A Lenda da Folha Caída – 14º Ato

Logo após passar por um pequeno alçapão, Beren percebeu o olho da Piscadinha fechar, indicação de que suas habilidades mágicas não funcionariam ali. Tentou lançar uma de suas magias, mas não obteve sucesso.

"Como eu suspeitava, não serei de grande ajuda aí embaixo. Melhor eu esperar aqui fora, aguardando um contato. Se em 24 horas vocês não saírem ou não me contatarem, voltarei com ajuda" - disse Allus, fechando o alçapão em seguida.

Beren ficou um pouco apreensivo com a impossibilidade de usar suas magias nas catacumbas, mas isso era previsível. Que melhor maneira de impedir os alunos de explorarem o subsolo da Torre que uma área antimagia?

Os personagens se viram em um largo corredor, com duas estátuas de magos segurando um grande grimório. Muito procuraram por passagens secretas, mas nada encontraram. O meio-elfo, entretanto, notou que as duas estátuas presentes em cada extremo do corredor não eram exatamente iguais, já que cada uma segurava o livro com uma mão diferente. Também reparou que haviam grandes sulcos no piso e entendeu que as estátuas deveriam ser levadas ao centro do corredor, bem abaixo da entrada, e giradas na direção dos livros. Certamente a necessidade de arrastá-las era uma forma muito eficaz de impedir que os aprendizes arcanos entrassem nas catacumbas, ainda mais sem poderem se utilizar de magia, mas, como a ajuda de Rhalevahn, Fulrik e Astaror, isso não chegou a ser um problema.

Ao girarem as estátuas, ouviu-se um estalo alto e uma abertura escura surgiu no chão. Pegaram suas tochas e desceram por ela, chegando a uma sala com nada menos do que seis portas. Um labirinto os esperava, com certeza...

Rhalevahn tomou a dianteira e, com cuidado, passou a guiar seus dois companheiros pela masmorra. Acabou chegando a uma outra porta. Aproximando-se dela, disparou uma armadilha! Por sorte, a imensa tora que caiu do teto desceu com pouca velocidade e o dano causado não foi tão grande.

De qualquer forma, a tora bloqueou o caminho. Apenas o esguio meio-elfo conseguiu se espremer o suficiente para alcançar a porta. Dentro havia uma empoeirada cama de palha e um baú trancado. Quebrou o baú e encontrou algumas poucas moedas e trapos velhos. Mas, muito mais importante que isso, ao pegar a espada para abrir o baú, Beren percebeu que o olho da Piscadinha estava aberto, sinal de que ele não estava tão impotente quanto imaginava! Parece que a área antimagia se limitava ao andar superior...

Após cair em mais algumas armadilhas e só encontrarem mais moedas e mais trapos, Beren se ofereceu para tomar a frente e poupar o svimohzish, que já se encontrava bastante contundido. O meio-elfo também não conseguia evitar as armadilhas, muito menos desarmá-las, mas ao menos conseguia desviar delas sem danos...

Acabaram chegando a um pequeno escritório, onde Beren encontrou um grimório e alguns romances. Precisando melhorar sua habilidade em kalamaran, acomodou-os em sua mochila para uma posterior leitura.

A seguir, a exploração levou-os ao que parecia uma sala de orações. Havia várias armaduras cerimoniais ornamentando-a e um pequeno altar, sobre o qual estava um livro aberto. Ao tocá-lo, as armaduras ganharam vida e começaram a atacar os personagens. Embora fossem muitas, a presença dos três poderosos guerreiros possibilitou a rápida destruição das mesmas, que muito lembraram ao meio-elfo aquelas encontradas no Templo de Deb'fo, localizado nos Bosques de Ryakki. Porém, isso não era hora de lembranças. Ele retornou ao livro e verificou que o mesmo trazia o símbolo de Emnon, o Senhor da Magia. Também colocou-o em sua mochila, ainda que contra a vontade de Rhalevahn, que insistiu para que Beren o deixasse no altar.

Mais tarde, alcançaram um laboratório. Além de diversos instrumentos e frascos contendo as mais diversas substâncias, encontraram o que parecia ser uma daquelas armaduras ainda em fase de construção. Horrorizados, perceberam que ela tinha partes humanas, as quais haviam sido retiradas de um cadáver putrefato que estava próximo.

Enquanto Beren vasculhava o laboratório em busca de sinais de magia (encontrou muitos na armadura, além de uma pedra, que emitia uma estranha luz esverdeada), Rhalevahn, Fulrik e Astaror se dirigiram para o fundo do laboratório, onde havia uma passagem, além de um forte cheiro de podridão. Logo assim que adentraram a passagem, uma voz grotesca se fez presente: "Não deveriam ter vindo às catacumbas, forasteiros! Morrerão aqui!"

Uma dúzia de mortos-vivos surgiu e começou a atacá-los. Beren rapidamente saiu de seu transe e partiu em auxílio. Um feroz e horrendo combate se seguiu. Se não bastasse estarem em muito menor número, as garras das criaturas tinham uma terrível habilidade: a de causar paralisia! Com assombro, Beren observou a paralisia atingir Astaror, que foi ao chão logo após, ao receber uma poderosa mordida no pescoço!

Tentando impedir que as criaturas começassem a se alimentar do bárbaro ainda durante o combate e o matassem, o meio-elfo desistiu do ataque à distância e sacou a Piscadinha, correndo na direção do corpo de seu amigo. A estratégia fez efeito e os carniçais o seguiram, enquanto ele pulava sobre as mesas e cadeiras para tentar mantê-los sempre à sua frente, entre ele e seu escudo arcano. Todavia, isso não o impediu de ser atingido. Maior que o dano era o terror da paralisia! Mas, embora num primeiro momento tenha se sentido paralisado e indefeso, logo viu que seu corpo resistira ao efeito! (Valeu, Boguete!!! Se não fosse você lembrar da imunidade dos elfos, teria sido o fim!!! rsrsrs)

Fulrik viu o movimento do mago e a queda de Astaror, se dirigindo ao corpo do bárbaro para protegê-lo. Conseguiu derrubar diversos mortos-vivos com sua incrível força, mas, mesmo a famosa resistência dos anões não foi páreo para a força da habilidade das criaturas, e ele também ficou inerte.

Rhalevahn, mesmo cercado, lutava bravamente, conseguindo derrubar várias das criaturas. Mesmo já estando bastante ferido e debilitado pelos percalços anteriores, seu corpo resistia ao toque paralisante. Mas o sangue escorria de seus ferimentos e era apenas questão de tempo até a sua queda. Ao dar um passo em falso, percebeu uma criatura no chão, que agarrou o seu pé e acertou uma forte mordida! Conseguiu decepar a cabeça da criatura com um belo golpe, mas, ainda assim, o efeito foi imediato e ele sentiu seus membros paralisando, sem que nada pudesse fazer, a não ser esperar pelo fim...

Ainda havia cinco carniçais lutando, todos indo atacar Beren, que se mantinha firme, graças a seu sangue élfico. Com seu escudo mágico lhe protegendo e o fogo brotando de sua espada, ele acabou conseguindo vencê-los e pôde ajudar seus companheiros, em especial Astaror, que se encontrava em péssimas condições.

Sem perder tempo, continuaram a exploração, encontrando uma imensa porta dupla, com diversos desenhos arcanos enfeitando-a. Não foi surpresa para eles darem com uma gigantesca biblioteca, abarrotada de livros. Enquanto Beren observava as diversas prateleiras, ciente de que seriam necessários dias para realizar uma busca minimamente razoável, os demais procuravam alguma passagem encoberta pelas diversas cortinas presentes no ambiente. Fulrik acabou encontrando uma longa escada.

Que novos perigos terão que enfrentar?

Comentários

  1. Mais uma vez é gol do Robinho... rs... valeu pela postagem e pela narrativa empolgante! rs

    PS: Deu mole ontem!

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