Camaban, o druida

Obs: Histórico baseado no livro Stonehenge, de Bernard Cornwell.

Camaban nasceu em uma pequena e esquecida vila Flan localizada nas Colinas Kron. Era o segundo filho de Hengall, chefe da tribo, e tinha tudo para ter uma vida tranqüila, porém o fato de ter nascido com o pé esquerdo torto fez com que seu pai desejasse matá-lo logo depois do nascimento, já que um filho aleijado era um agouro desastroso. O que o salvou foi uma marca de nascença na barriga, a qual lembrava um sol e fez com que o sacerdote declarasse que o bebê fora marcado por Pelor, devendo ser poupado.

Os anos se seguiram e ele cresceu como um pária. Aprendeu a andar, embora com um passo grotesco e desajeitado, e era sempre vítima de xingamentos e agressões por parte das outras crianças. A única pessoa que o amava era sua mãe. Quando ela morreu, ele chorou e uivou como um filhote órfão, e seu pai, enojado, ordenou que ele fosse expulso para fora do muro e vivesse nos ermos.

A vida se tornou ainda mais difícil para Camaban, que tinha acabado de completar dez anos. Passou a se alimentar de frutos e raízes e a morar em um antigo círculo de pedra, um templo já há muito abandonado pelos homens da tribo. Ele não tinha amigos e sua única companhia eram os ventos sussurrantes e os pequenos animais que freqüentavam o lugar, embora, de vez em quando, seu irmão mais novo, Saban, viesse lhe trazer comida.


Um dia, depois de alguns anos, alguns homens da tribo vieram até o templo e o levaram. Ele esperneara e gritara, mas não conseguiu se soltar. No caminho soube que as colheitas da tribo iam de mal a pior e os sacerdotes haviam decidido que seria necessário um sacrifício, e ele, Camaban, seria a oferenda.

Em sua solidão, naquele antigo lugar sagrado, muitas vezes ele imaginara ouvir as vozes dos deuses nos ventos, em especial de Beory, a grande Mãe, e de Pelor, aquele que, supostamente, o havia escolhido quando bebê. E passou a acreditar que, talvez, não fosse tão ruim ser enviado aos deuses e viver junto a eles. Ele, enfim, parou de lutar e aceitou seu destino.

No dia seguinte, o tempo estava fechado, com muitas nuvens escuras no céu, o que prenunciava uma tempestade. Mas eles não adiaram o sacrifício. Uma grande festa já estava montada. Mulheres nuas com os corpos pintados de branco dançavam, enquanto os sacerdotes, com galhadas presas à cabeça com tiras de couro, faziam o mesmo. Um dos sacerdotes guiava Camaban com uma das mãos até o centro do principal templo, onde ele seria sacrificado. Uma sepultura já havia sido cavada e os preparativos se iniciaram.

Seu pai levou ao templo a bola de giz esculpida quando do nascimento de Camaban, e que simbolizava o seu espírito, a fim de que a mesma fosse destruída. O sacerdote a amassou com as suas mãos enquanto oferecia a vida de Camaban à Beory e requeria melhores colheitas no futuro. Ele ergueu o mata-criança, um enorme osso da coxa de um auroque com uma de suas extremidades pintada de vermelho, e se preparou para dar o golpe, mas, subitamente, parou. Uma expressão de horror surgiu em sua face quando uma fenda se abriu entre as nuvens e um raio de sol acertou o templo. Ao mesmo tempo, um corvo pousou em um dos mastros mais altos e gritou ruidoso.

O mata-criança estremeceu nas mãos do sacerdote, que não sabia o que pensar. O corvo gritou novamente e ele olhou para o pássaro enquanto perguntava a si mesmo o que sua presença anunciaria. A multidão exigia o sacrifício, mas eles não eram capazes de ler os sinais.

Camaban apenas sorria. Pegou o giz em pó de seu espírito das mãos do sacerdote e o comeu. Depois, simplesmente olhou para o sacerdote, ainda sorrindo, e disse: “Os deuses ordenam que você me poupe”. O sacerdote deu um passo para trás, quase caindo na cova, e deixou o mata-criança cair, enquanto dizia ao povo que a deusa rejeitara o sacrifício.

***

Os deuses falam por sinais. Pode ser uma folha caindo no verão, o grito de um animal agonizante ou a ondulação do vento na água calma. Pode ser fumaça perto do chão, um rasgo nas nuvens ou o vôo de um pássaro.

Mas, naquele dia, os deuses mandaram uma tempestade. Foi uma grande tempestade, uma tempestade que seria lembrada.

Naquele dia os deuses não estavam falando. Estavam gritando.

***

Mas Camaban não se importava com a chuva. Ele também tinha lido os sinais. Os deuses o haviam salvado pela segunda vez e era hora de servir a eles. No dia seguinte ele partiu e decidiu procurar por uma famosa e velha curandeira, Sannas, que vivia na Floresta de Gnarley, para que ela lhe ensinasse os segredos dos deuses.

E assim ela fez. Depois de escutar toda a história contada pelo garoto, acreditou que ele era um escolhido de Beory. Ela lhe iniciou nos segredos da Velha Fé, assim como no das ervas e das matas, e lhe contou a história dos deuses. Também providenciou o conserto do pé de Camaban, quebrando-o e puxando-o para colocá-lo na posição correta. A dor fora terrível, mas ele conseguiu suportá-la. Ainda mancava, mas de forma muito menos perceptível do que antes.

Foi muito fácil para Camaban adquirir os conhecimentos que Sannas lhe ensinava. A comunhão com a natureza já era algo com que ele sempre vivenciara e o caminho druídico lhe era absolutamente natural.

Após vários anos, em que Sannas também aproveitou para lhe ensinar as línguas dos seres da floresta e dos elfos, a velha curandeira deu o seu treinamento por encerrado e ordenou que o mesmo fosse até Lacoon, Arquidruida da Ordem da Esfera Esmeralda, que seria o responsável por lhe passar os testes finais. Como um presente de despedida, deu a ele um filhote de lobo. Era um belíssimo animal prateado, a quem Camaban deu o nome de Lianon (“Folhagem de Prata”, em élfico).


Absolutamente confiante, Camaban seguiu até Welkwood Grove, onde ficou maravilhado com as antiqüíssimas árvores gigantes. Lacoon, cego de nascimento e também um seguidor da Velha Fé, o recebeu bem e, após a aprovação nos testes, o consagrou como Aspirante.

Agora, é seu dever defender a Floresta de Gnarley das agressões desmedidas dos diversos povos humanóides que habitam a região, dever este que Camaban sente grande prazer em cumprir.



Comentários

  1. Aeeewww Robinhoooo!!! Parabéns pelo texto. Ficou mto completo. Fiquei até mais animado em relação à campanha agora!!!

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  2. Bem, valeu, mas, no fundo, o texto é igual àquele que te enviei no início da atual campanha, só fiz algumas pequenas correções e adicionei as fotos (demorei, mas acabei achando uma maneira pro Camaban, né?! hehe)...

    E as informações do cenário eu tirei do livro e do Oerth Journal 15, que, por sinal, preciso ler de novo para relembrar algumas coisas, em especial a respeito da Velha Fé...

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  3. Eu sei... só não lembrava que o texto era IGUAL ao que tinha me mandado... faz tempo que li né...

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  4. PS.: As fotos ficaram boas mesmo!!!

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  5. Irado. A historia eh bem maneira

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  6. juro que eu tentei ler mas ta muito cedo pra fazer isso...mas o 1º parágrafo é muito bom, juro que terminarei de ler um dia.
    BOOOOAAA RObinho!!

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  7. Valeu, mas o mérito da história é mais do Sr. Cornwell do que meu, principalmente a primeira metade, que é a mais interessante por sinal, rsrs... Eu só tive que adaptar para o mundo de Greyhawk, o que não foi tão difícil, pois até a idéia da Velha Fé do Deus Sol (Pelor) e da Deusa Terra (Beory) serem os pais de diversos outros deuses (inclusive Rao, acho) e de todas as coisas, se encaixa com a idéia descrita no livro, embora nem tenha colocado isso diretamente na biografia... A diferença é que em Greyhawk a Deusa Terra tem dois maridos (Pelor e Nerull), enquanto no livro é o Deus Sol que tem duas esposas (Terra e Lua)... Mas, acabei divagando, rsrs...

    Já pensou em um novo personagem, Cacá?

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