A Lenda da Folha Caída - 30º e 31º Atos

O grupo resolveu seguir a sudoeste, descendo o Rio Renador, eis que cientes do avanço das tropas de Kabori pelos reinos a leste de Pekal. Quanto mais distantes das tropas do Imperador melhor. Chegando em Bet Rogala, teriam mais informações sobre a guerra e poderiam decidir quanto a seus próximos passos.

Longos dias se passaram e a Floresta de Kalalali ficou para trás. Passaram por algumas pequenas vilas, aonde aproveitavam para dormir com um pouco mais de conforto e tomar uma boa cerveja. Apuravam seus ouvidos para escutar alguma novidade, mas a guerra ainda parecia ser algo muito distante daqueles povoados.

Contudo, próximos à grande cidade de Kalokapeta, localizada na margem oposta do rio, o primeiro sinal da guerra: uma grande quantidade de pessoas estava às margens do rio, aguardando pelas barcas que os levariam à grande cidade murada. Galahad descobriu com um dos guardas que notícias acerca do avanço das tropas kalamarianas estavam fazendo com que os fazendeiros buscassem a segurança da cidade.

Apressaram sua marcha e começaram a se aproximar da Floresta de Kalokopeli. Logo após o primeiro dia dentro da mata perceberam que estavam sendo vigiados. Não viam ninguém, mas a sensação estava sempre presente. Beren cogitava serem elfos e apenas solicitou que o grupo evitasse caçar por um tempo, de modo a evitar um eventual problema.

Após mais alguns dias na mata, encontraram alguns rastros recentes de humanóides. Seguindo estes, chegaram a uma corda presa ao chão. Acreditando tratar-se de uma armadilha, Unmada resolveu desarmá-la utilizando-se de seu cajado, mas qual não foi sua surpresa quando uma imensa rede emergiu carregando mais da metade dos personagens, inclusive o xamã! Beren conjurou uma magia de vôo e cortou a corda que prendia a rede, garantindo a queda suave de seus companheiros através de um feitiço. Antes, contudo, puderam ver a existência de dois grandes acampamentos, um em cada margem do rio, alguns quilômetros à frente. Unmada assumiu a forma de uma águia e se aproximou um pouco mais, percebendo a existência de cordas que atravessavam equipamentos pelo rio, inclusive armas.

Para desviar dos acampamentos, o grupo resolveu seguir mais para dentro da floresta, mantendo-se alertas a qualquer barulho que pudesse significar a aproximação de alguém. Tal estratégia mostrou-se correta. Poucas horas depois, ouviram algo e esconderam-se. Viram que se tratava de um hobgoblin, o qual vinha acompanhado de um cachorro. Logo atrás dele vinham dezenas de outros, todos fortemente armados. Não havia dúvida de que estavam atrás de guerra, restava saber contra quem. O avanço de Kabori também devia ser uma preocupação para o reino de Norga-Krangrel, mas, com a Máscara das Raças, não seria impossível ao Imperador ter conseguido mais um aliado.

Uns dez dias depois chegaram à vila de Nehosihido. Uma conversa com o estalajadeiro levou-lhes a saber que a guerra alcançara Pekal. Ninguém tinha notícias e os mantimentos estavam escassos. Muitos já estavam passando fome e a apreensão era grande.

Astaror considerou prudente avisarem a alguma autoridade da vila acerca do avanço dos hobgoblins e o grupo foi à residência do prefeito na manhã do dia seguinte. Inicialmente reticente com as informações trazidas pelos personagens, o prefeito mostrou-se mais solícito quando Beren informou ser membro do Colégio Arcano de Bet Rogala. A notícia da invasão dos kranji era preocupante, mas não havia muito que ele pudesse fazer. Nenhum dos mensageiros que enviara à capital retornara e ele não possuía tropas para fazer frente a um exército treinado. Comunicado de que o grupo dirigia-se à Bet Rogala, pediu para que levassem uma mensagem assinada por ele e a entregassem a qualquer autoridade que encontrassem. Seu desespero era gritante e o grupo acatou tal pedido.

Na noite seguinte, já de volta à estrada, o grupo preparava-se para dormir em volta de uma fogueira quando viram um vulto encapuzado bem próximo do acampamento. Perceberam, assustados, que a figura desvanecera-se no vento logo assim que notaram sua presença. Galahad conjurou a luz de Dirasip, enquanto Beren sacou a Piscadinha para tentar identificar a criatura.

Segundos de apreensão se seguiram, até que ouviram uma voz de mulher. Era uma voz conhecida de alguns deles: Felana... Mas seria possível? Ela estava presa no semiplano de Veönamë e era apenas uma triste figura, carcomida pelo tempo e pelo ódio por seu algoz. Como ainda estava viva?

Uma breve e desconcertante conversa teve início. Enquanto Astaror usava o Espelho para verificar se aquela aparição não se tratava de algum estratagema do Enganador, ela contou que muito adivinhara do sucesso dos personagens quando viu-se livre da armadilha de Veönamë. Através de adivinhações mágicas, descobrira que eles haviam conseguido o Espelho, o que Kabori também já sabia. O Imperador havia vindo pessoalmente tomar Bet Rogala, na esperança de encontrá-los. Após a conquista da cidade, suas tropas vinham naquela direção, com ordens para vasculharem tudo à procura dos personagens. Aconselhou o grupo a sair da estrada o quanto antes e seguir em direção à margem norte do Lago Eb' Sobet, aonde poderiam encontrar com o que restara das tropas de Pekal, inclusive o Príncipe Kafen. Ela ainda precisava se dirigir ao Colégio Arcano para recuperar alguns equipamentos, mas logo depois partiria ao encontro do grupo para ajudá-los...

Unmada, em forma de coruja, confirmou a vinda de tropas kalamarianas mais à frente e o grupo resolveu acatar o conselho da arquimaga. Sem perder tempo, desmancharam o acampamento e deixaram a estrada, partindo para um novo e inesperado destino...