27° Ato - "Interlúdio"

Beren estava sozinho, e assim retonou pelas estradas de Eldor até Randolen.

As notícias que trazia consigo eram tristes, mas pelo menos aquilo que ouviu de Namac era minimamente animador. Premolen paulatinamente vinha sendo livrada da influência de Glorath e, apesar da presença das Cortes da Iniqüidade parecerem inevitaveis, ao menos seu poder havia sido reduzido. Muito havia a ser feito ainda, contudo.

Beren contou tudo o que ocorreu nos pântanos, não omitindo nenhum detalhe. Mas Namac não parecia tão preocupado, afinal, com o destino do bebê. Lorandil, desolado, acreditava que sua criança estava para sempre perdida e, não obstante Beren estivesse relutante em aceitar aquilo como o fim, viu-se forçado a fazê-lo (ao menos por hora). Em verdade, Namac e os Portadores da Luz estavam deveras satisfeitos com os préstimos de Beren e dos demais personagens, mas sua boa vontade cessou desde o momento em que eles não eram mais úteis aos seus propósitos, daí que não havia porque se envolver em um assunto pessoal, com o do bebê.

A mascarada relação de interesses, que permeia o meio de convívio dos homens intrigava aquele meio-elfo, que ainda jovem já tinha que lidar com a morte e o obscuro.

Cinco longos anos se passaram. Durante todo este tempo Beren esteve em busca de respostas para aquelas perguntas que atormentavam sua mente: Que teria sido feito do bebê? Quem é Miranda? Quem é meu pai? Quem sou eu?

Viajando pelo norte de Eldor e por Cosdol o solitário herói descobriu que Durzgol era o Conde de Pevrven, uma região ao sul de Cosdol, na fronteira com Eldor.

Muitos anos atrás um brilhante guerreiro, liderando uma centena de homens do exército de Eldor, avançou sobre aquela próspera região, mas o Conde de Pevrven, que jurou ao Rei proteger as terras, foi fragorosamente derrotado em batalha.

A cidade fora devastada, os campos destruídos, as casas saqueadas e queimadas, os pertences de valores roubados e as mulheres estupradas. O Conde, fugiu com suas próprias vergonhas, deixando a vila para buscar abrigo sob o manto do Rei.

Porém, em Consolen sua recepção não foi calorosa. Logo, a fama de Durzgol se espalhou, e sua triste história se tornou infame. Somente graças ao seu sangue nobre Durzgol não fora tratado com o rigor de um desertor, mas pior do que a própria execução foi a "pena" que lhe foi imposta.

O Rei o entregou as terras pútridas de Avdoron, nomeando-o como guardião delas. Durzgol passou a governar aquele lugar miserável, estéril, despovoado e... amaldiçoado. Nunca, porém, se esqueceu da face e do nome daquele bastardo cavaleiro de Eldor: Witigis, Adrus Witigis!

Meses mais tarde Beren chegava a Nordolen, em busca daquele ramo da família Witigis. Um turbilhão de informações e sentimentos até então desconhecidos vieram à tona. Beren encontrou a família Witigis, representada por uma bela jovem, a esposa de Adrus (que beren calculava ter sua idade).

A conversa naquela tarde foi reveladora, mas Beren nada deixava transparecer. Aquela deveria ser a segunda ou talvez até terceira esposa de Adrus. Ela tinha um filho com Adrus, um muleque de no máximo 8 anos de idade.

E Beren olhou para ele como quem olha para um irmão.

Adrus era um caveleiro de origem pobre. Não possuía sangue nobre. Mas ascendeu apesar dos rígidos estamentos brandobianos graças aos seus atos de bravura e demonstrações de lealdade para com sua Majestade e para com seu Conde. A batalha de Pevrven fora o marco de sua longa carreira nas fileiras do Rei. As riquezas eram tantas, a glória tão grande e a demonstração de bravura e competência tão eloqüente que agraciar Adrus com um título de nobreza era necessário.

Apesar disto, a vida de Adrus não era fácil. Sempre diminuído diante dos demais nobres, que o consideravam impuro e indígno, Adrus desistiu de levar adiante sua carreira promissora, aplicando sua pequena fortuna em negócios no além-mar. O negócio prosperou, e a família Witigis conquistou algumas fazendas ao norte de Nordolen, além de pelo menos três naus - na verdade duas, pois uma foi perdida para os piratas do Estreito da Svimohzia.

Recentemente, Adrus esteve em Bet Urala para resolver negócios que ele considerava importantíssimos, tanto que pessoalmente se deslocou até lá - o que raramente fazia (onde quer que fossem seus negócios).

Porém, contou sua esposa, ele retornou mudado, mais silencioso e pensativo. Não raro sendo atormentado por pesadelos que pareciam o perseguir até durante o dia. Ele teria mencionado, certa vez, uma mística chamada Thileranê, a quem Adrus conheceu nos tempos que esteve em Bet Urala. Adrus, contudo, jamais falou abertamente sobre o que quer que tenha ocorrido naquelas terras distantes que possa tê-lo transtornado tanto.

E assim, os dias foram se passando na família Witigis, até que data do concílio nobre se aproximava.

O concílio era na verdade uma reunião de diversos senhores, que se sentavam ao redor de seu suserano para discutir política, fazer alianças e partilhar espólios. Adrus, naturalmente, estava convidado, mas nunca pode atender ao convite, pois desapareceu pouco antes, para nunca mais se ter notícias dele.

Agora, contou sua esposa, a família está em frangalhos, pois Harric (!!!) seu filho mais velho, também estava desaparecido havia muitos anos!

Beren estremeceu! Se tudo o que ouvia e tudo o que pesquisou era verdade, então Harric era seu irmão!

Apesar da forte emoção, Beren se conteve para ouvir o que aquela moça tinha a dizer. Obviamente, ela não era a mãe de Harric, tampouco sua mãe - a idade deixava isso claro. A conversa foi se esvaindo, e Beren viu chegar o momento em que foi preciso se despedir.

Beren, que se apresentou como um amigo distante de Adrus, ainda passou alguns dias em Nordolen, mas em seguida tomou um navio para Bet Urala. Não desistiria tão facilmente de saber o que aconteceu com seu pai.

O desembarque na Bet Urala se deu muitas semanas depois disso tudo, e a atmosfera no reino de Basir era completamente diferente de Eldor.

Um pequeno torneio de gladiadores ocorria em um templo da cidade que, situada na encosta rochosa de uma montanha (na parte mais alta) e no fundo de uma baía (na parte mais baixa), erquia-se majestosa.

"Thilerâne! Thilerâne! Não era esse o nome da boticária que Aridel mencionou no floresta de Brolador?!" Berenm estava encucado.

Uma nova jornada se inicia agora, Beren continua sozinho e preciso logo encontrar o rumo certo.

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