O Início de Tudo - 13º Ato

O grupo continuou seguindo na direção sul. As colinas que circundavam o vale eram bastante altas e eles levaram um bom tempo para alcançar o cume de uma delas e ter uma melhor visão da região.

Viram o grande Rio Selintan e souberam que haviam seguido para o caminho certo. Todavia, pareciam estar bem mais distantes da Gema de Flanaess do que imaginavam, pois foram incapazes de vê-la na vasta planície abaixo.

Tal circunstância trouxe um problema. Segundo Sooty, o fato de estarem se dirigindo para a direção oposta à de sua missão e "perdendo" tempo, poderia vir a trazer consequências mágicas em razão do feitiço a que haviam sido expostos. Mas Johann e os demais acreditavam que o importante era a intenção. Eles não estavam se desviando da missão, mas sim indo pegar seus cavalos para agilizar a viagem até o Lago Diamante. No fundo, era um recuo apenas aparente, que traria benefícios posteriores.

Acabaram decidindo descer pela enconsta da colina, e, após um bom tempo de viagem, chegaram à Greyhawk. Velen e Kira, únicos sem problemas com as autoridades, foram os encarregados de buscar os cavalos.

Após um dia de viagem, passaram próximos a um campo de mineração. A mata próxima estava completamente devastada, o terreno erodido e o rio imundo com a sujeira gerada pelo campo. Era um local realmente tenebroso, mesmo para aqueles não preocupados com a natureza. Camaban olhou para o local com um misto de tristeza e ódio. Aquela era mais uma mácula que tanta dor causava à Grande Mãe e era necessário fazer algo, mas aquele não parecia ser o momento correto. Ele fez uma anotação mental a fim de promover uma futura visita àquele local. Talvez, se conseguisse falar com Lacoon, seus irmãos druidas pudessem ajudá-lo...

Ao entardecer do próximo dia, chegaram a uma pequena vila cercada por paliçadas. Ela ficava às margens do Lago Diamante e parecia ser a mesma presente no mapa encontrado na casa de Brygette.

Havia dois sentinelas nos portões. Inicialmente, requisitaram uma taxa para permitir a entrada dos personagens, mas, ao ouvirem o nome de Brygette, o medo pescrutou seus olhos e logo abriram os portões.

Os personagens seguiram por estradas de terra bastante enlameadas, as quais se inclinavam na direção da lago. Pela arquitetura das casas era possível perceber que a vila deveria sofrer enchentes sazonais.

Havia uma taverna em uma pequena praça. Enquanto o grupo sentava-se em uma mesa, Sooty foi até um grupo de gnomos que estava reunido em um canto. Não foram muito simpáticos, mas revelaram a existência de um velho pescador que poderia falar-lhes a respeito de Brygette, já que ele era provavelmente a única pessoa da vila que já a havia visto pessoalmente.

No dia seguinte visitaram o pescador. Ranzinza, era muito difícil obter respostas satisfatórias do mesmo. Porém, com alguma insistência, acabaram descobrindo algumas informações interessantes: Brygette é bem mais velha do que aparenta, já sendo conhecida e temida na cidade desde quando o pescador era criança; há muitas décadas atrás ela amaldiçoou a vila quando um de seus amantes foi enforcado, não sendo vista desde então; muitas pessoas ficaram doentes e morreram em decorrência da maldição; diz a lenda que ela é uma bruxa residente no lago, que seduz pescadores e os consome...

Após uma tentativa frustrada de obter mais informações com um anão, foram até o portão falar com os guardas. Um deles foi bastante solícito e complementou as informações obtidas com o velho: o nome do amante enforcado era Managaius (?!), culpado por traição; toda morte suspeita na cidade, assim como os surtos de doenças, costumam ser imputadas à maldição da bruxa; ela reside em uma ilha localizada no meio do Lago Diamante.

Perplexos com a estranha coincidência no nome do amante da rhenee, os personagens se preocupavam com as consequências que a execução do gladiador Managaius poderia trazer a cidade de Greyhawk. Sendo uma cidade bem maior, uma nova maldição viria a matar uma quantidade enorme de pessoas.

E será que, em verdade, toda essa história repetida não era engendrada intencionalmente, sendo uma espécie de estranho e macabro ritual? E como Brygette conseguia se manter jovem mesmo após todos esses anos? Uma simples magia de transmutação ou havia algo mais?

Apenas uma visita à torre poderia trazer respostas a essas indagações e o grupo se dirigiu às docas para conseguir um barco...