A Lenda da Folha Caída – 22º Ato - O Contar das Eras

Conforme iam sendo guiados pela cidade, os personagens podiam perceber toda a beleza de Cilorealon. Em vez de derrubarem as árvores para construir suas casas, os elfos as constroem ao redor das árvores e frequentemente mantêm belíssimos jardins, que deixam a cidade com um colorido e um odor inimaginável aos humanos, tão acostumados à imundície de suas cidades.

Além disso, a arquitetura ímpar das casas, os trançados nas paredes, as fontes e estatuetas, a vida animal que segue livremente na cidade, tudo é tão diferente e belo, que é difícil não se surpreender. Apenas Fulrik parecia insatisfeito, o tempo todo reclamando e criticando as obras élficas, em especial as esculturas em pedra, mas ele era ignorado pelos demais, eis que extasiados com o que viam.

Após uma longa caminhada, o grupo avistou uma grandiosa construção ao redor de uma imensa árvore. Em frente a ele, Ilanenya pediu que parassem e deixassem seus cavalos e logo a seguiram pela sinuosa escada que levava ao palácio real.

No interior da construção, viram belos móveis e esculturas, mas com muito menos ostentação do que imaginavam. O interior era espaçoso e belo, mas prático, sem as futilidades dos nobres humanos.

Passaram por alguns soldados, mas não foram parados nem uma vez, até que em um patamar de uma escada interna, viram uma belíssima elfa, cercada por guardas. Usava um traje simples, mas de inegável valor e beleza, e sua altivez deixava clara a sua posição entre os elfos.

Beren se dirigiu a rainha e explicou o motivo de estarem ali. Novamente ficou claro aos personagens que os elfos já sabiam de seus motivos e da busca pelo Espelho, tendo sido revelado que eles vinham sendo vigiados pela “floresta” desde que nela entraram. Mais do que saber o motivo, a rainha queria saber como eles haviam adquirido o conhecimento sobre a existência do Espelho e se realmente se consideravam capazes de enfrentar o “Teste da Verdade”. Perquirida sobre o que se tratava esse teste, a rainha foi evasiva. Ou eles aceitavam passar por esse teste, que poderia lhes custar a vida se falhassem, ou retornavam para casa. Era a segunda vez em poucas semanas que eram obrigados a aceitar uma imposição para continuarem em sua missão, mas não havia o que fazer.

Após a aceitação de todos, a rainha puxou sua sinuosa espada e se aproximou do grupo, com a espada dirigida a Beren, que se encontrava no centro e um pouco mais à frente. O meio-elfo percebeu que Astaror estava a ponto de retirar sua espada da bainha e fez um breve sinal para que ele permanecesse calmo. Não sabia a intenção da rainha e também estava ansioso, mas era melhor esperar.

Quando a rainha parou, há pouco mais de um metro de Beren, com a espada quase tocando sua fronte, uma voz foi ouvida:

“Mas o que está acontecendo aqui, minha querida? Deveria ter esperado que eu chegasse para que recebêssemos apropriadamente nossos convidados. Por favor, guarde sua espada e vamos conversar...”

O Rei Sendir foi muito mais agradável aos personagens, os ouvindo com atenção e respondendo suas perguntas de forma mais objetiva. Através dele puderam saber que os elfos de Cilorealon estavam cientes dos avanços do Imperador Kabori e do ressurgimento da Máscara, da qual conheciam a história muito bem. Também lhes foi revelado que o Espelho de Gelthangor havia sido escondido e entregue a um poderoso guardião, uma vez que ficou claro que Eäldil iria procurar destruí-lo. O artefato foi então levado ao interior do Lago Renador, até duas ilhas remotas e esquecidas, escondidas magicamente desde os tempos antigos, e que eram habitadas por espíritos ancestrais. Todos que buscaram o Espelho e alcançaram a ilha desapareceram ou retornaram mudados, diferentes do que eram anteriormente, sendo que apenas dois desses estavam vivos, um deles ainda residente de Cilorealon.

Os personagens se despediram do rei e foram até o local em que seriam hospedados. Ainda tiveram tempo de dar uma volta pela cidade e desfrutar mais de sua paz e beleza. Astaror, num difícil negócio realizado na base de sinais e algumas poucas palavras em élfico, conseguiu adquirir uma bela corda de seda, bem mais forte e leve do que a que possuía.

No dia seguinte foram até a casa do sobrevivente, a fim de conseguir mais informações sobre as ilhas. Logo que entraram puderam notar a grande variedade de itens de diversas culturas diferentes, o que demonstrava a natureza andarilha do visitado. Alguns itens eram bastante curiosos, como uma caixa gnômica com uma série de números, que fazia um barulho constante e baixo, e que, segundo informações de seu proprietário, era capaz de marcar o tempo.

Logo após uma breve conversa acerca das muitas viagens realizadas por ele, o elfo contou sua história: ele e o irmão sempre ouviam as lendas sobre as ilhas e ficaram curiosos em conhecê-las. Eles nunca tiveram interesse no Espelho em si, mas apenas em chegar até as ilhas. Os dois saíram de barco e, após muitos dias entre as brumas, chegaram até elas. Não viram muita coisa, apenas andaram um pouco pelas praias e retornaram, já que não era seu objetivo explorar as ilhas. Quando voltaram, resolveram viajar pelo mundo, o que foi visto com certa estranheza pelos demais elfos. Após muitas décadas ele retornou, mas o irmão casou-se e preferiu continuar entre os humanos.

O comunicativo elfo também revelou a eles um pouco da história élfica, que se divide em quatro eras. A primeira é a Era da Primavera, que começa com a chegada dos elfos em Tellene. Primeiramente o Criador criou o universo através de uma canção, cujos ecos ainda podem ser escutados pelos ouvidos atentos. Depois ele criou os deuses, que eram 54 inicialmente, dando a cada um deles partes de si mesmo e planos aonde poderiam governar. Mas Tellene pertencia inteiramente ao Criador, tendo ele criado os animais e as plantas, embora tenha permitido que seus filhos, os deuses, ajudassem em algumas tarefas específicas. E para manter Tellene ele criou os elfos, a primeira das raças.

Nesse período Tellene era um verdadeiro paraíso. Não havia inimigos, doenças, morte, tempo, fome ou sede. Tudo era perfeito e a vida dos elfos era simplesmente vagar pelo mundo, contemplando suas maravilhas e cuidando dos animais e plantas.

Porém, os deuses começaram a questionar a autoridade do Criador. Por que não lhes era permitido também criar criaturas como os elfos? Ou seu próprio mundo? Por que eles deveriam se contentar em tarefas insignificantes se haviam coisas tão maiores em que trabalhar? O ressentimento foi crescendo, especialmente entre os deuses caóticos, e uma pequena facção, liderada pelo Grande Enganador, começou a planejar um remodelamento do universo: eles iriam retirar o Criador da criação... permanentemente.

Nada na criação era segredo para o Ser Supremo, porém, intrigado pela ação dos deuses pela primeira vez, ele deixou o plano continuar. Assim os deuses agiram e prenderam a essência do Criador em um cristal. Era desejo dos usurpadores destruir o cristal, mas os elfos intervieram: se eles destruíssem o Criador, toda a criação seria destruída, inclusive os deuses. Ouvindo a voz da razão nas palavras da raça favorita do Criador, eles lançaram o cristal em um distante plano, onde ele permaneceria por toda a eternidade.

Voltando sua atenção para Tellene, cada deus tentava moldar o mundo à sua imagem, mas ninguém possuía a onipotência do Criador. Montanhas eram erguidas e baixadas, terra e mar lutavam por supremacia, e até mesmo o sol e a lua duelavam para saber quem iluminaria o mundo. Logo a disputa saiu do controle e a guerra entre os deuses começou, sendo que 11 deles foram destruídos e seus nomes esquecidos.

Os elfos mantinham-se quietos durante toda a confusão, não querendo se envolver na guerra. Mas logo os deuses voltaram sua atenção a eles e um simples pensamento cruzou a mente de todos: vamos deixar que os jardineiros, como os elfos eram conhecidos pelos deuses à época, decidam. Muitos deuses foram até eles com promessas e ameaças, exigindo adoração e auxílio. Foi nessa época que as doenças começaram, assim como morte, fome e sede. O paraíso acabara e, embora eles não quisessem negociar com os deuses, era necessário escolher alguém que pudesse lhes proteger contra as novas forças vigentes. Ainda muito ligados à visão do Criador para eles, os elfos rejeitaram inteiramente os deuses malignos (que juraram vingança) e preferiram adorar deuses de natureza boa ou neutra, que lhes ensinaram a dança, a música, a agricultura, a arquearia, a magia etc.

A batalha entre os deuses continuou por um tempo, até que o Mestre do Poder tentou criar uma nova arma das rochas e inadvertidamente deu vida aos primeiros anões. Isso demonstrou que agora, com a ausência do Criador, eles poderiam criar vida, e a batalha dos céus desceu para a superfície de Tellene, com a criação das mais diversas criaturas e raças, e o freqüente embate entre elas, o qual continua até os dias de hoje.

Já a Era do Verão é a era atual. Ela começa com a maturidade dos elfos, já divididos em diversas sub-raças, e o crescimento das demais raças, como os anões e orcs. É nessa era que surge Yealen Batania e seus nove santos, que lutaram e derrotaram os servidores diabólicos do Alma Negra quando esse deus tentou eliminar a raça élfica da face de Tellene, assim como ocorre a traição do elfos do crepúsculo, que termina com a morte de milhares de elfos e a retirada dos elfos negros para o subterrâneo das Montanhas de Elenon.

É também essa a era da chegada dos humanos, primeiramente os Deijy, que, após um longo período de amizade com os elfos, começaram a se dividir em dois grandes impérios, que acabaram se destruindo entre si, só sobrando ruínas e alguns poucos sobreviventes, que passaram a adotar uma vida nômade. Mais tarde, quatro tribos vieram da ilha da Svimohzia através de uma passagem criada por um embate entre dois deuses (o Pacificador e o Criador da Contenda) e se estabeleceram por todo o continente e, após um período em que prestaram grande reverência aos elfos e receberam diversos conhecimentos, alguns acabaram se fechando e se voltando contra os elfos, em especial os brandobianos, cuja traição gerou a guerra que Beren conhece tão bem.

Foi também citada a chamada “Guerra Desnecessária” entre os elfos de Cilorealon e os anões de Draska, a qual é o principal motivo da revolta de Fulrik com a escolha de seus companheiros em ir até os elfos, mas não foram dados maiores detalhes sobre ela.

Embora não seja pacífico, alguns sábios élficos acreditam que a Era do Verão já terminou ou, no mínimo, já se encontra bem próxima do fim. A Era do Outono (também conhecida como Era da Folha Caída, que logo fez Beren relembrar de sua visão na tenda do velho xamã deijy quando procuravam pela tumba de Shatti Vashel) é o início do fim da vida em Tellene. Grandes guerras começarão e logo uma nova guerra dos deuses começará, quando eles começarem a agir diretamente para influenciar no resultado das guerras mortais e não apenas através de seus seguidores. Considerando o aumento dos conflitos nos últimos meses em razão da posse da Máscara das Raças pelo Imperador Kabori, não foi difícil aos personagens perceber que pode sim ser o início de uma nova era...

Foi profetizado que sete deuses morrerão durante a Era da Folha Caída. Tamanha será a destruição que a Era do Inverno, o fim do mundo, começará. As raças lutarão sem misericórdia e se destruirão mutuamente. Mesmo os elfos serão afetados e lutarão entre si. E muitos deuses morrerão. Para os sobreviventes, sejam mortais ou deuses, restará apenas a esperança de que o Criador retorne para uma nova Era da Primavera, que jamais se tornará Verão...

Muito tinha sido dito e era necessário tempo para digerir toda a informação. Após a promessa do velho elfo de que os levaria até as ilhas se o Rei Sendir lhes providenciasse um barco, os personagens voltaram a seus aposentos, sendo que Ilanenya, que havia ficado todo o tempo com os personagens, partiu para dar notícias ao rei.

Comentários

  1. Bem, como dá pra perceber, li a história élfica. Acredito que talvez tenha colocado alguma coisa a mais do que tenha sido dito na sessão (como já faz muito tempo, é difícil lembrar), mas acho perfeitamente possível que o elfo que nos contou a história tenha ido até a "Pirâmide das Eras" que existe na ilha e poderia saber bastante a respeito da história, por isso, fui escrevendo o que me pareceu pertinente... Porém, se quiser tirar algo, é só me dizer...

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  2. E ae pessoal, e o resultado da sessão?
    Bichão 6 x Grupo 0?
    Status do Dante? KOed?

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  3. O combate não chegou a terminar, mas não chegamos nem na metade dos pvs dele ainda... E Rhalevanh e Fulrik tombaram...

    Mas, apesar de tudo, ainda há esperança, pois o guardião está nos ajudando agora...

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  4. O post tá lindo Robinho! rsrsrs

    Eh, dois morreram já!

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