A Lenda da Folha Caída - 17º Ato

Findas as discussões com o Conselho de Magistrados, o grupo pode finalmente se debruçar sobre o tomo de Felana.

Estejam avisados, pois ocorrerá nos dias quando as estrelas viajantes se alinharem que um grande líder emergirá. Muitos deverão segui-lo e muitos amaldiçoarão seu nome, mas ninguém conhecerá o Rei-Sol pelo que ele verdadeiramente é.

Com esta frase retumbante é que Felana inicia o relato que deságua naquele que provavelmente se revelou como o único tomo sobre a face de Tellene que diz respeito ao Rei Sol.

Os primeiros extensos capítulos do livro se dedicam a explorar as complexas sociedades Dejy existentes no primeiro século do Império de Kalamar, criando uma atmosfera vívida onde o leitor pode melhor contextualizar os fatos narrados em sequência.

Após, Felana apresenta uma antiga lenda do povo Konir (tribo Dejy) que predizia a vinda de um grande mal a cada 700 anos. Segundo a lenda, passada de geração em geração, um rei de um império do deserto subitamente adoeceria, e morreria, sendo substituído por seu único filho varão. A personalidade do novo Rei começaria a se modificar, de nobre e bondoso para mal e cruel. Sob o reinado do jovem Rei-Sol, como ele viria a ser conhecido, os impostos seriam elevados a patamares absurdos e aqueles que não pudessem pagar por eles seriam atirados em masmorras escuras e suas posses confiscadas. Pestilência e fome assombrariam a terra, já que pragas consumiriam as já esparsas plantações. As nascentes dos rios secariam, causando enorme sofrimento, e o povo morreria aos milhares enquanto o Rei-Sol lançaria invasões sobre os territórios vizinhos. Ao tempo que seu reino terminasse, a nação e seu povo estariam devastados.

Em virtude da disseminação de tal lenda (e de sua interpretação literal pelos sábios da época) por tantos e tantos séculos, a cultura Konir se desenvolveu em um sistema matriarcal que inadmitia qualquer ascensão masculina ao poder.

A tribo Konir atravessou uma época de grande dificuldade em um período que reportaria à pelo menos dois séculos anteriores à fundação de Kalamar pelo Rei Ali Inakas – provavelmente, portanto, ainda no período áureo do povo Dejy nas porções centrais de Tellene. Naquela época governava a Rainha Soúba, grande em poder e sabedoria e muito respeitada por seu povo. Soúba e seu esposo, o príncipe Ramit, eram incapazes de conceber uma criança para a qual transmitir sua herança. Esta situação trazia grande pesar e muita pressão sobre as lideranças Konir. Os xamãs compreendiam tal fato como um sinal de mau agouro e uma clara demonstração de que os espíritos da natureza não estavam satisfeitos com Soúba e Ramit, e lançavam temores sobre o povo acerca de pragas e outras desgraças advindas da ira dos espíritos.
Contudo, certa noite Soúba e Ramit copularam e Soúba concebeu. A notícia logo se espalhou e todo o povo foi conclamado a comungar com os espíritos para que do ventre de Soúba nascesse uma mulher capaz de governar o povo Konir com sabedoria.
A noite do nascimento chegou, e grande festa foi preparada. Os xamãs e os druidas se reuniram para ajudar no parto, invocando espíritos, ascendendo incensos e entoando cânticos. O trabalho de parto foi duro, mas a criança nasceu. Era uma menina forte e saudável. Todo o povo se regozijou e a tribo foi feliz por muito tempo.

Novas pressões começaram a surgir quando a menina completou sua 13ª primavera. Os xamãs esperavam pelo sangue da consagração da menina, que escorreria de seu ventre para marcar sua maioridade e confirmar sua vocação como herdeira do legado Konir. O evento tão aguardado, contudo, não ocorreria tão cedo. Quando a menina completou 17 primaveras já não era mais possível esconder do povo o fato de que ela ainda não havia sido abençoada pelo sangue, o que constituía uma verdadeira aberração. Os xamãs ficaram muito impacientes e grande alvoroço teve início.
Soúba desejava preservar a intimidade de sua filha, mas a tradição impunha uma investigação e os xamãs desejavam inspecionar a garota. Acreditavam que se tratava de um caso de desequilíbrio espiritual, algo que se pudesse resolver com ervas, chás e reza, mas os sacerdotes não estavam prontos para o que veriam. A menina foi levada para o grande círculo da tribo e deitada sobre o altar do grande carvalho para receber os preparativos do ritual de purificação a que seria submetida. Quando foi despida, porém, suas vergonhas ficaram expostas e houve grande alarde quando se viu que a menina possuía a genitália masculina sobre a feminina.

Aturdidos com tal fato os sacerdotes não souberam o que fazer imediatamente, mas logo deliberaram que ela precisava ser morta.

A tradição Konir sempre impôs o sacrifício dos filhos varões de seus líderes, haja vista o receio do surgimento do Rei-Sol. Não era possível determinar se a menina era homem ou mulher, de modo que possuía as duas genitálias. Os sacerdotes decidiram por unanimidade e pelo clamor dos presentes, pelo sacrifício da garota. Tarefa árdua que teria de ser realizada pela mãe, Soúba, às margens do rio Palenka, no qual a menina deveria ser afogada, como mandava a tradição – uma morte sem derramamento de sangue.
Soúba, contudo, não teve coragem para tanto. Ela levou sua filha para a margem do rio, mas a libertou de seu sacrifício, determinando que jamais voltasse para o seio de sua família e para as terras Konir. À esta atitude os sacerdotes responderiam com grande inquietude e o povo se zangaria, de modo que Soúba jamais contou, nem mesmo a seu marido, sobre sua atitude benevolente, tendo a todos afirmado que a menina foi morta e seu corpo carregado para as profundezas do rio Palenka.

O nome da menina não pode ser encontrado em registro algum. Existem relatos esparsos sobre suas atividades durante o período em que esteve desaparecida, mas todos concordam que a garota jamais encontrou um lugar para viver. Foi rejeitada entre os elfos, dentre os quais conta-se sobre sua passagem por Cirolealon, foi caçada pelos demais Dejy, inimigos dos Konir e ameaçada pela chegada conquistadora dos Robgoblins.
Sua angústia e fragilidade foram a porta de entrada que Eäldil encontrou para tomar a menina para si. Em verdade, não há muitos dados para se concluir pelo que exatamente ocorreu nesta época. Os povos viventes, especialmente os Dejy, não possuem uma tradição de linguagem escrita, de modo que os fatos concernentes à vida da menina e a participação de Eäldil na curva de eventos que se seguiram após sua expulsão da tribo Konir possuem distorções insanáveis.

Eäldil era conhecido por muitos nomes em seu tempo e sua origem verdadeira é desconhecida, muito embora se possa especular acerca de sua origem dentre os elfos de Cirolealon.

Ele, era dito, acolheu a menina e a levou para seus recônditos, onde não só a conheceu como doutrinou em ensinamentos ocultos. O fato de que ninguém pode definir a agenda de Eäldil nem de seu culto sugere que ele talvez tenha afeição pelo Lorde das Ilusões, O Mestre da Mentira. Apostaria em tal fato, porquanto a indefinição dogmática de seu culto não é característica de muitos templos em Tellene, senão somente dO Obscurecedor de Caminhos.

A menina e Eäldil trabalharam em segredo durante muitos anos e não é possível saber a sorte de maledicências preparadas. Eventualmente a menina desapareceu e Eäldil tornou-se um proscrito.

A Máscara das Raças surgiu em algum momento neste ínterim. Sua primeira aparição registrada revela seu surgimento no sopé dos Picos de Legasa, primariamente utilizada por líderes tribais Krangi e, após, pelos próprios Dejy nas primeiras guerras que devastaram os Reinos Jovens e afastaram-nos da Terra da Pedra Angular. O maior dos portadores ficou conhecido como Shaty Vashel, que governou a tribo Qahsoor.

Vashel não só suportou as pressões dos Krangi, como dominou diversos povos no interior do deserto, vindo a ser conhecido como Rei-Sol por seus inimigos mais atrozes. De muitas formas, a trajetória de Shaty Vashel remonta à antiga lenda do povo Konir, o que desperta a necessidade de cruzar sua trajetória de vida com a história da Máscara das Raças.

Foi do cruzamento de tais histórias que surgiu a ligação direta com a história da menina e de Eäldil. Como dito anteriormente, não se pode dizer que os dados coletados estão cem por cento corretos, mas não raro o cruzamento de informações não tão precisas acabam por desaguar em conclusões próximas da verdade, na medida que quando de tais cruzamentos é possível eliminar maiores discrepâncias a apegar-se somente às verdades contidas em cada informação.

"A Máscara é o espírito aprisionado da menina, que voluntariamente cedeu sua alma para o ritual. Suponho que sua mágoa do povo Konir jamais tenha sido superada e somente na forma de um artefato tão poderoso sua vingança poderia ser perpetrada e seu destino preenchido.

Eäldil é o protetor e co-criador da Máscara, pois através de suas mãos fluiu a energia do feitiço de morte da menina e ele tem vigiado sua evolução até os dias de hoje, mas o verdadeiro criador deve estar no salão mais confuso do Grande Palácio. Ela, a menina, acreditava ter tido seu destino de liderança e poder negado pelos líderes Konir e encontrou na buliçosa doutrina de seu mentor a explicação de sua deformidade e a exposição de seu propósito em Tellene; propósito este que só a eternidade lhe daria o tempo necessário para realizar – daí a transferência de sua alma do corpo perecível para a Máscara indelével.

Ela nunca encontrou, para sorte dos povos livres, um líder à altura de sua ambição e mesmo Shaty Vashel não foi bom o bastante.

Eäldil caiu no esquecimento propositalmente, pois jamais deixou de observar atentamente a progressão de sua pupila, mas o tem feito secretamente; opondo-se maliciosamente a quem quer que ouse atravessar seu caminho. O sucesso da menina é o sucesso de seu credo.

Ele adotou muitos nomes, o mais infame deles sendo Veönamë.
Sob tal disfarce, Eäldil infiltrou-se nas comunidades élficas de Cirolealon. Seu objeto escuso só foi a mim revelado depois de muitos anos de pesquisa, e seu significado só ficou claro agora.

Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça.

Eäldil foi à procura de I Ceneril Gelthangor (a melhor forma de traduzir para o baixo élfico, já que seu nome em alto élfico é impronunciável para mim), que significa o Espelho de Gelthangor.

Infelizmente não tive muito tempo para aprofundar este importante aspecto dos meus estudos, sei apenas que o povo lathlani foi capaz de esconder tal segredo de Eäldil antes que fosse tarde. Isto, contudo, teve um custo alto, pois para o elfos a beleza do Espelho foi perdida por muitas eras. A exata natureza e a história do Espelho de Gelthangor eu desconheço em parte. Sei apenas que se trata de um artefato muito antigo, que provavelmente remonta aos termos da Primavera dos elfos em Tellene, pois muitas lendas o cercam.

Eäldil teme o poder do Espelho, pois seu atributo é desvendar o que está oculto, destruir a mentira e os disfarces, refletir a luz de Javaeclya (que em Kalamaran significa Dirasip), e fazer triunfar a verdade e a harmonia.
Embora a natureza do Espelho seja um mistério para mim, está claro que o temor que Eäldil nutre por este artefato tem fundamento. Se a Máscara é um disfarce perfeito, o Espelho será sua contraparte exata, o único objeto conhecido capaz de anular seus efeitos – como uma contramágica.

Acredito que muitos, ao longo da história, ao tomarem conhecimento da existência de I Ceneril Gelthangor o buscarão incessantemente.

Eu mesma o faria, mas antes deverá chegar o momento de aprofundar esta pesquisa."

O estudo do tomo consumiu cerca de 09 dias inteiros, período no qual Rhalevahn também se decidou a pesquisar algo mais sobre Zangrim, um misterioso mercador de escravos que estaria mantendo a jovem Miranda cativa.

Segundo o que descobriu, Miranda estaria sendo levada para a Teocracia de Slen, através de Ek'Gakel, já que os rumores apontam que o Grande Teocrata pretende formar um exército de escravos para atender seus anseios expansionistas bizarros naquela terra distante.

Com tudo isto, restou ao grupo debater o que fazer, já que o Livro de Felana (embora revelador) não é conclusivo.

O caminho que decidiram tomar, e os debates que antecederam tal decisão só no próximo post.

Comentários

  1. Mario está com força total nesse mês, hein!? Há bastante tempo não tinha tantos posts no blog, hehe...

    Muito bom você ter decidido colocar o relato de Felana aqui, fica mais fácil consultá-lo. Eu mesmo tive algumas idéias estranhas enquanto o relia, tentando fazer alguma relação entre a Máscara e a frase dita nos pântanos a Beren e Astaror por Pharagul (aquela sobre o príncipe guiando o proscrito ao Salão dos Valiosos). Acho que não tem nada a ver, até porque era em um contexto diferente, mas, sei lá, me bateu isso na cabeça agora... Esquisito, rsrs...

    Será que vai rolar jogo nesse sábado?? Pelo que parece, Bruno e Diego não poderão, então, só vai rolar se Bogus subir. Boguete, tente ver até quinta se você vai subir ou não e nos avise, senão devo marcar algo pra fazer no sábado. Ou então podemos deixar pra jogar no domingo de novo, mas aí não sei se é um bom dia pra você, se já não teria que voltar pro Rio...

    abs

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  2. rsrsrs força total mesmo... rs... tem q dar um gás de vez em qdo mesmo. :P

    Robinho, td é possível. Eu dou algumas viajadas às vezes, acho q isso dá pra perceber (pq fico com cara de loading), mas mta coisa já está escrita pra acontecer (é o DESTINOOOOO...rsrs). Então, td é realmente possível... ehehehe

    Qto ao game no fds, por mim é possível. PORÉM, depende realmente do bogus ou de algum outro jogador poder, né?

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  3. O Bogus acabou de me ligar e disse que vai subir neste FDS. Portanto, acho que podemos ter jogo. Certo? Considero marcado... postarei no blog um aviso de game.

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