Histórico de Beren Amakiir

Obs: A requerimento do MestreCavernoso, estou postando o histórico do meu personagem. Fiquei um pouco relutante em fazê-lo a princípio, mas, como os últimos acontecimentos da campanha já me levariam a contar pelo menos parte dele ao grupo em breve, resolvi acatar o pedido. Espero que vocês também postem os seus...
Lia Amakiir nasceu numa pequena vila élfica no interior do imponente bosque de Lendelwood. Embora os elfos de Lendelwood sejam menos inclinados às artes mágicas do que seus pares em outras partes do mundo, desde cedo Lia mostrou aptidão para as mesmas e a estudou com ardoroso prazer junto aos mestres élficos, utilizando seu poder arcano para defender o bosque das inúmeras invasões Brandobianas.

Após um longo tempo perambulando pela floresta na caça aos inimigos de seu povo, Lia acabou por encontrar um soldado bastante ferido em uma pequena clareira na borda ocidental da mata. Embora em conflito com o povo de Eldor, os elfos não costumam ser agressivos, exceto na caçada a membros de bandos armados que violem as bordas de suas terras. Contudo, naquele momento, ao ver o homem debilitado ao chão - possivelmente deixado para trás por seus companheiros, Lia se compadeceu. O soldado, como mais tarde ela ficou sabendo, se chamava Adrus e tinha se refugiado na floresta após uma pesada derrota de sua tropa frente às forças de Lathlanian. Lia não poderia levá-lo para sua vila, pois lá seu hóspede jamais seria bem recebido. Providenciou, então, seguro abrigo sobre as copas de algumas árvores frondosas, onde passou a cuidar de seus ferimentos e, como conhecia bastante a região, resolveu servir-lhe de guia, levando-o até a cidade Eldoran mais próxima, onde acreditava que os demais sobreviventes estariam reunidos.

Enquanto a viagem prosseguia, os dois acabaram se sentindo cada vez mais atraídos um pelo outro. Ele, absolutamente maravilhado pela beleza e graça élficas; ela, surpreendida pela nobreza de caráter daquele humano, certamente bastante diferente de todos os outros de vida curta que havia encontrado.

Mesmo após chegarem a Strilven, onde Adrus encontrou seus companheiros aguardando por ordens de seus superiores, eles continuaram se vendo e cultivando secretamente aquela paixão que tão rapidamente aflorara. Ela não sabia muito bem como lidar com aquele sentimento, que lhe era absolutamente novo, ainda mais por notar nele uma tristeza e uma resistência em assumir o amor que ela sabia que ele também sentia, que ela era capaz de ver nos olhos dele, como se alguma lembrança o impedisse. Não obstante tal notável sentimento, pesava sobre Lia e Adrus o fardo pesado da inimizade secular de seus povos, Brandobians e Elfos.

Não muito tempo depois, chegaram novas ordens aos sobreviventes, exigindo o seu retorno a Unvolen, onde se reuniriam às novas tropas enviadas pelo Imperador. Embora desejasse muito continuar em Strilven, deixando de lado aquela tormentosa campanha, ele sabia que era seu dever obedecer às ordens, sob pena dele e sua família serem perseguidos e mortos por desobediência e traição, num claro afronte ao Código do Rei. Mas ele não poderia partir sem ao menos se declarar à sua amada; ele precisava esquecer sua tristeza e dizer a ela tudo o que sentia.

Os dois se encontraram naquela mesma noite e, com a tão esperada declaração feita por Adrus e com a eminente possibilidade de nunca mais vê-lo, Lia decidiu por se entregar e consumar aquele amor.

Já no dia seguinte, sob juras de retornar assim que possível, Adrus se foi. Por muito tempo, Lia esperou, retornando à cidade por várias ocasiões em busca de notícias, mas, por fim, acabou por desistir, em especial ao perceber que o amor deles havia deixado um fruto.

Assim, decidiu retornar à sua vila, onde, sob os olhos curiosos e acusadores dos demais elfos, ela deu a luz a Beren. Seu coração, sabiamente, temia pelo bem-estar de seu filho, posto que na qualidade de meio-humano, jamais encontraria paz.

Beren passou praticamente toda a sua infância na vila. Apesar de vários elfos não apreciarem muito a presença daquele meio-humano ali, não chegavam a tratá-lo mal, mas apenas com um certo desprezo e indiferença, principalmente pelo fato dele ser apenas uma criança ainda. Mas aqueles menos preconceituosos dentre eles gostavam bastante de Beren, pois ele era um bom garoto, sempre solícito e com uma curiosidade e uma ânsia por aprender que os deixava meio perplexos às vezes, não sendo capazes de entender como uma criança tão nova podia se interessar por tantas coisas diferentes, mesmo tendo sangue humano, o que fazia com que crescesse e amadurecesse muito mais rapidamente.

Aliás, seu crescimento acelerado sempre foi um problema para ele, pois o impedia de ter amizades duradouras com as demais crianças, sendo sempre obrigado a se vincular e a tentar brincar com as pessoas mais velhas, o que nem sempre era apreciado por elas, especialmente quando já alcançava a pré-adolescência e seus traços humanos se tornavam cada vez mais marcantes.

Lia acabou decidindo que o melhor para Beren seria se afastar um pouco da vila. Embora, como dito, o preconceito fosse velado, ela temia que alguns dos mais radicais pudessem vir a tomar atitudes drásticas, principalmente no caso de um envolvimento amoroso dele com alguma das jovens da aldeia. Assim, quando Beren completou doze anos, ambos foram morar sozinhos na mata, num local não muito distante da vila, mas longe o suficiente para apaziguar eventuais animosidades.

Lá, ela continuou lhe passando seus conhecimentos, em especial a arte da magia, a qual Beren absorvia com muito prazer. Porém, a humanidade dele ansiava por mais. Ele queria aprender sobre outras coisas, coisas que não estavam em livros. Ele queria se aventurar pela mata, caçar, pescar, brincar com os animais, e não ficar enfurnado o dia inteiro em sua cabana na árvore estudando a linguagem conhecida com Alto Élfico, um dialeto mais refinado, falado apenas pelos mais sábios e eruditos da sociedade élfica, e que é utilizada pelos elfos no estudo das artes mágicas.

Assim, sempre que conseguia um tempo livre, ele partia numa aventura, como dizia, e se embrenhava na mata à procura de diversão com seu arco improvisado, que aprendeu a fazer praticamente sozinho, com base apenas em suas lembranças de criança. Em uma dessas incursões, ele acabou se distanciando mais do que devia, e se encontrou com um grupo da infantaria de Eldor. Fez o que pôde pra se defender, mas a verdade é que ele ainda não possuía a experiência para isso e foi imobilizado facilmente. Por sorte, um batedor élfico passava pela região e acertou vários tiros certeiros com seu arco, mostrando uma perícia admirável, e rapidamente eliminou o grupo.

Seu salvador era bem mais alto do que os elfos da vila e tinha longos cabelos prateados, além de olhos de um violeta brilhante. Vestia uma armadura extremamente bonita, a qual parecia ser feita do famoso mithril, raríssimo metal precioso, do qual somente tinha escutado falar nas lendas e mitos. Ele veio até Beren, perguntou como ele estava, avisou-o para não se aventurar tão longe de casa e se foi, desaparecendo entre as árvores.

Beren ficou absolutamente fascinado por aquele elfo, pela perícia com o arco que ele demonstrara, sua postura, pela maneira tão perfeita com que ele se misturava entre as árvores. Em sua cabeça ele acreditava que aquele arqueiro era um dos lendários guardiões da cidade élfica de Lathlanian que se localiza no coração da floresta. Tais guardiões raras vezes são vistos pelos elfos "mundanos". É dito que suas almas e seus corpos são imortais, pelo menos assim será até o momento da derradeira batalha com os herdeiros do legado da Brandobia.

Ao mesmo tempo, essa admiração acabou levantando nele um sentimento que sempre lhe tinha ficado latente e do qual ele sempre evitara falar, já que sua mãe sempre ficava triste quando ele tocava no assunto: seu pai. Claro que ele sabia que aquele sujeito não era seu pai, já que ele também era um elfo, e seu pai deveria ser naturalmente um humano. Mas ele começou a imaginar, não pela primeira vez, como seria bom que o seu pai surgisse naquele momento, contando das muitas aventuras que teria vivenciado enquanto tentava voltar para casa.

Assim o tempo foi passando e Beren continuava dividindo o seu tempo entre as matas e os estudos. Quando atingiu os 17 anos e já tinha se tornado capaz de utilizar os primeiros truques mágicos com confiança, Lia permitiu que ele começasse a ir em algumas incursões pela mata com ela e alguns outros integrantes da vila, período em que pôde aprender um pouco mais sobre a floresta, as trilhas e seus inimigos.

Num dia em que sua mãe iria fazer uma incursão um pouco mais perigosa do que as usuais, Beren acabou ficando em casa e, enquanto tentava descobrir um livro que ainda não havia lido, encontrou uma carta enfiada numa fresta de madeira. A carta estava meio amassada e bastante empoeirada, parecendo estar esquecida ali já há algum tempo, provavelmente anos. Ele a pegou e viu que era uma carta escrita em idioma Brandobian por sua mãe, tendo como destinatário um certo Adrus. Como a carta não estava lacrada, ele decidiu lê-la. A data era de alguns meses antes do nascimento de Beren e, nela, sua mãe afirmava estar grávida de Adrus e que ele deveria procurá-la assim que fosse possível.

Beren ficou completamente absorto olhando para aquela carta e a releu algumas vezes, tentando imaginar o porquê dela não ter chegado a seu destinatário, o porquê dela ainda estar ali. Ao mesmo tempo tentava imaginar como seria aquele homem, seu pai, que agora possuía um nome.

Assim Lia o encontrou. Viu a carta nas mãos dele e soube que havia chegado a hora, não poderia mais adiar aquela conversa e lhe contou toda a história: de como haviam se conhecido, de como haviam se apaixonado, de como Adrus havia se dirigido ao campo de batalha e de como eles nunca mais se encontraram. Ela disse que a carta foi escrita quando desistiu de esperar por ele em Strilven; ela a deixou com um mensageiro, pediu para que o mesmo o procurasse em Unvolen e que, depois, retornasse com notícias. O mensageiro, apesar de muito procurar, não o encontrou e acabou retornando com a carta, afirmando que, depois do que vira, da mortandade que presenciara nos campos próximos da vila, acreditava que o mesmo não teria sobrevivido, já que pouquíssimos foram os que saíram de lá com vida. Ora, os conflitos com os elfos estavam em seu auge, e uma profunda tristeza tomou o coração de Lia, pois se sentia de certa forma culpada pela morte de Adrus, afinal, era ela do mesmo sangue dos algozes de seu amado. E, assim, ela voltou para sua vila natal para passar o restante de sua gravidez e criá-lo.

Beren lhe fez muitas perguntas durante toda aquela noite, querendo saber todos os detalhes de suas conversas, de forma a tentar descobrir de onde ele era, mas sua mãe nada sabia, apenas que ele tinha vindo do sul, de uma cidade da qual não lembrava o nome. Lia, conhecendo bem o seu filho, tentou desencorajá-lo a procurar por seu pai, mas Beren foi inflexível. Ele sempre havia desejado encontrar o seu pai e, agora, que ele enfim tinha descoberto seu nome e um local onde iniciar a sua busca, tinha chegado a hora de partir. Naquela mesma semana, prometendo retornar, Beren se despediu de sua mãe apenas com uns poucos pertences pessoais, a velha carta e um anel, presente de Adrus no último dia em que se viram, objetos com os quais acreditava poder comprovar sua descendência perante o seu pai, caso viesse a encontrá-lo. Sabia que não iria ser fácil, que muitas estradas teria que percorrer e que o final era incerto, mas a jornada valeria a pena, ele tinha certeza disso.

Comentários

  1. Muito bem! rsrs

    Mas não era uma imposição, apenas uma sugestão. Achei q seria interessante que este tipo de informação ficasse disponível no blog, até para eventuais consultas no futuro.

    Ademais, como o Robinho já falou, a história está se desenvolvendo (no momento) em virtude do background do seu personagem... então... este post já é um adianto!

    Abraços a todos

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  2. Rápidos comentários sobre a última sessão, pra servir de aperitivo aos ausentes: enfim a história se revelou e ficamos sabendo quem é miranda e o verdadeiro motivo da rixa entre adrus e durzgol. E, de posse dessa informação, já começo a ter dúvidas sobre a morte de harric (ou não, talvez durzgol reagisse de forma ainda mais irada, rsrs)...

    E engraçado como, só depois da sessão, é que pensei em uma outra forma de tentar convencer o Lorde, embora ache que também não iria funcionar, pois ele parecia inclinado a não aceitar nenhum de nossos argumentos. Acho que a proposta que ficou combinada é inviável, praticamente impossível de ser cumprida (embora bem intencionada, pietro, não se irrite, rsrs). A melhor opção "leal" seria ir à Princesa de Basir e apelar a ela, tentando usar o fato de termos lhe dado a "Máscara das Raças", mas meu personagem está bastante inclinado a opção "alternativa"...

    abs...

    ps: o dinheiro demorou a vir, mas irá embora rapidinho, rapidinho, pelo menos o meu, rsrs...

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