam em suas redes improvisadas, ouviram o barulho de passos na água. Rapidamente foram se acordando e viram a aproximação de uma grande criatura, curvada e carregando um cajado. A parca luz não ajudava na sua identificação, mas Beren conseguiu ver um grande nariz em uma cara imensamente enrugada. Ela não parecia ter percebido os personagens até que Galahad conjurou a luz de Dirasip, quando ouviram em uma voz gutural:

"Quem tem a audácia de invadir os domínios da guardiã de Udo Bog? Já avisei a vocês, humanos, que este é território proibido. Expliquem-se ou morram!"

Logo em seguida, ela conjurou um feitiço de constrição e mais da metade do grupo viu-se presa por raízes e galhos. O grupo tentava se explicar, afirmando que não sabiam de tal proibição e que apenas a urgência os fizera adentrar o pântano, mas a guardiã parecia já decidida a puni-los. Ela não se preocupava com as guerras humanas e conjurou um novo feitiço, convocando dois imensos trolls, que emergiram das águas pantanosas e ficaram aguardando, impacientes, por uma ordem da anciã, que, agora já era possível perceber, também se tratava de um troll.

Enquanto Beren e Unmada tentavam dialogar com a criatura, Astaror aproveitava tal distração para tentar sair da área da magia e atacá-la por trás. Os demais aguardavam ansiosamente por uma solução pacífica, eis que presos pela magia constritora.

O título de guardiã não era novo para o meio-elfo. Já havia tido contato com dois guardiões na Brandobia e resolveu citá-los na esperança de que ela os conhecesse e entendesse que não pretendiam fazer qualquer mal ao pântano. Ossarulusurinossal e Apalgas eram seus nomes e Beren revelou a situação em que os encontrara, há muitos anos atrás. A troll ficou perplexa com a revelação dos nomes de outros dois guardiões e conjurou uma magia para ler a mente do meio-elfo, mas ele resistiu. Apesar de indecisa sobre o que fazer, acabou chegando à conclusão de que estavam falando a verdade. Oolavriebaassariad era seu nome. E, como amigos de guardiões, eles eram bem-vindos.

Apesar de convidados a conhecerem o pântano, tiveram que declinar. Seria um risco ficarem parados naquele local. O quanto antes saíssem de Udo Bog, maior a chance do pântano passar incólume pela guerra e a guardiã ofereceu-se para guiá-los para fora de seus domínios...

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