39° Ato - O Legado de Sangue - FIM DA 4ª PARTE

O acidente com o item mágico danificou irremediavelmente a estalagem do "Pé do Rei". O fogo se alastrou por outras casas e consumiu quase um bairro inteiro, somente sendo controlado na manhã do dia seguinte.

Beren e Allus correram assustados do local, mas retornaram em seguida para ajudar a população com o incêndio. Numa reunião privada, Beren admitiu a culpa de ambos, apesar de Allus ter tentado despistar.

Galahad não ficou nem um pouco satisfeito com a situação, mas aceitou que o grupo seguisse para Bedido a fim de conseguir a carta de alforria de Kotesh, e só depois resolvesse o problema em Bet Urala. Lá o grupo conseguiu mais do que isso, porém. Beren soube notícias de seu pai.

Foi Clausel, clérigo de Goliridin (O Lucrador, Mestre das Moedas, O Senhor de Terras). Ele rege uma ostentosa capela, e se veste como um legítimo burguês do século 17, com direito a meião e roupas de veludo em cores alegres, bem como boina com direito à pena branca e camisa e calças bufantes. Este templo tem características muitos mais mercantilistas do que religiosas. Há diversos aprendizes e mercadores trabalhando como cambistas e joalheiros, realizando também empréstimos e tudo o mais.

O templo é espaçoso, possuindo apenas um andar, e sendo todo aberto (apenas com pilastras no estilo Kalamaran) e um pátio coberto, com chão e mármore. O único grande destaque está para a estátua de um homem pequeno (a estátua é grande, mas retrata um homem de estatura diminuta), vestido com calças de veludo e uma casaca adornada com botões de diamante.

Foi neste local que o sacerdote contou sobre Ardrus.

“Eu sei que um homem soturno, mas não exatamente mal educado, me procurou. Ele era um Eldoran orgulhoso, como dizia. Grande contribuinte para com a Paróquia da Moeda Profícua, é verdade!”

Nada sei sobre seu paradeiro. Sei que faz quase um ano que não o vejo, senão mais – minha memória me falha de vez em quando.

Ele tinha alguns assuntos para resolver conosco. Precisava de uma ajuda, para resolver um assunto específico, mas... ah... minha cabeça... bem, ele precisava de nós para resolver um problema pessoal. Mas não sei se devo dizer mais do que isso, porque, afinal de contas, ele fez um contrato conosco, e ele não previa a divulgação destas informações.”

Clausel contou que ele precisava de um empréstimo e trocar algumas pedras preciosas e jóias em outro. Segundo o sacerdote, Ardrus definitvamente estava juntando fundos para uma viagem, e naquela mesma época embarcou na Shropa Netzas, um navio comandado pelo Capitão Uran. Ainda, esta embarcação costumava fazer a rota entre Rotidido, Bedido, Bet Urala e Bet Seder, mas há tempos não é vista por ali.

Como Rotidido é bem próxima de Bedido, o grupo decidiu rumar para lá primeiro.

Ao se aproximarem da cidade, os personagens verificam que se trata de uma cidade pequena, com cerca de 5 mil habitantes, com diversos riachos que a cruzam e pontes que os superam em arcos quase plenos.

Nesta vila, o grupo descobriu que Ardrus estava preso, acusado de tentativa de assassinato. A vítima? Uran e seu sócio, Doran.

Beren e Galahad conseguiram uma autorização para conversar com Ardrus, que estava preso numa masmorra no subterrâneo da torre da guarda.

Os dois explicaram o que se passava, e Beren revelou ser filho de Ardrus.

“Ahhh... ahhh... meu coração dói! Dói de felicidade! (ele se aproxima de Beren e toca-lhe a face) Obrigado Beren, por trazer em ttua face os olhos de tua mãe e os traços faéricos que tanto amei! Que os deuses abençoem a sua existência, pois a minha benção, meu filho, já a tens.

(ele chora copiosamente abraçado com Beren)

Eu tenho pouco tempo de vida. Quando estiveres com tua mãe, entrega isto a ela (ele lhe dá seu sinete) e diga-lhe que jamais a esqueci.”

Beren demoveu Ardrus da idéia de desistir de sua vida, pois ele o tiraria dali, de algum modo.

Ardrus explicou como chegou até aquela situação.

“Eu tive dois amores em minha vida, duas mulheres a quem realmente dediquei minha alma.

Eu ainda era muito jovem, devia ter uns 17 anos, quando conheci Miranda. Nós nos amamos como talvez jamais tenha amado alguém. Fazíamos tudo às escondidas, pois sua família era nobre, e eu era apenas um pobre rapaz, um camponês.

Eu me lembro quando seu pai (Conde Durzgol de Curdven – Condado de Cosdol) nos viu juntos pela primeira vez... apanhei tanto naquele dia! Seu capataz, Pharagûl, um homem terrível, levou-me para os fundo de um celeiro, me espancou e me jogou sobre o esterco.

Eu amava Miranda. Tanto que resolvi que não aceitaria me separar dela. Se uma nobre não podia se casar com um camponês, então eu deveria conseguir alguma nobreza. Assim que resolvi tornar-me um mercenário. Naquela época achava que os campos de batalhas possuíam mais glórias e riquezas do que enxergo hoje.

Na minha ingenuidade acreditava que seria capaz de conseguir um grande espólio, quem sabe o resgate de algum nobre ou de um elfo importante. Mas os campos de batalha só reservavam tristezas para mim.

Miranda não aceitava a intolerância do pai, e fugiu para ficar comigo. Nós estávamos em um saque em Motven. Minha tropa tinha acabado de tomar a vila de volta dos elfos quando Miranda chegou. Éramos felizes.

A vida na guerra tem seu preço. Miranda foi morta poucos meses depois, mas ela já tinha me deixado meu primogênito, a quem acho que não viverei para ver novamente.

Nunca mais vi Pharagûl ou Durzgol novamente.

Voltei para Randolen, com Harric nos braços, e minha família nos acolheu de volta.

Mas também conheci Lia. Isto foi algum depois Miranda morrer..."

Ele, então, explica toda a história de seu amor com Lia. (vide biografia do Beren, no último post).

"... E quando retornei, finalmente, após anos no fronte, eu sabia que a tinha perdido para sempre. Nunca mais a vi, mas meu amor só cresceu nos últimos anos. Sempre quis revê-la, mas a animosidade entre Eldorans e elfos jamais permitiria.

“Eu vim porque achei que devia. Anos atrás estive aqui para tratar de negócios, fechei alguns bons acordos naquele ano e Weyyel (StormLord) foi bondoso conosco. Foi a primeira vez que ouvi detalhes sobre a história das Máscara das Raças. Eu já tinha ouvido falar dela, em lendas antigas trazidas por uma comitiva de bardos e dançarinos Basirans que visitou Randolen na minha infância. Nunca pensei que ouviria aquela história de novo, mas ouvi. Era um grupo de quatro aventureiros, que diziam que podiam encontrar tal artefato. Nunca mais ouvi falar deles. Mas aquela historia ficou na minha mente.

Naquela noite de primavera em que fiz amizade com eles ao som dos menestréis e embalados por hidromel Pekalense contrabandeado, eles me disseram que a Máscara existia de verdade, e que foi usada por grandes guerreiros no passado para pacificar os Reinos Jovens. Eu fiquei extasiado com a história e queria ouvir mais. Eles me contaram a forma como planejavam encontrar o esconderijo de Suvinus e como se tornariam famosos em Kalamar por reunir o Império novamente.

Eu os invejava, porque talvez tivessem ao seu alcance a chance de realizar seu sonho. É muito triste ver um povo separado, famílias destruídas, sonhos despedaçados. O amor não pode florescer assim... não pode mesmo.

Eu voltei para a Brandobia no dia seguinte, amargurado por saber que minha terra estava fadada a enfrentar guerras semelhantes e me perguntei se havia algum lugar no mundo onde os homens não amassem tanto as batalhas.

Feliz eu estava também porque sabia que, se aqueles aventureiros podiam realizar seu sonho, talvez eu pudesse também realizar o meu algum dia.

Uma vez pensei que esse dia tinha chegado. Mas vi que não!

Eu vim para Basir encontrar a Máscara, eu mesmo. Estava obstinado. Precisava saber se aquele grupo a tinha encontrado e então a tomaria para mim e a levaria para a Brandobia. Caso contrário, a encontraria eu mesmo.

Poucas pessoas aqui sabiam desta história, achei isso engraçado porque pensei que ela fosse mais popular. Porém nem os sábios puderam me ajudar, exceto por ela. Thilarenê!

Assim que cheguei em Basir e comecei a procurar mais sobre esta história esse nome me foi sussurrado. Não sei se foram os deuses, mas conheci a existência desta mulher muito por acaso, numa feira de Bet Urala. Ouvi que era uma feiticeira poderosa, capaz de predizer o futuro e adivinhar os segredos mais escondidos. Disseram-me que ela vivia nos recônditos da floresta Edosi.

Quando a encontrei, ela me disse, com todas as letras afirmo que ela me disse, que eu, Ardrus Witigis deveria encontrar a Máscara. Eu lembro que chorei quando ouvi isso, lembrei de minha amada Lia e pela primeira vez acreditei em minha vida que poderia acabar com a guerra que separava nossos dois mundos.

Eu pedi uma direção, um caminho, perguntei onde a Máscara estava escondida, e ela só me disse que a brisa do mar traria as respostas, e que eu deveria estar atento às criaturas de Vilendur.

Quando retornei para Bet Urala fiz algumas pesquisas. Na verdade, precisei ir até Bedibido e Birirelido para concluir, mas finalmente descobri o que eram as criaturas que Thilarenê falou. Quem sabe um dia conto para vocês esta história, mas o que importa é que quando conheci Urnan ele trazia consigo um mapa que continha exatamente as tais criaturas, os três dragões que Vilendur narrou no Codex conhecido como Fallen Leaf Tales (Contos da Folha Caída).

Eu soube que era aquilo que procurava, então comprei o mapa.

Estudei e interpretei o mapa, sabia que seria possível avançar nas minhas buscar com ele, estava convencido disso. Mas ainda precisava entender melhor seu significado, e precisava de pessoas que me acompanhassem na busca, pois sozinho não seria capaz de me virar.

Brevemente expliquei minhas ambições ao próprio Urnan, e lhe convidei para me ajudar a formar uma comitiva.

Pobre de mim, que fui enganado por aquela víbora. Urnan me prometeu ajudar. Vim com ele para Rotidido e quando descobri que sua ambição era grande já era tarde. Ele e Doran, quando suspeitaram do que o mapa poderia ser capaz de revelar, me traíram, queriam o mapa de volta. Eu jamais poderia aceitar isso, mas os dois estavam furiosos.

O final desta história todos aqui já sabem. Brigamos eu acho que uma lanterna caiu no chão, incendiando todo o prédio.

Ao menos tive tempo de cravar minha adaga no peito daquele traidor, mas agora estou aqui.

Para mim, a Máscara das Raças permitiria que eu vivesse com Lia, que eu pudesse encontrá-la novamente. Poderia me unir a ela e ela poderia se unir a mim, sem preocupação de diferença de raças.

Com esta Máscara, meu amor poderia florescer e eu poderia viver o romance que os poetas de Cosdol cantavam em linguagem faérica nas ruas frias de Cosolen.

Mas meu sonho foi negado. Eu poderia unir a Brandobia e Lendel com meu amor, pois esta era a vontade do meu coração, porém sinto que morrerei sem nunca mais poder sentir o suor do meu verdadeiro amor, sem poder enxergar em seus olhos a vida eterna que brilha com fulgor nos olhos dos elfos.

Resta-me apenas agarrar-me aos frangalhos de minha própria existência combalida pelo mau dos homens!”

Depois de mais alguma conversa, sobre Harric, Durzgol e Miranda, o grupo se dirigiu até o Castelo do Conde Balamir, onde apresentaram uma súplica a um dos magistrados da cidade. O homem disse que sem provas, nada podia fazer por Ardrus, mas ao saber que Beren era seu filho, aceitou encaminhar ao grupo um documento que lhes permitiria apelar ao Conde, pessoalmente.

Os personagens precisaram aguardar uma semana até que conseguissem um audiência com o Conde. Lá, o soberano, acompanhado de auxiliares e conselheiros, ouviu a apelaçaõ do grupo.

Porém, ele estava irredutível.

"Sem provas capazes de inocentar Ardrus, eu nada posso fazer. Vocês alegam que ele reagiu a um roubo que Uran praticou contra ele, e afirmam que ele era movido por boas intenções, o amor, por esta elfa chamada Lia.

Porém, esta é a sua palavra contra a de Uran, a quem mandei para o exílio devido suas reiteradas arruaças nesta vila.

Devo denegar o vosso pedido, pois ele não está fundado em novas provas, mas apenas nas suas alegações, que para mim são vazias."

Galahad, então, tomou a palavra e, usando de toda sua eloqüência, sugeriu:

"Vossa Graça deve compreender que eu sou um sacerdote de Dirasip, e jamais mentiria numa corte. O Sr. Ardrus é inocente e até mesmo o senhor deve reconhecer que seu julgamento pode não ter sido o mais justo. Não podemos trazer provas concretas disto, mas podemos deixar que os deuses decidam por nós. Proponho uma duelo de espadas, entre mim e Uran. O vencedor estará com a verdade e com a benção dos deuses."

O Conde relutou, mas aceitou a proposta, ressaltando, contudo:

"Uran está desaparecido, eu o expulsei desta vila e deste condado. Então, SE vocês conseguirem achá-lo, eu aceitarei o resultado de um tribunal de espadas, mas como ele não está aqui agora, Ardrus permanecerá preso!"

Beren ainda tentou contemporizar, afirmando que o grupo conseguiu recuperar um valioso artefato para Basir, e que seria muito útil para o Império. Porém o conde respondeu:

"Então apelem para a Princesa Dela, ou para o Imperador Kabori, se quiserem. Eu, porém, não vos darei um provimento deste tipo. Não sem provas OU sem a manifestação dos deuses."

Assim terminou a audiência.

E como será decidido o futuro de Ardrus?

Comentários

  1. se soubesse que vc iria ser tão rápido, nem teria feito o comentário no post anterior, rsrs...

    galahad foi muito eloquente mesmo, mandou bem... acho que o pietro deveria sempre jogar com personagens leais, isso freia aquelas loucuras que ele fazia com o harric de vez em quando...

    só um detalhe que eu gostaria de acrescentar: urnan, ao que tudo indica, é filho ilegítimo do conde, o que dificultou bastante nossas tentativas de convencê-lo a libertar adrus...

    ResponderExcluir
  2. Sim, faltou dizer isso, poréeeeeem... ninguém sabe se isso é verdade ou não... pode ser lorota da plebe.rs.

    Postei rápido pq me animei com a sessão.

    E por falar nisso, este fds vai ter jogo de novo!!!

    ResponderExcluir
  3. sobre o fds, não poderei jogar: descobri hoje que estarei de plantão no sábado e, como só chego a friburgo lá pelas 7:30, acho que vai ser inviável pra mim...

    ResponderExcluir

Postar um comentário