Diário de Viagem - Arthurius de Fochlucan [Uma Estranha Colheita, parte 1]

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Graças ao Desbravador dos Horizontes! Finalmente uma boa oportunidade cruzou meu caminho! Meu mais novo amigo, um valoroso guerreiro de Pelor de nobríssimas ações e intenções que ajudei há não mais que algumas semanas atrás, trouxe a mim uma intrigante proposta de aventura. Bom, na realidade, tudo que ele fez foi pedir meu auxílio para guiar algumas pessoas através das matas de Gnarley, mas o objetivo da jornada desses sujeitos me compeliu a oferecer muito mais que meu auxílio como guia. Acredito que o nobre Gerdrant tenha ficado um tanto o quanto surpreso com a alegria presente em meu aceite à seu convite.

Ao que parece, uma vinícola da região de Dyvers está sofrendo com o surgimento de algumas supostas aparições, luzes e sons fantasmagóricos. Seu dono, o senhor Burrbarr Drenn, preocupado com o futuro de seu negócio, contatou seu amigo da Universidade Cinzenta da cidade de Greyhawk, Mestre Éwlyn, em busca de auxílio. Em resposta à suplica de seu camarada, Éwlyn enviou dois especialistas – cuja natureza da especialidade eu desconheço – para ajudar a resolver a questão: senhor Miro e senhorita Beatrice.

Acontece que esse professor da Universidade Cinzenta é também um conhecido de Gerdrant. Mais até do que isso. Pelo que pude entender, meu nobre amigo possui algum débito de honra para com esse tal de Éwlyn. Sendo assim, ele se comprometeu a guiar e proteger os especialistas em sua jornada. Porém, desconhecendo o caminho até essas vinícolas, que se situam em uma colina já imersa dentre as belas frondes de Gnarley, Gerdrant buscou meu auxílio.

Apesar de conhecer bem essas matas, não faz muito tempo que caminho só por essas terras. Por essa razão, julguei prudente convidar ainda uma quinta pessoa para essa empreitada. Essa pessoa é Camaban, um bom e velho amigo e nobre druida de nossa ordem. Bem... uma quinta e uma sexta na realidade, pois Camaban sempre viaja em companhia de seu melhor e inseparável aliado, o lobo Lianon.

Marcamos nosso encontro com os especialistas na própria cidade de Dyvers. Como Camaban, sempre desconfortável em ambientes urbanos, preferiu nos aguardar nas bordas da floresta e Gerdrant estava ocupado com seus rotineiros atos de caridade pela grande cidade, fiquei encarregado de receber os viajantes na estalagem do Cão Vagabundo. Confesso que fiquei um tanto o quanto preocupado em reconhecê-los em um primeiro momento. Foi só quando os dois adentraram a estalagem que pude perceber quão vã era minha inquietação. Suas vestimentas escolásticas, cuidado com a aparência e ares intelectuais – principalmente os pertencentes ao tal senhor Miro – os tornavam tão destacados naquele ambiente quanto um orc estaria em meio a um baile da realeza.

Sem perder mais um momento sequer, tratei de me dirigir até tão exóticos especialistas para me apresentar. Ambos tiveram um sobressalto quando me aproximei. Acho que a senhorita Beatrice acreditou por um momento que estava prestes a assaltá-la. Creio que alguma coisa esteja afetando o ânimo dos dois, sejam as histórias de fantasmas ou a reputação dessa área da cidade. Bom, de uma forma ou de outra, tivemos uma breve conversa e logo nos dirigimos até o lugar onde Gerdrant nos aguardava. Infelizmente para nossos abastados convidados, esse lugar era debaixo de uma das pontes da cidade, onde o homem de Pelor prestava auxílio a alguns desabrigados e leprosos. Para evitar que o almoço do senhor Miro retornasse ao mundo pelo mesmo orifício que o deixou, tratamos de mudar mais uma vez o local da conversa, dessa vez já nos dirigindo até a saída da cidade.

No caminho, senhor Miro nos apresentou à seu companheiro “especial”, um belo ratinho chamado Peables. Uma escolha estranha de animal de estimação para alguém que possui uma aversão tão declarada contra qualquer ambiente que fuja as normas estritas de saneamento de uma biblioteca real. Porém, não acredito que se trate de um mero companheiro doméstico. Acho que começo a compreender a “especialidade” de nossos amigos.

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Nossos convidados metropolitanos passaram sua primeira noite nas matas relativamente bem, queixando-se pouquíssimas vezes pela sua falta de conforto. A viagem seguiu tranqüila e nos encontramos com Camaban ainda pela manhã. Nossos convidados se viram um pouco nervosos na presença de Lianon, mas esse desconforto não durou muito, pois logo puderam observar que nosso amigo canino é um rapaz bem comportado. Me pergunto se Peables compartilha dessa opinião...

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Logo pela manhã, houve um curto combate com alguns kobolds. Uma das criaturas era excepcionalmente feroz, ao contrário de seu pares, que foram prontamente despojados. Contudo, foi uma batalha rápida. Senhor Gerdrant e senhorita Beatrice foram feridos, mas não devem sofrer com grandes mazelas futuras por conta desses machucados. Durante a luta, tornou-se bem claro que nossos especialistas são de fato dois arcanos.

Ao final da tarde chegamos até a região da vinícola. Nenhum trabalhador a vista, talvez por conta dos rumores a respeito das aparições. Sem maiores delongas, nos dirigimos à casa do senhor Burrbarr, sendo recebidos com uma notória, ainda que compreensível, desconfiança. Lá, o dono da fazenda pode nos explicar melhor a situação inusitada pela qual estava passando.

Tudo começou a 5 dias atrás, quando os trabalhadores começaram a ver luzes e vultos estranhos. Tais manifestações já haviam acontecido anteriormente, mas de forma esporádica, não durante vários dias seguidos. Os fazendeiros acharam de início que poderia ser uma criatura, mas após vários dias sem ver sinal de besta alguma, começaram a acreditar que se tratava de uma aparição. Muitos acreditam que o espírito de Feoca, um antigo capataz da vinícola, é o responsável pela situação, mas o próprio Burrbarr não acredita nisso. Ele nos conta também que achou um objeto estranho, um colar com um pequeno crânio como pingente, abandonado em meio às plantações. Outras informações interessantes ainda nos foram passadas nessa conversa:
· Nunca houve problemas com humanóides e outras criaturas da Gnarley na vinícola;
· As luzes e vultos foram vistas entre as plantações apenas durante a noite;
· Há cerca de um mês e meio atrás, alguns sons de risos macabros foram ouvidos por toda a fazenda.

Por certo, a situação não está nada boa. Como é o mês da colheita, os prejuízos estão sendo graves para a vinícola. O senhor Burrbarr nos deu a liberdade de rondar a fazenda e fazer perguntas a seus funcionários. Logo após toda a explicação sobre a situação da vinícola, o jantar foi servido e conversas mais amenas roubaram o lugar das histórias de fantasmas. Depois de nossa refeição, fomos apresentados aos nossos aposentos – um velho galinheiro abandonado com alguns beliches – onde pudemos relaxar durante alguns instantes.

Ao cair da noite, saímos para explorar os arredores da vinícola. No extremo norte do local, encontramos parte de um pequeno muro – constituído apenas de algumas pedras de rio empilhadas que delimitam a área da fazenda – derrubado, sendo que a terra e as plantas próximas aquele local estavam bem remexidos. As pedras caídas estavam todas dentro do limite da vinícola. Ao que parece, alguma criatura entrou por esse ponto do muro.

(...)

Frases de nota

“É uma cidade como todas as outras... mas com algumas coisas diferentes.” Senhorita Beatrice, dissertando sobre a Gema de Flanaess.

Comentários

  1. Ficou ótimo, Bogus! Espero que não desanime e faça o mesmo nas próximas sessões...

    E essa frase do Cacá foi ótima também, rsrsrs....

    abs

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  2. Ahuahuahuahua... a frase do Cacá foi muito boa mesmo... rsrsrs

    Eh, ficou muito bom mesmo... agora quero ver manter isto na próximas sessões!!! UHUHUHUHUHUHU!!!

    Mas ficou realmente muito bom!

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  3. Só um detalhe: o nome do mês é Reaping... :-)

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  4. Prometo tentar criar mais frases de efeito no meio da campanha...
    Good Job bogus!!

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  5. e a frase ficou muito boa, se tratando de greyhawk...

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  6. Ops, o analfabeto se corrige hehe

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  7. rsrsrsr... já vi q corrigiu... mto bom garoto! DIA 26 deve ter JOGO.. já aviso (é sábado não é?)

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  8. ho ho ho, im in
    feliz natal metajogueiros!

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